quinta-feira, 19 de março de 2026

Especialistas debatem em Bruxelas a questão do Sahara Ocidental

 


Bruxelas acolhe, a 27 de março, uma conferência internacional dedicada ao Sahara Ocidental, reunindo académicos, juristas e representantes de organizações da sociedade civil para analisar as implicações jurídicas do conflito e o papel da comunidade internacional.


Sob o tema “A Reafirmação do Direito Internacional: o caso do Sahara Ocidental – as obrigações da comunidade internacional”, o encontro decorre no Residence Palace, na sala Polak, ao longo de todo o dia, entre as 9h30 e as 18h00.
A iniciativa estrutura-se em três momentos principais. O primeiro painel,
da parte da manhã, será dedicado ao enquadramento do conflito à luz do direito internacional e ao papel das Nações Unidas e da União Africana. Já o segundo painel, da parte da tarde, centrará o debate na atuação da União Europeia face à questão do Sahara Ocidental, nomeadamente no plano jurídico e político.

A conferência inclui ainda uma mesa-redonda focada nos mecanismos legais disponíveis para o povo saharaui, bem como para sindicatos e organizações de direitos humanos, com destaque para possíveis ações em tribunais civis.




Entre os oradores confirmados estão académicos e especialistas de várias universidades europeias, como Isaías Barreñada Bajo, Manfred Hinz, Juan Soroeta Liceras e Carlos Ruiz Miguel, bem como o antigo conselheiro jurídico principal da União Africana, Ben Kioko.
Participam ainda investigadores e especialistas em direito internacional e direitos humanos de várias instituições europeias, além de representantes de organizações agrícolas e sindicais.

As conclusões da conferência estarão a cargo do dirigente saharaui Oubi Bouchraya Bachir e Pierre Galand, presidente da EUCOCO (Coordenadora Europeia de Apoio e Solidariedade com o Povo Saharaui).

O encontro pretende contribuir para o debate jurídico internacional sobre um dos conflitos territoriais mais prolongados da agenda das Nações Unidas, colocando em foco as responsabilidades dos Estados e das instituições internacionais na defesa do direito à autodeterminação do povo saharaui.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Senegal-Marrocos: está aberta a guerra pela Taça das Nações Africanas

 


Na final da Taça das Nações Africanas, o Senegal fez o suficiente para ganhar em campo (1-0). Já fora dele, Marrocos terá apresentado um tipo de “recurso” que costuma pesar mais do que qualquer marcador...

Para os menos informados sobre esta disputa que opõe os dois países reproduzimos um artigo publicado no portal desportivo football.fr


Senegal–Marrocos

investigação por suspeitas de corrupção à vista

Após a retirada do título da CAN ao Senegal em favor de Marrocos, o Governo senegalês exige a abertura de uma investigação internacional por suspeitas de corrupção no seio da Confederação Africana de Futebol (CAF).

Uma verdadeira onda de choque está a abalar o futebol africano. Derrotado na final da CAN a 18 de janeiro (1-0), Marrocos acabou por ser declarado vencedor na secretaria (3-0) pela Confederação Africana de Futebol, em detrimento do Senegal. Uma decisão que ultrapassa o plano desportivo e assume contornos de caso de Estado.




A Federação Senegalesa de Futebol (FSF) anunciou rapidamente a intenção de recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), abrindo caminho a um possível desenvolvimento judicial de grande dimensão. Os “Leões da Teranga” não pretendem ficar por aqui e querem ver o título restituído.

Esta manhã, o secretário-geral da FSF, Abdoulaye Sow, criticou a decisão e procurou tranquilizar os adeptos. Entretanto, o caso ganhou dimensão nacional. O Governo senegalês divulgou um comunicado manifestando consternação perante o que considera uma injustiça sem precedentes. “Esta decisão inédita, de extrema gravidade, colide frontalmente com os princípios fundamentais que regem a ética desportiva, nomeadamente a equidade, a lealdade e o respeito pela verdade do jogo”, lê-se.





Senegal suspeita de corrupção na CAF

O Governo promete esgotar todos os meios legais e exige a abertura de uma investigação internacional independente por suspeitas de corrupção na CAF. “O Senegal não pode aceitar que uma decisão administrativa apague o empenho, o mérito e a excelência desportiva. Rejeitamos sem ambiguidades esta tentativa de desapropriação injustificada”, refere o comunicado.

A FSF e o Estado senegalês garantem que serão mobilizadas todas as vias de recurso, incluindo as jurisdições internacionais, para que seja feita justiça e que a primazia do resultado desportivo seja respeitada. Além disso, o governo manifesta a sua solidariedade para com os adeptos senegaleses detidos em Marrocos na sequência dos incidentes ocorridos na final.

Embora este caso esteja apenas a começar, o Senegal demonstra determinação e vigilância na defesa dos direitos da sua seleção. A batalha pela restituição do troféu está agora aberta, e o desfecho ainda está por escrever.

domingo, 15 de março de 2026

Fábrica de Braço de Prata exibe mostra de cinema saharaui no Cinalfama

 


O Cinalfama lança a partir de 18 de março, em Lisboa, um novo programa regular de cinema intitulado “Cinema Invisível”, dedicado a cinematografias raramente exibidas nos circuitos tradicionais. As sessões decorrem todas as quartas e quintas-feiras às 19h, na Fábrica do Braço de Prata, na Sala Visconti – em Marvila, Lisboa.

A iniciativa pretende dar visibilidade a obras e autores provenientes de contextos onde o cinema é produzido em condições frágeis ou fora das estruturas industriais habituais. O programa inclui filmes de arquivos esquecidos, produções amadoras e cinematografias ainda pouco conhecidas pelo público.

Segundo dados da UNESCO, grande parte do cinema produzido em várias regiões do mundo surge em contextos com poucos recursos, sem políticas públicas ou redes de distribuição estruturadas. O projeto procura precisamente criar um espaço regular para a exibição e discussão dessas obras.


Primeiro ciclo dedicado ao cinema saharaui

A estreia do programa será marcada por um ciclo dedicado ao cinema saharaui, organizado em colaboração com o FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Sahara Ocidental.

Esta cinematografia surgiu sobretudo nos campos de refugiados saharauis de Tindouf, no sudoeste da Argélia, onde vivem cerca de 180 mil refugiados desde 1975, após a retirada da Espanha do Sahara Ocidental e a subsequente ocupação do território por Marrocos.
Nos últimos anos, realizadores sa
harauis têm recorrido ao cinema para documentar a vida nos campos de refugiados, preservar a memória coletiva e dar visibilidade internacional à situação política do território.


Projeto cultural iniciado em Alfama

Criado em 2009 no bairro de Alfama, o Cinalfama começou por projetar filmes nas ruas e fachadas do bairro histórico de Lisboa. Com o tempo, o projeto evoluiu para um programa cultural mais amplo que inclui festival internacional, programação regular, residências artísticas e iniciativas de memória audiovisual ligadas à cidade.

Com o Cinema Invisível, a organização pretende reforçar a missão de usar o cinema como espaço de encontro, reflexão e descoberta de novas cinematografias.



Programa

18 de Março














19:00Toufa, de Brahim Chagaf – Sahara Ocidental - 2020 – 32’
Toufa recria os primórdios da chegada da população sa
haraui ao deserto árido da Hamada argelina. Esta curta-metragem retrata o sofrimento de três gerações de mulheres saharauis que, através do seu esforço e sacrifício, foram curando as feridas da guerra após a sua chegada ao território inóspito desta parte do sul da Argélia.













19:33Little Sahara, de Emilio Martín – Espanha - 2023 – 31’
Quem não conhece o Sahara acredita que no deserto existe apenas areia. Mas aqui há crianças que brincam, desenham e fazem filmes, tal como este documentário que conta a história da última colónia europeia em África, o Sahara Ocidental, e a de milhares de refugiados sa
harauis que vivem no exílio.



19 de Março


19:00Searching for Tirfas, de Lafdal Mohamed Salem – Sahara Ocidental – 2020 - 14’
Quando se nasce em campos de refugiados, cresce-se a sonhar que um dia se viverá na terra natal e, com o passar do tempo, esse sonho nunca deixa de o ser… Torna-se pai de família e, nesse momento, é preciso enfrentar a vida para alcançar a autonomia. Luta-se para concretizar os sonhos e ultrapassar os obstáculos do quotidiano; entre dois mundos, acaba-se por fazer aquilo que nunca se pensou vir a fazer.













19:15They're Just Fish, de Ana Serna e Paula Iglesias – Espanha e Sahara Ocidental - 2019 – 17’

Teslem, Dehba e Jadija trabalham numa piscicultura nos campos de refugiados saharauis. Onde? Na Argélia, no meio do deserto e longe da sua terra natal. Não há mar ali, mas há peixe.













19:33Running Home, de Michelle-Andrea Girouard – Canadá - 2019 – 30’
Inma (24) está determinada a vencer uma maratona no Deserto do Sahara. Mas as suas motivações vão muito além do desafio físico. Há alguns meses, encontrou documentos de adopção que revelavam o local de nascimento da sua mãe biológica: El Aaiún, Sahara Ocidental. Nunca tendo ouvido falar do país, decide treinar para uma maratona internacional que decorre nos campos de refugiados saaraui no Norte de África. É a oportunidade perfeita para conhecer uma história que nunca enfrentou enquanto crescia em Espanha.



25 de Março











19:00DESERT PHOSfate, de Mohamed Sleiman Labat – Sahara Ocidental - 2023 – 58’
DESERT PHOSfate é um filme experimental que entrelaça narrativas multilayer sobre o fosfato, partículas de areia, plantas, o deslocamento humano e mineral, bem como a perda dos modos de vida nómadas indígenas sa
harauis. O filme também destaca fortes expressões de resiliência comunitária através de jardins e da arte. Realizado por um artista saharaui, o filme procura descolonizar a sua metodologia de fazer cinema e contar histórias, baseando-se em elementos e narrativas da sua própria comunidade.



26 de Março













19:00Champs-Elysées, de Giussepe Carrieri – Sahara Ocidental – 2023 – 23’
Um rapaz sonha viajar pelo mundo, especialmente até Paris, onde vive o seu tio, mas um muro construído na sua terra divide o seu país e impede-o de viajar ou de atravessar para o outro lado da sua própria terra.













19:24Soukeina, 4400 Days of Night, de Laura Sipán – Espanha – 2017 – 28’
Após a ocupação militar do Sahara Ocidental em 1976, o governo marroquino atacou a população civil com forte repressão, forçando centenas de sa
harauis a “desaparecer” em prisões clandestinas. Uma morte invisível e lenta era o único horizonte. No entanto, alguns prisioneiros conseguiram sobreviver depois de sofrerem a sua própria “extinção” durante mais de 10 anos, arrancados às suas famílias, sujeitos a tortura e em total isolamento. Quando finalmente foram libertados, o mundo que conheciam tinha mudado radicalmente.













19:533 Stolen Cameras, Equipe Media, RåFILM – Sahara Ocidental – 2017 – 17’
Os membros do grupo de vídeo-activismo Equipe Media lutam para manter as suas câmaras. Utilizam-nas para documentar as violações dos direitos humanos cometidas pelo reino marroquino na última colónia de África. Não é permitida a entrada de jornalistas no Sahara Ocidental ocupado. As únicas imagens que conseguem sair do território são aquelas que a Equipe Media filma em segredo, escondendo-se em telhados e correndo riscos graves. Filmam manifestações pacíficas atacadas pela polícia e pelo exército, bem como ferimentos e testemunhos de vítimas de brutalidade policial. Esta é uma história sobre a quebra de uma censura absoluta, com imagens únicas de uma região onde as autoridades marroquinas conseguiram impor um bloqueio mediático quase total.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Manifestação em Lisboa e Porto denuncia guerra e pede autodeterminação para o Sahara Ocidental




Uma manifestação pela paz e contra a escalada militar internacional está marcada para 14 de março, às 15h00, em Lisboa e Porto, com destaque para a defesa do direito de autodeterminação do Sahara Ocidental.

A iniciativa, intitulada “Paz, Soberania e Solidariedade! Fim às ameaças e às agressões dos EUA!”, é promovida por dezenas de organizações cívicas e sindicais e pretende denunciar o agravamento das tensões internacionais e a corrida ao armamento.

Em Lisboa, os manifestantes concentram-se na Cidade Universitária (Cantina Velha), seguindo depois até Sete Rios. No Porto, a mobilização começa na Batalha e termina na Trindade.

Os organizadores afirmam que várias regiões do mundo enfrentam situações de conflito ou pressão internacional, citando, entre outros casos, a Palestina, Venezuela, Cuba, Irão e o Sahara Ocidental, território cuja autodeterminação continua por resolver no quadro do direito internacional.

Entre as principais reivindicações da manifestação estão o fim da escalada armamentista, a resolução política dos conflitos internacionais e o respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo o direito dos povos à autodeterminação.

Os promotores defendem ainda que os recursos públicos sejam canalizados para políticas sociais — como salários, pensões, serviços públicos e habitação — em vez de serem direcionados para o aumento das despesas militares.

A mobilização pretende, assim, afirmar a solidariedade com povos em conflito e reforçar a defesa da paz e do direito internacional, com particular atenção para a situação no Sahara Ocidental, um dos conflitos mais prolongados do Norte de África.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Com apoio de Israel, Marrocos lidera compras de armas em África

 


Marrocos tornou-se o maior importador de armamento em África nos últimos cinco anos, segundo o mais recente relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). Os dados indicam que Rabat ultrapassou a Argélia no volume de aquisições, num contexto de reforço da cooperação militar com Israel, que passou a ser o segundo maior fornecedor de armas ao país – quem o diz é o jornalista Ignacio Cembrero, em artigo no El Confidencial.

De acordo com o estudo citado pelo reputado jornalista especialista na região do Magrebe, os Estados Unidos continuam a ser o principal fornecedor de armamento a Marrocos, representando cerca de 60% das importações militares do país. Israel surge em segundo lugar, com 24%, ultrapassando a França, tradicional parceiro militar de Rabat, que desceu para 10%.

A intensificação das compras a Israel está ligada ao restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países em 2020, o que abriu caminho a uma cooperação mais estreita nas áreas militar e de segurança. Um exemplo dessa aproximação foi a assinatura de um contrato com a empresa Israel Aerospace Industries para a aquisição do sistema de defesa aérea Barak MX, avaliado em cerca de 500 milhões de dólares.
Segundo o SIPRI, as importações de armamento por Marrocos aumentaram 12% desde 2021. Ainda assim, representam apenas 1% do total mundial, colocando o país na 28.ª posição entre os maiores compradores de armas a nível global.


Argélia perde liderança, mas mantém forte orçamento militar

No mesmo período – refere o artigo do El Confidencial -, a Argélia, que no final da década passada era o principal importador africano de armamento, caiu para o segundo lugar no continente. As estimativas do SIPRI indicam que as suas compras diminuíram 78% nos últimos cinco anos, colocando o país na 33.ª posição mundial, com 0,9% das importações globais.

Os principais fornecedores de armas à Argélia são a Rússia (39%), seguida pela China (27%) e pela Alemanha (18%).

No entanto, o instituto sueco alerta para a opacidade das aquisições militares argelinas, sobretudo nas compras à Rússia. Vários relatórios não confirmados entre 2021 e 2025 sugerem que o volume real poderá ser superior ao estimado.

Especialistas do setor admitem que o verdadeiro nível das compras argelinas permanece incerto. Moscovo chegou mesmo a indicar que a Argélia é um dos seus principais clientes de armamento, embora sem divulgar valores detalhados.

Entre os equipamentos adquiridos estariam 14 caças furtivos Sukhoi Su-57, considerados entre os mais avançados do mundo, dos quais os dois primeiros já terão sido entregues à força aérea argelina.


Corrida armamentista no Magrebe

Apesar da queda nas importações, a Argélia continua a gastar mais em defesa do que Marrocos. O orçamento militar argelino para este ano é estimado entre 21 mil milhões e 25 mil milhões de dólares, enquanto o de Rabat deverá ficar abaixo dos 16 mil milhões.
Os dois países mantêm há décadas uma corrida armamentista, intensificada após a retirada de Espanha do Sa
hara Ocidental em 1975. A fronteira terrestre entre ambos permanece fechada desde 1994, e desde 2022 não existem relações diplomáticas nem voos civis regulares entre os dois Estados.


Israel reforça posição como exportador mundial

O aumento das vendas a Marrocos reflete também o crescimento da indústria militar israelita. Israel tornou-se no sétimo maior exportador de armas do mundo, com as suas vendas globais a aumentarem 4,4%, ultrapassando pela primeira vez as do Reino Unido – enfatiza Cembrero.

Segundo investigadores do SIPRI, a procura internacional por sistemas de defesa aérea – área em que a indústria israelita é particularmente forte – tem sido um dos principais motores deste crescimento.

segunda-feira, 9 de março de 2026

“Apelo à apresentação de contributos – Visita ao Marrocos da Relatora Especial da ONU sobre a tortura.”

 “Apelo à apresentação de contributos – Visita ao Marrocos da Relatora Especial da ONU sobre a tortura.”


Visita prevista entre 23 de março e 2 de abril de 2026.

Veja AQUI