Sahara Ocidental Informação
Espaço de informação e debate promovido pela Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental.
Pelo direito à autodeterminação do povo Saharauí.
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Marrocos condena jovem caricaturista a quatro anos de prisão por desenhos do rei Mohamed VI
Frente POLISARIO pede à União Europeia que intervenha após fim da MINURSO
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| Oubi Bucharaya, conselheiro para os Assuntos Jurídicos do líder da Frente Polisario, Brahim Ghali |
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Financial Times alerta para risco de escalada militar no Sahara Ocidental após fim da MINURSO
SAHARA OCIDENTAL: TERMINOU A MINURSO, MANTÉM-SE O DIREITO INALIENÁVEL DO POVO SAHARAUI À AUTODETERMINAÇÃO
| A MINURSO terminou as suas operações no Sahara Ocidental em 1 de novembro de 2026, mas a ONU reafirma que o direito à autodeterminação do povo saharaui permanece inalienável. |
terça-feira, 3 de novembro de 2026
ISACOM exige mecanismo internacional de proteção dos direitos humanos no Sahara Ocidental após fim da MINURSO
A Instância Saharaui contra a Ocupação Marroquina (ISACOM), organização de defesa dos direitos humanos presidida pela ativista Aminetou Haidar, apelou às Nações Unidas para criarem um mecanismo internacional independente de vigilância dos direitos humanos no Sahara Ocidental, alertando para os riscos decorrentes do fim da presença da MINURSO.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, 3 de novembro, a organização manifesta preocupação com as consequências da não renovação do mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), na sequência da falta de consenso entre os membros do Conselho de Segurança sobre os projetos de resolução apresentados.
Segundo a ISACOM, o encerramento da missão poderá agravar o isolamento da população saharaui nos territórios sob controlo marroquino e dificultar a observação, documentação e verificação de violações dos direitos humanos.
A organização reconhece que a MINURSO não dispunha de competências específicas para supervisionar ou proteger os direitos humanos, mas considera que a sua presença constituía um fator de dissuasão, ainda que limitado, contra determinadas violações e contribuía para manter a atenção internacional sobre a situação no território.
Perante o fim da missão, a ISACOM defende a criação urgente de um mecanismo internacional independente, com mandato para acompanhar a situação dos direitos humanos, investigar denúncias de violações e publicar relatórios periódicos.
Entre as prioridades apontadas estão o acompanhamento da situação dos presos políticos saharauis, incluindo as condições de detenção e as garantias judiciais, o esclarecimento dos casos de desaparecimento forçado e a proteção de ativistas, testemunhas e vítimas contra intimidações e represálias.
A organização reclama igualmente que as Nações Unidas garantam o acesso sem restrições de observadores internacionais, jornalistas e organizações de defesa dos direitos humanos aos territórios sob controlo marroquino, permitindo o contacto direto com as vítimas e os seus familiares.
Críticas à proposta norte-americana
No comunicado, a ISACOM critica também o projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos ao Conselho de Segurança, considerando que, caso tivesse sido aprovado nos termos propostos, poderia ter enfraquecido as garantias internacionais do processo de paz e comprometido os direitos do povo saharaui.
Na perspetiva da organização, a definição antecipada dos parâmetros de uma solução política, sem respeitar a vontade da população saharaui, colocaria em causa os fundamentos do processo de negociação conduzido pelas Nações Unidas.
A ISACOM reafirma, por isso, que qualquer solução para o conflito deve respeitar o direito do povo saharaui à autodeterminação, rejeitando fórmulas políticas que, no seu entender, sejam impostas sem o consentimento da população.
A organização exige ainda o fim da exploração dos recursos naturais do Sahara Ocidental sem o consentimento do povo saharaui, defendendo o seu direito a decidir sobre a utilização desses recursos.
No documento, assinado pelo seu gabinete executivo em El Aaiún, a ISACOM apela à ONU para que assuma as suas responsabilidades relativamente ao processo de descolonização do território e assegure que qualquer alteração à presença internacional não deixe a população civil sem acompanhamento e proteção.
A organização reafirma, por último, o compromisso de continuar a documentar denúncias de violações dos direitos humanos e a cooperar com entidades internacionais na defesa dos direitos da população saharaui.
Repórteres Sem Fronteiras exigem fim da perseguição a jornalistas em Marrocos
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apelou ao Governo marroquino para pôr fim aos processos judiciais arbitrários contra jornalistas, à vigilância ilegal e às pressões económicas sobre os órgãos de comunicação independentes. As exigências integram um conjunto de oito recomendações destinadas a melhorar a liberdade de imprensa no país.
Segundo o jornal digital espanhol Periodistas en Español, a RSF considera que o novo Governo de Marrocos, liderado por Fatima Ezzahra Mansouri, não assumiu compromissos explícitos de proteção da liberdade de imprensa e de expressão, apesar dos problemas identificados durante a anterior legislatura.
O responsável da organização para o Norte de África, Oussama Bouagila, defendeu que o fim dos processos arbitrários, da vigilância, das campanhas de difamação e do assédio contra jornalistas constitui uma condição indispensável para garantir uma imprensa livre e independente.
Entre as principais recomendações, a RSF exige que Marrocos deixe de recorrer ao Código Penal para perseguir jornalistas pelo exercício da liberdade de expressão e elimine as penas de prisão por delitos de expressão não violentos.
A organização recorda que, embora a Lei da Imprensa e das Publicações de 2016 tenha eliminado as penas de prisão por infrações de imprensa, o Código Penal continua a permitir condenações relacionadas com ofensas ao Islão, à monarquia ou à integridade territorial.
A RSF destaca, neste contexto, os processos judiciais contra vários profissionais da comunicação social, incluindo Hamid El Mahdaoui, condenado a 18 meses de prisão em novembro de 2024 e alvo de cinco processos distintos durante 2025, e Ali Anouzla, responsável pelo portal Lakome 2, investigado desde 2013 por alegada apologia do terrorismo.
Outro caso referido é o do jornalista franco-marroquino Ali Lmrabet, residente em Espanha, detido em julho de 2026 e libertado após três dias sob custódia policial, mantendo-se aberta a investigação contra si.
A organização manifesta igualmente preocupação com a utilização de programas de espionagem contra jornalistas, recordando as revelações de 2021 sobre o software Pegasus, que envolveram profissionais como Omar Radi, Taoufik Bouachrine e Souleiman Raissouni.
Para a RSF, estas práticas representam uma ameaça à privacidade dos jornalistas e à confidencialidade das suas fontes, justificando a adoção de legislação específica contra a vigilância ilegal.
A liberdade de cobertura jornalística constitui outra preocupação. A organização denuncia obstáculos impostos a profissionais estrangeiros e restrições verificadas durante a cobertura das manifestações do movimento juvenil GenZ 212.
Marrocos em 105.ª posição entre 180 países e territórios no Índice Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026
No domínio institucional, a RSF reclama garantias de independência para o Conselho Nacional de Imprensa de Marrocos, após a eleição dos seus novos membros em setembro de 2026. Dos 21 integrantes do organismo, sete representam instituições ou são designados por autoridades públicas.
A organização defende ainda regras transparentes para a distribuição de apoios estatais e publicidade institucional, alertando para o risco de estes instrumentos serem utilizados para condicionar a independência editorial dos meios de comunicação.
As recomendações incluem também a melhoria do acesso à informação pública, o apoio à sustentabilidade económica dos órgãos independentes, sobretudo digitais e regionais, e o reforço das condições laborais e da proteção social dos jornalistas.
As exigências surgem numa altura em que Marrocos ocupa a 105.ª posição entre 180 países e territórios no Índice Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026, elaborado anualmente pela Repórteres Sem Fronteiras.

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