quinta-feira, 17 de março de 2016

Ban Ki-moon não viajará a Marrocos após as últimas decisões do Governo de Rabat


O encontro de segunda-feira entre Ban Ki-moon e o ministro marroquino de Negócios Estrangeirosfoi considerado "glacial" pela imprensa marroquina...


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, decidiu fazer marcha atrás nos seus planos de viajar a Marrocos após as últimas medidas anunciadas pelo Governo de Rabat, ações que, segundo afirmaram hoje as Nações Unidas, dificultarão as atividades da sua missão no Sahara Ocidental.

“Atualmente não está planeada uma viagem do secretário-geral a Marrocos”, afirmou aos jornalistas o porta-voz de Ban, Stéphane Dujarric, que em finais de fevereiro havia adiantado a intenção do diplomata sul-coreano de visitar o país para dar seguimento à sua recente viagem aos acampamentos de refugiados saharauis.

Dujarric deu a entender que a decisão foi tomada após o tenso encontro que mantiveram esta segunda-feira Ban e o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Salahedín Mezuar.

“Obviamente creio que todos podem ler o tom do encontro de segunda-feira. Creio que o comunicado (divulgado pela ONU após o encontro) era bastante claro nesse sentido e não há planos de viajar por parte do secretário-geral”, afirmou o porta-voz questionado sobre o assunto.

Um dia depois do referido encontro, Marrocos anunciou oficialmente uma redução unilateral das suas contribuições à missão da ONU no Sahara Ocidental (MINURSO – Missão para a realização do Referendo no Sahara Ocidental) e ameaçou retirar as suas tropas deslocadas no âmbito de outras operações das Nações Unidas.

A ONU afirmou hoje que está a analisar o “potencial impacto” dessas ações e a estudar “medidas de mitigação”.

Dujarric afirmou que a redução da componente civil da missão no Sahara Ocidental anunciada por Marrocos “afetaria as operações da MINURSO e dificultaria a capacidade da missão para implementar o seu mandato”.

Rabat disse também que prevê cortar o seu financiamento “voluntário” à missão, que segundo informou o porta-voz da ONU rondo os 3 milhões de dólares, dedicados principalmente à provisão de alimentos e alojamento para o seu pessoal.

A medida teria, assegurou, “um efeito imediato nas obrigações financeiras da missão”.

Fora da MINURSO, Marrocos contribui para as missões da ONU com 2.321 militares repartidos pelas operações na Costa do Marfim, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.

“Se tudo isso se confirmar obviamente lamentaríamos a decisão de Marrocos”, disse Dujarric, que confiou que as duas partes sejam capazes de reconduzir a situação.

“Gostaríamos de ser capazes de avançar numa atmosfera mais positiva”, referiu o porta-voz, que assegurou que a ONU continua em contacto com as autoridades marroquinas e mantem ao corrente os membros do Conselho de Segurança.

Simultaneamente, deixou claro que Ban vai manter a sua postura sobre o Sahara Ocidental e a necessidade de negociações e confiou que o processo político siga por diante.

“A gente do Sahara Ocidental merece um processo político, merece uma luz ao fundo do túnel”, disse.

A tensão entre o Governo marroquino e o chefe da ONU estalou abertamente na sequência da recente viagem que este efetuou à zona do Sahara Ocidental, muito criticada por Rabat.

Marrocos qualificou de “insultuosas” as palavras e gestos do diplomata durante a sua visita e reagiu com inusual dureza, sobretudo pelo uso da palavra “ocupação”.

No passado domingo, Rabat foi cenário de uma grande manifestação contra o secretário-geral da ONU, a que assistiram pelo menos sete ministros do Governo.

O encontro entre Ban e Mezuar na passada segunda-feira não melhorou a situação, depois de Ban ter expressado ao chefe da diplomacia marroquina a sua “indignação” por esses protestos, algo que foi qualificado pelo Governo como “um novo ultraje ao povo marroquino”.

Fonte: W Radio / EFE


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