O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Africanos da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) condenou a visita do embaixador de França em Marrocos à cidade ocupada de El Aaiún, no Sahara Ocidental, classificando-a como "uma nova provocação" e "um ato hostil" contra o povo saharaui.
Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o Governo saharaui considera que a deslocação do diplomata francês constitui uma tentativa de reforçar o que descreve como o "facto consumado colonial marroquino" e de legitimar as pretensões de soberania de Marrocos sobre o território, cujo estatuto continua por definir no âmbito das Nações Unidas.
Segundo a nota oficial, a visita representa também um incentivo à política expansionista marroquina e compromete os esforços desenvolvidos pela ONU para alcançar uma solução política para o conflito, baseada no direito do povo saharaui à autodeterminação e à independência.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros saharaui acusa ainda França de apoiar, desde o início do conflito, Marrocos nos planos político, diplomático e militar, considerando que essa posição é incompatível com as responsabilidades do país enquanto membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
No comunicado, a RASD recorda ainda declarações atribuídas ao anterior embaixador francês em Rabat, segundo as quais França terá utilizado meios aéreos contra combatentes saharauis na década de 1970 e assegurado, ao longo dos anos, cobertura política e diplomática a Marrocos.
Para o Governo saharaui, o apoio francês faz de Paris "cúmplice direto" das violações dos direitos do povo saharaui desde 1975 e contribui para o prolongamento do conflito e para a instabilidade no Norte de África.
O comunicado conclui que uma paz duradoura na região só será possível através da aplicação do direito internacional e da garantia do direito do povo saharaui à autodeterminação e à independência, conforme previsto pelas resoluções das Nações Unidas. (SPS)
O novo embaixador de França em Marrocos, Philippe Lalliot, é um diplomata de carreira que assumiu funções em junho de 2026, sucedendo a Christophe Lecourtier, nomeado presidente da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), a mesma que agora pretende levar a cabo projetos de investimento na zona de Dakhla, no sul do Sahara Ocidental ocupado.
Perfil de Philippe Lalliot:
Diplomata do Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França desde 1996.
Diretor do Centre de crise et de soutien (CDCS) desde agosto de 2023, organismo responsável pela gestão de crises internacionais, proteção de cidadãos franceses no estrangeiro e coordenação da ajuda humanitária.
Foi:
Primeiro-secretário da Embaixada de França em Washington;
Cônsul-geral em Nova Iorque;
Embaixador junto da UNESCO;
Embaixador nos Países Baixos;
Embaixador no Senegal e na Gâmbia.
A sua nomeação como embaixador em Rabat foi oficializada por decreto presidencial francês em maio de 2026, tendo apresentado as cartas credenciais ao ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, no início de junho, iniciando formalmente a sua missão.
A chegada de Philippe Lalliot ocorre numa fase de forte aproximação entre Paris e Rabat, após o reconhecimento, por França, da posição marroquina sobre o Sahara Ocidental em 2024 e o reforço da cooperação bilateral.
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