quarta-feira, 28 de julho de 2021

Sultana Khaya vítima de tentativa de assasinato

 


ECS. Bojador ocupada. | Salva por alguns centímetros de cair, a conhecida ativista saharaui, Sultana Khaya, que vive nos territórios saharauis ocupados por Marrocos, especificamente na cidade de Bojador, sofreu este meio-dia um ataque com o objectivo de lhe tirar a vida. Um agente das forças de ocupação marroquinas invadiu a açoteia da sua casa com uma grua, apressou-se e prendeu o seu corpo a uma espécie de arpão com o qual presumivelmente a queria empurrar e arrastar através do telhado com o objectivo de atirá-la para a rua de uma altura considerável. Sultana lutou com o "gancho" que o polícia marroquino estava a usar para a puxar para baixo e finalmente escapou por centímetros quando quase metade do seu corpo já estava fora.

Testemunhas oculares, falando com a plataforma de informação saharaui ECS, disseram que a ativista saharaui "salvou-se por milagre".

Sultana Khaya e a sua irmã, Luaara Khaya, sofreram mais um ataque este fim-de-semana pelas forças de ocupação marroquinas, o quinto desde novembro de 2020, quando o regime marroquino a colocou e à sua família sob prisão domiciliária por apoiar abertamente a independência do Sahara Ocidental e reivindicar os seus direitos. Tanto a Frente Polisario, a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch, o governo saharaui e várias organizações denunciaram nestes 7 meses de cerco as ações deploráveis e abjetas do regime marroquino com uma activista saharaui que apenas reivindica os seus direitos humanos e políticos reconhecidos pela ONU e pela UA.


República Saharaui e a República da Argélia revêem e ratificam delimitação topográfica da fronteira

 

O coronel argelino Zarhoune Omar Toufik  e o comandante saharaui Sidi Uld Wagal


A Argélia e o Sahara Ocidental marcam as suas fronteiras com pontos topográficos sobre os quais existe um marco em cada fronteira com os nomes do país e um ponto de referência.

Uma comissão conjunta da Argélia e da República Saharaui composta pelo coronel Zarhoune Omar Toufik responsável pela geografia e exploração do Ministério da Defesa Nacional argelino e pelo comandante saharaui Sidi Uld Wagal, Secretário-Geral do Ministério da Defesa da República saharaui, ratificou e supervisionou os pontos de referência geodésicos das fronteiras dos dois países.

A revista do Ministério da Defesa argelino, Al Djeich, no seu nº 697 do mês de Julho de 2021 publica a notícia da revisão e definição das fronteiras da República Democrática Saharaui RASD com as fronteiras que tem com a República da Argélia. Após um longo processo de estudo e investigação realizado por um comité conjunto de peritos saharauis e argelinos, cujo trabalho teve início em maio deste ano e terminou a 15 de junho de 2021 com um relatório em que os pontos topográficos e geodésicos bem marcados e reconhecidos nas fronteiras dos dois países foram dados a conhecer.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Alemanha: apelo para contrariar a "hegemonia" de Marrocos no Magrebe

 

TSA - Argel (Francês) - 26-07-2021 - Num contexto marcado pelo escândalo retumbante da espionagem de muitos países pelo Reino (Alauita), incluindo os seus aliados, uma nota de um renomado instituto alemão recomenda aos Estados membros da União Europeia que revejam a sua estratégia na região do Magrebe e que trabalhem para acabar com "as tentações hegemónicas" de Marrocos.

O conteúdo da nota é uma reprovação à política europeia que tem favorecido Marrocos em detrimento dos outros países do Magrebe. O seu autor recomenda em substância fazer parar Marrocos nas suas "tentações hegemónicas" sobre os outros países do Magrebe e "deixar de ajudar o seu crescimento e desenvolvimento económico", o que, ainda segundo a nota, "impede assim a emergência da Argélia e da Tunísia".

A nota foi emanada pelo Stiftung Wissenschaft und Politik (SWP, Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança), uma instituição fundada em 1962 que aconselha o Parlamento alemão.

Descreve a política marroquina na região como "tentações hegemónicas" e apela a que se ponha termo a ela. Intitulada "Rivalidades magrebinas sobre a África subsahariana: Argélia e Tunísia procuram seguir os passos de Marrocos", a nota, que não é oficial, é uma espécie de orientação para a Alemanha e a UE sobre a política a ser conduzida no Magrebe. A nota é de certa forma uma censura pela grandeza concedida pela UE ao Reino, em detrimento dos outros Estados da região.

"A política subsahariana de Marrocos exacerbou as tensões com a Argélia e despertou ambições na Tunísia. Argel (...) procura contrariar os avanços de Rabat. Tunes, por seu lado, está a tentar seguir os passos de Rabat, esperando que o estreitamento das relações com África estimule o crescimento económico", escreve a autora da nota, a Dra. Isabelle Werenfels.

Alguns números contidos na nota são reveladores desta hegemonia, particularmente nas relações económicas com a África subsahariana. Enquanto a Argélia exportou apenas 440 milhões de dólares para estes países em 2019 e a Tunísia 355 milhões de dólares, Marrocos ultrapassou os mil milhões de dólares (1,308 mil milhões de dólares).

O mesmo se aplica ao investimento direto estrangeiro (IDE) na região: Marrocos está bem à frente com 1,446 mil milhões de USD, muito à frente da Tunísia (292 milhões) e da Argélia (146 milhões).

 

O que a nota sugere para a União Europeia

A nota sugere que a União Europeia deveria "considerar estas tendências como uma oportunidade para a integração africana e a cooperação triangular UE/Magrebe/Sub-Sahara". "Isto poderia contrariar a crescente sensação de irrelevância da Argélia, reforçar a economia tunisina, relativizar as ambições hegemónicas de Marrocos e assim mitigar a dinâmica negativa da rivalidade", diz.

“É portanto óbvio", acrescenta, "que exportadores experientes como a Alemanha ofereçam conhecimentos técnicos especializados aos dois "retardatários" em questões como o desenvolvimento de estratégias e a expansão das infraestruturas de exportação de produtos locais para África”.

A publicação desta nota surge num contexto particular marcado pela crise entre Marrocos e certos países da UE, incluindo a Alemanha, e pelo escândalo Pegasus, que poderá ter consequências graves para Marrocos.

"Este contexto obrigará a França (cujo presidente foi espiado pela Pegasus, nota do editor) e toda a União Europeia a clarificar as suas relações com os países do Norte de África e a repensar as suas relações económicas e migratórias", escreve o jornalista económico francês Jean-Marc Sylvestre (Nota: apresentado por vezes por ser um ultraliberal).

Para ele, e visto da Alemanha, esta nota significa em substância: "Marrocos deve ser travado nas suas tentações hegemónicas sobre os países do Magrebe e, em particular, deixar de ajudar o crescimento e o desenvolvimento económico de Marrocos, o que dificulta assim o surgimento da Argélia e da Tunísia".

Em maio passado, pouco antes da crise com a Espanha e a chantagem migratória de Marrocos, este país já estava em desacordo com outro grande país da UE, a Alemanha.

Deve dizer-se que o país de Angela Merkel nunca foi um defensor declarado das teses marroquinas sobre a questão do Sahara Ocidental, ajudando a equilibrar a posição da Europa sobre a questão.

A 6 de maio, Marrocos chamou a Rabat o seu embaixador em Berlim, denunciando "actos hostis" da Alemanha. Para além das suas posições sobre o Sahara, Marrocos criticou a Alemanha por combater o papel regional do Reino, nomeadamente sobre a questão líbia.

Subsecretário de Estado dos EUA anuncia a posição de Biden sobre o Sahara Ocidental




Por Sidi Maatala /ECS - Argel - O subsecretário de Estado norte-americano para o Médio Oriente, Joey Hood, anunciou a posição da administração do Presidente Joe Biden sobre o conflito do Sahara Ocidental na sequência da declaração do seu antecessor Donald Trump sobre o assunto a 10 de Dezembro de 2020. Hood está em viagem à região. Após Argel, o dirigente norte-americano desloca-se a Marrocos e depois ao Médio Oriente. 

Hood anunciou de Argel que a posição de Washington sobre a questão é apoiar os esforços das Nações Unidas para encontrar uma solução política aceitável para ambas as partes do conflito, a Frente Polisario e Marrocos.

Em entrevista à agência noticiosa oficial argelina (APS), o subsecretário de Estado norte-americano disse que a posição de Washington é clara e inequívoca, e que é apoiar o papel desempenhado pelas Nações Unidas no Processo de Paz para uma solução política aceitável para todas as partes, uma solução que conduza à paz e estabilidade, e que seja a melhor para a região.

"Sobre esta questão estamos a dedicar o nosso tempo e energia, e queremos ver o mais rapidamente possível um novo enviado especial da ONU para o Sahara Ocidental, e vamos ajudar essa pessoa [enviado] a iniciar o seu trabalho, e ele terá o nosso total apoio e o apoio dos nossos aliados e parceiros, incluindo a Argélia", concluiu Hood.

 


segunda-feira, 26 de julho de 2021

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicados militares nºs. 256 e 257

 


O Ministério da Defesa Nacional da República Árabe Saharaui Democrática divulgou nas últimas 48 horas os comunicados nºos 256 e 257, onde assinala as zonas do «muro da vergonha», como lhe chamam os saharauis, atacadas pelas unidades do ELPS.

Mahbes, no nordeste do território, onde as Forças Armadas Reais (FAR) marroquinas deslocaram um forte dispositivo militar continua a ser o sector do teatro de guerra mais atacado.

 

Comunicado militar nº. 256

Domingo, 25 de julho 2021

01. Bombardeada a zona de Güert Ould Blal no setor de Mahbes

02. Nobardeada a zona de Laagad, também no setor de Mahbes.

 

Comunicado militar nº. 257

Segunda-feira, 26 de julho 2021

01. - Forte bombardeamento contra a área de M'eitir Lmejenza, onde se localiza o quartel-general do 43.º corpo das forças de ocupação marroquinas.

02. - Intenso fogo de artilharia sobre a área de Sabjat Tanushad no setor de Mahbes.

03. - Bombardeamento sobre a área de Fadrat Laghrab no setor de Hauza (norte do SO).

domingo, 25 de julho de 2021

Rabat sofre retrocessos legais e diplomáticos, e a "Economia de Ocupação" sofre a sua pior queda de sempre

 


Lehbib Abdelhay /ECS

O regime marroquino, para além de outros problemas, enfrenta atualmente dois desafios principais a nível político, em primeiro lugar o impacto externo da ocupação do Sahara Ocidental, unanimemente rejeitado após a declaração de Trump de alegada soberania; e, em segundo lugar, o impacto interno da normalização dos laços com Israel, já que 88% da sua população rejeita a normalização com a entidade sionista, o que apenas alargou o fosso entre a elite dominante e os cidadãos, ameaçando a fragmentação total num país autocrático que já apresentava elevadas taxas de desproporcionalidade social.

Neste contexto, a revista internacional Forbes revelou, numa análise recentemente publicada, que Marrocos está a sofrer grandes reveses jurídicos após a questão dos recursos naturais do Sahara Ocidental ocupado ter sido levada perante os tribunais internacionais.

A análise da Forbes foi publicada na sequência da aprovação pelo Supremo Tribunal do Reino Unido e do País de Gales de um pedido de revisão judicial do acordo comercial pós-Brexit entre o Reino Unido e Marrocos, que inclui produtos e recursos originários do Sahara Ocidental ocupado.

A revista internacional observa que levar o caso a tribunal é o primeiro desafio legal a um acordo comercial assinado pelo Reino Unido desde a sua saída da União Europeia.

A Western Sahara Campaign UK (WSCUK) iniciou um processo de revisão judicial contra o Department for International Trade and the Treasury em março último sobre o Acordo de Associação Reino Unido-Marrocos que viola as obrigações do Reino Unido ao abrigo do direito internacional. Num acórdão emitido pelo Supremo Tribunal de Londres em 28 de Junho, o Juiz . Chamberlain deu autorização para que o processo judicial prosseguisse.

"Se o queixoso tiver razão, os arguidos estão a agir ilegalmente ao conceder tratamento pautal preferencial a mercadorias do Sahara Ocidental, facilitando assim a exploração dos recursos destes territórios em violação do direito internacional", escreve o juiz na sua sentença.

A revista revelou que o Departamento de Comércio Internacional do Reino Unido recusou-se a comentar o caso, com um porta-voz a dizer: "Não comentamos os procedimentos legais em curso".

A Western Sahara Campaign UK (WSCUK) é uma organização independente criada em 1984 com o objetivo de apoiar o reconhecimento do direito à autodeterminação e independência do povo saharaui, e de sensibilizar para a situação ilegal e ocupação da última colónia de África.

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