sábado, 23 de junho de 2012

Ban Ki-Moon defende o trabalho de Christopher Ross para o Sahara e reitera-lhe seu "total apoio"

Christopher Ross e o SG da ONU, Ban Ki-Moon

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, defendeu ontem o trabalho do seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, e reiterou-lhe o seu "total apoio", depois do ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel García Margallo, ter criticado publicamente o labor o diplomata norte-americano.

"Reitero o total apoio e plena confiança do secretário-geral ao seu enviado pessoal para o Sahara Ocidental", afirmou o porta-voz de Ban, Martin Nesirky, ao ser questionado durante o seu encontro diário com a imprensa sobre as palavras de Margallo em Rabat, onde expressou pela primeira vez uma crítica ao trabalho de mediação de Ross.

O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros espanhol expressou esta quarta-feira em Marrocos o seu desejo de que o enviado pessoal do SG da ONU avançasse "mais rápido" no trabalho de mediação e referiu que Ross deveria centrar-se "nos temas centrais desse dossiê em vez de perder-se em temas acessórios".

"O secretário-geral sublinha que o seu enviado tem dado amplas oportunidades às partes para debater os temas centrais durante as rondas de negociações informais e que, até agora, as partes não se afastaram das suas posições originais", respondeu esta sexta-feira Nesirky.
A polémica quanto a Ross foi desencadeada em maio, quando Marrocos pediu a Ban que afastasse o seu enviado, ao considerar que não tinha conseguido "nenhum verdadeiro avanço" no processo de negociações, segundo disse então o ministro da Comunicação e porta-voz do governo marroquino, Mustafa Jalfi.

Desde então, o secretário-geral reiterou em distintas ocasiões a sua confiança no trabalho de Ross, enquanto a Frente Polisario denunciou que a atitude de Marrocos obstaculiza ainda mais as negociações e põe em causa a autoridade tanto de Ban Ki-Moon como do Conselho de Segurança da ONU.

Marrocos nunca viu com bons olhos a nomeação de Ross em janeiro de 2009 porque este foi embaixador na Argélia, país considerado como o principal apoiante da Frente Polisario, e expressou em várias ocasiões que suspeitava da sua parcialidade.

O anterior enviado pessoal para o Sahara, o holandês Peter Van Valsum, foi destituído por declarações consideradas impróprias em que considerava inviável realizar um referendo no Sahara Ocidental.

As negociações diretas entre marroquinos e saharauis sobre o futuro da antiga colónia espanhola estão paralisadas ante a divergência de posições entre as partes.

Marrocos, que ocupou o Sahara Ocidental em 1975, após o abandono de Espanha, sustenta que a autonomia da região é a única saída viável para o conflito, enquanto a Frente Polisario defende a realização de um referendo de autodeterminação onde a independência seja uma das opções, o que tem bloqueado as negociações.

22 de junho de 2012 (EFE)

Nota: A missão da ONU para o Sahara Ocidental criada pelo Conselho de Segurança através da resolução 690 de 29 de abril de 1991 em conformidade com as propostas de solução aceites em 30 de agosto de 1988 por Marrocos e pela Frente Popular para a Libertação do Saguia el-Hamra e do Río de Oro (Frente Polisario) tem justamente o nome para que foi criada:

MINURSO - United Nations Mission for the Referendum in Western Sahara


Sem comentários:

Enviar um comentário