Um
grupo de nove deputados portugueses criou um Grupo Informal
Parlamentar de Amizade entre Portugal e o Sahara
Ocidental, numa altura em que a República Árabe Saharaui
Democrática (RASD) celebra o 50.º aniversário da sua fundação.
Num
comunicado enviado à agência Lusa, refere-se que dos nove
parlamentares, quatro pertencem ao Partido Socialista (PS - Pedro
Delgado Alves, Isabel Moreira, Miguel Costa Matos e Sofia Pereira),
um ao Livre (Jorge Pinto), uma ao Partido Comunista Português (PCP –
Paula Santos), uma ao Pessoas, Animais, Natureza (PAN, Inês Sousa
Real), outro ao Bloco de Esquerda (Fabian Figueiredo) e o nono ao
Juntos Pelo Povo (JPP, Filipe Sousa).
Os nove deputados lembram
que, nos últimos anos, se completaram 50 anos de independência da
quase totalidade das antigas colónias portuguesas, e que, hoje, é a
vez da RASD, Estado membro da União Africana (UA) e reconhecida
internacionalmente por dezenas de países, sobretudo
de África
e da
América do Sul.
O
estatuto da RASD é complexo, com o Sahara
Ocidental a ser considerado um território não autónomo pela ONU,
enquanto grande parte do território é administrada por
Marrocos.
“Infelizmente, o povo saharaui
continua a ter de reclamar pela sua autodeterminação. [...]
Atualmente, parte do Sahara Ocidental é ilegalmente ocupado por
Marrocos, tendo firmado já diversos acordos internacionais quanto
aos recursos deste território que, em boa hora, o Tribunal de
Justiça da União Europeia por diversas vezes considerou inválidos,
reafirmando que Marrocos e o Sahara Ocidental são dois ‘territórios
separados e distintos’”, lembram os nove parlamentares
portugueses.

“Este
processo, bem como a verificação do cumprimento de direitos humanos
nos territórios ilegalmente ocupados do Saara Ocidental, estão num
impasse há muitos anos, conforme evidenciam os sucessivos relatórios
do secretário-geral. Ainda assim, assinalamos as recentes
iniciativas de diálogo entre Marrocos e a Frente Polisario
que têm tido lugar nos últimos meses”, lê-se na declaração.
Para
os nove deputados portugueses, o impasse “não será resolvido pelo
plano de autonomia apresentado por Marrocos em 2007”.
“Já
passou mais tempo desde que esse plano foi apresentado do que entre o
cessar-fogo e a apresentação do plano, sem que ele trouxesse uma
adequada conclusão ao conflito. Nos termos do direito internacional,
e em termos políticos, não há outra alternativa a não ser a
realização de um referendo para cumprir o inalienável direito à
autodeterminação do povo saharaui”,
tal como acordado pelas duas partes em 1991, sob mediação da ONU.
“É nestes termos que nos propomos a aprofundar os laços de
amizade entre Portugal e o Sahara
Ocidental.
Acreditamos
no valor da diplomacia parlamentar e na importância que têm grupos
semelhantes, como o Intergrupo do Parlamento Europeu e os grupos de
amizade com o Sahara
Ocidental em vários outros países europeus, que contam com
parlamentares de várias famílias políticas europeias – referem
em comunicado.