quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Cristãos franceses denunciam-nos por torturas, Espanha condecora-os

Abdelatif Hamouchi, jefe de la policía antiterrorista (DST)


A Associação de Cristãos pela Abolição da Tortura (ACAT) de França é formada por vasto grupo de membros do clero, católico e evangélico, e vários milhares de membros quotizantes, pessoas de respeito. No início do ano, os seus serviços jurídicos estudaram em profundidade os casos de Naama Asfari, um saharaui casado com uma francesa e que cumpre uma pena de 30 anos de prisão em Salé (Marrocos), e de Adil Lamtalsi, um franco-marroquino que agora reside em França.

Ambos asseguram ter sido torturados em locais da Direção de Supervisão do Território (DST), a polícia antiterrorista marroquina, mas que faz o papel de polícia política ao estilo do que, nos tempos de Franco, seria a Brigada Político-Social. Esta tentativa de levar Hamouchi perante o juiz de instrução foi o detonador para a crise entre Paris e Rabat que todavia persiste. As autoridades marroquinas, por exemplo, suspenderam desde há nove meses a cooperação judicial entre os dois países, o que complica a vida de todos aqueles que querem validar a conformidade de divórcio, tramitar o cumprimento de uma sentença de prisão no seu país de origem e assim por diante.

O secretário de Estado da Segurança espanhol, Francisco Martínez Vázquez, impôs na passada quarta-feira em Madrid a Cruz honorífica de Mérito Policial a Hamouchi e a dois dos seus colaboradores na DST. Fê-lo, segundo reza a nota difundida pela agência de imprensa oficial marroquina (MAP), no "reconhecimento do papel de Marrocos em matéria de paz e segurança no mundo" para o qual Hamouchi contribuiu.

O Ministério do Interior espanhol tratou que a cerimónia fosse discreta, mas os meios informativos marroquinos fizeram-se abundantemente eco dela porque, provavelmente, a medalha espanhola repara um pouco a afronta sofrida por Hamouchi em Paris.

Hoje, mais do que nunca, explicam no Ministério do Interior, necessitamos da cooperação policial marroquina para lutar juntos contra o terrorismo em Ceuta e Melilla e das zonas circundantes de Marrocos de onde saíram tantos jihadistas rumo à Síria e ao Iraque.

Os governos espanhóis têm certa propensão para condecorar responsáveis marroquinos reclamados pela Justiça francesa. O de José Luis Rodríguez Zapatero impôs, em janeiro de 2005, a Grã Cruz de Isabel a Católica a, entre outros, ao general Hosni Benslimane, comandante chefe da Gendarmaria marroquina e reclamado pela Justiça francesa no âmbito da investigação sobre o sequestro e assassinato, em 1965 em Paris, de Mehdi Ben Barka, o mais célebre opositor ao rei Hassan II. Nunca respondeu às convocatórias do juiz instrutor francês Patrick Ramaël.

Em 2005, o Executivo socialista não podia sequer justificar-se com o argumento da luta antiterrorista conjunta com Marrocos, já que a Gendarmaria joga um papel muito secundário nesse terreno.

Os advogados da ACAT interpuseram um processo em nome de Asfari e Lamtalsi contra Abdelatif Hamouchi, diretor-geral da DST. As suas denúncias estão em linha com testemunhos que recolheu Juan Méndez, relator da ONU sobre a tortura, durante a sua última visita a Marrocos.


A 20 de fevereiro, Hamouchi estava em visita de trabalho a Paris quando sete agentes da polícia judiciária francesa se apresentaram na residência do embaixador de Marrocos, enviados por um juiz instrutor com a ordem de o levar a prestar declarações. Hamouchi negou-se e saiu rápida e discretamente de França porque se o detivessem na rua já não poderia alegar que se encontrava num edifício com extraterritorialidade como é o caso da residência diplomática.

Esta tentativa de levar Hamouchi perante o juiz de instrução foi o detonador para a crise entre Paris e Rabat que todavia persiste. As autoridades marroquinas, por exemplo, suspenderam desde há nove meses a cooperação judicial entre os dois países, o que complica a vida de todos aqueles que querem validar a conformidade de divórcio, tramitar o cumprimento de uma sentença de prisão no seu país de origem e assim por diante.

O secretário de Estado da Segurança espanhol, Francisco Martínez Vázquez, impôs na passada quarta-feira em Madrid a Cruz honorífica de Mérito Policial a Hamouchi e a dois dos seus colaboradores na DST. Fê-lo, segundo reza a nota difundida pela agência de imprensa oficial marroquina (MAP), no "reconhecimento do papel de Marrocos em matéria de paz e segurança no mundo" para o qual Hamouchi contribuiu.

O Ministério do Interior espanhol tratou que a cerimónia fosse discreta, mas os meios informativos marroquinos fizeram-se abundantemente eco dela porque, provavelmente, a medalha espanhola repara um pouco a afronta sofrida por Hamouchi em Paris.

Hoje, mais do que nunca, explicam no Ministério do Interior, necessitamos da cooperação policial marroquina para lutar juntos contra o terrorismo em Ceuta e Melilla e das zonas circundantes de Marrocos de onde saíram tantos jihadistas rumo à Síria e ao Iraque.

Os governos espanhóis têm certa propensão para condecorar responsáveis marroquinos reclamados pela Justiça francesa. O de José Luis Rodríguez Zapatero impôs, em janeiro de 2005, a Grã Cruz de Isabel a Católica a, entre outros, ao general Hosni Benslimane, comandante chefe da Gendarmaria marroquina e reclamado pela Justiça francesa no âmbito da investigação sobre o sequestro e assassinato, em 1965 em Paris, de Mehdi Ben Barka, o mais célebre opositor ao rei Hassan II. Nunca respondeu às convocatórias do juiz instrutor francês Patrick Ramaël.

Em 2005, o Executivo socialista não podia sequer justificar-se com o argumento da luta antiterrorista conjunta com Marrocos, já que a Gendarmaria joga um papel muito secundário nesse terreno.




“Rysala Sahara”, programa de rádio saharaui a partir da Universidade Complutense de Madrid




Realizado por um grupo de jovens profissionais da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid, vai “para o ar”, a partir de hoje, o novo programa de rádio Rysala Sahara.

Os jovens jornalistas e radialistas anunciam assim o seu projeto:

“Quinta-feira, 23 de outubro de 2014, às 22:30h começamos a emissão do programa radiofónico RYSALA SAHARA, o espaço nas ondas que a emissora http://wmdirecto.sim.ucm.es/InfoRadio.asx INFORADIO da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid dedica ao Sahara Ocidental.

Em RYSALA SAHARA, Ebbaba Hameida, Emma Vaquero e Jorge Barona põem sobre a mesa a atualidade do conflito saharaui, sem esquecer a sua história, origens, cultura, tradições ao ritmo da música tradicional do Povo do Deserto.

“Rysala significa em Hassania carta ou mensagem, o objetivo deste programa é analisar a atualidade sociopolítica que vive o povo saharaui, a longa espera em que vive dividido, entre o refúgio e a ocupação, pelo muro mais extenso e perigoso do planeta. Não deixaremos de falar da cultura e das raízes deste povo nómada. Em RYSALA SAHARA poderás acercar-te do povo saharaui e conhecer em primeira mão tudo acerca do povo saharaui.“Durante esta hora informativa, seremos acompanhados por peritos conhecedores do conflito saharaui, contaremos com entrevistas e histórias anónimas, cultura e sociedade, eventos entre outras questões que serão abordadas levando às vossas casas um pequeno sopro do cálido siroco saharaui”.

“Encantar-nos-á receber os vossos comentários, sugestões e pedidos através da nossa página no Facebook https://www.facebook.com/RysalaSahara
 ou do nosso email: rysalasahara@gmail.com

Eslovénia apoia a autodeterminação do povo saharaui




Liubliana, 22/10/2014 (SPS).- O presidente do Comité de Negócios Estrangeiros do Parlamento esloveno, o Deputado Jozef Horvat, reafirmou hoje, quarta-feira, que o seu país apoia o direito do povo saharaui à autodeterminação através de um referendo sob os auspícios das Nações Unidas, durante uma receção ao representante da Frente POLISARIO, Malainin Mohamed Bagada, no Parlamento da Eslovénia.

 “A Eslovénia apoia a autodeterminação do povo saharaui e os esforços da ONU com a mediação de Christopher Ross para a solução pacífica do conflito”, afirmou Jozef Horvat, que manifestou a preocupação do seu país perante “a ameaça de guerra na região”.
“Agora, mais do que nunca, a Comunidade Internacional deve envolver-se na procura de uma solução pacífica para o conflito saharaui”, referiu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Apoio ao povo saharaui no Conselho dos Direitos Humanos da ONU fortalece-se com a entrada de novos Estados membros

Apoio ao povo saharaui no Conselho dos Direitos da ONU fortalece-se com a entrada de novos Estados membros

Chahid El Hafed, 22/10/2014 (SPS)- O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas acolheu novos Estados membros que são firmes defensores do direito do povo saharaui à autodeterminação e à liberdade. Países como a Nigéria, Botsuana, El Salvador, Gana e Bolívia, que reconhecem e têm relações diplomáticas com a República Árabe Saharaui Democrática (RASD).

Para alguns observadores, a eleição dos países mencionados no Conselho de Direitos Humanos da ONU constituirá um grande contributo aos esforços desenvolvidos por outros países, como Argélia, Cuba, México, Namíbia e África do Sul que reclamam o respeito dos direitos humanos do povo saharaui e o fim da ocupação ilegal marroquina do Sahara Ocidental.

Marrocos comete, desde a sua invasão militar do Sahara Ocidental em 1975, flagrantes violações dos direitos humanos contra a população civil saharaui, violações documentadas por prestigiadas organizações e organismos de direitos humanos.

A Assembleia Geral da ONU elegeu esta terça-feira 15 países como membros do Conselho de Direitos Humanos por um período de três anos a partir de 1 de janeiro de 2015.

Os 15 países são: Albânia, Bangladesh, El Salvador, Gana, Letónia, Holanda, Nigéria, Paraguai, Portugal e Qatar, além da Bolívia, Botsuana, Congo, India e Indonésia, que foram reeleitos. (SPS)

Por um Sahara Ocidental sem muros e sem minas!

TOGETHER TO REMOVE THE WALL
CAMPANHA INTERNACIONAL CONTRA O MURO DA OCUPAÇÃO MARROQUINA 
NO SAHARA OCIDENTAL






2720 Km de extensão, 7 milhões de minas e explosivos bélicos

O muro não só divide um país e separa um povo — o que já de si é uma enorme crueldade — como constitui um perigo latente para populações, gado e fauna. Tem 2720 Km de extensão e no seu perímetro jazem latentes entre 5 e 7 milhões de minas e explosivos bélicos. As vítimas que causou, na sua grande maioria civis, contam-se por milhares.



Como foi sendo construído

O muro é, de facto, um conjunto de muros de areia e pedra entre dois e três metros de altura, que se estende ao longo de pontos topográficos elevados (como picos e montes) em todo o território saharaui. Está protegido por bunkers, valas, trincheiras, cercas de arame farpado, minas e sistemas eletrónicos de deteção. Tem 2720 km de comprimento e está defendido por mais de 160.000 soldados marroquinos.















A cada 5 quilómetros do muro há uma base militar com cerca de 100 soldados. Quatro quilómetros por detrás de cada ponto de observação há um posto ocupado por uma força móvel de intervenção rápida (com veículos blindados, tanques, etc.). Distintos grupos de radares fixos e móveis, com um alcance de entre 60 a 80 quilómetros, estão colocados ao longo do muro. Segundo algumas fontes, Marrocos gasta diariamente 2 milhões de dólares para manter o muro.




A construção foi levada a cabo progressivamente em 6 fases, cada uma das quais ampliava o território ocupado pelo exército marroquino. Entre agosto de 1980 e abril de 1987 foram construídos seis muros de diferentes longitudes. Com a construção do 6º muro, estabeleceu-se uma longa linha de fortificações que, em toda a sua extensão, tem aproximadamente 2720 quilómetros e se prolonga desde o sul de Marrocos atá ao extremo sudoeste do Sahara Ocidental. É considerado “o maior obstáculo militar operativo do mundo” segundo alguns analistas internacionais.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Glencore obtém duas licenças de exploração em águas do Sahara Ocidental ocupado




Uma filial da Glencore Xstrata obteve duas licenças no Sahara Ocidental ocupado. A multinacional confunde sobre a localização dos blocos - colocando-os no país ocupante, Marrocos.

Já a 10 de setembro de 2013, a  Glencore havia anunciado em conferência que tinha recebido autorização como empresa operadora e 38,25% da licença das águas pouco profundas da costa de Bojador. A apresentação teve a cargo do diretor da Glencore, Alex Beard, um dos homens mais ricos do mundo.

Alex Beard, diretor da Glencore

A concessão desta licença passou desapercebida até agora tanto à Western Sahara Resources Watch (WSRW) como aos meios de comunicação. Apesar de em setembro do ano passado a Glencore ter informado os investidores de que tinha firmado o acordo, a licença não foi registada no mapa publicado pela companhia petrolífera estatal marroquina – a  ONHYM - a 23 de outubro de 2013, um mapa que está online na página web da ONHYM desde então. Veja o mapa:



O bloco das costas pouco profundas de Bojador encontra-se a nordeste da licença de Águas do Cabo Bojador, operada pela Kosmos Energy, onde em novembro será levada a cabo a perfuração. As licenças são concedidas em clara violação do direito internacional, como já declarou a ONU em 2002.


Toda a notícia em: http://wsrw.org/a110x2996