segunda-feira, 9 de novembro de 2015

“No Sahara Ocidental só os colonos marroquinos melhoram a sua vida”




Brahim Dahane, presidente de uma das organizações independentistas saharauis mais numerosas, acredita que a população que aclamou Mohamed VI em El Aaiún não pertence à cidade. Entrevista ao EL PAIS

Brahim Dahane, de 49 anos, é o presidente de uma das organizações independentistas saharauis com maior número de membros, a Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves de Direitos Humanos (ASVDH). Dahane defende que tudo o que se viu este fim- de-semana em El Aaiún com a chegada do rei de Marrocos, Mohamed VI, para comemorar o 40º aniversário da Marcha Verde, constitui uma operação de imagem que pouco tem que ver com a realidade de El Aaiún, a capital do Sahara Ocidental (240.000 habitantes, segundo o Governo marroquino).

Surpreendeu-o o facto de dezenas de milhares de pessoas terem aclamado em El Aaiún o rei Mohamed VI?

Não me surpreendeu nada porque trouxeram de fora cerca de 140.000 pessoas. E trouxeram também muitos militares e polícias.


O que acha dos anúncios de investimentos económicos feitos pelo rei no seu discurso de 6 de novembro?

Não há nada novo. A promessa de construir uma linha férrea desde Marraquexe até aqui já a fez em tempos Hassan II, em 1980. Até hoje ainda não a vimos. São as mesmas mentiras. Mas é verdade que há uma política económica sistemática cujo objetivo é trazer cada vez mais colonos e modificar a situação demográfica de um território ocupado de forma ilegal.


Qual é a proporção que há em El Aaiún de população que vivia aqui antes de 1975 em relação à que chegou depois?

A proporção pode ser entre 30% a 40%. Mas há outra parte que está, infelizmente, refugiada na Argélia.


Acha que as condições de vida no Sahara Ocidental melhoraram nos últimos 40 anos?

R. Para os colonos marroquinos, sim. Porque toda a política está feita com ese objetivo. Melhoraram algumas infraestruturas para sacar daqui os nossos recursos e para trazer a sua gente. Para os saharauis, no entanto, não mudou nada. Nos postos chaves, nos órgãos de direção das escolas, hospitais… não há saharauis.


Durante a visita do rei nem vocês nem o Governo marroquino informaram que tenha havido algum distúrbio em El Aaiún. E a organização a que preside não referiu que tenha havido algum detido. Na sua opinião, a que se deve essa ausência de detenções?

Em duas semanas meterem em El Aaiún o dobro das pessoas que aqui vivem habitualmente. E 80% dessas pessoas são militares e polícias. Eu aterrei no mesmo dia que o rei no aeroporto de El Aaiún. No aeroporto, normalmente, há um ou dois aviões comerciais, mais alguns da ONU. Mas nesse dia havia uns 30. Tudo está controlado. A policía acompanha os manifestantes marroquinos que vão pelas ruas gritando “morte ao inimigo do rei”. E o inimigo somos os saharauis.


Mas porque acha que não tenha havido distúrbios, nem sequer manifestações de apoio à Frente Polisario? As ruas estão cheias de bandeiras de Marrocos e não bandeiras da Frente nem panfletos.

Panfletos há, isso asseguro-lhe. E também tiveram lugar pequenas manifestações nos bairros. Mas ao centro da cidade não se pode chegar. Nessa situação, ou declaras a guerra o procuras tratar o problema de uma forma mais pacífica. Nós não vamos declarar a guerra. Se fizermos alguma coisa fá-lo-emos segundo a nossa agenda e não a de Marrocos. Eles taparam todas as bandeiras que nós tínhamos pintadas em muitas fachadas. Mas isso não quer dizer que não existamos.


Mas o rei foi aclamado por muita gente nas ruas e boa parte dessa multidão era integrada por mulheres que vestiam melhfas, o vestido típico saharaui.

Sim, fizeram isso para ganhar a batalha da imagem. Compraram dezenas de milhares de melhfas.


Onde?

Aqui em El Aaiún e em Mauritânia. É uma questão de imagem, como o foi a Marcha Verde há 40 anos. As câmaras filmaram os 350.000 civis marroquinos, mas os militares de Marrocos já estavam entrando há várias semanas antes com a autorização do Governo espanhol.

sábado, 7 de novembro de 2015

Mohamed Abdelaziz: “a última declaração de Ban Ki Moon é como um “cartão vermelho” na cara do ocupante marroquino”




O Presidente da República Saharaui e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Mohamed Abdelaziz, declarou que “a última declaração proferida na passada quarta-feira pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon, relativa ao estatuto jurídico do Sahara Ocidental é como um “cartão vermelho” na cara do ocupante marroquino no momento em que o rei se preparava para realizar uma visita aos territórios ocupados”.

Abdelaziz afirmou que “esta declaração sem precedentes” reafirma as bases jurídico-históricas do conflito, que confirmam que o Sahara Ocidental não é território marroquino e que o seu estatuto final prossegue pendente de uma descolonização, a qual só poderá ser alcançada através do respeito do direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação e à independência.

Mohamed Abdelaziz destacou também que “a declaração desmente todas as mentiras e propaganda que promove a monarquia marroquina e enterra para sempre o chamado “projeto de autonomia”, proposta que contradiz a legalidade internacional e não fornece as bases para o reatamento das negociações, reafirmando que a declaração representa uma mensagem clara ao Reino de Marrocos, que não cessa de obstaculizar os esforços do Secretário-Geral da ONU e do seu Enviado Pessoal, Christopher Ross, com as suas mistificações e adiamentos”.

O líder saharaui afirmou que “a Frente POLISARIO renova a sua disposição de entrar em negociações serias e sem condições prévias com o objetivo de chegar a uma solução que garanta o direito do povo saharaui à autodeterminação e à independência, enfatizando que acolhe com satisfação a declaração do SG da ONU que considerou positiva.




O que disse Ban Ki-moon

O Secretário-Geral da ONU pediu apoio para as negociações que a organização internacional promove com o objetivo de solucionar o garantir a autodeterminação do povo saharaui.

“Peço a todas as partes envolvidas na região e à comunidade internacional apoio às iniciativas do meu Enviado Pessoal, Christopher Ross, que intensifica os seus esforços com vista a diálogo genuíno nos próximos meses”, refere em comunicado o SG da ONU.

Ban Ki-moon cita 40 anos de "sofrimento humano", o que faz com que a situação no noroeste de África seja cada vez mais "alarmante". O chefe da ONU destaca que para a população da região enfrentar seus desafios e alcançar todo o seu potencial, o conflito precisa acabar. Ban explica que "o estatuto definitivo do território é motivo de um processo de negociação conduzido" sob o seu auspício, como mandam resoluções do Conselho de Segurança.
O secretário-geral da ONU lamenta que propostas feitas em 2007 por Marrocos e pela Frente Polisário não tenham aberto caminho para negociações genuínas, como havia sido pedido várias vezes por Ban Ki-moon e pelo Conselho de Segurança.
O SG da ONU menciona a importância da boa-fé no processo para o alcance "de uma solução política aceitável por todas as partes, que traga autodeterminação ao povo do Sahara Ocidental".

Fonte: várias

Frente POLISARIO apelida de proactiva e de escalada política a visita do rei de Marrocos à capital do Sahara Ocidental ocupado




O ministro de Estado e Assessor da Presidência, Bachir Mustafá Seyed, classificou de provocação e de escalada política a visita do rei de Marrocos às Zonas Ocupadas e assegurou que ela tem o propósito de difundir mentiras e falácias sobre o conflito no Sahara Ocidental.

 Mustafá Seyed afirmou em conferência de imprensa realizada este sábado que a visita tem como objetivo prorrogar os sofrimentos dos refugiados saharauis e antecipar-se ao debate e análise dos acontecimentos no conflito do Sahara Ocidental por parte do Conselho de Segurança da ONU.
O ministro saharaui depois de expressar a condenação da Frente POLISARIO à visita do monarca marroquino afirmou que o Sahara Ocidental não necessita projetos fantasmas anunciados por Mohamed VI, já que esses projetos são gerados pelo tráfico de drogas e pelo saque e exploração ilegal  da riqueza do povo saharaui.


Fonte: SPS

União Europeia preocupada com a situação dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental




A Alta Representante de Política Externa e Segurança Comum da UE, Federica Mogherini, manifestou a sua "preocupação" pela situação dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental e reiterou o apoio da UE a uma solução "justa" que contemple "a autodeterminação" do povo saharaui, de acordo com uma notícia da Europa Press.

"A UE apoia os esforços do Secretário-Geral das Nações Unidas para alcançar uma solução política justa, duradoura e aceitável para ambas as partes, que contemple a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental no âmbito dos acordos conformes com os princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas", declarou a chefe da diplomacia europeia em resposta à eurodeputada da IU (Esquerda Unida de Espanha), Paloma López.

Em relação aos casos de violação de direitos humanos e à proibição de acesso às Zonas Ocupadas do Sahara Ocidental por parte de delegações estrangeiras, Federica Mogherini referiu que a UE mantem "contatos" com as organizações da sociedade civil de defesa dos direitos humanos.
Os representantes do partido espanhol Podemos no Parlamento Europeu exortaram Mogherini a ações concretas da União Europeia "quanto antes para relançar as negociações" entre a Frente Polisario e Marrocos, resolver "o estatuto final do território saharaui" e pôr fim à ocupação marroquina. Tendo apelado à que a União Europeia nomeie um enviado especial para o Sahara Ocidental.

(SPS)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

“A possibilidade de regresso às armas é real”, adverte ministro saharaui


 Brahim Mojtar, ministro da Cooperação da RASD

O ministro saharaui da Cooperação, Brahim Mojtar, condenou hoje a visita do rei Mohamed VI de Marrocos a El Aaiún e advertiu de que se não se avança na solução política existe “uma possibilidade real” de regresso às armas.

Em entrevista concedida à agência EFE, um dos homens fortes do atual governo saharaui sublinhou que “a intransigência marroquina”, somada ao cansaço de 40 anos de exílio forçado e as recentes inundações, que arruinaram os acampamentos, multiplicaram a aposta na radicalização, em particular entre os jovens.

“Tudo isso, junto com a intransigência marroquina, não fará mais que incrementar essa frustração que poderá desembocar numa radicalização de todo o processo e poderá levar, sobretudo da população mais jovem de saharauis, a reivindicar o regresso às armas”, sublinhou.

“É inegável que o governo saharaui e a direção política da Frente Polisario estão sob pressão contínua por parte dos jovens que reivindicam ação”, acrescenta o ministro nas suas instalações em Rabouni, zona administrativa dos campos de refugiados saharauis no sudoeste da Argélia.

Na sequência deste argumento, advertiu que das duas uma, “ou aceleramos o processo de negociação que leve à realização do referendo, como prometeram as Nações Unidas no ano de 1991, ou permitimos-lhes retomar as armas para continuar aquilo que fizeram os seus pais desde 1975 até 1991”.

“Penso que a possibilidade é real, a ameaça é real e há que levá-la muito a sério”, sublinhou.

Mojtar, homem de longa trajetória na Frente Polisario e de grande experiência no governo saharaui, atribuiu toda a responsabilidade a Marrocos, a quem acusou de jogar com a comunidade internacional para iludir o cumprimento das distintas resoluções da ONU.

“O rei o que está fazendo é uma provocação, está atuando contra o direito internacional porque sabe, como o sabem todos os marroquinos, que o Sahara é um território colonizado, pendente de descolonização e que não deve ser visitado pelas autoridades marroquinas”, afirmou.

“Pensamos que é uma fuga para a frente, enquanto as Nações Unidas estão procurando por todos os meios uma maneira de aplicar as diferentes resoluções que defendem uma solução política, consensual, que permita o direito do povo saharaui à autodeterminação”, realçou.

A este respeito, citou como exemplo a obstinada rejeição do reino alauita em receber Christopher Ross, enviado pessoal do SG da ONU para conflito do Sahara, e em facilitar a missão para a realização do referendo, pendente desde que a Espanha aceitou fazê-lo na já longínqua década de sessenta.

“Pensamos que esta fuga para a frente, esta intransigência, não leva àquilo que a comunidade internacional pretende, que é uma solução pacífica através das negociações e que poderá incrementar mais ainda a frustração já vivida pelos saharauis devido ao arrastamento de todo este período”, afirmou.

“A abertura de mais um foco de tensão na região, já de si muito volátil, cremos que não é do interesse nem dos países vizinhos, nem das partes envolvidas nem da própria Europa do sul”, acrescentou.

Rajoy com Garcia-Margallo

Mojtar teve também duras palavras para a Espanha, potência colonial no Sahara, a quem pediu que utilize o seu atual cargo de presidente em exercício do Conselho de Segurança da ONU para solucionar o que definiu como “último problema por resolver dos criados pelo franquismo”.

“Pedimos veementemente ao governo de Espanha que use toda a sua força, toda a sua energia, para forçar o rei de Marrocos e ao governo marroquino a sentar-se à mesa de negociação e a procurar uma solução com o povo saharaui que conduza à autodeterminação”, afirmou.

“Espanha, tal como o fez Portugal em relação a Timor-Leste, tem todas as possibilidades de dizer basta, 40 anos são mais que suficientes. Vamos descolonizar este território que deixámos às mãos de verdugos e que mais não fizeram do que fazer sofrer a população saharaui indefesa”, acrescentou.

Nesse sentido, Mojtar afirmou que o Sahara também está pendente das eleições do próximo dia 20 de dezembro [em Espanha] mas que “a única coisa que pedimos a quem vier a ocupar a Moncloa é que já é tempo de resolver o último resíduo dos problemas criado pelo franquismo”.

Por último, Mojtar sublinhou a importância que tem o próximo Congresso Geral da Frente Polisario, a que assistirá o presidente Mohamed Abddelaziz, como disse, juntamente com mais de 2.500 delegados e onde serão tomadas decisões cruciais.

“A 16 de dezembro temos o congresso geral da Frente Polisario que é onde se tomam as decisões estratégicas e em que a maioria dos congressistas serão jovens com menos de 30 anos”, enfatizou.

Fonte: Terra / EFE


Tensão militar no Sahara Ocidental ante a visita do Rei de Marrocos à cidade ocupada de El Aaiún: Exército Saharaui em alerta máximo




O exército Saharaui nos territórios libertados está mobilizado ante a provocatória visita do Rei de Marrocos aos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Segundo fonte do governo da República Saharaui, ante a visita que tem prevista o Rei de Marrocos à cidade saharaui ocupada de El Aaiun, onde pretende celebrar os 40 anos da ocupação do território através da “Marcha verde” e a invasão militar, o Exercito Saharaui recebeu ordem de alerta máximo ao longo do muro militar marroquino que divide o território saharaui.


O presidente da República Saharaui considera a visita uma provocação aos esforços das Nações Unidas e aos Saharauis, declarações feitas esta segunda-feira em carta urgente dirigida ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon. A fonte governamental afirmou que o exército saharaui está mobilizado ao longo do muro da vergonha marroquino desde a Região norte de Zemur até à Região sul de Tiris.