sábado, 25 de julho de 2026

EUA e Marrocos criam um centro militar em Tan Tan enquanto Israel arma a ocupação do Sahara Ocidental




Marrocos está a aprofundar a cooperação militar com os Estados Unidos e Israel através da criação de novas infraestruturas estratégicas e da realização de exercícios militares nas proximidades e no interior do Sahara Ocidental ocupado. A iniciativa, anunciada pelas autoridades militares marroquinas, insere-se numa estratégia de reforço da presença militar na região e de consolidação da parceria com Washington e Telavive. 

Segundo fontes militares marroquinas, Rabat e os Estados Unidos vão criar um centro permanente de formação e experimentação militar em Tan-Tan, cidade situada no sul de Marrocos, próxima da fronteira com o Sahara Ocidental e em frente às Ilhas Canárias. O projeto foi acertado após uma reunião em Estugarda entre o general Mohamed Berrid, inspetor-geral das Forças Armadas Reais marroquinas, e responsáveis do Comando Militar dos EUA para África (AFRICOM), seguindo instruções do rei Mohamed VI. 

O anúncio surge na sequência do exercício militar African Lion 2026, a maior operação anual do AFRICOM em África, que reuniu mais de 5.600 militares e civis de mais de 40 países em Marrocos, Gana, Senegal e Tunísia. Pela primeira vez, uma das atividades decorreu em Dakhla, cidade localizada no Sahara Ocidental ocupado, onde participaram militares norte-americanos e o embaixador dos Estados Unidos em Marrocos. 

O exercício serviu também para testar novas tecnologias militares, incluindo sistemas de comando apoiados por inteligência artificial, drones, sistemas autónomos e equipamentos de guerra eletrónica, contando com a participação de mais de 30 empresas norte-americanas do setor da defesa. 

Paralelamente, o Senado dos Estados Unidos está a analisar propostas para reforçar a cooperação militar com Marrocos, incluindo a criação de bases logísticas capazes de apoiar operações no Sahel, Mediterrâneo e África Ocidental. 

Ao mesmo tempo, Marrocos continua a estreitar a cooperação militar com Israel. Em janeiro de 2026, os dois países aprovaram o terceiro plano anual consecutivo de cooperação militar desde a normalização das relações diplomáticas, em 2020. A colaboração inclui o desenvolvimento conjunto de capacidades militares, intercâmbio técnico e produção local de armamento.

Drone SpyX


Entre os projetos destaca-se a fabricação em Marrocos dos drones kamikaze SpyX, desenvolvidos pela empresa israelita BlueBird Aero Systems. Segundo o artigo, estes aparelhos já terão sido testados no Sahara Ocidental, onde o conflito armado entre Marrocos e a Frente Polisário foi retomado em novembro de 2020. Israel forneceu ainda a Rabat sistemas de vigilância, equipamentos antidrone, sistemas antimíssil e armamento para veículos blindados. 

O reforço militar é acompanhado por um aumento significativo do investimento na defesa. O orçamento autorizado por Marrocos para contratos de aquisição e manutenção de armamento ascende, em 2026, a 14,5 mil milhões de euros, mais 17,8% do que no ano anterior. 

Esta evolução resulta diretamente da decisão anunciada pelo então Presidente norte-americano Donald Trump, em dezembro de 2020, de reconhecer a reivindicação marroquina de soberania sobre o Saara Ocidental em troca da normalização das relações entre Marrocos e Israel. Desde então, multiplicaram-se os acordos militares, os projetos industriais na área da defesa, os exercícios conjuntos e a presença de forças norte-americanas e israelitas na região, consolidando uma crescente integração estratégica em torno do território do Sahara Ocidental.