segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Frente POLISARIO solidariza-se com a ONG dinamarquesa atacada esta madrugada

A representação da Frente POLISARIO junto da Europa e da UE, condena veementemente o hediondo atentado que teve como alvo os escritórios da Global Aktion na Dinamarca, onde as chamas engoliram a sua sede e o vil graffiti mancharam as suas instalações com mensagens incitando ao ódio contra o povo saharaui. Tal acto representa um ataque direto aos valores da justiça, liberdade e solidariedade internacional.

A Global Aktion tem sido um farol de esperança, defendendo os direitos dos povos oprimidos em todo o mundo, incluindo o seu apoio inabalável à luta legítima do povo saharaui pela autodeterminação e independência. Este ato cobarde de fogo posto não é apenas um ataque à sua organização, mas uma tentativa deliberada de silenciar as vozes daqueles que se atrevem a desafiar a ocupação ilegal do Sahara Ocidental por Marrocos e a expor as suas graves violações dos direitos humanos. (...)

Representante da Frente Polisario na Alemanha participa na conferência extraordinária do Partido Social Democrata (SPD)


Berlim (Alemanha), 12 de janeiro de 2025 (SPS) - Sábado passado, a representante da Frente Polisario na Alemanha, Najat Handi, participou nos trabalhos da conferência extraordinária do Partido Socialista Alemão, a convite oficial da organização alemã.

Durante a conferência, o partido escolheu o actual chanceler Olaf Scholz como candidato ao cargo de chanceler nas eleições parlamentares antecipadas, marcadas para fevereiro do próximo ano.

Najat Handi
No seu discurso, o candidato do partido e actual Chanceler, Olaf Scholz, abordou as questões mais importantes que ocupam a opinião pública alemã, como a segurança, a imigração, a reforma, as energias renováveis ​​e o aumento do salário mínimo.

Na frente externa, o primeiro-ministro alemão apelou à proteção do princípio da soberania sobre as fronteiras, sublinhando que "o princípio da santidade das fronteiras aplica-se a todos os países, independentemente da dimensão do Estado".

A participação foi uma oportunidade para a diplomacia saharaui estreitar o contacto com vários dirigentes do SPD que mantêm relações de amizade e solidariedade com a luta da Frente Polisario contra o colonialismo.

Sede de ONG dinamarquesa solidária com o Povo Saharaui atacada por desconhecidos - Comunicado da AAPSO

 


COMUNICADO DE IMPRENSA

 Este ataque suja as mãos de quem o mandou fazer

 


Na madrugada de hoje, a sede da ONG dinamarquesa de solidariedade internacional Global Aktion foi atacada por desconhecidos que deixaram mensagens: “Parem de apoiar a Polisario” e “o Sahara é marroquino”. Bombas incendiárias foram atiradas para dentro do r/c do edifício através de uma janela, causando estragos significativos e colocando em risco os inquilinos do prédio, que tiveram de ser evacuados durante a noite.

A Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental (AAPSO) condena em absoluto este tipo de acções e expressa a sua inteira solidariedade à Global Aktion que se tem distinguido pela sua actividade a favor do Direito Internacional, da paz e da justiça no mundo, incluindo no Sahara Ocidental.

Esta ONG, fundada em 1978, é um movimento com raízes na luta contra o Apartheid. O seu coordenador político, Morten Nielsen, juntamente com o Primeiro Ministro da altura, foram os dois únicos dinamarqueses presentes na tomada de posse de Nelson Mandela como Presidente da África do Sul. Hoje as suas prioridades são as questões da justiça climática, da não militarização, da mobilização pelos direitos económicos, sociais e democráticos dos povos, e o apoio aos movimentos de libertação.

A reacção da sociedade dinamarquesa foi pronta: a polícia está a investigar o sucedido, a imprensa tem dado ampla cobertura ao caso e várias organizações ofereceram de imediato o seu apoio para que a Global Aktion pudesse continuar a funcionar.

Sabemos o que visam estes ataques: intimidar os activistas e as organizações de solidariedade. Este caso representa uma agressividade crescente de quem quer impor a sua vontade a um povo cujos direitos são unanimemente reconhecidos pelas Nações Unidas e por todas as organizações internacionais, entre as quais o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

Mas de todos os lados se estão a fazer ouvir as vozes que reiteram o seu compromisso para com a luta pela liberdade, a paz e a justiça, ao mesmo tempo que demonstram a sua solidariedade com o povo saharaui e com a Global Aktion.

 13 de Janeiro de 2025

AAPSO - Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental (aapsaharao@gmail.com)

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Marcha pela Liberdade de todos os presos políticos saharauis de Gdeim Izik

 


Ontem, dia 08 de janeiro, Naama Asfari, completou 55 anos de vida. O seu aniversário foi passado numa prisão marroquina, já que foi condenado a 30 anos e detido arbitrariamente em Marrocos há mais de 14 anos, na sequência do acampamento da Dignidade de Gdeim Izik, que teve lugar no ano de 2010 e que constituiu o maior protesto civil nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Em 2016, o Comité contra a Tortura da ONU condenou Marrocos por torturar Naama.

Em retaliação, a sua mulher Claude Mangin foi proibida de visitar o marido.

Em outubro de 2023, a ONU instou Marrocos a libertar imediatamente Naama e os outros prisioneiros de consciência saharauis.

A sua mulher, os seus amigos, aqueles que se solidarizam com a luta de libertação nacional do Povo Saharaui querem que o dia 8 de janeiro de 2025 seja o seu último aniversário na prisão. E por isso organizam uma Marcha pela Liberdade, de Paris à prisão de Kénitra (Marrocos). A partida realiza-se a 30 de março de Paris (Ivry).

 

Naama Asfari,

Naama Asfari nasceu no seio de uma família saharaui em 1970, em Tan Tan (1), uma cidade do sul de Marrocos. A sua família foi separada quando rebentou a guerra no Sahara Ocidental em 1975. Nesse mesmo ano, as autoridades marroquinas prenderam o seu pai, um conhecido militante saharaui. Na altura, Naama tinha apenas 5 anos e só voltou a ver o pai em 1991, quando tinha 21 anos.

A sua mãe tinha morrido enquanto o pai estava preso.

Com quase 30 anos e uma licenciatura em direito internacional e economia, Naama mudou-se para Paris para fazer um mestrado em relações internacionais. Sem esquecer a situação do seu povo, fundou com a sua mulher francesa o Comité para a Defesa dos Direitos do Homem no Sahara Ocidental (CORELSO).

O ativismo de Naama levou-o a ser preso sempre que se deslocava para visitar a família, que se mudou para El Aaiun, a capital do Sahara Ocidental. Nos 7 anos anteriores à revolta de Gdeim Izik já havia sido detido por 6 vezes pelas autoridades de ocupação marroquinas. Em 2009, passou 4 meses na prisão por transportar um porta-chaves com a bandeira saharaui.

Naama foi detido a 7 de novembro de 2010, na noite do desmantelamento do campo de Gdeim Izik. Estava a visitar um amigo em Laayoune quando a polícia secreta marroquina o veio buscar. Foi levado para um local desconhecido, onde lhe vendaram os olhos e lhe amarraram as mãos. Mais de 27 meses mais tarde, depois de ter estado preso durante todo esse tempo na prisão de Salé 2, o Tribunal Militar marroquino condenou-o a 30 anos de prisão.

Em 19 de julho de 2017, Naama Asfari foi condenado a 30 anos de prisão pelo Tribunal de Recurso de Salé (Rabat).

Na madrugada de sábado, 16 de setembro, todo o grupo de Gdeim Izik foi dividido e transferido para diferentes prisões do Reino de Marrocos, à exceção de Naama Asfari, que permaneceu na prisão de El Aarjat, a 1320 km de El Aaiún.

A sua mulher Claude Mangin foi por diversas vezes expulsa de Marrocos, há vários anos que não lhe permitem entrar no país para visitar o seu marido encarcerado.

(fonte: CEAS - Sahara - Espanha)









quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Denunciada a difamação “sem precedentes” de jornalistas indultados por Mohamed VI

 

O jornalista marroquino Soulaimane Raissouni 

EL INDEPENDIENTE - Francisco Carrión @fcarrionmolina

08/01/2025 | Alguns dos jornalistas que beneficiaram do indulto de Mohamed VI em julho passado enfrentam “uma campanha sem precedentes”. Esta é a denúncia lançada pelo Fórum Marroquino de Apoio aos Presos Políticos, poucos dias depois de El Independiente ter publicado uma carta enviada pelo jornalista marroquino Soulaimane Raissouni, na qual este se reconhece vítima de “campanhas de difamação por parte dos meios de comunicação social dirigidas por altos responsáveis dos serviços secretos marroquinos”.

A publicação da carta por este jornal provocou novos ataques contra o jornalista. O Fórum Marroquino de Apoio aos Presos Políticos confirma agora os seus testemunhos e alarga a perseguição a outros defensores dos direitos humanos e a jornalistas locais. Trata-se, lamentam, de “uma escalada de campanhas de difamação a níveis sem precedentes”.

“Estas práticas constituem uma violação flagrante das leis de repressão da criminalidade eletrónica e visam os defensores dos direitos humanos, os jornalistas independentes e as suas famílias”, refere o comunicado do fórum. “Entre as vítimas contam-se o presidente da Associação Marroquina dos Direitos Humanos, Aziz Ghali, o jornalista Taoufik Bouachrine e a sua mulher Asmaa Moussaoui, o jornalista Soulaimane Raissouni e a sua mulher Khouloud Mokhtari, o jornalista Hamid El Mahdaoui e a sua mulher Bouchra El Khounchafi, e a ativista dos direitos humanos Afaf Bernani.”

Aziz Ghali, Taoufik Bouachrine, Soulaimane Raissouni, Hamid El Mahdaoui e a ativista dos DDHH Afaf Bernani.

Insultos, ataques à honra e calúnias

Segundo a organização, as campanhas de que são alvo “assumem a forma de acusações de traição, insultos, calúnias, ataques à honra e ameaças de prisão”. “Perante esta situação alarmante, expressamos a nossa solidariedade absoluta e incondicional com todas as vítimas destas campanhas de difamação, quer sejam defensores dos direitos humanos, jornalistas independentes ou as suas famílias”. “Insistimos especialmente no nosso apoio ao ativista Afaf Bernani e ao jornalista Taoufik Bouachrine e sua esposa, dada a magnitude e virulência dos ataques contra eles”, acrescenta.

O fórum exige “uma investigação séria e exaustiva para identificar os autores e instigadores destas campanhas de difamação e garantir que sejam levados à justiça” e solicita ao Ministério Público “que exerça as suas prerrogativas para garantir a aplicação rigorosa da lei no que diz respeito a estes actos de difamação”.

Em 2021, Raissouni foi condenado a cinco anos de prisão por alegadamente ter “agredido sexualmente” um homem gay por acontecimentos que remontam a 2018, quando o repórter estava a fazer uma reportagem sobre a comunidade gay, uma orientação sexual punível com pena de prisão em Marrocos. Raisuni sempre negou as acusações e fez uma greve de fome que quase lhe custou a vida. O seu julgamento injusto foi condenado pela ONU e por organizações de direitos humanos.

Numa carta enviada na semana passada a este jornal, o jornalista marroquino afirma que as campanhas de difamação “redobraram a sua violência na sequência da sua convocação pelo Tribunal de Recurso de Bruxelas como parte civil no processo em que parlamentares europeus estão a ser processados por terem recebido subornos de funcionários marroquinos e do Qatar (audiência a 7 de janeiro de 2025), e também na sequência da sentença proferida por um tribunal da Florida contra a empresa israelita NSO a favor do WhatsApp no caso do programa de espionagem Pegasus, utilizado pelos serviços secretos marroquinos para espiar o seu telefone.

Médico-cientista saharaui inventa remédio contra queimaduras a partir de plantas medicinais do Sahara Ocidental

 

O Dr. Bachir Saleh Ramdan

É a primeira patente registada para um médico saharaui na produção farmacêutica

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial da Argélia (INAPI) registou a primeira patente na indústria farmacêutica para o médico saharaui Bachir Saleh Ramdan, após um grande esforço de investigação que durou vários anos no desenvolvimento dos seus estudos para a obtenção do doutoramento em “Valorização das plantas medicinais e pesquisa dos seus componentes”.

 O Instituto argelino, após ter confirmado o certificado de invenção do especialista saharaui de uma pomada extraída de ervas medicinais do deserto para o tratamento de queimaduras, confirmou que “esta é a primeira invenção neste domínio a ser registada por um investigador saharaui”.

O Ministério da Saúde Pública saharaui acolheu com grande orgulho esta realização científica de um dos trabalhadores do sistema de saúde da República Saharaui e investigador no domínio do desenvolvimento da investigação científica, o Dr. Bachir Saleh Ramdan, atualmente responsável pelo Departamento Central de Formação, Investigação e Estudos da instituição de saúde saharaui (SPS).

 

Para conhecer as plantas medicinais tradicionais no território saharaui ler artigo de Gabriele Volpato - Ilustraciones de Pavlina Kourkova - ONLUS Africa 70 - Monza, Itália

Departamento de Ciências Sociais, CERES

Universidade de Wageningen, Holanda