domingo, 24 de março de 2013

Deputados da câmara marroquina criticam recente julgamento e condenação do presos saharauis de Gdeim Izik

Responsáveis de algumas Organizações Não Governamentais (ONG)
de Direitos Humanos marroquinas apresentaram um relatório
conjunto sobre o desmantelamento do acampamento
de protesto saharaui de Gdeim Izik. 
EFE/Arquivo

Um  grupo de 14 deputados do parlamento marroquino, todos eles de origem saharaui, criticaram em comunicado conjunto o recente julgamento militar de 25 saharauis pelos chamados “acontecimentos de Gdaim Izik”, que se saldou em condenações entre 20 anos e prisão perpétua para 23 deles.

No comunicado, os 14 deputados de todos os grupos parlamentares consideraram que o tribunal militar que condenou os 25 independentistas saharauis - um deles à revelia - não foi a instância “adequada” para julgar civis, sublinhando "a necessidade de fazer justiça num tribunal civil".

Os deputados criticaram igualmente a ausência de “provas concludentes” contra os condenados, e por isso consideram que só as confissões que fizeram ante a Policia Judiciária -que acabaram por ser negadas ante o tribunal- “não justifica em absoluto as duras sentenças” do tribunal militar.

Por outro lado, os deputados reprovaram a cobertura do processo por alguns meios da imprensa marroquina, que segundo eles “incitaram à xenofobia e ao racismo” (supostamente anti-saharaui) e carecem “de toda a imparcialidade e profissionalismo”.

Os deputados expressaram também a sua surpresa ante o apoio que manifestaram “algumas personalidades públicas a uma parte contra a outra” referindo-se à presença de três ministros marroquinos frente ao tribunal durante o processo onde se deixaram fotografar junto a familiares das vítimas marroquinas.

A deputada Gachmula Bint Abbi (antiga transfuga da Polisario), uma das subscritoras do comunicado, afirmou à agência Efe que os deputados subscritores - que representam sete partidos marroquinos de distintas tendências - não quiseram fazer comentários ou declarações durante o julgamento realizado o mês passado para “não interferir no curso da justiça”.

No entanto, ao conhecer-se as duras condenações “não podíamos ficar calados”, sublinhou a deputada, que a pesar de alinhar com as teses da marroquinidade do Sahara, expressou no passado várias críticas sobre a gestão do governo de Rabat em relação aos assuntos saharauis.

Fonte: EFE



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