terça-feira, 18 de outubro de 2016

Conselho de Segurança da ONU mantem silêncio sobre o Sahara




O Conselho de Segurança da ONU manteve hoje silêncio sobre a situação no Sahara Occidental, enquanto a missão da organização (MINURSO) sem a operar sem plena capacidade e as perspectivas de uma solução para o conflito continuam bloqueadas.
Os quinze membros do Conselho analisaram a questão numa reunião à porta fechada com o enviado das Nações Unidas para o conflito, Christopher Ross, e a chefe da operação na zona, Kim Bolduc.

Do encontro não saiu nenhum tipo de conclusão nem de mensagem oficial e, contra o que é habitual, não houve tão pouco declarações à imprensa por parte da Presidência em funções, que este mes é ocupada pela Rússia.

“O Conselho de Segurança não pode dizer nada sobre o Sahara Ocidental”, lamentou o embaixador uruguaio junto da ONU, Elbio Rosselli, que criticou o facto de todas as conversações sobre este assunto se façam à porta fechada.

O Uruguai, juntamente com a Venezuela, levaram nos últimos meses e por diversas ocasiões a situação na ex-colónia espanhola ao Conselho.

Sem mencionar ninguém diretamente, Rosselli afirmou que há países dentro deste órgão que se negam a que se faça luz sobre este tema e impidem que o Conselho de Segurança se pronuncie.

A Frente Polisario tem acusado repetidamente a França de bloquear qualquer movimento na ONU para proteger Marrocos neste conflito.

hoje, o embaixador francês, François Delattre, limitou-se a assinalar que a discussão no Conselho de Segurança decorreu com um “espírito positivo”.

Entre outros assuntos, a ONU está ainda pendente de que a MINURSO recupere a sua plena capacidade após a expulsão em Março de boa parte do seu pessoal civil por parte de Marrocos, segundo confirmou hoje o porta-voz da organização Stéphane Dujarric.

O embaixador Roselli, por seu lado, referiu que esse regresso à normalidade se está produzindo de forma “gradual” e mostrou-se convencido de que isso será alcançado.

“É lenta, mas irá acontecer”, disse o embaixador uruguaio aos jornalistas, sublinhando no entanto que a via política está “completamente parada”.

“As partes não falam. O representante (da ONU) não foi capaz de organizar uma visita à região”, recordou o embaixador uruguaio, que defendeu a necessidade de avançar e conseguir que os saharauis possam decidir o seu futuro num referendo.

No passado mês de Agosto, a ONU anunciou que Christopher Ross estava preparando uma viagem á região para tratar de impulsionar novas negociações, mas hoje disse que essa iniciativa continua “sob discussão”.

Entretanto, persiste a tensão na zona sul do Sahara Ocidental na sequência das obras de asfaltamento de uma estrada emprendidas por Marrocos (fora da zona de delimitação definida pelo muro).

Os trabalhos, numa zona que a Polisario considera “territórios libertados”, levaram a organização a denunciar uma violação do cessar-fogo e a mobilizar forças para o terreno, forçando a missão das Nações Unidas a mediar.

A ONU estabeleceu em 1991 a MINURSO com o objetivo de organizar um referendo sobre o futuro da ex-colónia espanhola, consulta que até agora não foi levada a cabo.

Marrocos apresentou uma proposta de autonomia para o território em 2007 e considera que essa deve ser a base da negociação, enquanto a Frente Polisario insiste na necessidade de convocar quanto antes esse referendo.


Fonte: holaciudad! / EFE

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