sábado, 1 de agosto de 2026

Irlanda reitera preocupação com presos políticos saharauis e reafirma apoio ao direito à autodeterminação


Helen McEntee


O Governo irlandês reiterou a sua preocupação com a situação dos presos políticos saharauis detidos em prisões marroquinas, reafirmando ao mesmo tempo o seu apoio inequívoco ao direito do povo saharaui à autodeterminação, em conformidade com o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU.

A posição foi expressa numa resposta escrita da ministra dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Irlanda, Helen McEntee, a duas perguntas parlamentares apresentadas pelos deputados Paul Murphy e Duncan O'Laguerre sobre a situação dos presos políticos saharauis, nomeadamente Naâma Asfari, membro do chamado "Grupo Gdeim Izik". Na resposta, o Governo irlandês sublinhou que a promoção e a proteção dos direitos humanos constituem um pilar fundamental da sua política externa, instando todos os Estados a respeitar os direitos dos presos e detidos em conformidade com as Regras Mínimas da ONU para o Tratamento de Reclusos.

Irlanda reiterou também a sua "condenação inequívoca da tortura e de qualquer outra forma de maus-tratos", apelando a todos os Estados para que combatam e previnam essas práticas. O Governo irlandês fez ainda referência às conclusões do Comité das Nações Unidas contra a Tortura, que confirmaram que Marrocos violou os direitos dos presos saharauis ligados ao "Grupo Gdeim Izik", considerando essas conclusões um ponto de referência importante para avaliar a situação dos direitos humanos destes presos. 

Segundo o executivo irlandês, o seu compromisso com esta questão continuará no âmbito do apoio aos esforços das Nações Unidas, tendo em conta o papel desempenhado pelo enviado pessoal do secretário-geral da ONU para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura, e o país afirmou que continuará a acompanhar de perto todos os desenvolvimentos relevantes, tanto no quadro da União Europeia como das Nações Unidas.

A Guerra no Sahara Ocidental – junho e julho



Os comunicados de guerra do Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS) divulgados ao longo de junho e julho traçam um quadro de operações militares continuadas contra posições marroquinas ao longo de vários setores da linha de confronto do chamado «muro da vergonha» — a maior parte deles concentrados na região norte de Oued Draa (Farsía e Mahbes) e na região sul de Rio de Oro (Amgala, Um Dreiga e Auserd).

 

Junho: sucessão de bombardeamentos e a morte de um comandante saharaui

O mês abriu com um ataque a 3 de junho, quando unidades avançadas do exército saharaui bombardearam um posto de comando marroquino em Ras Bin Zakka, no setor de Farsía, segundo o comunicado de guerra do Ministério da Defesa Nacional saharaui.

Quatro dias depois, a 7 de junho, a Frente Polisario anunciou uma perda significativa nas suas próprias fileiras: Lehbib Mohamed Abdelaziz, comandante da Primeira Brigada de Reserva de Campo e membro do Secretariado Nacional da Frente — e filho do antigo secretário-geral do movimento, Mohamed Abdelaziz — morreu em combate, juntamente com dois companheiros de armas.

A partir daí, os ataques voltaram a concentrar-se no setor de Farsía. A 24 de junho, tropas saharauis bombardearam bases e posições marroquinas na região de Gararat Achadida. No dia seguinte, 25 de junho, novo ataque teve como alvo bases e fortificações em Alfeiyin, também em Farsía, com o exército saharaui a reivindicar "perdas consideráveis" nas fileiras marroquinas. O mês encerrou com uma mudança de setor: na madrugada de 26 de junho, unidades do ELPS bombardearam um radar de vigilância e alerta em Tarf Abda, no setor de Um Dreiga na região de Rio de Oro.


Julho: ofensiva alarga-se a Mahbes, Amgala e Auserd

Julho manteve o ritmo de ataques, mas com maior dispersão geográfica. Na noite de 2 de julho, o ELPS atacou uma posição de uma brigada marroquina em Emheibis Ramz, no setor de Mahbes, ao mesmo tempo que outras unidades bombardeavam guarnições e trincheiras marroquinas em Amagli Dachra, no setor de Amgala.

A 20 e 21 de julho, os combates intensificaram-se com ataques em dois setores diferentes num intervalo de poucas horas: na noite de 20 de julho, forças saharauis bombardearam soldados marroquinos posicionados em Gleib Achig e Lamreignat, no setor de Auserd; na manhã seguinte, 21 de julho, o alvo passou a ser as posições marroquinas entrincheiradas em Gararat Al-Firsik e Rus Acheidmiya, no setor de Mahbes. 

O mês fechou com um novo ataque no sul do território: na sexta-feira, 24 de julho, o ELPS bombardeou uma base marroquina no setor de Um Dreiga, reivindicando "baixas mortais" nas fileiras do exército de ocupação.