quarta-feira, 28 de outubro de 2026

EUA suavizam projeto de resolução sobre o Sahara Ocidental, mas mantêm centralidade do plano de autonomia marroquino


A atuação dos EUA como redator («penholder») da resolução
do CS da ONU sobre o Sahara Ocidental. Cartoon IA 


Os Estados Unidos introduziram alterações no projeto de resolução sobre o Sahara Ocidental, suavizando a referência ao plano de autonomia de Marrocos, reafirmando o princípio da autodeterminação e retirando algumas das medidas previstas para a reestruturação da MINURSO. As mudanças não alteram, contudo, a orientação política geral do documento. 

Segundo o portal Maghreb Online (Mahgreb Online), que reproduz uma análise do diplomata argelino Amar Belani, a nova versão do projeto norte-americano substitui a referência ao plano de autonomia marroquino como «única solução viável» pela expressão «solução mais viável», deixando uma formulação menos restritiva quanto ao desfecho do conflito. 

O texto revisto mantém também referências explícitas ao direito à autodeterminação do povo saharaui, tanto no preâmbulo como nas disposições relativas ao processo político. 

Outra alteração significativa diz respeito ao futuro da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO). Washington retirou a proposta de transformação automática da missão numa estrutura política especial a partir de 1 de maio de 2027. 

A decisão sobre uma eventual reconfiguração da MINURSO passa a depender do Conselho de Segurança, tendo em conta as recomendações do secretário-geral da ONU e a evolução das negociações. 

A nova versão elimina igualmente a proposta de redução de pelo menos 50% dos efetivos militares da missão até 31 de janeiro de 2027. A dimensão de uma eventual redução e a reorganização dos locais de operação ficam sujeitas a propostas posteriores do secretário-geral. 

O documento reforça ainda o papel central das Nações Unidas na condução do processo político e elimina a disposição que previa a possibilidade de medidas adicionais contra as partes que recusassem participar construtivamente nas negociações. 

Relativamente aos refugiados saharauis nos campos de Tindouf, o projeto introduz referências ao respeito pelo direito internacional dos refugiados e ao princípio da não ingerência. 

Apesar destas alterações, a proposta norte-americana continua a privilegiar o plano de autonomia apresentado por Marrocos como referência para a resolução do conflito. 

Na análise reproduzida pelo Mahgreb Online, Amar Belani considera que a revisão corrige várias disposições controversas da versão inicial, mas não modifica a orientação política fundamental do projeto. 

As negociações entre os membros do Conselho de Segurança prosseguem antes da votação prevista para 30 de outubro, relativa à renovação do mandato da MINURSO, que termina no dia seguinte. 

Criada em 1991 para acompanhar a realização de um referendo de autodeterminação, a MINURSO permanece no território sem que a consulta inicialmente prevista tenha sido concretizada. 

57 académicos e investigadores portugueses escrevem ao Conselho de Segurança em solidariedade com o Povo Saharaui


Imagem gerada por IA


Por iniciativa da AAPSO, um grupo alargado de académicos, professores universitários e investigadores portugueses subscreveu um texto de solidariedade com o povo saharaui e em defesa do seu direito inalienável à autodeterminação, que a administração norte-americana e Marrocos tentam subverter e negar. Publicamos o texto e a identidade dos subscritores.


À PRESIDENTE E MEMBROS DO CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS 


Nós, académicos/as e investigadores/as, exortamos o Conselho de Segurança a garantir que a próxima resolução sobre o Sahara Ocidental respeita a Carta das Nações Unidas, o direito do povo saharaui à autodeterminação e o quadro jurídico internacional que rege a descolonização. 

Os Artigos 1(2) e 24(2) da Carta da ONU e o Artigo 1, comum aos dois Pactos Internacionais sobre os Direitos Humanos, estabelecem os princípios relevantes. 

No seu parecer consultivo de 1975, o Tribunal Internacional de Justiça não encontrou ligações de soberania territorial que pudessem substituir um ato de autodeterminação exercido através da expressão livre e genuína da vontade do povo do Território. 

Recordamos como em 1999 o exercício do direito à autodeterminação deu liberdade ao povo timorense, estabeleceu laços de amizade recíproca entre Timor-Leste e a Indonésia, e contribuiu para a estabilidade da região. Hoje Timor-Leste é membro de pleno direito da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). 


Assim, apelamos ao Conselho de Segurança para que:


1. Respeite o direito à autodeterminação  

Reafirmando que qualquer solução tem de cumprir o direito internacional e refletir a vontade livremente expressa do povo saharaui. 


2. Recuse um resultado pré-determinado 

Não apoiando nem privilegiando a independência, a integração ou a autonomia. A escolha do estatuto final do Território pertence ao povo saharaui. 


3. Apoie a realização de um referendo livre e justo supervisionado pelas Nações Unidas 

Assegurando que as alternativas são genuínas, incluindo a opção pela independência, o corpo eleitoral é justo e claro, a participação dos refugiados saharauis é garantida, e há salvaguardas contra qualquer tipo de coação. O referendo acordado aquando da constituição da MINURSO em 1991 nunca foi cumprido. 


4. Conceda à MINURSO um mandato explícito no domínio dos direitos humanos 

Garantindo a independência de acompanhamento, investigação e elaboração de relatórios, com recursos adequados, acesso livre e proteção contra represálias. A monitorização deve ser imparcial, incluir todas as partes e cobrir o Sahara Ocidental e os campos de refugiados saharauis. 


5. Mantenha as negociações coerentes com os princípios das Nações Unidas 

Certificando-se de que as negociações respeitam o princípio da autodeterminação e requerendo relatórios regulares sobre o processo em curso com vista a cumprir esse objetivo. 

Uma paz duradoura deve assentar na vontade livremente expressa do povo saharaui. Exortamos o Conselho de Segurança a que proteja o seu direito à livre escolha e trabalhe numa solução baseada no direito internacional. 

27 outubro 2026 

 

  • Alberto Fidalgo Castro - Universidad Complutense de Madrid 
  • Alexandre Abreu - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Ana Drago - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Ana Mouta Faria - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Ana Lúcia Sá - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • André Caiado - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • André Carmo – Universidade de Évora 
  • Ângela Brandão – Instituto Piaget 
  • Ângela Coutinho - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Ashley Dell'Orso - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Augusto Lança - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Carlos Fortuna - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Carolina Leão - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Daniela Nascimento - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Dora Rebelo - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Eduardo Costa Dias - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Eugénia Pires - Investigadora, CoLABOR 
  • Éva Sebestyén - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Francisco Louçã - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Francisco Pereira Coutinho - Faculdade de Direito, Universidade Nova de Lisboa 
  • Francisco Topa - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Hugo Cruz Marques - Universidade Politécnica de Santarém 
  • Isabel Castro Henriques – Universidade de Lisboa 
  • Isabel Morais - Universidade de S. José, Macau, China 
  • João Ferrão - Universidade de Lisboa 
  • Jorge Custódio - Instituto de História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa 
  • Jorge Freitas Branco - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • José Manuel Pureza - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • José Reis - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Licínio da Silva Lima - Universidade do Minho 
  • Lisa Marta Machado de Matos - Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes 
  • Lúcio Sousa - Universidade Aberta 
  • Luís Mah - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Maciel Santos - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Marcos Farias Ferreira - Universidade de Lisboa 
  • Maria Eduarda Gonçalves - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Maria Teresa Macara - Universidade Lusófona 
  • Mariana Mortágua - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Marisa Gonçalves - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Miguel Cardina - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Miguel Filipe Silva - Instituto de História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa 
  • Olivia Bina - Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa 
  • Paulo Fontes - Universidade Católica Portuguesa 
  • Paulo Martins - ISCSP, Universidade de Lisboa 
  • Paulo Pedroso - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Paulo Trigo Pereira - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Pedro Aires de Oliveira – FCSH, Universidade Nova de Lisboa 
  • Pedro Miguel Cardoso - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Ricardo Paes Mamede - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Ricardo Palmela de Oliveira - Universidade Portucalense 
  • Ricardo Roque - Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa 
  • Rui Graça Feijó – Investigador 
  • Rui Garrido – Universidade Portucalense 
  • Sílvia Roque - Universidade de Évora 
  • Susana Brissos - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Susana Réfega - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Teresa Almeida Cravo - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Xénia de Carvalho - ISEG, Universidade de Lisboa 

domingo, 25 de outubro de 2026

Marrocos sela a sua aliança com Israel, preparando centenas de militares para os enviar para Gaza


Imagem gerada por IA



Marrocos está a preparar até 500 militares para integrar uma força internacional de estabilização na Faixa de Gaza, promovida pelos Estados Unidos, numa iniciativa que reforça a cooperação entre Rabat e Israel e suscita críticas na sociedade marroquina.

Segundo o jornal espanhol El Independiente, que cita informações divulgadas pelo israelita The Times of Israel, o treino começou no final de agosto, em território marroquino, sob orientação da força multinacional liderada pelos Estados Unidos. A formação envolveu inicialmente oficiais e instrutores, sendo posteriormente alargada ao restante contingente. Não está confirmado que o programa tenha sido concluído.  

Marrocos foi o primeiro país árabe a comprometer-se publicamente com o envio de militares e polícias para Gaza. A força internacional deverá contar também com contribuições da Indonésia, Cazaquistão, Kosovo e Albânia, embora o seu destacamento continue condicionado por atrasos na execução do plano norte-americano.

A missão prevê a proteção de civis, a segurança dos corredores humanitários e a desmilitarização de Gaza, incluindo o desarmamento de grupos armados. O mandato admite o recurso à força, dentro dos limites do direito internacional, uma possibilidade que suscita preocupações quanto a eventuais confrontos com palestinianos.

A participação marroquina foi formalizada em julho, num acordo assinado em Rabat. Segundo informações divulgadas pelo jornal marroquino Le Desk, a contribuição inclui oficiais das Forças Armadas Reais, elementos da Gendarmaria e da polícia, além da instalação de um hospital militar de campanha. Ainda não foi anunciada uma data para o destacamento.

A iniciativa ocorre num contexto de aprofundamento das relações entre Marrocos e Israel, normalizadas em dezembro de 2020, no âmbito de um acordo acompanhado pelo reconhecimento norte-americano da reivindicação marroquina de soberania sobre o Sahara Ocidental.

Em setembro, os dois países acordaram elevar o nível das relações diplomáticas através da nomeação de embaixadores, numa decisão que provocou novas manifestações de solidariedade com a Palestina em Marrocos.

Ao El Independiente, Karim Hassoun, político belga de origem marroquina e cofundador da Hind Rajab Foundation, criticou a participação de Rabat na missão, considerando que poderá envolver militares marroquinos em operações controversas e expô-los a responsabilidades jurídicas por eventuais violações do direito internacional.

O ativista acusou ainda as autoridades marroquinas de aprofundarem a cooperação com Israel contra a vontade de uma parte significativa da população, que continua a manifestar-se contra a normalização diplomática e em defesa dos direitos dos palestinianos.

Apesar dos preparativos, o envio dos militares marroquinos para Gaza ainda não tem data confirmada, dependendo de decisões políticas, autorizações israelitas e condições de segurança no terreno.

Marrocos terá acumulado 14,6 mil milhões de euros de dívida oculta através da venda de património público




Marrocos terá mobilizado cerca de 14,6 mil milhões de euros através da venda de imóveis públicos que continua a utilizar mediante contratos de arrendamento de longa duração, num mecanismo financeiro que permite obter receitas imediatas sem aumentar a dívida oficialmente contabilizada, segundo uma investigação publicada pelo jornal digital Orient XXI.

A investigação, assinada pela jornalista Julie Chaudier e publicada a 21 de outubro, revela que o Estado marroquino recorre, desde 2019, a operações de venda e posterior arrendamento de património público, conhecidas internacionalmente como sale and leaseback, para financiar despesas e investimentos sem recorrer diretamente a empréstimos tradicionais.

Entre os imóveis envolvidos encontram-se edifícios utilizados por serviços públicos, incluindo hospitais. O mecanismo consiste na venda dos imóveis a investidores institucionais, mantendo o Estado a sua utilização mediante o pagamento de rendas durante períodos que podem atingir 30 ou 40 anos.

A particularidade destas operações reside no seu tratamento contabilístico: os montantes recebidos são registados como receitas extraordinárias, enquanto os pagamentos futuros surgem como despesas correntes dos ministérios, em vez de encargos associados à dívida pública.

Segundo o Orient XXI, esta estrutura permite melhorar os indicadores orçamentais apresentados pelo Governo, embora implique compromissos financeiros prolongados.


Vendas de património equivalem a 8,8% do PIB

De acordo com os dados do Ministério das Finanças marroquino citados na investigação, entre 2019 e 2024 foram alienados imóveis públicos no valor de 107 mil milhões de dirhams, aproximadamente 9,58 mil milhões de euros.

Em 2025, o Estado realizou operações adicionais de 40,1 mil milhões de dirhams, às quais se juntaram receitas de 10,9 mil milhões de dirhams no segundo trimestre de 2026.

No conjunto, estas operações ascendem a cerca de 158 mil milhões de dirhams, equivalentes a 14,6 mil milhões de euros.

A investigação calcula que este montante corresponde a aproximadamente 8,8% do produto interno bruto (PIB) marroquino previsto para 2026.

Se a totalidade das operações fosse acrescentada à dívida do Tesouro, o rácio de endividamento passaria dos 67,1% oficialmente estimados para cerca de 75,9% do PIB, segundo os cálculos apresentados pelo Orient XXI.

Esta comparação é uma estimativa do impacto potencial das operações, não uma revisão oficial da dívida. A sua contabilização depende das características contratuais e das normas aplicáveis.

O recurso ao mecanismo intensificou-se durante o Governo de Aziz Akhannouch, que exerceu funções entre outubro de 2021 e setembro de 2026. Segundo a investigação, 86,4% do valor das operações foi realizado durante esse período, contra 13% no Governo anterior, liderado por Saadeddine El Othmani.

O economista marroquino Najib Akesbi, professor do Instituto Agronómico e Veterinário de Rabat, critica a falta de transparência destas operações, considerando que dificultam a avaliação da verdadeira situação das finanças públicas.

O especialista sustenta que os chamados financiamentos inovadores permitem ao Estado obter recursos financeiros sem que os compromissos assumidos se reflitam integralmente nos indicadores tradicionais de endividamento.


Banco central anuncia fim do mecanismo até 2028

A utilização destas operações levanta questões sobre o custo financeiro dos contratos e o impacto das rendas nos orçamentos futuros.

Ao contrário de uma venda definitiva, que liberta o Estado de responsabilidades sobre o imóvel, a venda seguida de arrendamento mantém a necessidade de financiar a sua utilização durante várias décadas.

Embora permita obter liquidez imediata, o mecanismo pode revelar-se oneroso a longo prazo, dependendo das rendas contratadas, das condições de financiamento e das cláusulas de recuperação dos imóveis.

Segundo o Orient XXI, o banco central marroquino anunciou o fim deste dispositivo até 2028, num contexto de crescente preocupação com os riscos financeiros associados à sua utilização.

A investigação sublinha que estas operações coexistem com o recurso habitual de Marrocos aos mercados internacionais de capitais e ao financiamento de instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

Em setembro de 2025, a agência Standard & Poor's elevou a classificação de crédito soberano de Marrocos de BB+ para BBB-, devolvendo o país à categoria de investimento. A decisão refletiu, segundo a agência, a melhoria das perspetivas macroeconómicas e a consolidação gradual das contas públicas.

O recurso a mecanismos financeiros que não se refletem diretamente na dívida oficialmente apresentada suscita, contudo, dúvidas sobre a abrangência dos indicadores utilizados para avaliar a situação financeira do Estado.


Compromissos financeiros prolongam-se por várias décadas

A principal questão colocada pela investigação é a diferença entre o endividamento formalmente reconhecido e os compromissos financeiros efetivamente assumidos pelo Estado.

A venda de património público com arrendamento posterior não constitui necessariamente uma operação irregular. Trata-se de um instrumento utilizado em diferentes países, tanto pelo setor público como por empresas privadas, para libertar capital imobilizado em ativos imobiliários.

Contudo, a avaliação do seu impacto exige conhecer o valor dos imóveis alienados, os montantes das rendas, a duração dos contratos e as condições previstas para uma eventual recuperação da propriedade.

No caso marroquino, a investigação aponta a falta de transparência sobre estes elementos como um dos principais obstáculos à avaliação dos encargos futuros.

A questão assume particular importância num período em que Marrocos desenvolve investimentos significativos em infraestruturas, transportes e equipamentos públicos, incluindo os projetos relacionados com a organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, com Espanha e Portugal.

O financiamento destes investimentos, conjugado com os compromissos associados ao património público alienado, coloca desafios à gestão orçamental e à capacidade de financiar outras políticas públicas.

A investigação do Orient XXI conclui que a dimensão das operações realizadas desde 2019 justifica uma avaliação mais abrangente da dívida marroquina, incluindo os compromissos de longo prazo que não são diretamente refletidos nas estatísticas tradicionais.