segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Estará Marrocos a jogar a carta de Ceuta para conquistar a final do Mundial 2030?

Cartoon gerado por IA


O que está a acontecer no perímetro fronteiriço de Ceuta resulta da convergência entre uma profunda desespero socioeconómico interno em Marrocos — que empurra milhares de jovens a arriscar a vida na travessia — e uma estratégia fria do Estado marroquino, que aproveita esse contexto e a margem de manobra concedida pelas disputas entre potências externas, nomeadamente a administração Trump, para relaxar os seus controlos fronteiriços e pressionar Espanha em várias frentes.


Quatro cartas na mão de Rabat

No centro desta tensão está o desagrado marroquino com a recente visita do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, à Argélia — principal rival regional de Marrocos —, um gesto que Rabat interpreta como um agravo estratégico que exige resposta imediata. A este desentendimento soma-se a fricção estrutural em torno da posição espanhola sobre o Sahara Ocidental, onde qualquer nuance, atraso ou declaração ambígua no apoio aos interesses territoriais do reino alauita é penalizado com a abertura da torneira migratória.

Além destes problemas, e como pano de fundo, estão as pretensões territoriais de Marrocos em relação às posições que Espanha detém no Norte de África, junto às suas fronteiras: Ceuta, Melilha, Peñón de Vélez de la Gomera, Peñón de Alhucemas, Ilhas Chafarinas, Ilha de Alborán e Ilha de Perejil

As motivações de Rabat estendem-se ainda ao domínio do prestígio internacional e do soft power — em particular, à disputa pela organização da final do Mundial de futebol de 2030. Marrocos procura garantir que a grande final do torneio se dispute em Rabat, usando a pressão fronteiriça para forçar as instituições espanholas a alinhar os seus interesses e a apoiar ativamente esta candidatura junto da FIFA.


Um contexto que favorece Marrocos

Vários fatores reforçam a posição marroquina nesta disputa. Desde que Marrocos se juntou à candidatura ibérica de Espanha e Portugal para organizar o Mundial de 2030, a sua pretensão de acolher a final do torneio tem sido pública e notória. A boa relação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o líder norte-americano, Donald Trump — que recentemente deu o seu próprio nome a uma autoestrada que liga Marrocos ao Sahara Ocidental —, é apenas um dos fatores que jogam a favor do país africano.

Porém, apesar desta pressão, o próprio uso da alavanca migratória tem um custo reputacional crescente para Marrocos: as imagens de milhares de cidadãos marroquinos a tentar abandonar o país contrastam com o discurso de estabilidade, modernização e liderança regional que Rabat tem construído ao longo dos anos para atrair investimento e consolidar o seu papel como parceiro privilegiado da Europa — um contraste que choca também com as ambições do país de se afirmar como um destino seguro, capaz de acolher um evento de multidões como a final do Mundial de 2030. 

Fontes: Catalunyapress, Vozpopuli, La Vanguardia.

sábado, 1 de agosto de 2026

Infantino rende-se a Marrocos




O presidente da FIFA, Gianni Infantino, rendeu-se a Marrocos em plena disputa pela organização da final do Mundial 2030, afirmando que a próxima edição do torneio "será a melhor porque se vai realizar no país mais bonito de todos, Marrocos", segundo avança a rádio espanhola Cope.

Infantino esteve entre os convidados no "Dia do Trono", cerimónia organizada pelo rei Mohamed VI para celebrar o aniversário da sua subida ao trono, e aproveitou a ocasião para elogiar largamente o país norte-africano, que vai coorganizar o Mundial de 2030 juntamente com Espanha e Portugal, numa edição especial que assinala o centenário da competição.

O dirigente italo-suíço recordou que "acabámos de organizar uma magnífica Copa do Mundo" e sublinhou que "sabemos que a próxima, a copa do centenário, também se vai realizar aqui em Marrocos". Segundo a Cope, Infantino destacou ainda a cultura futebolística do país, afirmando que "os marroquinos são apaixonados por futebol, que gostam de celebrar a sua seleção nacional com alegria e entusiasmo", e garantiu que "estão prontos para receber o mundo" na edição de 2030, que classificou como "sem dúvida a maior da história".

O presidente da FIFA terminou a sua intervenção com um efusivo "viva Marrocos! E obrigado por me receberem", deixando patente a sua confiança na capacidade organizativa e na hospitalidade do país anfitrião. Para lá da diplomacia, a maioria dos observadores consideraram excessiva a postura do líder da FIFA, catalogando-a de bajulação e «puxa-saquismo»

As declarações surgem num momento particularmente sensível, com Marrocos e Espanha envolvidos numa disputa pela organização da final do torneio — que deverá opor o novo Estádio Hassan II, em Casablanca, ao renovado Santiago Bernabéu, em Madrid — e enquanto a proximidade de Infantino à Casa Real marroquina continua a ser assinalada por vários meios de comunicação espanhóis como um sinal da força da candidatura de Rabat, a que o Presidente dos EUA, neste caso, não será alheio...

Fonte: Cope

Irlanda reitera preocupação com presos políticos saharauis e reafirma apoio ao direito à autodeterminação


Helen McEntee


O Governo irlandês reiterou a sua preocupação com a situação dos presos políticos saharauis detidos em prisões marroquinas, reafirmando ao mesmo tempo o seu apoio inequívoco ao direito do povo saharaui à autodeterminação, em conformidade com o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU.

A posição foi expressa numa resposta escrita da ministra dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Irlanda, Helen McEntee, a duas perguntas parlamentares apresentadas pelos deputados Paul Murphy e Duncan O'Laguerre sobre a situação dos presos políticos saharauis, nomeadamente Naâma Asfari, membro do chamado "Grupo Gdeim Izik". Na resposta, o Governo irlandês sublinhou que a promoção e a proteção dos direitos humanos constituem um pilar fundamental da sua política externa, instando todos os Estados a respeitar os direitos dos presos e detidos em conformidade com as Regras Mínimas da ONU para o Tratamento de Reclusos.

Irlanda reiterou também a sua "condenação inequívoca da tortura e de qualquer outra forma de maus-tratos", apelando a todos os Estados para que combatam e previnam essas práticas. O Governo irlandês fez ainda referência às conclusões do Comité das Nações Unidas contra a Tortura, que confirmaram que Marrocos violou os direitos dos presos saharauis ligados ao "Grupo Gdeim Izik", considerando essas conclusões um ponto de referência importante para avaliar a situação dos direitos humanos destes presos. 

Segundo o executivo irlandês, o seu compromisso com esta questão continuará no âmbito do apoio aos esforços das Nações Unidas, tendo em conta o papel desempenhado pelo enviado pessoal do secretário-geral da ONU para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura, e o país afirmou que continuará a acompanhar de perto todos os desenvolvimentos relevantes, tanto no quadro da União Europeia como das Nações Unidas.