quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O preso político saharaui Hassan Dah transferido para a prisão de Benguerir



O prisioneiro civil saharaui Hassan Dah foi transferido para a prisão de Benguerir, próximo de Marrequexe, num contexto de deterioração do seu estado de saúde

A família do prisioneiro civil saharaui Hassan Dah informou que ele foi transferido à força para a prisão de Benguerir a 24 de setembro, afirmando que teria sido algemado e sujeito a violência física durante a transferência.

De acordo com informações fornecidas pela sua família à Liga para a Proteção dos Prisioneiros Saharauis, a transferência ocorre num momento em que o seu estado de saúde se está a deteriorar devido à greve de fome que está a realizar juntamente com vários prisioneiros do grupo de Gdeim Izik, exigindo a aplicação das decisões do Comité contra a Tortura e do parecer do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária relativos ao seu caso.

Os EUA recebem uma delegação de alto nível da Frente POLISARIO e falam de «opções reais» para os refugiados

 


O representante permanente dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, Mike Waltz, recebeu uma delegação de alto nível da Frente POLISARIO num novo contacto diplomático que ocorre num momento em que o Sahara Ocidental entra na fase que antecede o debate de outubro no Conselho de Segurança. 

Após a reunião, Waltz publicou uma mensagem particularmente direta na sua conta oficial: «Reuni-me com a Frente POLISARIO. Os refugiados dos campos de Tinduf esperam há 50 anos. Merecem opções reais, não mais uma década de espera. A base para uma solução está em cima da mesa». 

De acordo com as informações divulgadas por fontes saharauis, participaram no encontro Mohamed Yeslem Beissat, ministro saharaui dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Africanos; Mohamed Salem Ould Salek, conselheiro do presidente da República para os Assuntos Diplomáticos; e Sidi Mohamed Omar, representante da Frente POLISARIO junto das Nações Unidas e coordenador junto da MINURSO. 

 A fotografia divulgada pelo próprio Waltz confirma o caráter direto do encontro e confere um interesse político adicional às suas palavras. Os Estados Unidos mantêm o seu apoio ao plano marroquino de autonomia, mas, ao mesmo tempo, continuam a manter um diálogo direto com a Frente POLISARIO, num momento em que Washington procura impulsionar novamente o processo político. 

Resulta especialmente significativa a referência de Waltz ao facto de os refugiados saharauis estarem à espera há cinquenta anos e de precisarem de «opções reais». A mensagem não explica quais seriam essas opções nem aprofunda o que o Governo norte-americano entende por «a base para uma solução», mas introduz publicamente a ideia de que mais uma década de espera não constitui uma saída aceitável. 

O encontro ocorre, além disso, poucas semanas antes de o Conselho de Segurança voltar a debater a questão do Sahara Ocidental. Nesse contexto, a recepção de uma delegação saharaui deste nível por parte do embaixador norte-americano junto da ONU torna-se um gesto que merece atenção, não tanto pelas interpretações que possa suscitar, mas por um facto concreto: Washington mantém aberto o diálogo direto com a Frente POLISARIO enquanto se prepara uma nova fase do dossiê saharaui nas Nações Unidas. 


Fonte: conta oficial no X do embaixador dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, Mike Waltz /Artigo publicado em No Te Olvides del Sahara Occidental

terça-feira, 29 de setembro de 2026

PRESOS POLÍTICOS SAHARAUIS RETOMAM A GREVE DE FOME - AUTORIDADES MARROQUINAS RETALIAM




Comunicado da APSO


Naâma Asfari, preso político saharaui arbitrariamente condenado a uma pena de 30 anos, iniciou a 8 de Junho de 2026 uma greve de fome por tempo indeterminado, que ele próprio suspendeu 47 dias depois, a 24 de Julho, após ter recebido promessas da Delegação Geral Marroquina para a Administração Prisional e a Reintegração de que algumas das suas reivindicações poderiam ser atendidas. Duas foram, efectivamente, cumpridas: a retoma do contacto telefónico de 4 minutos por semana com a sua mulher, Claude Mangin, a quem não são permitidas visitas há dez anos, nem pode corresponder-se com ele; e a autorização para uma consulta de oftalmologia, pedida há uma década.  

No entanto, as principais razões que o levaram a utilizar a única arma de que os presos políticos dispõem permaneceram e, simbolicamente, em dia de eleições legislativas em em Marrocos, 23 de Setembro, nove presos encarcerados em três prisões, seguiram-lhe os passos, dando assim a conhecer os seus objectivos: 

“1- Obrigar o Estado ocupante marroquino a aplicar as decisões dos mecanismos convencionais das Nações Unidas que o condenaram explicitamente por tortura sistemática e confirmaram o caráter arbitrário da nossa detenção. Entre essas decisões figura, nomeadamente, o parecer do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a Detenção Arbitrária, bem como as múltiplas decisões do Comité contra a Tortura, cujo número ultrapassa as oito decisões; 

2- Denunciar as graves violações dos direitos humanos de que são vítimas os prisioneiros civis saharauis nas diferentes prisões do ocupante, nomeadamente as torturas físicas e psicológicas, a colocação durante longos anos em celas disciplinares de isolamento, a privação de cuidados médicos e de assistência sanitária, bem como a privação do direito de serem transferidos para as cidades do Sahara Ocidental;

3- Solicitar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao abrigo da Carta das Nações Unidas e das normas do direito internacional humanitário, nomeadamente das quatro Convenções de Genebra de 1949, que alargue o mandato jurídico da Missão das Nações Unidas para a Organização do Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), de modo a incluir a vigilância e a proteção dos direitos humanos, bem como a documentação de todas as violações graves cometidas contra civis saharauis desarmados na parte do território sob ocupação marroquina. 

Solicitamos igualmente que seja permitido ao Comité Internacional da Cruz Vermelha aceder imediatamente e sem condições ao território, a fim de cumprir as suas missões humanitárias, que consistem em proteger a população civil e visitar as prisões e os locais de detenção, nomeadamente após a violação marroquina do acordo de cessar-fogo em 13 de novembro de 2020.”  

Menos de uma semana depois, as notícias são graves. As comunicações com as famílias foram cortadas em muitos casos e os presos começaram a ser dispersos, sem qualquer aviso, por outros locais de detenção. Quando, nesta situação, as famílias procuram visitá-los, apesar das enormes distâncias que têm de percorrer, fazem-nas esperar horas e finalmente anunciam que o detido foi transferido. Devido à falta de condições sanitárias e de cuidados médicos, a saúde dos presos tem-se deteriorado rapidamente. 

Em concreto, segundo informação de Equipe Media (agência de notícias saharaui que opera informalmente no território ocupado), Mohamed Bani viu-se obrigado a interromper o protesto após sofrer uma forte queda da pressão arterial, tendo sido levado para a enfermaria da prisão de Ait Melloul 2.  

A Liga para a Protecção dos Presos Saharauis nas Prisões Marroquinas (LPPS) refere uma grande preocupação com o estado de saúde de Brahim Ismaili, que tem piorado drasticamente, sabendo-se que as condições sanitárias e de atenção médica são péssimas. 

As famílias de Sidi Bachir Boutenguiza e de Ahmed Sbaai confirmaram ter perdido o contacto com eles há mais de uma semana. O último telefonema recebido de Naâma Asfari foi no dia 21 de Setembro. A família de Abdallah Sidi Abbahah afirmou que os responsáveis da prisão impediram o seu sobrinho de o visitar e foi-lhe dito que tinha sido tomada a decisão de proibir todas as visitas.  

O jornalista saharaui e prisioneiro político Bachir Khadda foi transferido para uma prisão em El Aaiun, não havendo ainda notícias sobre como isso ocorreu nem sobre o seu estado actual. A família de Hassan Dah, após horas de espera por uma visita, foi informada da sua transferência para a prisão de Ben Guerir. 

A LPPS anunciou também que o preso político Mohamed Bourial, igualmente membro do Grupo de Gdeim Izik e detido na prisão de Aït Melloul 1, decidiu fazer uma greve de fome de 48 horas, com início hoje, 29 de Setembro, em apoio aos seus colegas, apesar das suas condições de saúde muito precárias. 

A AAPSO apela a que se faça circular esta informação, e se acompanhe a evolução da situação, utilizando todos os canais de comunicação ao dispor, e se organizem todas as formas de solidariedade com a luta dos presos políticos saharauis pela sua libertação e pelo direito à autodeterminação do povo saharui. 

 

Para seguir a luta dos presos políticos saharauis:  


                                                                                                   

Lisboa, 29 de Setembro de 2026