quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Frente Polisario critica Espanha pela sua posição face ao acordo de pesca com Marrocos


A Frente Polisario criticou hoje Espanha por querer prolongar o acordo de pescas entre a União Europeia (UE) e Marrocos, "com a inclusão das águas do Sahara Ocidental". O representante da Frente Polisario em funções junto da UE, Mohamed Beissat, manifestou, em comunicado, a sua "decepção" pelo interesse do Governo espanhol em pretender conseguir uma prorrogação por, pelo menos, ano do acordo de pesca que expira no próximo dia 27.

O Comité de Representantes Permanentes da UE — formado pelos embaixadores dos 27 países — debateu hoje a petição da Espanha há cerca do futuro do acordo pesqueiro, que concede uma centena de licenças aos barcos espanhóis. Na reunião, a Comissão Europeia (CE) confirmou que proporá uma negociação de urgência para conseguir uma prorrogação do acordo.

Mohamed Beissat criticou que os barcos europeus fainem nas costas do Sahara Ocidental, "a antiga colónia espanhola ocupada ilegalmente por Marrocos", segundo afirma o comunicado. "Nenhum país da UE nem de qualquer outra parte do mundo reconhece as reivindicações de Marrocos sobre o Sahara Ocidental", segundo afirmou o representante da Frente Polisario.

O dirigente saharaui invocou igualmente o relatório dos serviços jurídicos do Parlamento Europeu (PE) que expressou dúvidas sobre a legalidade do acordo, por considerar que não beneficiava adequadamente as populações saharauis muito embora a frota europeia faine nas costas do seu território. "O Governo espanhol e, em particular a ministra espanhola do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho, Rosa Aguilar", optaram pelo " saque em lugar dos princípios" e mancharam "a reputação da UE no mundo", afirma a Frente Polisario.

O eurodeputado Raül Romeva (ICV-Verdes) manifestou no seu 'blog' que a CE procura "uma desculpa para se esquivar às prerrogativas legais" que suporia um novo acordo e assim evitar a possibilidade de que as águas saharauis sejam excluídas do texto. "Uma vez mais, a CE e o Conselho da UE — cegos às revoluções que se estão a registar no Egipto, Tunisia, Argélia ou noutros países do norte de África — optaram trocar a pesca pelo silêncio", segundo Romeva.

EFE

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