segunda-feira, 1 de abril de 2019

Territórios Ocupados: Saharauis exigem o fim da ocupação




"Chegou a hora de as Nações Unidas agirem seriamente e exercerem mais pressão política e económica sobre Marrocos para acabar com a ocupação ilegal do nosso país". Estas as palavras pronunciadas por uma mulher saharaui na Avenida Smara, em El Aiún, capital do Sahara Ocidental ocupado, secando as lágrimas e limpando as roupas de pó depois de terem sido perseguidas e assaltadas por forças de ocupação, numa manifestação organizada em frente ao bairro de Al-Wifaq.

Vários saharauis reuniram-se no local às 17h00 da passada quarta-feira, empunhando bandeiras da República saharaui e gritando slogans políticos que exigiam o fim da ocupação e a cessação do saqueio dos recursos naturais saharauis. Em menos de cinco minutos, as forças de ocupação intervieram com bastões, cassetetes e pedras. Os manifestantes foram perseguidos nas ruas em redor do bairro Al-Wifaq, diz o correspondente da Équipe Media.

Simultaneamente, um grupo de mulheres activistas saharauís, lideradas pelo conhecida ativista Aminatou Ahmed Haidar, reuniu-se no centro de El Aaiún, erguendo bandeiras da RASD e cantando slogans em apoio à Frente Polisario. A forças de ocupação dispersaram-nas e obrigaram-nas a deixar o local.


Em entrevista à Équipe Média, Aminatou Haidar conta que "as reivindicações dos saharauis que participaram das manifestações no Aaiun ocupada foram muito claras em relação à ocupação, à liberdade e à total independência". Queríamos enviar uma mensagem a Köhler e ao Secretário-Geral da ONU, dizendo que a Polisario é o único representante legítimo dos saharauis, em especial coincidindo com a mesa redonda de Genebra. "

Haidar acrescentou que "depois de alguns minutos, dezenas de policiais marroquinos cercaram o local onde a manifestação tinha lugar. A minhas companheiras foram atacadas e as suas bandeiras foram arrancadas. A bandeira que incomoda Marrocos".

A manifestação foi convocada pelo coordenadora das associações saharauis para os direitos humanos por motivo das negociações entre a Frente Polisario e Marrocos em Genebra, numa mesa redonda patrocinada pela ONU, com a participação da Argélia e da Mauritânia como países observadores.

Além das violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental, as autoridades de ocupação impõem um bloqueio informativo e militar no território para abortar as atividades políticas dos que reivindicam a autodeterminação. Por isso, proíbem a entrada de observadores internacionais e jornalistas que tentam obter as informações no território e testemunhar as barbaridades cometidas pelo ocupante marroquino.

Desde janeiro deste ano foram já expulsos 17 estrangeiros das cidades ocupadas de El Aaiún e de Smara.

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