quinta-feira, 9 de julho de 2020

O exército saharaui combate agora o narcotráfico: aumentam as apreensões no deserto de drogas oriundas de Marrocos



A Polisario vê uma "cumplicidade" entre altos comandantes militares marroquinos e narcotraficantes para permitir que a mercadoria atravesse o maior muro defensivo do mundo que divide o Sahara Ocidental em dois, e que mais tarde vai financiar grupos terroristas jihadistas no Sahel.

SANTIAGO F. REVIEJO @sreviejo

O exército da Frente Polisario que lutou contra o Marrocos durante 16 anos tem agora um novo inimigo: os traficantes de drogas que atravessam o seu deserto carregando toneladas de drogas - principalmente haxixe - em direção a áreas dos países do Sahel dominadas por organizações terroristas jihadistas. O governo saharaui garante que esta mercadoria provém do outro lado do muro defensivo de 2.700 quilómetros que o estado marroquino construiu durante a guerra para defender o seu território, dividindo o Sahara Ocidental em dois após o fim das confrontações em 1991.

As últimas intervenções ocorreram esta semana. As forças armadas saharauis apreenderam 3.775 quilos de haxixe na segunda-feira em Agüenit, ao sul dos territórios libertados pela Polisario na guerra contra Marrocos. Na operação, quatro pessoas foram presas, três delas de nacionalidade estrangeira - não saharaui - sem especificar, e capturadas espingardas de assalto, munições abundantes e veículos todo-o-terreno de alta potência. Um dia depois, outros 775 quilos foram confiscados na área vizinha de Dugej. Membros da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) estiveram presentes como testemunhas na operação de queima da droga capturada.

Com essas duas intervenções, o exército da Polisario já confiscou no primeiro semestre de 2020 um total de 4.550 quilos de drogas, quase o dobro do que foi apreendido em todo o ano passado, segundo fontes do governo saharaui. E desde 2015, garantem que mais de trinta toneladas foram capturadas em operações realizadas na longa rota do deserto que, atravessando o território saharaui, vai do muro defensivo vigiado pelas forças armadas marroquinas às regiões do Sahel na Mauritânia, Mali e Níger.

Agora, o que pergunta o governo da República Árabe Saharaui Democrática é como os traficantes de drogas conseguem atravessar, sem serem detectados, o muro vigiado por entre 80.000 e 100.000 soldados marroquinos equipados com radares sofisticados capazes de detectar a passagem de uma simples formiga, e depois atravessam, sem pular no ar, um campo de sete milhões de minas antipessoal e antitanque que protege todo o perímetro dessa barreira defensiva. A resposta, segundo o porta-voz de comunicação d Polisario na Espanha, Jalil Mohamed, é muito simples: "O conluio entre organizações de narcotráfico e o alto comando militar marroquino" "é o que torna possível essa proeza.

O exército da Polisario conseguiu bloquear as rotas de entrada no seu território através da parte norte do muro, e isso levou, segundo os seus oficiais, ao facto dos gangues de narcotraficantes desviarem a introdução de carregamentos no território saharaui para a parte sul do muro defensivo, local onde ocorreram as últimas apreensões.

E essa via do tráfico de drogas termina, na opinião do governo saharaui, no financiamento das organizações terroristas jihadistas que dominam várias áreas da vasta região subsaariana do Sahara. "Esse tráfego serve para desestabilizar a região. Marrocos está usando esse tráfego para desestabilizar o Sahara e outros países da região e depois aparece como salvador", diz Jalil Mohamed, que lamenta que em cimeiras como a do Sahel 5, a que compareceram esta semana na Mauritânia os presidentes dos governos espanhol e francês, não se discuta a origem do financiamento dos terroristas.



ONU teme por seus capacetes azuis na região

O Secretário-Geral da ONU já alertou no seu último relatório sobre a situação no Sahara Ocidental, apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em outubro passado, sobre o perigo representado por esses gangues que atravessam o território saharaui. Especificamente, depois de observar que "aumentaram os relatos de contrabando e outras atividades ilegais em ambos os lados da barreira" - o muro defensivo de Marrocos - assinaladas pela Frente Polisario e pelo exército marroquino, ele destaca: "Apesar de nossa plena confiança no compromisso das partes em proteger a Minurso, esses grupos armados representam uma ameaça crescente e imprevisível para o pessoal da Minurso", a missão internacional responsável por há quase 30 anos garantir a realização de um referendo de autodeterminação que ainda não foi convocado.

Noutro ponto do seu relatório, o Secretário-Geral da ONU afirma que "a ameaça relacionada a grupos terroristas e atividades criminosas na região continua sendo motivo de grande preocupação devido à sua imprevisibilidade e nível de risco desconhecido, especialmente para bases de operações localizadas em áreas remotas a leste do muro (a parte conquistada pela Polisario na guerra), as patrulhas desarmadas que cobrem grandes distâncias em todo o território e o reabastecimento de colunas".

O governo saharaui informou repetidamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas da sua preocupação com a atividade dessas quadrilhas de traficantes no seu território, a última quarta-feira passada, depois das apreensões de mais de quatro toneladas de haxixe nas duas operações acima mencionadas. Nos escritos do seu representante na ONU, a Polisario responsabiliza o Reino de Marrocos por essas operações, que atribui ao seu estatuto de maior produtor mundial de resina de cannabis, conforme é referido nos relatórios do Escritório de Nações Unidas contra as Drogas e o Crime.

Em outubro de 2011, dois cooperantes espanhóis e uma italiana foram sequestrados nos campos de refugiados saharauis em Tindouf, na Argélia, por um grupo terrorista jihadista do Sahel. Após nove meses de cativeiro, os reféns foram libertados no norte do Mali. Desde então, a Polisario aumentou as medidas de segurança nos campos para proteger, acima de tudo, os estrangeiros de organizações humanitárias que trabalham com a população local.

"Eles estão transformando a região num oeste selvagem e o que nós queremos é um Magrebe estável e próspero", diz o porta-voz da Polisario em Espanha.


Grandes empresas suíças fecham portas a produtos das zonas ocupadas do Sahara Ocidental




A Suíça fecha os seus mercados a produtos importados ilegalmente das áreas ocupadas do Sahara Ocidental. Grandes importadores de frutas e legumes afirmaram que a decisão foi tomada em conformidade com o direito internacional.

A organização de vigilância de recursos do Sahara Ocidental (Western Sahara Resource Watch) destacou a grande ação liderada pela ONG suíça terre des hommes schweiz para impedir a importação de produtos das áreas ocupadas do Sahara Ocidental. A campanha conseguiu que três grandes redes de supermercados se abstivessem de comercializar produtos das áreas ocupadas em 2019.

Denner e Migros aderem à decisão tomada pela Coop, que já em 2017 parou de vender produtos do território ocupado, respondendo a preocupações ecológicas como afirmou na sua carta ao WSRW.

Migros ressalta que, após "explicações profundas e pareceres legais" em 2017, decidiu "abster-se de comprar produtos em áreas ocupadas de acordo com o direito internacional", uma descrição que se encaixa no Sahara Ocidental, declara a rede de supermercados.

Por seu lado, a Denner, a terceira maior rede de supermercados da Suíça, informou a ONG terre des hommes schweiz que a decisão de cancelar todas as compras e importações de produtos das áreas ocupadas do Saara Ocidental foi tomada em dezembro 2017.

"Grandes plantações localizadas perto da cidade de Dakhla, ao longo da costa sul do Sahara Ocidental, estão esgotando as reservas de água subterrânea da região para cultivar frutas e legumes para exportação. Com o selo de "produto de Marrocos", os melões e os tomates cultivados no território ocupado tornaram-se instrumentos políticos com os quais Marrocos tenta impor o reconhecimento da sua inadmissível reivindicação do Sahara Ocidental através do comércio ", denuncia a Western Sahara Resource Watch.

“A estratégia de Marrocos não funcionou na Suíça. O Conselho Federal Suíço declarou formalmente em várias ocasiões que o seu acordo de livre comércio com Marrocos não era aplicável ao Sahara Ocidental, um território sob ocupação marroquina ", lembrou a organização internacional. Também se referiu ao acórdão do Tribunal de Justiça Europeu, de dezembro de 2016, que determinou que o acordo comercial UE-Marrocos não poderia ser aplicado ao Sahara Ocidental, uma vez que Marrocos não tinha soberania ou apoio legal para administrar o território.

Em 2016, a batalha pelos recursos naturais e sua exploração ilegal pot parte de Marrocos gerou grande atenção nos media suíços. Embora a Coop tenha banido rapidamente o tomate-cereja do Sahara Ocidental, Migros e Denner inicialmente argumentaram que era suficiente marcar corretamente a origem dos produtos para os clientes. No entanto, esse não foi sempre o caso e os rótulos dos tomates do Sahara Ocidental frequentemente apontavam Marrocos como o país de origem.

Depois de celebrar a batalha ganha na Suíça, o Western Sahara Resource Watch alerta para as armadilhas da introdução de produtos saharauis no mercado europeu", uma vez que Marrocos se recusa a rotular corretamente os produtos do Sahara Ocidental".

quarta-feira, 24 de junho de 2020

"A não designação de um enviado da ONU para o Sahara Ocidental é inaceitável" - afirma dirigente da Frente Polisario

Abdelkader Taleb Omar


24 Junho de 2020. - Lehbib Abdelhay/ECS - Em declarações à imprensa Abdelkader Taleb Omar, antigo primeiro-ministro da RASD e actual embaixador saharaui em Argel, disse que a Frente Polisario lamenta que tenham passado mais de doze meses desde que o ex-Enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, Horst Köhler renunciou ao cargo e, desde então, nada tenha sido feito para avançar no processo de paz no Sahara Ocidental.

Omar criticou o tratamento da questão saharaui no Conselho de Segurança, afirmando que "o povo saharaui está particularmente desapontado com a posição de alguns membros do mais alto órgão de decisão da ONU.
A falta de progresso no processo político, bem como o silêncio e a inação do Secretariado da ONU e do Conselho de Segurança ante as ações ilegais e desestabilizadoras de Marrocos, acentuaram ainda mais a perda de fé por parte do povo saharaui no processo de paz. Nem o Secretariado das Nações Unidas nem o Conselho de Segurança tomaram nenhuma das ações que descrevemos na nossa carta (S / 2020/66), a fim de restaurar a confiança de nosso povo no processo da ONU.
"O atraso na nomeação de um novo enviado pessoal paralisou o processo político e é inaceitável. O processo de paz liderado pela ONU parece ter retornado aos 'negócios como de costume' (Business as usual), apesar das repetidas garantias dos membros do Conselho Segurança do contrário ", destacou o presidente saharaui.

García-Margallo, ex-MNE espanhol, reconhece o uso de emigração ilegal por parte de Marrocos para chantagear Espanha e condicionar a sua política exterior.


 García-Margallo, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo PP liderado por Mariano Rajoy e actualmente eurodeputado por este partido, reconhece pela primeira vez o uso da emigração ilegal por parte de Marrocos para chantagear Espanha e condicionar a sua política externa.

O dirigente do Partido Popular, García-Margallo y Marfil, ex-Ministro de Relações Exteriores e Cooperação do Governo da Espanha do PP de 2011 a 2016, reconheceu pela primeira vez numa entrevista ao programa En Cerrados apresentado por Alberto Benzaquén, o uso de imigração ilegal por Marrocos e a pressão na fronteira para chantagear Espanha e impôr condições.

Marrocos exporta Covid-19 através de migrantes ilegais e mente sobre números no Sahara Ocidental ocupado




24 de Junho de 2020 - PUSL.- Nos últimos 10 dias chegaram várias “pateras” (embarcações clandestinas que transportam migrantes) às Ilhas Canárias originárias do Sahara Ocidental Ocupado com 62 infectados com Covid-19.
Segundo a agência EFE só nos últimos dias, houve 25 infectados entre os 68 ocupantes de dois barcos que partiram de El Aaiún e que chegaram a Fuerteventura.

Estes são apenas os casos conhecidos, visto que muitos migrantes não sobrevivem à travessia do Atlântico de cerca 110km e outros chegam sem serem detectados.

A rota é conhecida e é utilizada tanto por migrantes subsaarianos como por Saharauis que fogem do clima de terror e apartheid nos territórios ocupados pelo regime Marroquino.

A chantagem sobre Espanha

Todo o processo é conhecido tanto pelas autoridades como do próprio governo Marroquino que fecha os olhos e utiliza a migração ilegal como um meio de pressão sobre a União Europeia.
No dia 23 de Junho numa entrevista à rádio, García-Margallo, que foi Ministro dos Assuntos Estrangeiros e Cooperação do Governo da Espanha do PP de 2011 a 2016, reconheceu em entrevista no programa “En Cerrados” apresentado por Alberto Benzaquén, o uso da imigração ilegal por de Marrocos e pressão na fronteira para chantagear Espanha e condicionar sua política externa na África.

Canárias: destroços de uma «patera» oriunda do Sahara Ocidental ocupado


A Rota

Vários países africanos não necessitam de vistos de entrada para Marrocos. Os africanos destes países e outros chegam a Casablanca e Marraquexe onde contactam com os traficantes de pessoas conhecidos como “intermediários”
Esses intermediários têm contactos em El Aaiun, Dakhla, Bojador, nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.
Mohamed, um activista de direitos humanos explica-nos todo o trajeto.

“Os migrantes ilegais são transportados para os territórios ocupados desde Agadir, escondidos em viaturas dos intermediários, passam os inúmeros check-points com subornos à Gendarmarie e aos policias.
Este transporte só é feito após se confirmarem as condições atmosféricas favoráveis e as peças para os barcos “pateras” estarem já nos territórios ocupados.

As peças de madeira para construir os barcos vêm de Esaouira para Agadir e são transportadas em camiões relacionados com a pesca para os territórios ocupados onde são montados em locais secretos.

Depois da travessia que demora cerca de 24 horas mas pode demorar mais se tiverem que esperar pelo cair da noite, as “pateras” são incendiadas ou destruídas.

Os que sobrevivem à travessia dizem que entraram na Europa com “um visto de Deus”.

Tudo isto é feito com o conhecimento e conivência de Marrocos para além dos funcionários que recebem subornos, o próprio Estado marroquino fecha os olhos.

Marrocos “deixa” migrantes ilegais chegarem às costas de Espanha continental e Ilhas como uma forma de pressionar a UE a dar mais subvenções mas também de “castigar” a UE sempre que há decisões desfavoráveis a Marrocos na questão do Sahara Ocidental.

Covid-19 nos territórios ocupados

Os verdadeiros números de infectados com Covid-19 nos territórios ocupados do Sahara Ocidental não são conhecidos e há manipulação da realidade por parte do Governo Marroquino não só no Sahara Ocidental como no território legitimo de Marrocos.

Estes casos de migrantes infectados mostram que há cadeias de transmissão activas e que os infectados estiveram em contacto com traficantes, motoristas e nos locais de espera com um número significativo de pessoas que se movimentam nas cidades dos territórios ocupados.

Para além destes casos existem os “Casos oficiais” como o foco publicado ontem pelo Ministério de Saúde Marroquino de 12 infectados em El Marsa uma localidade perto de El Aaiun num empresa ligada às pescas.

Segundo um activista Saharaui dos territórios ocupados:

“Marrocos alegou tomar medidas preventivas antes que a quarentena fosse levantada, mas isso foi apenas propaganda falsa.

Marrocos é responsável pela propagação do Covid 19 no Sahara Ocidental desde o primeiro momento.

Deixaram entrar colonos e pescadores sem qualquer tipo de controle. Marrocos é responsável por difundir informações falsas, colocando em risco a população saharaui e não preparando os hospitais e médicos além de não ter realizado testes.

Os hospitais, principalmente o hospital central dos territórios ocupados em El Aaiun parecem mais aterros sanitários do que hospitais. Não há higiene, não há desinfecção.

Na minha opinião Marrocos deve ser acusado de querer espalhar o vírus intencionalmente nos territórios ocupados.

A população está com medo.”

Fonte: Por Un Sahara Libre

sábado, 20 de junho de 2020

Protestos nas ruas de El Aaiun no 50º aniversário do "Grito de Zemla de 1970" e contra a ocupação marroquina




 Ativistas saharauis insultadas e impedidas de visitar o histórico militante anticolonial Mohamed Uld Hamuya, doente em casa.



Várias ativistas saharauis e ex-presas políticas, entre elas Mahfuda Bomba El Fakir, recentemente libertada por Marrocos, a 15 de março, após cumprir sentença, foram detidas por agentes marroquinos na quarta-feira, 17 de junho, na cidade de El Aaiun, quando tentavam comemorar o 50º aniversário de Zemla de 1970 e homenagear o membro histórico do Movimento de Basiri (movimento nacionalistas que antecedeu a constituição da Frente POLISARIO), Mohamed Uld Hamuya, em convalescença há alguns anos em sua casa. Os protestos tiveram lugar nos bairros de Maatala, antiga Zemla, e na Avenida Smara, a principal artéria de El Aaiun.
Uld Hamuya, nas palavras do ex-preso político saharaui Brahim Dahan: “É um membro histórico do Movimento de Libertação do Sahara”, organização fundada por Basiri, que liderou, faz agora 50 anos, a primeira revolta do nacionalismo saharaui contra o franquismo espanhol. Nas palavras de Brahim Dahan, “Mohamed Uld Hamuya, para os saharauis dos territórios ocupados, é uma referência histórica, um pai espiritual na luta; um militante com uma brilhante trajetória de luta contra o colonialismo espanhol na sua época e contra a atual ocupação marroquina. ”



Fontes de ativistas de El Aaiun afirmaram que vários oficiais marroquinos à paisana detiveram Mahfuda e as suas companheiras depois de terem participado no protesto na rua Smara, uma das artérias centrais de El Aaiun, provocando-as com ofensas e insultos degradantes. Os agentes invectivaram Mahfuda, ameaçando-a: "aranek babak lahi terdjii lil habs", expressão marroquina ofensiva e ameaçadora em relação à pessoa do ativista, que poderá ser traduzida como "cabra, vamos meter-te de novo na prisão".
Os agentes marroquinos, de acordo ainda com fontes dos ativistaa, usaram a sua brutalidade usual contra o grupo de ativistas, com empurrões e insultos degradantes a todo o grupo, mas, felizmente, algumas conseguiram escapar e entrar na casa do membro histórico do OLS de Basiri de 1970, insurreição conhecida como o Grito de Zemla, cumprindo assim parte da celebração que a população saharaui tinha planeado.

Fonte: Diario La Realidad Saharaui/DLRS, 18/06/2020



sexta-feira, 19 de junho de 2020




A Assembleia Geral das Nações Unidas elegeu a Índia, Irlanda, México, Noruega e Quénia como novos membros não permanentes do Conselho de Segurança para o período 2021-2022.

Esses países passam a participar no Conselho de Segurança a partir de 1 de janeiro de 2021 e irão substituir a África do Sul, República Dominicana, Alemanha, Bélgica e Indonésia.
O México e o Quénia reconhecem a RASD (República Árabe Saharaui Democrática) e a Noruega, assim como a Irlanda, demonstraram apoio ao povo saharaui.
Todos os novos membros, excepto a Índia, são a favor da expansão do mandato da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) para incluir os direitos humanos no Sahara Ocidental.
A Índia tem sido um dos países que importa fosfato espoliados dos territórios ocupados do Sahara Ocidental, financiando indiretamente a ocupação, pagando a Marrocos por bens roubados.

Fonte: Por un Sahara Libre


quinta-feira, 18 de junho de 2020

LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS SAHARAUIS




“Agora, mais do que nunca, os Governos deveriam libertar todas as pessoas detidas sem suficiente base legal” (Michelle Bachelet, Alta-Comissária para os Direitos Humanos da ONU, 25 de Março).

 A Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental (AAPSO), acompanhada por um grupo de personalidades portuguesas, enviou esta semana a todos os grupos parlamentares da Assembleia da República um pedido para que esta tome uma posição clara quanto à imperiosa necessidade de libertação dos presos políticos saharauis injusta e ilegalmente detidos nas cadeias marroquinas.

A iniciativa decorre no contexto do recente apelo da Alta-Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, para que todos os governos libertem "todas as pessoas detidas sem suficiente base legal, incluindo presos políticos, e as que foram presas por terem expresso opiniões críticas ou dissidentes", que desencadeou uma campanha internacional à qual a AAPSO se associou.

A esta iniciativa da AAPSO quiseram juntar-se algumas personalidades portuguesas solidárias com a luta travada pelo povo saharaui nos últimos 45 anos pelos seus direitos inalienáveis.


Depoimentos de personalidades portuguesas

"Leio a mensagem da Alta-Comissária para os Direitos Humanos e antiga presidente do Chile, Michelle Bachelet, sobre a situação dos presos políticos no mundo, e vejo as notícias que continuam a chegar sobre decisões e comportamentos políticos, judiciais e policiais das autoridades marroquinas no Sahara Ocidental e assaltam-me duas perguntas desafiadoras:
— que teriam feito os portugueses se nos anos 90, mesmo sem pandemia, a mesma mensagem e semelhantes notícias lhes tivessem chegado mencionando a situação de presos políticos timorenses e decisões judiciais e comportamentos policiais do Estado Indonésio?

— que atitude teria tomado eu, enquanto jornalista (actividade que cessei há mais de uma década)?

Não tenho dúvidas de que os portugueses (cidadãos em geral e políticos) teriam protestado, invocando obrigações e princípios que a Constituição e a Carta das Nações Unidas lhes cometiam. E julgo que, por mim, teria procurado encontrar condições para investigar e relatar a situação no terreno.
Perante as denúncias de hoje, gostaria de poder responder que todos (cidadãos, políticos, jornalistas) agimos em coerência com estes nossos comportamentos do passado, inconformados com a continuada violação dos direitos humanos, o "limbo político" e o esquecimento mediático em que permanece "o último território não descolonizado de África" (Repórteres Sem Fronteiras, "Sahara Occidental: un desierto para el periodismo").

Adelino Gomes, jornalista














"Corroborando o apelo da Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU e como membro da extinta Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos - extinta com o derrube do regime de ditadura em Portugal e o advento da democracia - e considerando que só é possível existirem presos políticos onde não há liberdade política, Portugal deve apoiar o derrube da ditadura e a libertação dos presos políticos saharauís que sofrem, não apenas a falta da liberdade, mas são vítimas especiais da pandemia e da falta das condições básicas a nível sanitário.
Pertence à AR aprovar uma moção que exija libertação dos presos políticos saharauís".

Frei Bento Domingues, O.P.
















"A situação dos presos políticos em qualquer parte do mundo já é, por si só, particularmente injusta e gravosa já que muitos deles se encontram privados de liberdade tão só por terem exprimido a sua vontade e a sua opinião, contrária à dos detentores do poder político.
Com a pandemia de COVID-19, têm sido libertados inúmeros reclusos com intuito de evitar a sua eventual infecção, particularmente facilitada pelas condições existente em meio prisional. Lamentavelmente e contrariamente ao que seria da mais elementar justiça, os prisioneiros políticos não têm sido abrangidos por tais medidas, como sucede no caso no Reino do Marrocos, onde os presos políticos que apoiam a luta do povo saharauí se mantém privados de liberdade em condições de grave risco para a sua saúde.
Cabe-nos a todos nós denunciar a sua situação e instar as autoridades marroquinas para que, num gesto de humanismo, face à pandemia de COVID-19, procedam à libertação dos prisioneiros políticos saharauís.
Francisco Teixeira da Mota, advogado














"Tendo conhecimento das condições particularmente duras e desumanas que afectam os detidos políticos saharauis e marroquinos nas prisões marroquinas, agravadas pela pandemia da covid 19, e recordando o apelo da alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, no sentido de serem especialmente protegidos os direitos de todos os detidos, incluindo a devolução à liberdade de quem se encontra preso sem suficiente base legal ou por ter expresso opiniões críticas, junto a minha voz à de todos quantos exigem a intervenção urgente dos mecanismos de direitos humanos da ONU junto das autoridades marroquinas para a libertação dos detidos políticos nas prisões do reino de Marrocos."

Helena Roseta, arquitecta















"O que se passa com os presos saharauís é uma clara violação dos direitos humanos e dos direitos dos povos.
Os saharauís são um povo que tem visto ser-lhe negado sistematicamente pelo reino de Marrocos, perante a passividade internacional, um direito elementar e fundamental, o direito à autodeterminação.
É da mais elementar justiça que sejam libertados todos os presos políticos que estão presos sem suficiente base legal, apenas porque expressaram opiniões criticas relativamente a quem os prendeu e impede um povo de se autodeterminar".

Manuel Martins Guerreiro, militar de Abril
















"Ao lado da Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, peço que a Assembleia da República Portuguesa se junte a outros Países Europeus na pressão a exercer junto do Reino de Marrocos, pela libertação dos presos políticos.

Teresa Salgueiro, cantora












"Há momentos em que os homens, as instituições ou os países têm a possibilidades de fazer História.
Como afirmou Maquiavel, um Príncipe só será Príncipe se tiver a oportunidade para o ser e se, surgida esta, tiver a capacidade para a aproveitar.
Nestes tempos de crise viral, o responsável maior por Marrocos, isto é, o rei Mohammed VI, foi beneficiado por uma óptima oportunidade para, uma vez que seja na vida, poder ser visto como um verdadeiro Príncipe: basta-lhe aproveitar a pandemia do COVID - 19 para mandar libertar todos os presos políticos saharauis , encerrados nas prisões marroquinas!
Não creio que isso possa diminuir o seu poder na luta contra os saharauis que pugnam pela independência do seu território, ilegalmente invadido e ocupado por Marrocos, desde Novembro de 1975!
Pelo contrário, num momento em que a Humanidade é despertada por uma nova onda de solidariedade, na defesa dos Direitos Humanos, um gesto humanitário deste tipo faria subir os seus créditos internacionais!
Será o rei Mohammed VI capaz disso? Perceberá que ao título de rei poderá juntar o de Príncipe?
Ainda que céptico, aqui deixo o meu desafio: em primeiro lugar aos responsáveis políticos portugueses, para que assumam uma posição, clara e concreta, nesta acção. Em segundo lugar, aos responsáveis políticos marroquinos: já que não é possível criar condições médico-sanitárias nas prisões marroquinas, libertem, de imediato, todos os presos políticos, nomeadamente os saharauis!

Vasco Lourenço, Associação 25 de Abril






O desaparecimento de Bassiri e a perda hemorrágica da dignidade da ‘democracia’ espanhola




No 50º aniversário do desaparecimento do líder saharaui Bassiri, a ativista Aminetu Haidar pede à "democracia espanhola" que estanque a perda hemorrágica da sua dignidade " - Aminetu Haidar - 10 junho 2020

A história nunca apagará a vergonha do Estado espanhol pela sua traição histórica e desonrosa ao povo do Sahara "Espanhol", à época, e da República Saharaui / Sahara Ocidental, nos dias de hoje. E isso apesar das tentativas das elites políticas espanholas de cobrir o sol da verdade com a rede de suas penosas posições.

Da mesma forma, o Estado espanhol também não poderá endossar a sua traição a nenhum partido ou bloco político, particularmente aqueles que governam a Espanha desde que, em 1965, esta assumiu as suas responsabilidades políticas no Sahara Ocidental, depois de integrar esse território como a “53ª província espanhola”.
Mais tarde, Espanha negaria tudo isso numa série interminável de traições, como o crime contra a humanidade cometido pelas autoridades espanholas contra os manifestantes pacíficos saharauis da manifestação de Zemla, o sequestro do líder do Movimento Nacional Saharaui na época, o desaparecido Mohamed Sidi Brahim Bassiri; a assinatura à sombra de um acordo traiçoeiro e tripartido para dividir o Sahara Ocidental em dois, abandonando o povo saharaui e impedindo-o, à semelhança do resto dos países africanos, de gozar do seu direito à descolonização e à autodeterminação; a entrega de milhares de pessoas pacíficas e a sua exposição ao bombardeamento com napalm e fósforo branco, à perseguição e aniquilação pelo aliado de Madrid, o regime de ocupação marroquino ...

Depois de tudo isso, os sucessivos governos "democráticos" espanhóis entraram numa sucessão imparável de traições, inauguradas pelo presidente socialista Felipe González, que claudicou de maneira tão estranha e aberrante diante do regime monárquico marroquino a ponto de ter acabado sendo um dos seus maiores embaixadores itinerantes na América Latina e noutros países, onde ele espalhou toxinas do Reino Alauita contra a Frente Polisario.

Infelizmente, a metodologia de González foi adotada e seguida pelos sucessivos governos da Espanha, fossem de esquerda ou de direita. Uma estratégia na qual, tal como ele, incontáveis ​​políticos espanhóis caíram, de tal modo que, se quiséssemos transcrever os seus nomes, precisaríamos de um grande número de folhas. Só os Povos de Espanha foram fiéis à história e em nenhum momento deixaram de apoiar os seus irmãos e irmãs do povo saharaui resistente. Só os Povos da Espanha cumpriram as suas responsabilidades para com o povo saharaui e continuam a resistir ao seu lado.

Hoje, por ocasião do 50.º aniversário do desaparecimento de Mohamed Sidi Brahim Bassiri, queremos que todos saibam, através da campanha “O que aconteceu com Bassiri?” que não esquecemos os nossos desaparecidos e que não deixaremos de responsabilizar o Estado espanhol - e todos os seus órgãos - pelo desaparecimento de Bassiri. Porque o único crime de Bassiri foi acreditar no direito de seu povo à liberdade que ele aspirava alcançar pacificamente. Ele não levantou uma arma contra ninguém. Ele não matou ninguém. Ele não atacou ninguém.

Neste momento, como militante saharaui e vítima de desaparecimento forçado que sofreu a repressão e a tortura brutal nas prisões secretas de Marrocos, eu, pessoalmente, me uno a esta louvável iniciativa de dizer ao Estado espanhol que tenho todos os meus direitos, esses direitos que o governo espanhol traiçoeiramente quis me negar em muitas ocasiões. Primeiro, negou o meu direito à liberdade e descolonização em 1975. Desde então, tem negado o meu direito à autodeterminação pela sua cumplicidade e apoio à ocupação marroquina. E agora, continua me negando, como saharaui, o meu direito de conhecer a verdade, toda a verdade, e continua perseverando na sua cumplicidade com o Majzén (O Poder Palaciano aluita).

Daqui exijo que toda a verdade sobre o que aconteceu nos acontecimentos da Intifada de Zemba, em 1970, seja plenamente divulgada e que sejam determinadas as responsabilidades das instituições espanholas e dos responsáveis ​​por crimes contra a humanidade e assassinatos das vítimas saharauis naquele momento, e dos quais nada sabemos até hoje. Exijo também a verdade, a reparação e a justiça para todas as vítimas de desaparecimento forçado, como é o caso de Bassiri.

Desta tribuna, convido a 'democracia' espanhola a estancar a perda hemorrágica da sua dignidade, que assuma as suas responsabilidades face ao direito internacional e que deixe de se submeter desnecessariamente ante o regime de ocupação marroquino. Pois não esqueceremos, não perdoaremos, não deixaremos de resistir.

Aminetu Haidar é ativista saharaui dos Direitos Humanos. Em 2019 foi galardoada como Prémio Nobel da Paz Alternativo.

Aminetu Haidar
Artigo publicado no jornal La Marea
redaccion@lamarea.com

ONDE ESTÁ BASSIRI?


No 50º aniversário do massacre de Zemla, ocorrido em El Aiún, capital da então colónia espanhola e designada como 53.ª Província fo Estado, a Coordenação Europeia de Solidariedade e Cooperação com o Povo Saharaui (EUCOCO) e a Associação de Família e Amigos de Bassiri (AFAB) instam o governo espanhol a assumir a responsabilidade que lhe corresponde como administrador do Sahara Ocidental e a iniciar um processo para esclarecer a verdade, identificar os culpados e reparar adequadamente as vítimas.
Este é o apelo dos Saharauis!

terça-feira, 16 de junho de 2020

Bassiri, pai do nacionalismo saharaui meio século depois



Por Jesús Cabaleiro Larrán -16 / 06 / 2020- Periodistas en Español - A campanha 'O que aconteceu com Bassiri?', coincide com o cinquentenário do desaparecimento de Mohamed Sidi Brahim Basir 'Bassiri' (1942-1970) e o massacre de Zemla (Bairro de El Aiún, então capital da colónia espanhola do Sahara Ocidental). A campanha quer lembrar a figura histórica do considerado pai do nacionalismo saharaui.

Devemos lembrar esses acontecimentos que ocorreram há meio século atrás, em 17 de junho, conforme explica um dos seus organizadores.
Em 17 de junho de 1970, as autoridades espanholas ordenaram à Legião que disparasse contra uma multidão de homens, mulheres e crianças saharauis que se reuniram no bairro de Zemla, em El Aaiún, capital do Sahara Ocidental (então Sahara espanhol) para pedir a fim da política colonial espanhola. A concentração totalmente pacífica havia sido convocada pelo Movimento de Libertação Saharaui (OALS).
Essa organização havia conseguido reunir uma grande parte da população saharaui na primeira grande tentativa de estruturar a oposição à ocupação espanhola do Sahara Ocidental. Constitui o precedente imediato da Frente Polisario, criada posteriormente, em 1973.

Última fotografia de 'Bassiri' em 1970

O seu líder, Mohamed Sidi Brahim Basir 'Bassiri', foi preso pelas autoridades espanholas assim como centenas de saharauis. Um número indeterminado de saharauis morreu ou desapareceu na repressão desencadeada em torno destes acontecimentos.
A campanha 'O que aconteceu com Bassiri?' é organizada pela Coordenação Europeia de Solidariedade e Cooperação com o Povo Saharaui (Eucoco) e a Associação da Família e Amigos de Bassiri (AFAB), e no seu manifesto reclama um total de seis reivindicações históricas, entre elas que a Espanha "assuma a sua responsabilidade nos eventos de Zemla, promovendo as investigações necessárias para o esclarecimento total dos factos".
Neste contexto está igualmente incluído um artigo de opinião escrito pelo ativista saharaui, Prémio Nobel Alternativo em 2019, Aminetu Haidar, intitulado 'O desaparecimento de Bassiri e a perda hemorrágica da dignidade da' democracia 'espanhola.
Do mesmo modo, queremos questionar o governo espanhol no Congresso dos Deputados sobre o que aconteceu há meio século atrás, através de várias perguntas no Parlamento - referem os organizadores.
Da mesma forma, o caso será apresentado ao Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários.
Além destas iniciativas, várias mesas redondas digitais foram agendadas, como 'Justiça e memória na Espanha: '50 anos do massacre saharaui de Zemla e o desaparecimento de Bassiri' (realizada na última quinta-feira 11) e 'nacionalismo saharaui no 50º aniversário O desaparecimento de Zemla e Bassiri (quarta-feira, 17, 19:30).
Este última conta com a participação de Benda Lehbib Lebsir, da Associação de Amigos e Família de Bassiri, o historiador Embairik Ahmed, da atriz María Botto e do jornalista e escritor Tomás Bárbulo, autor do livro 'Historia proibida del Sahara español' , em cujas páginas 73-102, sob o título 'Em Busca de Basiri', ele explica documentalmente e com testemunhos tudo o que aconteceu ao então líder do nacionalismo saharaui.
A página web https://quefuedebassiri.info/ explica a finalidade da campanha, atividades, e fornece um dossiê do massacre de Zemla, lembrando a a figura do líder desaparecido através de testemunhos, incluindo um poema do poeta saharaui Limam Boisha.


sexta-feira, 15 de maio de 2020

Empresa norueguesa Equinor não voltará a exportar gás para o Sahara Ocidental ocupado



A empresa de energia norueguesa Equinor "lamenta" as exportações de gás para o Sahara Ocidental e promete que não se repetirão.
Em abril, um navio de gás liquefeito chegou ao porto de El Aaiún, no Sahara Ocidental ocupado, enviado diretamente do terminal da empresa norueguesa Equinor (antiga 'Statoil') em Kårstø, na Noruega. O incidente foi divulgado hoje pelo jornal norueguês Dagsavisen.

Este é o primeiro caso documentado de exportação de gás norueguês para os territórios ocupados. Em 20 de abril às 05:41, o navio ancorou em frente ao porto de El Aaiún, capital do Sahara Ocidental. Mais tarde, nesse mesmo dia, chegou ao porto para descarregar as suas 4.900 toneladas de gás.
Em carta ao Comité Norueguês de Apoio ao Sahara Ocidental com data de 24 de abril, o vice-presidente da Equinor confirma a remessa. A empresa afirmou que "lamenta" não ter levado em consideração os conselhos do governo norueguês sobre assuntos comerciais.
"No momento, estamos [...] modificando nossos procedimentos para nos alinharmos com a posição norueguesa", escreveu o vice-presidente da Equinor Tor Martin Anfinnsen ao Comité Norueguês de Apoio ao Sahara Ocidental em nome de Eldar Sætre, presidente da empresa.
A Equinor é a décima segunda maior empresa de energia do mundo, controlada por dois terços pelo governo norueguês. O Ministério das Relações Exteriores da Noruega exorta as empresas a não se envolverem no território.
Em abril do ano passado, a ministra das Relações Exteriores da Noruega declarou no Parlamento de Oslo que o seu governo concorda com as decisões do Tribunal de Justiça da UE: o direito internacional exige o consentimento prévio do povo saharaui em assuntos relacionados com negócios no Sahara Ocidental. A Equinor passa a ter agora uma posição alinhada com outras empresas pertencentes total ou parcialmente ao governo norueguês, como a Yara, Cermaq e Mesta.


O esclarecimento da Equinor responde a uma carta do Comité de Apoio da Noruega ao Sahara Ocidental, endereçada ao presidente da empresa em 21 de abril. A Equinor, no entanto, não respondeu a várias das questões sobre as quais o Comité de Suporte da Noruega perguntou, especificamente quem havia autorizado a empresa a enviar a carga para os territórios ocupados. Daí que o Comité tenha enviado uma segunda carta à Equinor em 25 de abril. Essa carta ainda não obteve resposta.
A Equinor explicou que a embarcação continha uma carga de butano para seu cliente Gulf Petrochem, ou GP Global, cujo nome a empresa mudou. A organização Western Sahara Resource Watch escreveu à GP Global em 24 de abril, perguntando se a empresa havia obtido o consentimento do povo saharaui para importar o gás e se a Equinor havia levantado a questão do consentimento antes da transação. A carga foi transportada a bordo do navio petroleiro de bandeira liberiana Gas Cerberus. Em 25 de abril, o WSRW na Grécia e o Comité de Suporte da Noruega escreveram uma carta ao operador de navio Stealth Corp. Nenhuma dessas cartas teve resposta.
A Equinor esclareceu hoje ao jornal Dagsavisen que a carga foi vendida à GP e que "essa carga foi revendida pela GP a outro cliente para entrega em El Aaiún, e enviamos a carga ali para a GP".



Dados do departamento de estatística norueguês Statistics Norway revelam o valor das exportações de gás norueguês para Marrocos na última década: em 2019, o valor das exportações de butano foi de 290 milhões coroas (26 milhões de euros ao câmbio de 2020), enquanto as exportações de propano foram de 357 milhões de coroas (EUR 32 milhões). As exportações também continuaram nos primeiros meses de 2020. Em maio de 2019, houve uma pequena exportação de gás condensado para Marrocos no valor de 7 milhões de coroas.
Todavia ainda não se sabe se o gás exportado da Noruega para Marrocos está sendo reexportado para o Sahara Ocidental.
Segundo dados publicados pela Western Sahara Resource Watch na semana passada, 15 transportes de gás foram realizados no território durante o ano civil de 2019. Eles vieram de Marrocos ou dos aliados mais próximos do ocupante: Espanha e França. Cinco dos 15 transportes chegaram ao Sahara Ocidental a partir de Marrocos, que não é um país produtor de gás. O Comité de Suporte da Noruega perguntou à Equinor em 21 de abril em que medida a Equinor exerce a devida diligência com os seus clientes e como considera a possibilidade de reexportação do gás de Marrocos para o Sahara Ocidental. Essas perguntas não foram respondidas na carta dde 24 de abril.

Fonte:Correio Diplomático Saharaui/WSRW - 11/05/2020