segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Documentário sobre o Sahara Ocidental é selecionado para a Mostra de Veneza




O documentário "La leggenda del deserto" ("A Lenda do Deserto"), da realizadora italiana Elisabetta Giannini, foi oficialmente selecionadopara participar na 83.ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza. A película, produzida pela Marechiarofilm de Antonietta De Lillo, será apresentada no programa Notti Veneziane, integrado na secção Giornate degli Autori 2026, que reúne 16 longas-metragens entre 2 e 12 de setembro. A notícia é revelada pela publicação Periodistas en español, em artigo assinado por Jesús Cabaleiro Larrán.

Exibição e programa

A projeção oficial está marcada para a próxima quarta-feira, 9 de setembro, às 13h00, na Sala Laguna de Veneza, com atividades paralelas previstas para os dias 8 e 9 de setembro.



A história

O filme recupera a memória de Carolina, uma menina italiana que, com oito anos, viajou nos anos 90 até aos campos de refugiados saharauis, experiência que marcou a sua vida. Três décadas depois, a sua história entrelaça-se com a dos Pequenos Embaixadores da Paz, crianças saharauis acolhidas todos os verões por famílias italianas em Itália. Ao cruzar duas viagens em direções opostas, separadas por trinta anos, o documentário procura evidenciar a capacidade da infância para criar laços acima de fronteiras geográficas, políticas e culturais, refletindo três décadas de solidariedade entre a sociedade civil italiana e o povo saharaui.

Elisabetta Giannini explica que o projeto nasceu há três anos, quando encontrou imagens de arquivo da viagem que a sua irmã Carolina fez ao deserto do Sahara aos oito anos. Segundo a realizadora, essa descoberta despertou o desejo de regressar aos campos de refugiados saharauis para reencontrar as pessoas que a irmã tinha conhecido décadas antes. O documentário resulta desse regresso, mantendo a perspetiva de uma criança que tenta compreender o significado de "casa". A voz da jovem Carolina acompanha a narração ao longo do filme, colocando uma questão sobre o futuro e o presente: o que acontece a pessoas amáveis quando caem no esquecimento.


Bastidores da produção

A seleção do documentário resulta também da amizade histórica entre a produtora Antonietta De Lillo e a representante da Frente Polisário em Itália, Fatima Mahfud, que acompanhou e facilitou a realização do projeto, garantindo as condições necessárias para a rodagem nos campos saharauis, por uma equipa composta maioritariamente por jovens profissionais e mulheres.

Um apelo à atenção internacional

Com 71 minutos de duração, o documentário procura ir além da dimensão cinematográfica, lançando um apelo para quebrar o silêncio sobre o Sahara Ocidental e refletir sobre a responsabilidade internacional. Antonietta De Lillo sublinha que a obra "conta também a nossa contradição como ocidentais: amigos e inimigos ao mesmo tempo", defendendo que "já não se pode permanecer a olhar e a secundar a vontade do mais forte; é hora de escolher de que lado estar".

Fatima Mahfud, representante da Frente Polisário em Itália, convidou o público italiano a assistir à projeção: "A quem possa estar lá, peço que venha, que divulgue o convite e, sobretudo, que leve consigo alguém que ainda não conheça a história do povo saharaui. Também assim se quebra o silêncio." 

Sobre a realizadora

Elisabetta Giannini (Nápoles, 1997) é realizadora e montadora, sendo "La leggenda del deserto" a sua primeira longa-metragem. Estreou-se anteriormente na realização em 2023, com a curta-metragem "Sognando Venezia", distinguida com um prémio especial de melhor estreia na realização nos Nastri d'Argento de 2024. Formada em efeitos visuais (VFX) pelo Centro Sperimentale di Cinematografia, participou em 2022 na iniciativa "Becoming Maestre", promovida pela Netflix e pelos prémios David di Donatello.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

FiSahara chega ao Fórum Cultural do Seixal em setembro



Nos dias 15, 16 e 17 de setembro, o Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal recebe a extensão do FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Sahara Ocidental, com a apresentação de cinco documentários que dão voz à causa do povo saharaui. A entrada é gratuita, mediante reserva prévia através de formulário online.

O FiSahara é o único festival de cinema do mundo realizado dentro de um campo de refugiados, criado em 2003 por saharauis e pela sociedade civil espanhola, nos campos próximos de Tindouf, no sul da Argélia. Os filmes apresentados chamam a atenção para a ocupação ilegal do Sahara Ocidental por parte de Marrocos e alertam para o desrespeito dos direitos humanos de um povo que, há mais de quatro décadas, vive em campos de refugiados no deserto.


«El Tiempo Después de la Lluvia», de Julia Girós, Pol Picas e Nina Solà

No dia 15 de setembro, às 21.30 horas, é apresentado «El Tiempo Después de la Lluvia», de Julia Girós, Pol Picas e Nina Solà, um documentário espanhol de 2022 que acompanha o regresso de um jovem saharaui ao campo de refugiados onde cresceu. A sessão inclui uma conversa com o público, dinamizada por Omar Mih, representante da Frente Polisário em Portugal, e por um representante da Associação de Amizade Portugal Sahara Ocidental.

«Mariem», de Javier Corcuer

«El Reflejo en la Arena», de Guillermo Marín

«El Susurro del Viento», de Ekain Albite

No dia 16 de setembro, às 21.30 horas, a sessão inclui dois documentários: «Mariem», de Javier Corcuera, uma curta-metragem de 2025 sobre a voz mais importante da música popular saharaui; e «El Reflejo en la Arena», de Guillermo Marín, também de 2025, uma viagem entre lugares, rituais e memórias de um jovem sahharaui. A sessão inclui ainda «El Susurro del Viento», de Ekain Albite, de 2020, que acompanha um jovem forçado a regressar ao campo de refugiados após a morte do pai.


«Aminetu», de Lucia Muñoz


A programação encerra no dia 17 de setembro, às 21.30 horas, com «Aminetu», de Lucia Muñoz, um documentário de 2026 que retrata os eventos de 2009, quando a defensora dos direitos humanos Aminetu Haidar foi expulsa do Sahara Ocidental e iniciou uma greve de fome de 32 dias para exigir o regresso a El Aaiún.

As reservas e mais informações estão disponíveis através do formulário online em cada sessão.