quinta-feira, 30 de julho de 2026

EUA: Marco Rubio tenta transformar uma decisão política numa realidade jurídica

Cartoon gerado por IA


Mensagem dos EUA no Dia do Trono de Marrocos 


Ao apresentar a autonomia marroquina como a única solução aceitável para o Sahara Ocidental, o secretário de Estado dos EUA na sua mensagem ao rei Mohamed VI, ignora que o estatuto jurídico do território continua por definir e que o Direito Internacional reconhece ao povo saharaui o direito de decidir livremente o seu futuro.


Eis o teor da mensagem: 


Marco Rubio, Secretário
de Estado norte-americano



Dia do Trono de Marrocos

Comunicado de imprensa

 

Marco Rubio, Secretário de Estado

30 de julho de 2026


Em nome dos Estados Unidos da América, transmito as minhas mais calorosas saudações a Sua Majestade o Rei Mohamed VI e ao povo de Marrocos por ocasião do aniversário da ascensão de Sua Majestade ao trono. 

Há quase 250 anos que os Estados Unidos e Marrocos partilham a amizade mais permanente da história americana. Trata-se de uma parceria forte e duradoura, assente em valores partilhados e num compromisso comum com a paz, a segurança e a prosperidade.

Sob a liderança do Presidente Trump, os Estados Unidos têm sido inequívocos: reconhecemos a soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental e apoiamos a Proposta de Autonomia séria, credível e realista de Marrocos como a única base para uma solução justa, duradoura e mutuamente aceitável. Qualquer outro caminho prolonga o status quo e é inaceitável. Uma autonomia genuína sob a soberania marroquina proporciona a esta região e ao continente a oportunidade de, finalmente, avançar após 50 anos. Este conflito tem de terminar agora, e os Estados Unidos continuarão a empenhar-se nesse objetivo. A diplomacia americana mantém-se focada numa solução mutuamente benéfica para todos aqueles que consideram esta região o seu lar.

Sob a liderança de Sua Majestade, Marrocos tem sido um pilar da estabilidade e segurança regionais, nomeadamente através do seu papel vital nos Acordos de Abraão. Os Estados Unidos valorizam profundamente esta parceria e aguardam com expectativa o reforço do nosso trabalho conjunto para garantir a segurança do Sahel. A vossa visão para o crescimento económico irá criar nova prosperidade para os nossos dois povos, e o Presidente Trump instruiu a sua administração a incentivar o desenvolvimento económico e social com Marrocos, incluindo no território do Sahara Ocidental. Ao olharmos para os próximos 250 anos de amizade, os Estados Unidos continuarão a ser o vosso parceiro de confiança nas áreas da energia, inteligência artificial, minerais críticos e defesa. 

Juntos, continuaremos a promover a paz, a estabilidade regional e o crescimento económico que beneficia os nossos dois povos.

Marrocos dá nome de Donald Trump a autoestrada de 1.055 quilómetros no território ocupado do Sahara Ocidental



Segundo avança o Expresso e alguma imprensa internacional, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que uma nova autoestrada em Marrocos e no Sahara Ocidental ocupado por Rabat vai passar a ter o seu nome. A infraestrutura, designada "President Donald J. Trump Highway", deverá ligar Tiznit a Dakhla ao longo de 1.055 quilómetros da costa atlântica.

A notícia foi divulgada pelo próprio Trump na plataforma Truth Social, onde partilhou um vídeo promocional do projeto e agradeceu ao rei de Marrocos, Mohamed VI: "Obrigado ao muito respeitado Mohamed VI, Rei de Marrocos. Que grande honra. Espero poder percorrer toda esta grande autoestrada algum dia. Espero que seja em breve." Segundo o vídeo divulgado, a futura via rápida atravessará várias cidades costeiras, incluindo El Aaiún e Dakhla, ambas no Sahara Ocidental — território cuja soberania continua a ser contestada internacionalmente.


Ligação a megaprojeto portuário em Dakhla 

De acordo com o Expresso, o projeto está avaliado em cerca de 880 milhões de euros e deverá reforçar a ligação entre o sul de Marrocos e Dakhla, cidade que se tornou um dos principais polos de investimento do reino. A extremidade sul da autoestrada ficará ligada ao Porto Atlântico de Dakhla, um megaprojeto portuário atualmente em construção, com entrada em funcionamento prevista para 2028.

No vídeo partilhado por Trump, os promotores agradecem ao presidente norte-americano pela sua "coragem histórica", numa referência ao apoio dado por Washington às reivindicações marroquinas sobre o Sahara Ocidental. Trump, recorde-se, foi o primeiro presidente a reconhecer formalmente a soberania de Marrocos sobre o território, em dezembro de 2020, nos últimos dias do seu primeiro mandato, e desde então tem mantido uma posição favorável ao plano marroquino de autonomia para a região.


Um território que ainda aguarda referendo de autodeterminação

O Sahara Ocidental, antiga colónia espanhola, foi ocupado por Marrocos em 1975, em simultâneo com a retirada de Espanha. A Frente Polisario, movimento que reclama a independência do território e representa o Povo Saharaui, travou uma guerra contra Rabat até ao cessar-fogo de 1991, mediado pelas Nações Unidas. O acordo previa a realização de um referendo de autodeterminação, mas divergências sobre o universo eleitoral e o estatuto dos colonos marroquinos têm impedido, até hoje, a concretização dessa consulta. 

Nos últimos anos, a posição internacional sobre o conflito tem evoluído: Espanha e França passaram a apoiar a proposta marroquina de autonomia, uma mudança criticada pela Frente Polisario, que continua a defender a realização do referendo prometido pelas Nações Unidas e para o qual criou, em 1991, a MINURSO.

Até ao momento, nem a Casa Branca nem as autoridades marroquinas divulgaram detalhes adicionais sobre o processo formal de atribuição do nome de Donald Trump à autoestrada. O anúncio surge, contudo, como mais um sinal da proximidade política entre Washington e Rabat relativamente à questão do Sahara Ocidental. Veja o vídeo promocional feito por Marrocos para assinalar a «efeméride»: AQUI

Fonte: Expresso

sábado, 25 de julho de 2026

EUA e Marrocos criam um centro militar em Tan Tan enquanto Israel arma a ocupação do Sahara Ocidental




Marrocos está a aprofundar a cooperação militar com os Estados Unidos e Israel através da criação de novas infraestruturas estratégicas e da realização de exercícios militares nas proximidades e no interior do Sahara Ocidental ocupado. A iniciativa, anunciada pelas autoridades militares marroquinas, insere-se numa estratégia de reforço da presença militar na região e de consolidação da parceria com Washington e Telavive. 

Segundo fontes militares marroquinas, Rabat e os Estados Unidos vão criar um centro permanente de formação e experimentação militar em Tan-Tan, cidade situada no sul de Marrocos, próxima da fronteira com o Sahara Ocidental e em frente às Ilhas Canárias. O projeto foi acertado após uma reunião em Estugarda entre o general Mohamed Berrid, inspetor-geral das Forças Armadas Reais marroquinas, e responsáveis do Comando Militar dos EUA para África (AFRICOM), seguindo instruções do rei Mohamed VI. 

O anúncio surge na sequência do exercício militar African Lion 2026, a maior operação anual do AFRICOM em África, que reuniu mais de 5.600 militares e civis de mais de 40 países em Marrocos, Gana, Senegal e Tunísia. Pela primeira vez, uma das atividades decorreu em Dakhla, cidade localizada no Sahara Ocidental ocupado, onde participaram militares norte-americanos e o embaixador dos Estados Unidos em Marrocos. 

O exercício serviu também para testar novas tecnologias militares, incluindo sistemas de comando apoiados por inteligência artificial, drones, sistemas autónomos e equipamentos de guerra eletrónica, contando com a participação de mais de 30 empresas norte-americanas do setor da defesa. 

Paralelamente, o Senado dos Estados Unidos está a analisar propostas para reforçar a cooperação militar com Marrocos, incluindo a criação de bases logísticas capazes de apoiar operações no Sahel, Mediterrâneo e África Ocidental. 

Ao mesmo tempo, Marrocos continua a estreitar a cooperação militar com Israel. Em janeiro de 2026, os dois países aprovaram o terceiro plano anual consecutivo de cooperação militar desde a normalização das relações diplomáticas, em 2020. A colaboração inclui o desenvolvimento conjunto de capacidades militares, intercâmbio técnico e produção local de armamento.

Drone SpyX


Entre os projetos destaca-se a fabricação em Marrocos dos drones kamikaze SpyX, desenvolvidos pela empresa israelita BlueBird Aero Systems. Segundo o artigo, estes aparelhos já terão sido testados no Sahara Ocidental, onde o conflito armado entre Marrocos e a Frente Polisário foi retomado em novembro de 2020. Israel forneceu ainda a Rabat sistemas de vigilância, equipamentos antidrone, sistemas antimíssil e armamento para veículos blindados. 

O reforço militar é acompanhado por um aumento significativo do investimento na defesa. O orçamento autorizado por Marrocos para contratos de aquisição e manutenção de armamento ascende, em 2026, a 14,5 mil milhões de euros, mais 17,8% do que no ano anterior. 

Esta evolução resulta diretamente da decisão anunciada pelo então Presidente norte-americano Donald Trump, em dezembro de 2020, de reconhecer a reivindicação marroquina de soberania sobre o Saara Ocidental em troca da normalização das relações entre Marrocos e Israel. Desde então, multiplicaram-se os acordos militares, os projetos industriais na área da defesa, os exercícios conjuntos e a presença de forças norte-americanas e israelitas na região, consolidando uma crescente integração estratégica em torno do território do Sahara Ocidental.