quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Novo relatório sobre a Kosmos Energy no Sahara: uma plataforma para o conflito





A Western Sahara Resource Watch (WSRW) lançou hoje um relatório sobre os inescrupulosos projetos da Kosmos Energy de perfurar poços petrolíferos de teste no Sahara Ocidental ocupado. Em poucas semanas, a empresa pode atingir permanentemente as aspirações e os direitos do povo saharaui pela liberdade e independência, iniciando uma eventual exploração de petróleo contrária à ética e objetivamente ilegal na última colónia de África.

Se a Kosmos prosseguir, ela tornar-se-á a primeira empresa a iniciar a exploração de petróleo no território ocupado através de um acordo com a potência ocupante do Sahara Ocidental — Marrocos. Várias outras empresas petrolíferas retiraram-se do território sob pressão internacional.

A plataforma de perfuração fretada pela Kosmos Energy — a  Atwood Achiever —, foi construída na Coreia do Sul e desloca-se lentamente em direção às águas ocupadas do Sahara Ocidental, passando ao longo da costa da África Austral. A Atwood Achiever deverá iniciar até o final deste ano a perfuração num dos campos de petróleo mais controversos da história recente — em terras ocupadas que são objeto de conversações de paz da ONU .

Faça aqui download do relatório "Une plate-forme pour un conflit". (em versão inglesa, a versão francesa estará disponível em breve)

Um parecer jurídico da ONU de 2002, estipula que a vontade e os interesses do povo saharaui, como povo único e originário do território, são os dois requisitos legais imprescindíveis a toda a prospeção e exploração de petróleo que tenha lugar no Sahara Ocidental. O relatório mostra que essas condições não foram atendidas.

"A Kosmos Energy não procurou o consentimento do povo saharaui. Ao invés, a empresa optou por se juntar às autoridades ocupantes e só fala com partidários de Marrocos, escolhidos a partir de uma lista preparada pelas autoridades marroquinas para tentar encobrir as suas operações nos territórios ocupados", disse Erik Hagen, presidente do Western Sahara Resource Watch.



"Os planos de perfuração são profundamente antiéticos e só contribuirão para prolongar a ocupação e as reivindicações infundadas de Marrocos sobre o território", disse Hagen.

O povo saharaui, que vive sob o brutal jugo da ocupação marroquina ou no exílio em campos de refugiados na Argélia, teme que, se o petróleo for encontrado na sua pátria ocupada, Marrocos não abandonará a sua infundada pretensão sobre o seu país. Os saharauis têm um direito à autodeterminação reconhecido internacionalmente. Consequentemente, tem o direito de determinar o futuro estatuto do território e dos seus recursos.

O autor do parecer jurídico da Organização das Nações Unidas de 2002, Hans Corell, disse recentemente que "Quanto mais recursos forem encontrados no Sahara Ocidental e na sua zona marítima, menos Marrocos tem motivação para cumprir as resoluções das Nações Unidas e o direito internacional."

A norte-americana Kosmos Energy detém 55% de uma licença concedida pelo governo marroquino para o bloco de Bojador, localizado na plataforma marítima de Bojador no Sahara Ocidental - um território fora das fronteiras internacionalmente reconhecidas de Marrocos, antiga colónia espanhola e em grande parte ocupada por Marrocos desde 1975.

Mais relatórios do WSWR: https://pt.scribd.com/wwwvestsaharano


Fonte: WSRW

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