domingo, 11 de agosto de 2024

A ONU manterá a questão saharaui na sua agenda enquanto questão pendente da descolonização

 

António Guterres, SG da ONU - Foto ONU - Mark Garten

Nova Iorque (Nações Unidas) | SPS - O secretário-geral da ONU assegurou no seu relatório (A/79/229 - em Francês; em Castelhano) sobre o Sahara Ocidental a apresentar à próxima sessão da Assembleia Geral que o Conselho de Segurança da ONU abordará a questão do Sahara Ocidental como uma questão de paz e de segurança e que a Comissão dos Assuntos Políticos, a Comissão Especial sobre a Descolonização (Quarta Comissão) da Assembleia Geral e a Comissão Especial sobre a Situação relativa à Aplicação da Declaração sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais, abordarão a questão do Sahara Ocidental como uma questão de descolonização.

A apresentação do relatório do Secretário-Geral surge em conformidade com a Resolução 78/85, que foi adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 7 de dezembro de 2023, durante a sua septuagésima oitava sessão, sobre a questão do Sahara Ocidental, no ponto 58 da sua agenda relativa à implementação da Declaração sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais.

Na sua resolução 78/85, a Assembleia Geral da ONU revê todas as resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança sobre o Sahara Ocidental, incluindo a resolução 690 (1991) do Conselho de Segurança, de 29 de abril de 1991, pela qual o Conselho de Segurança criou e colocou sob a sua autoridade a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO).

A Assembleia Geral reafirmou igualmente a responsabilidade das Nações Unidas para com o povo do Sahara Ocidental e solicitou à Comissão Especial sobre a situação relativa à aplicação da Declaração sobre a concessão da independência aos países e povos coloniais que continuasse a examinar a situação do Sahara Ocidental como território sujeito à descolonização e que apresentasse um relatório sobre o assunto à Assembleia Geral na sua septuagésima nona sessão.

Instou ainda o Secretário-Geral a apresentar um relatório sobre a implementação desta resolução à Assembleia Geral na sua próxima sessão.

Recorde-se que o apoio explícito do Governo francês ao plano de autonomia de Marrocos para o Sahara Ocidental suscitou condenações e reacções fortes e claras por violação do estatuto jurídico do Sahara Ocidental.

Sobre esta questão, a UE e a ONU assumiram a natureza jurídica da questão do Sahara Ocidental como um território não autónomo e garantiram que os esforços das Nações Unidas em relação ao Sahara Ocidental continuarão em conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança.

Desde o nascimento da ONU em 1945, mais de 80 ex-colónias, agrupando cerca de 750 milhões de pessoas, obtiveram a independência, o Sahara Ocidental continua a ser a última colónia do continente africano que aguarda um processo de descolonização.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

A ORDEM INTERNACIONAL FUNDADA EM REGRAS: O CASO DO SAHARA OCIDENTAL


Artigo de José Manuel Pureza - Público 06-08-2024

A rejeição do legado do trumpismo, no plano das relações internacionais, pela grande maioria dos governos europeus tem sido expressa com uma justificação muito relevante. Para esses governos, o mandato de Donald Trump terá constituído um ataque continuado contra a “ordem internacional fundada em regras”, construída após a II Guerra Mundial. Outros, como Putin, terão seguido Trump nesse ataque, algo que Madrid, Paris ou Lisboa, tomam oficialmente como uma perversão política.

Esta arrumação – de um lado os governos defensores da ordem internacional fundada em regras, do outro os seus inimigos, liderados por Trump e Putin – é um disfarce da realidade. Um olhar atento sobre os factos mostra como governos que se inflamam na defesa retórica da ordem internacional fundada em regras frequentemente violam as regras mais elementares dessa ordem. Querem um exemplo? Vejam o que se está a passar com o Sahara Ocidental.

Em fins de 2020, a administração Trump declarou reconhecer a soberania do ocupante marroquino sobre aquele território, violando flagrantemente as regras básicas do Direito Internacional consagradas na Carta das Nações Unidas e em repetidas resoluções da organização. Mas, enfim, era Trump, um inimigo da ordem internacional fundada em regras e, por isso, não foi propriamente uma surpresa. 

Dois anos depois, o governo de Madrid decidiu seguir os passos de Trump, tornando público o seu apoio ao plano de Marrocos de uma suposta autonomia especial do Sahara Ocidental no quadro da soberania marroquina. Ordem internacional fundada em regras? Não, a regra elementar do direito dos povos à autodeterminação foi flagrantemente preterida pelas conveniências do jogo político e da diplomacia dos negócios.

Dois anos mais e temos agora Macron a imitar Sánchez – e, com isso, a seguir o caminho aberto por Trump – assumindo o apoio oficial francês ao plano marroquino de “autonomia com ocupação”. Defesa coerente da ordem internacional fundada em regras? Não. Defesa inflamada no caso da Ucrânia, silêncio cúmplice no caso da Palestina, alinhamento com o trumpismo no caso do Sahara Ocidental.

Há dias, na abertura do período de sessões do Comité Especial das Nações Unidas encarregado de examinar a situação relativa à aplicação da Declaração da Concessão da Independência aos Povos e Países Coloniais (Comité dos 24), vários países africanos (Angola, Moçambique, Congo, África do Sul, Namíbia, entre outros) disseram aquilo que se espera ouvir aos defensores da ordem internacional fundada em regras: o Sahara Ocidental é a última colónia que ainda não alcançou a sua liberdade e o único caminho para cumprir as regras básicas do Direito Internacional é levar a cabo um referendo de autodeterminação.  

O governo português tem sido especialmente vocal na acusação à Rússia de que, na Ucrânia, atenta inaceitavelmente contra a ordem internacional fundada em regras. Pois bem, relativamente ao Sahara Ocidental – onde se joga o respeito pela mesmíssima norma fundamental do direito à autodeterminação que Moscovo nega a Kiev – vai o governo português defender coerentemente a ordem internacional fundada em regras ou vai afinar pelo diapasão trumpista de Madrid e de Paris? A escolha é clara e é mesmo entre a coerência e o cinismo.

---

José Manuel Pureza é Professor Catedrático de Relações Internacionais na Universidade de Coimbra

A descolonização não é uma anexação, a autodeterminação não é uma autonomia



Omar Mih - Representante da Frente POLISARIO em Portugal

EXPRESSO - 06-08-2024 | Para Macron, o povo do Sahara Ocidental é reduzido à expressão de “populações locais” (onde os colonos marroquinos imperam), ou seja, o povo saharaui é totalmente ignorado. Mas o Direito Internacional é claro na afirmação de que o Sahara Ocidental é um caso de descolonização e de que o povo saharaui tem direito à sua autodeterminação.

 

Há poucos dias, respondendo a um artigo publicado no blogue do Atlantic Council em Washington, o Embaixador americano jubilado Christopher Ross, Enviado Pessoal do Secretário-geral da ONU para o Sahara Ocidental (2009-2017), começa por afirmar: “O meu interesse durante todos esses anos [em que foi Enviado Pessoal] não era no resultado das negociações, mas na necessidade de garantir que a população mais diretamente afetada – o povo do Sahara Ocidental, citado em sucessivas resoluções do Conselho de Segurança – tinha uma voz na determinação desse resultado”.

Recordando as anos posteriores ao acordo, patrocinado pela ONU e pela OUA, que ambas as partes, a Frente POLISARIO e Marrocos, assinaram em 1991, que previa “um cessar-fogo em troca de um referendo sobre o futuro do território e a criação de uma força de paz das Nações Unidas, a MINURSO – Missão das Nações Unidas para a o Referendo no Sahara Ocidental”, e a subsequente frustração por não se conseguir concretizar este plano, o Embaixador Ross, continua: “Esforços renovados para resolver o conflito começaram em 2007, quando as duas partes apresentaram [as suas] propostas – Marrocos para um Sahara autónomo sob a sua soberania e a FPOLISARIO para um referendo de autodeterminação com uma opção relativa à independência que conduzisse a relações privilegiadas com Marrocos.”

“Desde esse ano, e em todos os seguintes, o Conselho de Segurança «apela às partes para que continuem as negociações sob os auspícios do Secretário-geral sem pré-condições e de boa fé (…) de modo a conseguirem chegar a uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável, garantindo a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.»”

“É justo perguntar por que razões não houve nenhum progresso”, escreve Christopher Ross. Resumindo, ele explica: “Em cada ronda [negocial] Marrocos declarou que só negociaria os detalhes da sua proposta de autonomia, e recusou-se a considerar a proposta da FPOLISARIO, desprezando-a como fora de prazo. A FPOLISARIO defendeu a sua proposta como sendo consistente com os requisitos [do princípio] de autodeterminação e inovadora ao referir a possibilidade de relações privilegiadas com Marrocos. Também assinalou que estava preparada para discutir a proposta marroquina numa base de reciprocidade se Marrocos concordasse em discutir a proposta da FPOLISARIO. Marrocos recusou, originando um bloqueio em todas as rondas.”

Vem o relato desta experiência vivida a propósito da carta que o Presidente francês, Emmanuel Macron, acaba de escrever (30 de julho) ao rei Mohamed VI, apoiando de forma inequívoca a “soberania de Marrocos sobre o Sahara Ocidental”, porque ela contraria tudo o que o Embaixador Ross descreve.

Na missiva do Presidente francês, o povo do Sahara Ocidental é reduzido à expressão de “populações locais” (onde os colonos marroquinos imperam), ou seja, o povo saharaui é totalmente ignorado. A França, diz Macron, “pensa agir em coerência com esta posição no quadro nacional e ao nível internacional”, e “apoia os esforços do Secretário-geral das Nações Unidas e do seu Enviado Pessoal” (agora o diplomata italo-sueco Staffan de Mistura), mas o Direito Internacional é claro na afirmação de que o Sahara Ocidental é um caso de descolonização e de que o povo saharaui tem direito à sua autodeterminação, pelo que consequentemente a ação da ONU não pode contradizer estes princípios e é muito grave que seja um membro permanente do Conselho de Segurança a fazê-lo. “A autonomia sob soberania marroquina é o quadro no qual esta questão deve ser resolvida”, reza a carta, mas as partes envolvidas são duas, e cada uma tem a sua posição que, de acordo com o Conselho de Segurança, devem ser discutidas “sem pré-condições e de boa fé”. Paris firma que “a procura do desenvolvimento económico e social desta região é um imperativo”, mas foi justamente a recusa de Marrocos em discutir qualquer solução que não fosse a sua – a autonomia - que bloqueou as negociações e travou um processo de paz que permitiria uma verdadeira integração regional.

Num excelente artigo publicado pelo meu colega Alien Habib Kentaui, antigo embaixador da República Saharaui junto da OUA, ele refere como “Em 1950, e antes da criação da Organização de Unidade Africana (OUA, 1963), precursora da União Africana (UA, 2002), tentou impor-se o conceito de autonomia como forma de descolonização. A Eritreia foi a cobaia desta experiência arriscada (…). O resultado foi um fracasso retumbante e um custo incalculável em sofrimento e tragédia para o continente africano.” A ONU impôs então à Eritreia, como via para a descolonização, uma autonomia no quadro do império etíope, que a transformou rapidamente em anexação. “Após 42 anos de desordem regional e 30 anos de guerra, a ONU, arrependida, admitiu o seu mea culpa e voltou à estaca zero. Em 1992, criou a UNOVER (Missão de Observação das Nações Unidas para a Verificação do Referendo na Eritreia), e este realizou-se um ano mais tarde, remediando assim uma mágoa imposta por alianças circunstanciais em detrimento da legalidade, contra a vontade do povo eritreu e o espírito da descolonização em África.”

Não é por acaso que as Cartas fundadoras da OUA e da UA adotaram o princípio da intangibilidade das fronteiras herdadas do período colonial, pois no contexto histórico africano isso tornou-se um imperativo. O mesmo se fez na América Latina após as independências, para evitar conflitos decorrentes de reivindicações cruzadas. Ao contrário, Marrocos é o único país no continente que não reconhece as suas próprias fronteiras, baseando-se na ideia do “Grande Marrocos”, assim expondo o seu “expansionismo insaciável como ameaça”, origem de guerras com a Argélia, com a Mauritânia e com o povo do Sahara Ocidental.

Mais um fardo da Conferência de Berlim (1884-1885) que pesa sobre África. Que sejam países africanos a seguir-lhe as pisadas é inaceitável. Que sejam as antigas potências coloniais a apoiá-los nesse caminho destrutivo é condenável. Por isso continuaremos a combater pela liberdade e pela democracia, a nível interno e nas relações internacionais. Esse tem sido, será, o nosso contributo para um mundo mais justo.

A decisão francesa, que tem supostamente como objetivo abrir uma nova página nas relações franco-marroquinas, fechará outras páginas com países da região e não é mais do que um acordo (nem legal, nem moralmente válido) celebrado entre duas partes a expensas de uma terceira, o povo saharaui, legítimo dono da sua terra e do seu futuro.

NOMADS, uma cinemateca online sobre a temática do Sahara Ocidental

 


Nomads é uma ONG sediada em Madrid cujo trabalho se centra no apoio a projectos culturais, mediáticos e de direitos humanos liderados por saharauis no Sahara Ocidental. O seu objetivo final é reforçar a luta pela justiça, paz, direitos humanos e autodeterminação do povo saharaui.

Uma das tarefas muito meritórias e úteis que tem realizado é a elaboração de um «catálogo» dos filmes realizados sobre a temática saharaui.

O «catálogo» poderá não ser exaustivo, dada a quantidade de obras de menor ou mais longa duração que têm sido elaboradas por realizadores e equipas dos mais diferentes lugagres e países. Em todo o caso, trata-se de um trabalho e esforço notável.



Os interessados em projectar qualquer um dos filmes constantes no repositório elaborado pela NOMADS têm que acautelar a questão dos Direitos de Autor.

Uma vez identificado o filme que se pretende projetar, o passo seguinte é comunicar à pessoa de contacto (realizador/produtor/distribuidor...) as informações a este respeito. Através de um e-mail, é necessário indicar quem organiza a projeção, o local de projeção (cidade, país), o espaço de projeção (cinema/instituto/organização...), a data, a hora, a lotação aproximada, o público-alvo e o objetivo da projeção, se vai ou não cobrar entrada e, em caso afirmativo, qual o destino dos fundos., também se pede o empréstimo do filme para essa projeção ou se tem a possibilidade de pagar uma taxa de projeção, se haverá um colóquio (quem gostaria de participar), se a projeção será em linha (hora e território geográfico)…



segunda-feira, 5 de agosto de 2024

A Guerra no Sahara Ocidental de 15 de Julho a 04 de Agosto

 


O Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) prossegue a guerra de desgaste e usura contra o dispositivo militar marroquino de ocupação no Sahara Ocidental. As regiões de Mahbes e Farsia no extremo norte e nordeste do território do Sahara Ocidental foram particularmente visadas pelo ELPS neste período, em que as condições extremas de calor se fazem sentir e que atingem com grande severidade o dispositivo táctico e estático das forças ocupantes marroquinas

Nos dias 18, 19 e 22 de Julho unidades do ELPS atacaram e flagelaram várias bases e unidades das forças marroquinas entrincheiradas na região de Mahbes, a região ocupada mais próxima da fronteira argelina e dos campos de refugiados saharauis. .

No dia 25 de Julho, destacamentos do ELPS atacaram várias posições das forças de ocupação marroquinas entrincheiradas no sector de Farsía, mais no interior do Sahara Ocidental.

Segundo um comunicado do Departamento de Organização Política do ELPS, unidades das forças de libertação desencaderam na noite de 24 de julho, um bombardeio concentrado contra uma base inimiga situada na região de Alfeiyin, no sector de Farsía.

O comunicado de guerra acrescenta que, “pelo terceiro dia consecutivo, os nossos heróicos combatentes voltaram a bombardear, na manhã do dia 25 de julho, uma base inimiga marroquina localizada na região de Gararat Achadida, no mesmo sector”.

Também na noite de quinta-feira 25 de Julho, unidades do ELPS lançaram um intenso e contínuo ataque contra a sede do 65º Batalhão inimigo na zona de Laagad, no sector de Mahbes, causando baixas mortais nas fileiras do exército invasor marroquino. Enquanto isso outas unidades do ELPS bombardeavam a 19ª base militar marroquina situada na zona de Beirat Tanuchad no sector de Mahbes. E na madrugada de sexta-feira, 26 de Julho, eram as bases ininimagas na cidade de Mahbes a serem alvejadas pelo fogo saharaui.




O Ministério da Defesa Nacional da RASD informou, na ocasião, que o exército saharaui executou várioa ataques a posições de rectaguarda do 40. º Batalhão das Forças Armadas Reais marroquinas de ocupação na zona de Cheidmiya no sector de Mahbes. Os combates contra posição inimigas na região de Mahbes prosseguiram noos dois dias seguintes

A 3 de Agosto, a Direcção Central do Comissariado Político do EPLS revelou que unidades do ELPS haviam atacado uma base inimiga na zona de Guerat Uld Blal, também no sector de Mahbes causando baixas nas fileiras das forças de ocupação.

Ontem, 04 - Agosto, a mesma fonte revelava que unidades do Exército de Libertação do Povo Saharaui tinham realizado um ataque a forças marroquinas na zona de Grair Chdeida, no sector de Farsia, que causou várias baixas nas fileiras do ocupante.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Macron, a França, Marrocos e o Sahara Ocidental

 

Foto oficial do presidente Emmanuel Macron

A posição unilateral tomada pelo presidente Emmanuel Macron de apoio à posição marroquina de ocupação e exploração da antiga colónia espanhola do Sahara Ocidental agitou e dividiu o panorama político gaulês. Grande parte da direita e a extrema-direita apoiaram a posição do chefe de Estado francês - são conhecidos os poderosos lobbies políticos e económicos de que o Reino de Marrocos desfruta na antiga potência colonial; a esquerda, por seu lado, parece dividida ou silenciosa face à posição de Macron. O PS Francês, o Grupo Ecologista e o PCF criticam fortemente o presidente e a sua pessoal tomada de posição sobre o conflito.

“Emmanuel Macron trai a posição histórica e equilibrada da França sobre os direitos do povo saharaui, bem como sobre as resoluções da ONU”, escreveu na plataforma X o secretário-geral do Partido Comunista (PCF) Fabien Roussel, acusando o Chefe de Estado de abrir uma "crise diplomática grave".




«O PS Francês emitiu um comunicado bastante claro sobre a questão, condenando “uma viragem diplomática precipitada sem consulta ao Parlamento”. Eis o texto:

“O Partido Socialista reitera o seu empenhamento numa política externa que respeite o direito internacional, os direitos humanos e a livre determinação dos povos.

Tal como o resto do povo francês, descobrimos uma carta dirigida ao rei Mohamed VI por ocasião do 25.º aniversário da sua entronização, na qual o Presidente da República toma a decisão de reconhecer o projeto marroquino para o Sahara Ocidental. O PS, que está empenhado na amizade franco-marroquina, condena esta decisão unilateral, tomada sem o menor debate ou consulta com o Parlamento.

O PS exprime a sua preocupação quanto às consequências e apela a uma diplomacia baseada no apaziguamento e no diálogo.

Se não havia urgência que justificasse um tal anúncio em pleno Verão, no momento em que o governo demissionário deveria gerir a atualidade, o Presidente faz um jogo de comunicação sem visão política a longo prazo.

A diplomacia francesa não pode ser condicionada pela próxima visita de Estado de Emmanuel Macron a Rabat» - refere o comunicado socialista.

Por sua vez o Grupo Ecologista no Senado distribui um comunicado sobre a questão:

 

 


 

 No campo da França Insubmissa, parece reinar a confusão: “A reviravolta de Emmanuel Macron em relação ao Sahara Ocidental reacendeu as divisões no seio da direção de La France insoumise. O próprio Jean-Luc Mélenchon, fundador da organização, opõe-se à tradicional linha anti-colonialista do partido”, assumindo-se há muito como um defensor das teses marroquinas. E não será certamente por haver nascido em Tanger, Marrocos. Logo: não se conhece, até ao momento, qualquer tomada de posição sobre o assunto por parte daquele que é um dos maiores e mais importantes movimentos políticos no Parlamento e no Senado e na sociedade francesa.