segunda-feira, 7 de março de 2022

Guerra no Sahara Ocidental: Comunicados militares nº. 473 a 478

 


O Ministério de Defesa da RASD emitiu os comunicados referentes aos últimos seis dias de reatamento da guerra de libertação contra o ocupante marroquino.


Comunicado militar nº 478

Segunda-feira, 07 fevereiro 2022

01, 02 e 03 – Artilharia saharaui flagelou posições do ocupante marroquino nas zonas de Grarat Chdeida, Russ Sueihat e Taraf Ahmeida, todas no sector de Farsia (nordeste do SO).

04 – Outras unidades do ELPS bombardearam posições marroquinas na zona de Fadrat Laach, no setor de Hauza (norte do SO).

04 – Fogo de artilharia saharaui atingiu as forças marroquinas na zona de Um Lagta e Laagad, ambas no setor de Mahbes (nordeste do SO).


Comunicado militar nº 477

Sábado, 05 março 2022

01 e 02 - Unidades do ELPS efetuaram intensos bombardeamentos sobre posições inimigas nas  zonas de Guerat Uld Blal e Sabjat Tanuchad, ambas  no setor de Mahbes (nordeste do SO).


Comunicado militar nº 476

Sexta-feira, 04 março 2022

01 - Destacamentos avançados do exército saharaui bombardearam a sede do comando do 43º batalhão  inimigo na zona de Ameitir Lamjeinza, no setor de Mahbes (nordeste do SO).

No ataque o fogo saharaui destruiu uma bateria de artilharia marroquina PM 21.


Comunicado militar nº 475

Quinta-feira, 04 março 2022

01 – Unidades saharauis bombardearam forças de ocupação marroquinas estacionadas na área de Graret Al-Farsik, no setor de Mahbes (nordeste do SO).


Comunicado militar nº 474

Quarta-feira, 03 março 2022

01 e 02 - Unidades saharauis bombardearam posições entrincheiradas das forças marroquinas no interior de Marrocos, nas áreas de Gasbet Al Shuhada e Graret Al Arabi, no setor de Touizgui, que regressa ao cenário dos combates após vários meses de ausência de atividade armada.

03, 04 e 05 - O comunicado acrescenta que se intensificaram os bombardeios sobre as concentrações de tropas de ocupação de pelo menos três zonas no setor de Mahbes (nordeste do SO).


Comunicado militar nº 473

Terça-feira, 02 março 2022

01 e 02 - Forças de ocupação marroquinas foram alvo da artilharia saharaui nas áreas de Udei Um Rukba e de Graret Al-Farsik, ambas no setor de Mahbes (nordeste do SO).

Fonte: SPS


Membros do Congresso dos EUA apelam ao Presidente Biden que não conclua nenhum acordo de armamento com Marrocos


Washington – Onze membros do Congresso dos EUA apelaram ao Presidente Joe Biden a não celebrar qualquer acordo de armamento com Marrocos no meio de preocupações sobre a utilização destas armas contra o povo saharaui.

Numa carta recente ao Presidente Biden, onze membros Democratas do Congresso dos EUA expressaram "preocupação" com a política dos EUA no Sahara Ocidental, e os acordos sobre a venda de armas ao Reino de Marrocos, concluídos entre Washington e Rabat.

Os signatários recordam na sua missiva que a antiga administração americana já tinha informado o Congresso americano em dezembro de 2020 da venda de armas americanas por mil milhões de dólares a Marrocos, incluindo quatro drones MQ-9B Skyguardian e munições JDAM. E a assinatura deste acordo está prevista no âmbito da atual administração.

Para tal, apelam à administração Biden "a não concluir qualquer acordo com Marrocos sobre armas pesadas ou ofensivas" e declaram que "tais vendas são inadequadas devido à falta de garantias marroquinas de que estas armas não sejam utilizadas contra o povo saharaui e à falta de progressos na organização de um referendo político e na conclusão de um acordo de paz final no Sahara Ocidental".

Além disso, os congressistas norte-americanos "exprimem a sua preocupação com a utilização destas armas" que, segundo eles, poderiam "consolidar a ocupação ilegal do território saharaui pelo Reino de Marrocos".

Além disso, os congressistas dizem-se também "preocupados" com a política dos EUA sobre o Sahara Ocidental e com a decisão da anterior administração (Donald Trump) de reconhecer, em dezembro de 2020, a pretensa soberania de Marrocos sobre o Sahara Ocidental, "enquanto durante décadas, as anteriores administrações norte-americanas, tanto republicanas como democráticas, se recusaram a reconhecer a alegada soberania de Marrocos sobre o território ocupado", recordam na carta.

E prosseguem: "Como resultado desta mudança de política, os Estados Unidos são agora o único país do mundo a reconhecer oficialmente as reivindicações de Marrocos que são contrárias ao direito internacional e ao direito à autodeterminação.

Os signatários expressam também o seu desejo de que o "papel crucial" desempenhado pelos Estados Unidos no conflito saharaui de 47 anos "permita ao povo saharaui exercer o seu legítimo e inalienável direito à autodeterminação".

Neste contexto, recordam em particular as decisões "claras" do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) e do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) que apoiam o direito do povo saharaui à autodeterminação e estipulam que Marrocos não tem soberania sobre o território ocupado.

Dizem também estar "satisfeitos" com a nomeação, há alguns meses, de Staffan de Mistura como enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, mas lamentam a "falta de um compromisso claro" dos EUA com a ONU "relativamente ao apoio de Washington a uma solução pacífica e duradoura" entre Marrocos e o governo saharaui.

Finalmente, pedem ao Presidente Biden "um briefing para os membros do Congresso dos EUA, signatários da carta, sobre a questão do armamento e a revisão pela administração dos EUA da sua política em relação ao Sahara Ocidental e Marrocos e as consequências a curto e longo prazo do reconhecimento pelos EUA das reivindicações ilegais de Marrocos sobre o Sahara Ocidental sobre as perspectivas de paz na região".

Uma cópia da carta, assinada pelos onze membros do Congresso dos EUA, foi enviada ao Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e ao chefe do Comité de Relações Externas do Congresso.

 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Brahim Ghali recebe novo embaixador angolano na República Saharaui

 



O embaixador angolano Toko Diakenda Serão apresentou ao Presidente da RASD, Brahim Ghali, as credenciais que o acreditam como embaixador extraordinário e plenipotenciário da República de Angola na República saharaui com residência em Argel.

Durante a cerimónia, que decorreu no passado sábado, o primeiro embaixador de Angola na República Saharaui, transmitiu ao Presidente Brahim Ghali as saudações do seu homólogo angolano e os seus melhores votos de mais prosperidade e progresso para ele e para o povo saharaui.

As formas e meios de reforçar as relações bilaterais entre a República Saharaui e a República de Angola estiveram também no centro das discussões entre as duas partes.

Fonte: SPS


quarta-feira, 2 de março de 2022

Repressão no Sahara Ocidental ocupado após o desaparecimento de um comerciante em Dakhla


Saharauis manifestam-se nas ruas da cidade de Dakhla (sul do SO ocupado)


Periodistas en Español por Jesús Cabaleiro Larrán -01/03/2022

As organizações não governamentais saharauis denunciaram "uma nova vaga de repressão marroquina, com detenções e abusos físicos" nos territórios ocupados por Marrocos na antiga colónia espanhola do Sahara Ocidental. A repressão contra os saharauis intensificou-se severamente e nos últimos dias as tensões têm vindo a aumentar nas ruas de Dakhla.

Segundo a organização de jornalistas Equipe Media, vencedora do prémio internacional de jornalismo "Julio Anguita Parrado", as forças marroquinas irromperam  violentamente em Dakhla, atacando os participantes em manifestações que têm tido lugar nos últimos dias.

A origem destas manifestações está no desaparecimento do comerciante saharaui Lahbib Aghrichi, a 7 de Fevereiro de 2022. A sua família andava à sua procura até o seu carro ter ido parar à praia. Após o relatório, a polícia marroquina viu, ao verificar uma câmara à beira da estrada, que o seu carro tinha passado mas era conduzido por outra pessoa.



Alguns dias mais tarde encontraram o suspeito, mas libertaram-no, apenas para o encontrarem morto com sinais de tortura.

Após uma semana de manifestações, a polícia relatou ter encontrado um saco contendo os seus restos carbonizados, restando apenas ossos e dentes. Disseram que tinham efectuado um teste de ADN e que tinham a certeza de que se tratava de Lahbib Aghrichi.

Por um lado, a polícia prometeu entregar os restos carbonizados à família Aghrichi no prazo de 24 horas, uma promessa que não cumpriram. A família exigiu uma autópsia independente nas Ilhas Canárias. A certidão de óbito fornecida à família pelas autoridades não traz nenhum carimbo ou assinatura oficial, lançando dúvidas sobre a sua autenticidade.

Os manifestantes exigiram justiça e conhecer as circunstâncias do seu desaparecimento. Apelaram ao fim da corrupção policial. Gritaram palavras-de-ordem sobre o desaparecimento de Lahbib "descanse em paz, vamos continuar a luta" e também slogans políticos pedindo ao povo saharaui mais unidade e coesão para enfrentar o que chamaram "genocídio lento". Um, um, um, um, o povo saharaui unido".


O ex-preso político Rachid Esghayer foi detido

A 21 de Fevereiro de 2022, a polícia, as forças auxiliares e paramilitares atacaram, agredindo brutalmente as pessoas concentradas com espancamentos e detenções, esmagando vidros de automóveis e criando terror. Foram disparados tiros. Fizeram rusgas para procurar saharauis, invadiram casas abrindo portas a pontapé, espancaram habitantes, causando destruição e bloqueando bairros saharauis. Precisaram de reforços de outras cidades das áreas ocupadas.

O ativista saharaui Rachid Esghayer, antigo prisioneiro do grupo dos sete de Salé, foi detido. Numa das manifestações, levantou a voz para denunciar a corrupção que prevalece em Dakhla, denunciando o perigo de extermínio em que vivem os saharauis, vivendo em guetos, deslocados pelos colonos marroquinos, denunciando também as práticas da polícia contra os saharauis, tais como abusos sexuais nas detenções de mulheres saharauis.

Para além do ativista saharaui, dois irmãos de Lahbib Aghrichi foram detidos e mais tarde libertados. Quatro outros saharauis foram também detidos.

O representante da Frente Polisario para a Europa, Oubi Bouchraya, denunciou a "repressão brutal" exercida por Marrocos nas ruas e praças de Dakhla, no Sahara, há catorze meses. Isto foi expresso após um encontro com o presidente do Cabildo de Gran Canaria, Antonio Morales, que reafirmou o empenho da instituição "na solidariedade e no apoio ao povo saharaui".


terça-feira, 1 de março de 2022

Marrocos: população sem proteção social e sem assistência médica



A generalidade da população em Marrocos continua entregue à sua própria sorte. O Estado não protege minimamente a sua população, nem mesmo aqueles que são força de trabalho activa.

Segundo dados tornados públicos pelo Alto Comissariado para o Planeamento (HCP), organismo oficial marroquino, apenas um quarto da população ativa (25%) beneficia de cobertura médica ligada ao emprego em 2021: 37,4% nas cidades e 7,9% no campo.

Os trabalhadores empregados na indústria têm uma taxa de cobertura médica de 45,4%, seguidos pelos do setor dos serviços com 36,9%, da construção e obras públicas com 11,7% e da agricultura, silvicultura e pesca com 4,6%, diz o HCP.

Os pobres são os mais desprotegidos, como está bem de ver. A percentagem de pessoas empregadas com um esquema de cobertura médica melhora à medida que o nível de educação aumenta, salienta o HCP, observando que entre as pessoas sem educação essa taxa é de apenas 10,5% enquanto que entre as pessoas com educação superior ela é de 72,9%.

Pouco menos de metade, ou 45,4%, dos empregados têm cobertura médica fornecida pelo seu empregador, com 53,3% nas zonas urbanas e 23,4% nas zonas rurais, e 58,8% entre as mulheres contra 42% entre os homens. Para os trabalhadores independentes, esta percentagem é de apenas 4,2%, acrescenta o HCP.

De acordo com a mesma informação, quase uma em cada quatro pessoas empregadas, ou 24,4%, está filiada num sistema de pensões, representando 37,1% nas zonas urbanas e 6,8% nas zonas rurais. A taxa de cobertura por um sistema de pensões é ligeiramente mais elevada entre as mulheres do que entre os homens, com 28,7% e 23,1% respectivamente. 

Se o panorama é este entre aqueles que «oficialmente» têm trabalho, ele agrava-se substancialmente se se tiver em conta a população que não tem trabalho «oficial»…

 (fonte: Yabiladi.ma)


Ghali: «Expansionismo de Marrocos põe em risco paz e estabilidade na região»

 


AbrilAbril – 28-02-2022 - No 46.º aniversário da proclamação da República Árabe Saarauí Democrática, Brahim Ghali alertou para a «perspectiva agressiva» de Marrocos e apelou a um maior envolvimento da União Africana.

A perpetuação da ocupação marroquina, a sua «perspetiva agressiva e expansionista» e as suas «alianças duvidosas» irão conduzir toda a região a uma «perigosa tensão e desestabilização», denunciou este sábado o presidente saharaui e SG da Frente Polisário, Brahim Ghali.

Num discurso a propósito do 46.º aniversário da proclamação da República Árabe Saharaui Democrática (27 de Fevereiro de 1976), Ghali alertou para «a indulgência e a autocomplacência» das Nações Unidas no que respeita à «aplicação da lei», bem como a «cobertura» que França dá à «flagrante violação da legitimidade internacional» no Sahara Ocidental por parte do Estado marroquino.

Isto «não faz mais que alimentar e encorajar a intransigência e a arrogância da parte marroquina na sua escalada de práticas coloniais agressivas e provocadoras», criticou o chefe de Estado, acrescentando que «o povo saharaui não pede o impossível», mas a «aplicação do direito» e das «resoluções das Nações Unidas», refere a agência Sahara Press Service.

Neste contexto, recordou as responsabilidades que a ONU tem na proteção dos civis saharauis numa zona de conflito armado, também «acelerando o fim do processo de descolonização da última colónia em África».

Referindo-se ainda ao papel das Nações Unidas, o dirigente saharaui disse que o organismo «se contentou com a gestão da crise em vez de a resolver» e que «marginalizar o papel e a responsabilidade da sua missão para o referendo no Sahara Ocidental» tinha levado a «potência ocupante» a violar o cessar-fogo, em Novembro de 2020, e, depois aos confrontos militares.


Maior envolvimento da UA e agradecimentos a quem abraçou a causa


O presidente da República Saharaui solicitou também maior envolvimento à União Africana (UA) na resolução do conflito e reafirmou a disposição da parte saharaui para cooperar com a organização continental com vista à implementação de decisões.

No seu discurso, o chefe de Estado agradeceu a todos os amigos e aliados que têm acompanhado e apoiado o Sahara Ocidental e o seu povo na luta pela independência.

Ghali enviou saudações especiais à Mauritânia, à Argélia («orgulho de revoluções e povos») e à África do Sul («país da liberdade, país de Nelson Mandela e da luta contra o apartheid»), refere a Sahara Press Service.

Agradeceu ainda «a todos os povos do continente africano que abraçaram a nossa causa» e saudou o movimento de solidariedade com o povo saharaui em Espanha, na Europa e no mundo.