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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ONU nomeia um general chinês como comandante da missão no Sahara Ocidental




O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeou o general de divisão Wang Xiaojun, da China, como comandante da força da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO).

“O general de divisão Wang sucede ao general de divisão Muhammad Tayyab Azam do Paquistão, cujo período de serviço terminou a 7 de novembro de 2016”, afirmou o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq.

A Minurso foi estabelecida em 1991 pelo Conselho de Segurança com o objectivo de procurar uma solução para o Sahara Ocidental, cujo território é disputado por Marrocos e pela Frente Polisario, apoiada pela Argélia, desde que o poder colonial espanhol se retirou em 1976.

O porta-voz adjunto da ONU afirmou que Wang “tràs consigo 40 anos de experiência militar nacional e internacional já que de 2006 a 2016 sirviu como adido militar nas embaixadas da República Popular da China no Brasil, índia, Suécia e Estados Unidos de América”.

Wang “também exerceu o cargo de comandante de sector das Nações Unidas na Minurso de 2003 a 2004 e foi observador militar das Nações Unidas no Kuwait de 1992 a 1993”, acrescentou Haq.

O general de divisão é mestrado em Administração Militar pelo Instituto de Ciência Militar do Exército Popular de Libertação e licenciado Comando e Tecnologias de Comunicação pela Escola de Comando Militar de Nanjing, China.

Wang nasceu em 1959, é casado e tem dois filhos.


Fonte: Radio Internacional da China    

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sahara Ocidental: tudo igual no Conselho de Segurança, ou não?




Fonte: Desde el Atlántico / Por Carlos Ruiz Miguel, Prof. de Direito Constitucional na Universidade de Santiago de Compostela

O Conselho de Segurança aprovou a 28 de abril de 2015 a resolução 2218 sobre o Sahara Ocidental. O texto da mesma é muito parecido (MAS NÃO IGUAL) ao da resolução do ano passado (resolução 2152). Deixando de lado os matizes na mudança da redacção (que, em minha opinião, não melhoram a posição marroquina), quero centrar a atenção noutro facto, que, a meu ver, é muito importante. É que ao contrário dos anos anteriores em que resolução foi aprovada em silêncio, desta vez nove Estados (em nome de 12) tomaram a palavra no Conselho, composto por 15 membros. O que pode significar isto?


I. ACABOU-SE O SILÊNCIO DO CONSELHO DE SEGURANÇA

Tanto em 2013 como em 2014, as sessões do Conselho de Segurança para debater o assunto do Sahara Ocidental terminavam em menos de 3 minutos. O presidente apresentava o tema, votava-se, e ninguém tomava a palavra. Como titula um vídeo publicado na página do WSHRW, havia um “silêncio mortal“.
Este ano não foi isso que se passou.
Em 2013 a sessão dedicada ao Sahara Ocidental no Conselho de Segurança durou 2 minutos e meio; e, em 2014, a sessão não chegou a 3 minutos. Porém, a sessão de 2015 prolongou-se por 29 minutos.
Porquê?
Porque nove Estados tomaram a palavra para explicar o seu voto.
Esses Estados foram
– Três Estados membros permanentes do “grupo de amigos”: Estados Unidos de América, Reino Unido, França
– Um Estado membro permanente que não faz parte do “grupo de amigos”: China
– Um Estado membro não permanente que está no “grupo de amigos”: Espanha
– Quatro outros membros não permanentes: Malásia, Venezuela, Angola e Jordânia

Todos eles decidiram manifestar OFICIALMENTE uma explicação do seu voto.
Em ocasiões anteriores, havia Estados que faziam declarações sobre o seu voto FORA DA SESSÃO. O valor jurídico e político dessas declarações não é, obviamente, igual.



II. O SENTIDO DAS POSIÇÕES MANIFESTADAS PELOS DIFERENTES ESTADOS

Em primeiro lugar, e embora possa parecer óbvio, todos os Estados falaram do “Sahara Ocidental” e do “povo do Sahara Ocidental”. Nenhum falou nem do “Sahara marroquino” nem das “províncias do sul”. É evidente que nenhum Estado quer passar pelo ridículo diplomático.
Mas se para Marrocos é um “grande triunfo” que se fale do “Sahara Ocidental” e do “povo do Sahara Ocidental”, haverá que admitir que o Reino de Marrocos volte outra vez a reconhecer a existência do “Sahara Ocidental” e do “povo do Sahara Ocidental”, como JÁ O FEZ quando votou favoravelmente as resoluções do Conselho de Segurança sobre este tema quando dele foi membro não permanente.

1. Só a França e a Jordânia mostram um apoio claro, mas não total, a Marrocos.
Podemos dizer que os dois únicos países que mostraram um apoio, claro, mas não total, à posição marroquina foram França e Jordânia.
França na sua declaração de voto disse duas coisas interessantes. Por um lado, o representante da França na ONU reiterou o que — desde que François Hollande está na presidência —, a França já disse: que o plano de pseudo-autonomia marroquina é “uma” (mas não “a”, como pretende Marrocos) base “séria e credível”.
No entanto, por outro lado, a diplomacia francesa, com a sua característica habilidade, manifestou o seu desejo de mudar o sentido da Missão das Nações Unidas para o REFERENDO no Sahara Ocidental. No vídeo da sessão, a partir do minuto 6’20 o representante permanente da França diz que a MINURSO tem TRÊS missões:

— vigiar o cessar-fogo
— contribuir para a desminagem
— apoio às medidas de confiança.

Repare-se como a França se “esquece” do Referendo.

A representante da Jordânia, na mesma linha da França, também falou dessas “três” missões da MINURSO, além de “felicitar” Marrocos pelos “progressos” em matéria de direito humanos.

2. Críticas ao processo de elaboração da resolução.
O que até agora eram comentários oficiosos ou de imprensa sobre o processo de elaboração das resoluções do Conselho de Segurança tomou agora, por fim, uma natureza oficial.
A União Africana foi humilhada e marginalizada neste processo e o Conselho de Segurança já ultrapassou o nível do admissível.
Daí que tenham sido formuladas críticas a este processo. Críticas que foram expostas não só por Angola (país africano que transmitiu a opinião da UA), e não só pela Venezuela (Estado que reconhece a RASD), mas também — e isto é o relevante… — pela Malásia (Estado asiático muçulmano)… e pela China!


3. China toma a palavra para criticar o processo de tomada de decisões.
Se houvesse que destacar algo neste processo seria o facto da China ter falado.
A China não quis, na altura, fazer parte do “Grupo de Amigos do Sahara Ocidental”. A sua diplomacia manteve uma posição sempre atenta, mas passiva neste assunto. Mas agora a China falou. E não o fez num sentido favorável a Marrocos, mas para criticar o processo de elaboração da resolução que devia ter contado com consultas mais amplas, o que parece uma clara alusão à falta de participação da União Africana. Assim se depreende do texto da declaração chinesa (a tradução inglesa pode ser lida aqui).

Porquê?
Uma primeira explicação poderia ser que a diplomacia chinesa devolveu a Mohamed VI a “bofetada diplomática” após o cancelamento à última hora da viagem do tirano alauita à China. Algo que foi oportunamente analisado neste blog.
No entanto, a posição da China pode ter mais explicações de maior alcance, se considerarmos que a China é um aliado da Arábia Saudita, país que tenta desestabilizar a China.


 4. EUA criticam Marrocos
Embora tenham sido os EUA quem preparou esta resolução, a sua declaração de voto mostra críticas ligeiras à Frente Polisario e críticas muito mais agudas a Marrocos.
Os EUA expressam a sua preocupação pela interrupção das visitas familiares (causada por Marrocos, ainda que os EUA não o digam) e as crescentes tensões nos acampamentos de refugiados.
Além disso, envia uma mensagem a Marrocos: “The loss of valuable time and diplomatic engagement must not be repeated”, ou seja, “a perda de tempo valioso e de compromisso com a diplomacia não se deve repetir”. Creio que é uma clara censura ao obstrucionismo marroquino ao trabalho da ONU neste ano que passou (intentos de bloquear ou vetar o Enviado Pessoal e a Representante Especial da ONU).
Como já fosse pouco , os EUA reclamam que “as partes” facilitem pleno acesso da MINURSO a todos os interlocutores, o que é uma nova “mensagem” a Marrocos.


5. Venezuela e Angola criticam a posição ortodoxa das Nações Unidas.
Venezuela e Angola proferiram declarações claras.
A posição de Angola, coordenada com os outros dois Estados africanos membros do Conselho (Chade e Nigéria) foi feita em inglês (pode ser lida aqui). Na sua posição, os três Estados africanos recordam expressamente a necessidade de que as negociações consigam progressos para que se realize o REFERENDO no Sahara Ocidental.
Quanto à Venezuela, a intervenção do seu representante incluiu esta passagem importante:

“Preocupa-nos que, enquanto não se realiza o referendo, prossiga o processo de colonização do Sahara Ocidental, incluindo a deterioração dos Direitos Humanos do Povo Saharaui e a exploração ilegal dos seus recursos naturais. Todo isso em detrimento da estabilidade e a paz da região”


6. Espanha disse mais do que parece.
A primeira coisa que chama a atenção é que a página web da representação de Espanha na ONU (…uma manifesta falta de memória, por certo) não inclui o texto da declaração de voto de Espanha. Algo que contrasta com outros países, como os EUA ou a França, por exemplo.
Dito isto, a intervenção do representante espanhol veiculou algumas coisas relevantes. Além de recordar que a MINURSO é a Missão das Nações Unidas para o REFERENDO no Sahara Ocidental, insistiu que no conflito do Sahara Ocidental há DUAS partes e que essas partes são o Reino de Marrocos e a Frente Polisario.
Além disso, o representante espanhol na ONU insistiu na necessidade de aumentar a ajuda humanitária aos refugiados saharauis. Isso significa em minha opinião uma desautorização às calúnias do Reino de Marrocos sobre o “desvio” da ajuda humanitária. As posições de Marrocos a esse respeito foram ignoradas por todos os Estados do Conselho, incluindo a França.

III. ALGUNS ESQUECIMENTOS IMPERDOÁVEIS
Ainda que alguns países tenham feito alusão à necessidade de respeitar os direitos humanos, pareceu-me muito dececionante que ninguém tenha feito alusão a vários factos gravíssimos.
Em primeiro lugar, ninguém fez uma alusão expressa aos presos políticos saharauis e, muito em especial, aos presos resultantes do iníquo julgamento de Gdeim Izik.
Em segundo lugar, ninguém fez alusão ao processo da Audiência Nacional [de Espanha] sobre o genocídio saharaui, que não só constitui um dado que desmente a versão marroquina, como prova que Marrocos não tem nem vontade nem capacidade de investigar e sancionar as violações graves dos direitos humanos.
Em terceiro lugar, também ninguém fez alusão ao assassinato do preso saharaui Hassana El Uali. E isso é especialmente grave porque a morte de Hassana El Uali transcende a tragédia pessoal individual. Marrocos assassinou Hassana El Uali por este precisamente ter dado informação sobre violações de direitos humanos aos relatores das Nações Unidas que visitaram o território.

Em minha opinião isso significa que a representação da Frente Polisario nas Nações Unidas ou tentou que isso fosse dito e não o conseguiu, ou nem sequer o tentou. Em ambos os casos, creio que estamos ante uma atuação que precisa ser melhorada.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Após o fiasco com a Rússia, Mohamed VI também suspende a viagem à China




Artigo de Carlos Ruiz Miguel, Prof. Direito Constitucional na Universidade de Santiago de Compostela

Afirmei-o aqui: Mohamed VI está encurralado na sua pretensão de anexar ilegalmente o Sahara Ocidental. Os wikileaks do Makhzen revelaram, de forma indubitável, que Marrocos está-se confrontando com a ONU, os EUA e o Reino Unido na sua pretensão expansionista. E isso ocorre quando a relação de Marrocos com a França, como também aqui afirmei, passa pela mais longa crise da história de ambos os países. Neste contexto compreende-se o intento de Mohamed VI de conseguir o favor da Rússia e China, os outros dois membros do Conselho de Segurança. No entanto, tudo parece indicar que a sua estratégia fracassou. Primeiro frustrou-se a sua visita à Rússia, e agora, à China @Desdelatlantico

I. ANTE O ENJOO DOS SEUS TRADICIONAIS ALIADOS, MOHAMED VI ANUNCIA RELAÇÕES "ESTRATÉGICAS" COM A RÚSSIA E A CHINA
Os wikileaks do Makhzen revelados pelo misterioso @Chris_Coleman24 não deixam lugar a dúvidas: Marrocos está em confronto com as Nações Unidas e os EUA por causa da sua intransigência no conflito do Sahara Ocidental. Como se isso fosse pouco, o Reino Unido apoia os EUA e a ONU neste assunto. Ante este contexto, os únicos apoios possíveis no Conselho de Segurança, com direito de veto, apenas poderiam provir da França, Rússia e China. No entanto, a arrogância da tirania alauita parece ter levado a que a França se tenha fartado daquela que o embaixador francês na ONU apelidou como sua "amante". Só restam, assim, Rússia e China.

Assim o deixou bem claro Mohamed VI no seu Discurso de 30 de julho de 2014:

Respondendo à nossa ambição de reforçar e diversificar parcerias, cuidamos por consolidar as arraigadas relações que unem o nosso país com a Rússia e a República Popular da China, que temos previsto visitar em breve.

Uma ideia que reiterou no seu discurso de 20 de agosto de 2014:

Se Marrocos apenas precisa empreender alguns esforços para poder avançar com passos firmes e juntar-se aos países emergentes, a política de liberalização económica, nesse sentido, reforçou a sua posição como centro de comércio internacional.
Isso é exatamente o que vem a refletir as frutíferas parcerias, tanto com os países árabes, em particular os do Conselho para a Cooperação do Golfo, ou com os países da África sub-sahariana, onde Marrocos ocupa o segundo lugar como investidor em África.
Assim, além do Estatuto Avançado que liga Marrocos à União Europeia e os acordos de livre comércio com uma série de países, principalmente com os Estados Unidos, temos a parceria estratégica com a Rússia que procuramos aprofundar, além da parceria que estamos a estabelecer com a China.

A aproximação à Rússia foi anunciada pela imprensa oficialista do Makhzen a 3 de junho de 2014, que informou sobre uma eminente visita de Mohamed VI à Rússia a 11 de junho. Segundo o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, essa visita foi adiada com o objetivo de "elaborar os fundamentos de uma relação estratégica". A visita foi então anunciada para outubro, ainda que, como já aqui afirmei, a mesma tenha fracassado.


II. A VISITA À CHINA, TAMBÉM ADIADA POR INUSUAIS RAZÕES MÉDICAS
Marrocos também procurou acercar-se da China, ainda que o gigante asiático se tenha aproximado de Marrocos ao mesmo tempo que da Argélia. Assim o demonstra a visita que Yu Zhengsheng, presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh), [http://spanish.peopledaily.com.cn/n/2014/1105/c31618-8804788.html] realizou a Rabat depois de visitar a Argélia.
A visita de Mohamed VI à China foi programada para 27 de novembro. No entanto, de forma inopinada, a agência oficial de imprensa do Makhzen (a sinistra MAP) publicou um comunicado do Ministério da Casa Real onde anunciava que "A visita oficial de SM o Rei à China foi adiada por razões de saúde". Surpreendentemente, são detalhados os supostos motivos de saúde que causaram este "adiamento":

O médico pessoal de sua Majestade o Rei precisa que o Soberano apresenta desde ontem um síndrome gripal agudo com febre de 39,5 graus complicada com uma bronquite, acrescenta o comunicado.


Com efeito, que eu me lembre, NUNCA um comunicado oficial da Casa Real marroquina foi tão detalhado sobre a saúde do rei. E, por isso mesmo, torna-se suspeito.
Será verdade que Mohamed VI está doente?
ou
A enfermidade é uma desculpa para ocultar um novo fracasso, após o fiasco da visita a Moscovo?

A resposta ser-nos-á dada pelo tempo, e sem muita demora.

Quando Mohamed VI se recuperar, se não viajar à China deveremos concluir que esta enfermidade foi inventada para ocultar o seu enésimo fracasso.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sahara Ocidental: China apoia uma solução no âmbito da ONU

Wang Yi

Falando numa conferência de imprensa conjunta com o ministro argelino dos Negócios Estrangeiros — Ramtane Lamamra —, o ministro de Relações Exteriores da República Popular de China, Wang Yi, declarou que a questão do Sahara Ocidental “afeta a solidariedade entre os países do Magrebe e a integração da região que deve ser resolvido no marco das resoluções da ONU “, afirmando que a “China está disposta a desempenhar um papel construtivo nesse contexto”.

Oficiais chineses integram a equipa da MINURSO desde a sua criação em 1991.

China, por seu lado, converteu-se no principal fornecedor da Argélia durante os primeiros nove meses de 2013, ultrapassando assim a França.


Fonte: Diáspora Saharaui