Naama Asfari, condenado a 30 anos de prisão, iniciou a 8 de junho de 2026 uma greve de fome indefinida, exigindo a sua libertação e a de todos os presos de Gdeim Izik, em cumprimento de resoluções das Nações Unidas. O seu estado de saúde está a deteriorar-se, mas conta com o apoio dos restantes presos, que fizeram uma greve de solidariedade de 48 horas a 16 e 17 de junho.
Asfari foi detido na véspera do desmantelamento do acampamento de Gdeim Izik, a 7 de novembro de 2010, e nunca mais foi libertado. Marrocos acusou-o de participar em ataques a marroquinos no acampamento — uma acusação que, segundo o artigo, é cronologicamente incoerente com a data da sua detenção. Foi torturado e condenado a 30 anos de prisão.
Em 2014, foi o primeiro dos presos de Gdeim Izik a apresentar queixa ao Comité contra a Tortura da ONU, que em 2017 concluiu que as suas confissões tinham sido obtidas sob tortura e que as denúncias de maus-tratos nunca foram investigadas. O Comité pediu a Marrocos que o indemnizasse e investigasse o caso — recomendações que nunca foram cumpridas. Outros oito presos de Gdeim Izik apresentaram queixas semelhantes, com o mesmo resultado de incumprimento por parte de Marrocos.
Em 2022, 18 dos 19 presos de Gdeim Izik recorreram ao Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária, que em 2023 exigiu a sua libertação imediata, reparação e investigação sobre as violações cometidas. Também este parecer ficou sem resposta de Marrocos.
Os presos continuam distribuídos por prisões marroquinas longe do seu território e das famílias — Asfari está detido em Kenitra — e enfrentam condições degradantes: má alimentação, falta de higiene, isolamento e ausência de assistência médica. A mulher de Asfari, a francesa Claude Mangin, tem sido repetidamente impedida de o visitar, apesar das decisões da ONU. Em 2018, fez ela própria uma greve de fome de um mês para obter uma única visita autorizada; em 2025, uma "marcha pela liberdade" organizada por Mangin e pela associação AARASD, entre Ivry-sur-Seine e Tarifa, foi impedida de entrar em Marrocos.
O artigo publicado no Contramutis recorda ainda outras greves de fome longas entre os presos de Gdeim Izik: El Bachir Khadda fez 43 dias em 2018, e Mohamed Lamine Haddi protagonizou duas greves, de 69 e 63 dias, em 2021, ambas sem resultados. A diferença assinalada pela autora é que Asfari reivindica algo já reconhecido pela ONU há três anos — a libertação de todo o grupo —, o que torna o seu pedido, segundo o texto, difícil de contestar juridicamente.
O caso tem recebido atenção internacional: a Liga pelos Presos Saharauis em Prisões Marroquinas e a AARASD têm mobilizado apoio, e a organização Front Line Defenders manifestou preocupação com a saúde de Asfari. Em Itália, os deputados Laura Boldrini e Stefano Vaccari apresentaram uma interpelação parlamentar ao governo pedindo intervenção urgente. A CODESA apelou à ONU e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha para intervirem, e o Movimento pelos Presos Políticos Saharauis alertou para a situação em Espanha. Circulam também petições de apoio a Asfari e aos restantes presos, bem como uma proposta de carta dirigida à Embaixada de Marrocos.
O artigo termina com um apelo à mobilização não só da sociedade civil, mas também de organismos como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, a Cruz Vermelha e os Estados, incluindo a potência administrante do Sahara Ocidental, para pôr fim àquilo que a autora descreve como uma "vingança coletiva" contra os presos de Gdeim Izik.
Fonte: Contramutis

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