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| Brahim Ghali |
Discursando perante milhares de pessoas no campo de refugiados de Auserd, em Tindouf (no extremo sudoeste da Argélia), no âmbito das comemorações dos 50 anos da República Árabe Saaraui Democrática, Ghali afirmou que a criação da RASD foi “uma resposta urgente” a uma “conspiração colonial” que visou retirar aos saharauis o direito à independência.
O dirigente apontou diretamente ao acordo tripartido assinado em Madrid entre Espanha, Marrocos e Mauritânia, que permitiu a divisão do território após a retirada espanhola em 1975, na sequência da chamada Marcha Verde. Segundo Ghali, esse entendimento abriu caminho à ocupação marroquina, que hoje controla cerca de 80% do território.
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| Foto Infobae |
Ghali lembrou que, para a ONU, o Sahara Ocidental continua por descolonizar e sublinhou que a responsabilidade jurídica de Espanha “não prescreve”, apesar de Madrid considerar encerrado o processo desde 1975. Criticou ainda o apoio do Governo espanhol, em 2022, ao plano de autonomia marroquino.
Apesar do tom crítico, o líder saharaui reiterou a disponibilidade para uma solução pacífica, afirmando que o povo saharaui “não será uma fonte de ameaça”, mas sim um parceiro para a paz e cooperação, incluindo com Marrocos.
O dirigente defendeu que a autodeterminação continua a ser a única via para uma solução duradoura e sublinhou que a RASD dispõe hoje de instituições capazes de assegurar a gestão do território, apresentando-se como uma realidade política consolidada, apesar do contexto de ocupação e exílio.
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