sábado, 22 de abril de 2017

Por iniciativa de Mohamed VI, Marrocos restabelece relações diplomáticas com Cuba


Mohamed VI e a esposa de em Cuba. 
Férias e reatamento de relações diplomáticas 217 anos depois...

 Marrocos e a República de Cuba restabelecerem ontem relações diplomáticas na sede da missão permanente cubana junto da ONU, informou a Rádio Nacional cubana.

Na assinatura do acordo participaram os dois representantes permanentes dos dois países junto das Nações Unidas, Omar Hilale pela parte marroquina e o embaixador cubano Anayansi Rodríguez Camejo.

"A República de Cuba e o Reino de Marrocos procederam ao restabelecimento das suas relações diplomáticas guiados pela vontade mútua de desenvolver relações amistosas e de cooperação entre os dois países nos âmbitos político, económico, cultural e outros", acrescentou a mesma fonte.

Os dois governos ratificaram que o restabelecimento das relações diplomáticas se realiza em correspondência com os princípios e propósitos consagrados na Carta das Nações Unidas e o direito internacional e em conformidade com o espírito e as normas estabelecidas na Convenção de Viena sobre relaciones diplomáticas de 18 de abril de 1961.
As relações foram interrompidas por Marrocos em 1980, no seguimento do reconhecimento da RASD pela República de Cuba, que tem sido ao longo de décadas um dos fortes e incondicionais apoios da luta pela autodeterminação do Povo Saharaui.

O restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países surge alguns dias depois da visita privada realizada pelo rei Mohamed VI a Cuba a semana passada.

terça-feira, 18 de abril de 2017

SG da Frente Polisario pede às Nações Unidas que assuma a sua plena responsabilidade em garantir a segurança dos cidadãos saharauis


Brahim Gali

 
Bir Lehlu (territórios libertados), 18/04//2017 (SPS) – O presidente da República e Secretário-Geral da Frente Polisario, Brahim Gali, pediu ontem segunda-feira às , Nações Unidas que assuma a sua plena responsabilidade em garantir a segurança dos indefesos cidadãos saharauis nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental.

Brahim Ghali destacou, em mensagem enviada ao SG da ONU, António Guterres, que a ONU deve proteger os indefensos cidadãos saharauis e permitir-lhes exercer o seu legítimo direito à livre determinação e independência a exemplo de todos os povos colonizados em conformidade com a carta e as resoluções da ONU.

Na sua missiva o Presidente da República saharaui pede a libertação dos presos políticos saharauis de Agdeim Izik  e de todos os presos políticos saharauis nas prisões do ocupante marroquino e que este deve revelar o destino de mais de 651 desaparecidos saharauis vítimas da política de repressão marroquina.

O Presidente da República acrescenta que todos os atos de violência, repressão e intimidação exercida pelo ocupante marroquino nas zonas ocupadas contra os indefensos saharauis são ilegítimos já que a ocupação marroquina é ilegal e o território do Sahara Ocidental se encontra sob a responsabilidade da ONU como último dossier de descolonização no continente africano.

Brahim Ghali adianta, na sua mensagem, que todas estas práticas repressivas ocorrem sob um forte cerco policial marroquino nas cidades saharauis ocupadas e na completa ausência da Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO).

SPS

domingo, 16 de abril de 2017

Protestos saharauis nas cidades ocupadas de El Aaiún e Smara em apoio aos presos políticos, com dezenas de feridos





16 abril, 2017 - El Aaiún/Territórios ocupados Sahara Ocidental. A agência saharaui SPS relatou na sua edição de ontem sábado 15 de Abril de, 2017 as manifestações que decorreram naquelas cidades desde as 18horas. As manifestações reivindicavam a libertação dos presos políticos saharauis nas prisões do regime marroquino e o fim da ocupação militar.

Os manifestantes responderam ao apelo realizado na semana passado pela Coordenadora das Atividades de Direitos Humanos no Sahara Ocidental, territórios ocupados.

A fonte cita que as forças de ocupação marroquinas ocuparam desde as primeiras horas de sábado as ruas e a avenida principal de El Aaiún proibindo o acesso a estas.

A brutal atuação do aparelho repressivo marroquino segundo fontes dos ativistas de direitos humanos saharauis causaram mais de 50 feridos entre os manifestantes, como é o caso do presidente do CODAPSO, o ex-preso político Mohamed Daddach Prémio Rafto dos DDHH norueguês, o ex-preso político Dafa Ahmed Babu, o defensor dos direitos humano Abdelaziz Abiyay e as ativistas Embarkalina Ebaali, Marian Burhimi, Azeiza Beiza… A polícia marroquina também agrediu o jornalista saharaui Ahmed Salim e confiscou-lhe a sua máquina fotográfica.


Estes levantamentos contra a administração de ocupação marroquina estendeu-se à cidade saharaui de Smara, onde dezenas de manifestantes saíram ontem sábado em protesto pacífico, empunhando pancartas e bandeiras saharauis em todos os bairros da cidade para protestar contra a ocupação, a sua política de marginalização, violação dos direitos humanos exigindo a libertação dos presos políticos saharauis nos cárceres marroquinos.

Fonte: Diario La Realidad Saharaui, DLRS  16/04/2017
Fotos: Defensores de DDHH saharauis e Equipo Media

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Relatório do SG da ONU sobre o Sahara Ocidental – falta de coragem e imparcialidade



12 de Abril de 2017 por porunsaharalibre - O relatório do SG sobre a situação no Sahara Ocidental está subdivido em acontecimentos recentes, actividades políticas, actividades da MINURSO, actividades humanitárias e direitos humanos, União Africana e aspectos financeiros, terminando com observações e recomendações. Esta edição prévia do relatório do SG das NU, António Guterres, sobre a situação no Sahara Ocidental destina-se aos membros do Conselho de Segurança que irão decidir sobre a prolongação do Mandato da MINURSO em finais deste mês.

Na primeira parte do relatório referente aos acontecimentos recentes o SG foca-se na situação de Guergarat desresponsabilizando por completo a MINURSO e o Conselho de Segurança no conflito criado devido à inoperância atempada destes mecanismos das NU. Quando se refere à Gendermaria Nacional (GN) da RASD coloca a GN entre aspas, mas não o faz quando se refere à Gendermaria Real Marroquina, dando a impressão que a GN da Frente POLISARIO não é oficial. Continua referindo as “violações” de uma parte e outra pondo enfâse no facto que a POLISARIO não deixa passar veículos com mapas em que o Sahara Ocidental esteja representado como parte de Marrocos, louva o recuo de Marrocos mas apela ao recuo da POLISARIO. Foi lamentável o SG anterior e o CS não terem tido uma posição igualmente forte exigindo de imediato a retirada de Marrocos, o que teria evitado toda a “tensão” actual.

Curiosamente durante todo este ponto, em que enumera os acontecimentos cronologicamente não refere o atraso da MINURSO em actuar.

No mesmo ponto aborda a questão da expulsão dos funcionários da MINURSO recordando que apenas 25 puderam regressar, e fala do regresso de 17 funcionários mais, o que perfaz um total de 42 ou seja apenas metade dos funcionários expulsos.

No ponto sobre actividades políticas relata as várias visitas e conversas tidas a vários níveis para reactivar as negociações com uma 5.ª ronda e refere a incapacidade de realização de visita do enviado pessoal, Christopher Ross, à região devido à posição de Marrocos.

Refere o encontro de 17 de Março com Brahim Gali, secretário geral da Frente Polisario, no qual transmitiu que lamenta que a FP ainda não se tenha retirada da zona tampão em Guergarat e que quer relançar as negociações com uma nova dinâmica e espírito, mas que para isso necessita que se crie uma atmosfera propicia terminando a tensão em Guergarat.

Nas actividades da MINURSO enumera o trabalho desenvolvido que se limita a patrulhas, contactos, supervisão de desminagem, questões de segurança do próprio contingente e refere que a oeste do muro o contacto está limitado a representantes do Exército Real Marroquino enquanto a Oeste (territórios sob controle da POLISARIO e campos de refugiados) contactam com todos os organismos presentes para além de coordenação com a Frente POLISARIO.

O SG aponta como desafio às operações da MINURSO vários pontos, iniciando por dizer que existem divergências de interpretação do mandato da MINURSO entre a Frente POLISARIO e Marrocos. Segundo o SG, Marrocos entende que a MINURSO tem como mandato a monitorização do cessar-fogo, apoiar a desminagem e apoiar as medidas de criação de confiança caso voltem a ser implementadas uma vez que foram interrompidas em 2014. Mas não refere que o nome MINURSO é claro e não dá azo a dúvidas de interpretação: Missão das Nações Unidas para a realização do Referendo no Sahara Ocidental, nem esclarece que as medidas de criação de confiança terminaram devido a actuação de Marrocos.

Segundo o SG, a Frente Polisario “interpreta” o mandato da MINURSO como tendo como objectivo principal a realização do referendo e vai mais longe afirmando que não há acordo entre as partes sobre o mandato.

Guterres entende que os contactos a “oeste” do muro com o CNDH (conselho Nacional dos Direitos Humanos Marroquino), com “eleitos locais” e sheiks tribais permitem à MINURSO ter um entendimento amplo e imparcial da situação. Algo inconcebível visto os elementos acimas referenciados CNDH, eleitos locais e “sheiks” serem todos eles aliados ou braços das autoridades de ocupação marroquinas e do Makhzen.

No ponto sobre as actividades humanitárias e direitos humanos, recorda a actuação claramente insuficiente da ONU no que toca à distribuição alimentar e alojamento entre outros.

No que respeita aos Direitos Humanos, recorda a última visita de uma delegação da Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas a El Aaiun e Dakhla em 2015, mas não menciona que essa mesma delegação esteve sob ataque das forças marroquinas durante a sua visita a uma casa de activistas saharauis. Esta foi a última visita autorizada por Marrocos. O SG refere a expulsão de 187 estrangeiros do território número confirmado pelo Reino de Marrocos que classifica estes estrangeiros expulsos das “províncias do Sul” como uma ameaça à segurança nacional ou porque não obedecem às leis de emigração.

No ponto 74. o SG refere o caso do grupo de Gdeim Izik com graves erros, falando em “re-julgamento” de 23 acusados, quando na realidade se tratam de 24. Continua dizendo que esse número inclui 21 presos condenados a perpetua, o que também não corresponde à verdade visto que 8 dos prisioneiros estão condenados a perpetua, e os restantes de 20 a 30 anos de prisão. Esta falta de rigor é preocupante na medida em que demonstra a qualidade de informação processada pelo SG, que tem recebido inúmeros relatórios sobre este caso e apelos pela libertação destes presos com os dados corretos que pelos vistos não foram tidos em conta. Também não refere a decisão do Comité Contra a Tortura da ONU sobre este caso em que é claro que Marrocos infringiu todas as normas, leis, acordos e convenções nacionais e internacionais que subscreveu e ratificou, utilizando a tortura como método de construção de um “caso jurídico”.

Na terminologia adaptada por Guterres não se diz Povo do Sahara Ocidental. A frase utilizada: “alcançar uma solução política mutuamente aceitável que inclua a resolução da controvérsia sobre o estatuto final do Sahara Ocidental, incluindo um acordo sobre a natureza e a forma do exercício de auto-determinação”. Substitui a formulação original utilizada até ao momento em todos os documentos das Nações Unidas: “alcançar uma solução política mutuamente aceitável entre as partes e de acordo com as resoluções da ONU com o objectivo de alcançar o direito à autodeterminação do povo do sahara ocidental”. Segundo a formulação de Guterres, a autodeterminação parece ser algo que pode ser exercido de diversas formas abrindo mais uma vez portas a Marrocos para “interpretações” e novas propostas.

Termina o relatório referindo a necessidade de reactivar as negociações com uma 5.ª ronda . Refere o ponto de vista de Marrocos que defende um plano de autonomia e o “ponto de vista” da Frente Polisario, ou seja a realização do referendo sobre autodeterminação.

Mais uma vez Guterres parece esquecer que não existem pontos de vista, mas sim posicionamento, por um lado Marrocos que renega tudo o que foi acordado no cessar-fogo e por outro a Frente Polisario que além de respeitar o acordado no cessar-fogo de 1991, ainda concordou em acrescentar às opções do referendo a proposta de autonomia de Marrocos. Quer isso dizer que não existe nenhum impedimento à realização do referendo em teoria visto incluir o “ponto de vista de Marrocos”, o único impedimento é a oposição de Marrocos uma vez que sabe que o referendo nunca irá ter como resultado a escolha da autonomia.

Guterres propõe-se relançar as negociações com um novo “espírito” em que as negociações estejam abertas as propostas das duas partes. Propõe ainda o prolongamento do Mandato da MINURSO até Abril de 2018. Agradece aos membros do Conselho de Segurança os seus esforços para o restabelecimento total da funcionalidade da MINURSO que segundo a informação do relatório deverá acontecer devido ao comunicado por parte de Marrocos de 4 e 5 de Abril onde diz “permitir” o regresso. Agradece a Marrocos o recuo de Guergarat e continua “profundamente preocupado” com a presença da Frente POLISARIO na zona.

Apela a um reforço da ajuda humanitária aos campos de refugiados por parte da comunidade internacional e no que respeita os Direitos Humanos a oeste e a leste do muro espera que se possam realizar “visitas” dos mecanismos das Nações Unidas.

Todo o relatório tem uma terminologia cuidada de acordo com os desejos de Marrocos, evitando falar em territórios ocupados e falando de oeste e leste do muro e dando pistas sobre relançar as negociações com uma nova dinâmica e espírito “novas opções possíveis” para a solução do conflito.


Horst Köhler, antigo presidente da Alemanha, novo Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental


Horst Köhler, antigo presidente da Alemanha

Depois de um americano, de novo um europeu. Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, propôs que o seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental seja Horst Köhler, 74 anos, antigo presidente alemão (2004 à 2010). Marrocos e a Frente Polisario terão mostrado boa predisposição, mas ainda não deram o seu acordo final, de acordo com fontes diplomáticas.

Köhler é esperado substituir o diplomata norte-americano Christopher Ross, que teoricamente se demitiu no início deste ano, antes de o Conselho de Segurança da ONU renovar no final mês o mandato da MINURSO. Na verdade, foi Guterres que sugeriu a Ross a renunciar ao seu posto. Sabendo-o injuriado pelas autoridades marroquinas, parecia-lhe difícil ele poder continuar a ser o mediador.

O seu indigitado substituto tem um perfil muito diferente. Não é um diplomata, mas um político e membro do partido democrata-cristão de Angela Merkel. É também é economista que administrou a Federação dos bancos de poupança alemães antes de ser nomeado presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). Antes de se tornar chefe de Estado, foi durante quatro anos (2000-2004) Director Executivo do Fundo Monetário Internacional. Ele não sabe muito sobre o conflito do Sahara Ocidental.

A Polisário teria preferido que o enviado pessoal fosse norte-americano, como Ross ou como James Baker, que foi Secretário de Estado do presidente George Bush. A sua preferência ia para John Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU e homem próximo do presidente Donald Trump. O apoio que lhe poderia dar o Departamento de Estado, em teoria, daria mais peso à mediação, mesmo que não tenha tido êxito. A hostilidade demonstrada pelas autoridades marroquinas contra os dois norte-americanos contribuíram para as suas renúncias.

Rabat, por seu lado, estava mais inclinado para um europeu, porque tem boas recordações do diplomata holandês Peter van Walsum que, em 2008, propôs que os dois lados negociassem sobre a oferta marroquina de autonomia, e não sobre a autodeterminação reivindicada pelos independentistas saharauis. A diplomacia marroquina havia sugerido o nome de Miguel Ángel Moratinos, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, que vê com bons olhos a proposta de autonomia para o Sahara.

Guterres irá apresentar este mês o seu relatório anual ao Conselho de Segurança sobre o Sahara (fê-lo no passado dia 10 de Abril, embora ele não tenha ainda sido divulgado oficialmente e não apareça no sítio da ONU) o qual foi ainda em grande medida escrito por Ross. O Conselho irá, em seguida, votar uma resolução que irá fazer algumas recomendações e irá prolongar por um ano o mandato da MINURSO. Ele será escrito pela missão dos Estados Unidos nas Nações Unidas e submetido primeiro à aprovação da França, Rússia, Espanha e Reino Unido que integram o Grupo de Amigos do Sahara Ocidental.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

ONU: novo enviado pessoal para o Sahara. Marrocos, perito em comprar vontades, não o conseguiria com um diplomata norte-americano



“Aquele que foi mordido por uma serpente até de uma corda tem medo” - Provérbio saharaui...
Fonte: Diario La Realidad Saharaui, DLRS. 09/04/2017

Para o conflito do Sahara Ocidental não é aceitável nem prudente que o Secretário-Geral António Guterres designa um novo Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental que não seja um brilhante diplomata norte-america. Parafraseando o provérbio saharaui الي كط عظو احنش يخلعو احبل “Aquele que foi mordido por uma serpente até de uma corda tem medo”; estamos a pensar em alguns dos anteriores Enviados Pessoais dos Secretários-Gerais da ONU para o Sahara Ocidental que se sucederam ao longo destes 42 anos de conflito, desde o paquistanês Yakub Khan ao holandês Van Walsum, diplomatas que no final das suas funções procuraram inclinar a balança para o lado das teses marroquinas, ignorando a natureza do problema do Sahara Ocidental: “Um dos 17 territórios não autónomos registados no Comité de Descolonização, C-24, que falta autodeterminarem-se”. E de que o problema do Sahara Ocidental resulta de um caso de ocupação ilegal perpetrado desde 1976 pelo regime de Marrocos.