quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Muro Militar, ou o “Muro da Vergonha”


Para além do referendo de autodeterminação, a protecção dos directos humanos e o fim da exploração dos recursos naturais, a Frente Polisario reclama o desmantelamento do muro militar marroquino que divide o Sahara Ocidental em dois. Os saharauis «baptizaram» a barreira militarizada de Marrocos como o “Muro da Vergonha”, não só porque divide os 160.000 refugiados saharauis que estão na Argélia das suas famílias e amigos no território sob o controlo de Marrocos, mas também porque põe em perigo as vidas e o sustento de milhares de nómadas saharauis que continuam a atravessar os desertos do Sahara Ocidental.

Na década de 1970, o Exército de Libertação Popular Saharaui [ELPS] obteve várias vitórias militares contra as tropas marroquinas e mauritanas. Em 1980, Marrocos iniciou a construção de uma longa barreira feita de valas e de muros feitas por terraplanagens de areia com a intenção de impedir o movimento dos soldados saharauis. Entre 1980 e 1987, cinco muros fortemente fortificados uniram-se a este e a sul, cortando por completo aos soldados e aos refugiados saharauis o acesso às suas cidades de origem, como El Aiún e Smara. Hoje, o muro tem 1.500 milhas (2.414 quilómetros) de comprimentos – quase a metade do tamanho da Grande Muralha da China – e consiste de paredes alternantes de arena e pedra e valas profundas.


A pesar da assinatura do cessar-fogo em 1991, ambas as partes patrulham activamente os seus respectivos lados do muro fora da zona desmilitarizada, como se estipula na trégua acordada. A oeste do muro, Marrocos mantém mais de 120.000 soldados reforçados por instalações militares colocadas cada 10 quilómetros, que incluem radares, artilharia e tanques. Para além das tropas e dos tanques, milhões de minas terrestres rodeiam o muro. Embora o número exacto de minas no lado oriental do muro seja desconhecido, as estimativas apontam para entre um milhão e mais de 10 milhões, e as Nações Unidas classificam o Sahara Ocidental como uno dos 10 territórios mais enxameados por minas terrestres e municiones por explodir [UXOs] .


A Frente Polisario, por seu lado, – que também foi responsável pela colocação de minas na década de 1980 – recusa-se a divulgar o número de soldados do ELPS que actualmente patrulham o muro, considerando-o um assunto de segurança nacional. O Exército Saharaui opera em sete regiões do lado leste do muro, mas o número de soldados em cada região é um segredo guardado pelos dirigentes saharauis, uma vez que não descartam a possibilidade de regressar à guerra.

Apesar dos graves perigos apresentados pelas tropas marroquinas, os milhões de minas terrestres e as condiciones inóspitas, centenas de saharauis empreenderam viagens nocturnas através do muro para escapar à ocupação marroquina e reunirem-se com as suas famílias e amigos nos acampamentos de refugiados nos arredores da cidade argelina de Tindouf.

2010, Organization For Statehood & Freedom

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