Um vídeo gravado no domingo em Laayoune (El Aaiún), principal cidade do Sahara Ocidental, mostra uma caravana de cerca de uma centena de veículos cujos ocupantes celebravam a vitória da seleção espanhola, buzinando e percorrendo as principais ruas da cidade, segundo avança o órgão canário "Lancelot Digital".
Segundo o periódico, as imagens chamaram a atenção pelo ambiente festivo e pelo simbolismo de uma celebração que evidencia os laços estreitos que parte da população saharaui mantém com Espanha. Durante décadas, o Sahara Ocidental foi província espanhola e, apesar do tempo entretanto passado, continuam a existir importantes ligações históricas, culturais e familiares entre os dois territórios.
Antes da final, já era conhecido que boa parte da população saharaui simpatizava com Espanha em detrimento da Argentina. Para além das preferências desportivas, muitos adeptos valorizavam o estilo de jogo da seleção espanhola, enquanto as críticas à equipa argentina se centravam no facto de esta ter chegado à final beneficiando de circunstâncias favoráveis, além de contar com o contributo decisivo da sua principal estrela, Leo Messi.
A celebração ocorreu num território cuja situação política permanece por resolver. O Sahara Ocidental continua à espera de um referendo de autodeterminação, previsto no âmbito das resoluções das Nações Unidas, mas bloqueado há décadas devido à rejeição do Reino de Marrocos em o concretizar.
Marrocos bloqueou o processo assim que a Comissão de Identificação da MINURSO concluiu os trabalhos de identificação, em dezembro de 1999, com a publicação da segunda lista provisória em janeiro de 2000. Dessa identificação resultou uma lista provisória de 86.412 eleitores considerados elegíveis para votar num eventual referendo de autodeterminação. No entanto, o recenseamento eleitoral definitivo nunca chegou a ser concluído, uma vez que o processo ficou paralisado na fase de recursos, apresentados sobretudo por Marrocos, que contestou a exclusão de milhares de candidatos a eleitores — um impasse que, mais de duas décadas depois, continua a impedir a realização do referendo previsto pelas resoluções das Nações Unidas.
Viva Espanha!
As imagens divulgadas a partir de Laayoune reabrem também o debate sobre a identidade de parte da população saharaui. Segundo o Lancelot Digital, muitos dos participantes na celebração manifestaram publicamente o seu apoio a Espanha, refletindo um sentimento de proximidade com o país com quem partilharam um longo período de história comum, não obstante a antiga potência colonial os haver traído ao longo de um processo que desembocou em 50 anos de ocupação marroquina.
Este episódio ocorre num contexto marcado pela mudança de posição do Governo espanhol relativamente ao conflito do Sahara Ocidental. O executivo do PSOE apoiou o plano de autonomia proposto por Marrocos como base "mais séria, realista e credível" para uma solução do conflito, uma decisão justificada por razões de estabilidade e cooperação bilateral, mas que foi recebida com críticas pela Frente Polisario e por quem defende a realização do referendo de autodeterminação.
Fonte: Lancelot Digital
Antes da final, já era conhecido que boa parte da população saharaui simpatizava com Espanha em detrimento da Argentina. Para além das preferências desportivas, muitos adeptos valorizavam o estilo de jogo da seleção espanhola, enquanto as críticas à equipa argentina se centravam no facto de esta ter chegado à final beneficiando de circunstâncias favoráveis, além de contar com o contributo decisivo da sua principal estrela, Leo Messi.
A celebração ocorreu num território cuja situação política permanece por resolver. O Sara Ocidental continua à espera de um referendo de autodeterminação, previsto no âmbito das resoluções das Nações Unidas, mas bloqueado há décadas devido a divergências sobre o recenseamento eleitoral e outros aspetos do processo.
As imagens divulgadas a partir de Laayoune reabrem também o debate sobre a identidade de parte da população saharaui. Segundo o Lancelot Digital, muitos dos participantes na celebração manifestaram publicamente o seu apoio a Espanha, refletindo um sentimento de proximidade com o país com quem partilharam um longo período de história comum.
Este episódio ocorre num contexto marcado pela mudança de posição do Governo espanhol relativamente ao conflito do Sara Ocidental. O executivo do PSOE apoiou o plano de autonomia proposto por Marrocos como base "mais séria, realista e credível" para uma solução do conflito, uma decisão justificada por razões de estabilidade e cooperação bilateral, mas que foi recebida com críticas pela Frente Polisário e por quem defende a realização do referendo de autodeterminação.
Fonte: Lancelot Digital
