sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mohamed VI – O Mistério: Anatomia de um Reinado Opaco




Em «Mohamed VI – Le mystère» (Editions Flammarion), Thierry Oberlé conduz uma investigação densa e sensível sobre um dos monarcas mais enigmáticos do mundo contemporâneo. Ao longo de trinta anos de observações, entrevistas e trabalho de terreno, o jornalista revela uma figura paradoxal: um rei moderno na imagem, mas herdeiro de um poder absoluto moldado por séculos de monarquia xerifiana. A obra é simultaneamente retrato íntimo, mergulho político e narrativa da transformação ambígua de Marrocos.


Um soberano discreto, esquivo e omnipresente

Mohamed VI é descrito como um rei misterioso, praticamente silencioso do ponto de vista mediático. Não concede entrevistas, não improvisa e mantém-se à margem do debate político. A sua autoridade assenta mais na sacralidade, na simbologia monárquica, na herança religiosa e na encenação do poder do que na expressão pública.

O livro retrata um monarca pouco à vontade com o exercício quotidiano do poder, preferindo delegar nos seus conselheiros históricos (El Himma, Majidi, Mansouri), embora conservando a decisão final. Esta delegação informal gera um sistema profundamente opaco, no qual o círculo real detém os verdadeiros instrumentos de poder do Estado.


Um rei fisicamente fragilizado, mas ainda no centro do jogo

A saúde do soberano constitui um dos fios condutores do livro: intervenções cirúrgicas, perda de peso acentuada, ausências prolongadas no estrangeiro, aparições públicas espaçadas… A obra documenta a fragilidade de um rei envelhecido e as precauções extremas adotadas pelo Palácio para ocultar o estado real do monarca.

Essa fragilidade confere particular destaque à crescente visibilidade de Moulay Hassan, príncipe herdeiro já amplamente exposto na cena pública, apresentado como garantia da continuidade monárquica.


Herança de Hassan II: autoridade, violência, fausto e razão de Estado

Oberlé dedica uma parte substancial do livro a enquadrar Mohamed VI na continuidade do legado do seu pai, Hassan II:

    • um poder sacralizado;

    • um sistema policial tentacular;

    • os “anos de chumbo”: repressão, desaparecimentos, tortura;

    • o caso Ben Barka, analisado nas suas dimensões visíveis e subterrâneas;

    • a reafirmação do controlo sobre o Sahara Ocidental;

    • a construção de uma monarquia omnipresente na economia.

Esta genealogia ajuda a compreender as zonas de sombra do reinado atual: a centralidade do Palácio, a opacidade orçamental, a persistência de uma justiça politizada e a dificuldade em promover reformas estruturais profundas do Estado.


Reformas, modernização… e bloqueios estruturais

Os primeiros anos do reinado abriram-se com gestos marcantes:

  • regresso de exilados políticos (Serfaty, família Ben Barka);
  • criação da Instância Equidade e Reconciliação;
  • revisão da Moudawana (Código da Família) em 2004, considerada um avanço histórico;
  • grandes projetos de infraestruturas (TGV, autoestradas, Tanger Med).


Estes progressos alimentaram a imagem de um reino em transformação.

Contudo, Oberlé evidencia também os limites profundos dessas reformas:

  • ausência de uma separação real de poderes;
  • reconfiguração do Makhzen sob novas formas;
  • corrupção endémica;
  • imprensa amordaçada e criminalização de vozes críticas;
  • instrumentalização da justiça, nomeadamente através de processos de natureza sexual.

Marrocos modernizou-se, mas sem entrar na lógica democrática prometida no início do reinado.


O Sahara Ocidental: a obsessão diplomática

O livro sublinha como o Sahara se tornou o dossiê existencial do rei, no centro de toda a sua política externa. Marrocos investe massivamente nas chamadas «Províncias do Sul», mobiliza a sua rede diplomática e utiliza a imigração, a economia e o comércio como instrumentos de pressão, inclusive junto da Europa.

A evolução das posições norte-americana e europeia no sentido do reconhecimento do plano de autonomia é descrita como uma vitória diplomática maior para Mohamed VI.


Primavera Árabe, islamistas e controlo social

Perante o movimento de 20 de Fevereiro em 2011, Mohamed VI demonstrou uma notável capacidade de gestão política: promoveu rapidamente uma reforma constitucional, canalizou as aspirações democráticas e integrou de forma controlada o Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD) no poder — antes de assistir à sua progressiva eliminação eleitoral.

Segundo a análise apresentada:

  • o islamismo político é enquadrado, mas não erradicado;
  • a sociedade mantém-se conservadora;
  • a organização Justiça e Espiritualidade (Al Adl Wal Ihsane) continua a ser um ator discreto, mas influente.


O Rif: a fratura territorial

A revolta do Rif constitui, para Oberlé, a ferida mais profunda do reinado. A revolta das populações de Al Hoceïma, a repressão, as pesadas condenações judiciais, o caso de Nasser Zefzafi — tudo isso revela um mal-estar estrutural entre o poder central e uma região historicamente marginalizada.

Este episódio simboliza a rutura entre a imagem reformista do início do reinado e a realidade autoritária do sistema.


Vida privada, divórcio e desaparecimento da princesa Lalla Salma

O livro revela, com prudência mas também com precisão, os bastidores de um acontecimento marcante:

    • a separação silenciosa do casal real;

    • o desaparecimento total de Lalla Salma da cena pública;

    • o controlo rigoroso da sua nova vida;

    • a gestão, pelo Palácio, de uma crise mediática sem precedentes.

Lalla Salma, que simbolizava um Marrocos moderno, desaparece tanto por decisão política como por imperativos protocolares — um momento-chave na narrativa construída pela obra.


O « rei errante »: viagens, luxo e redes de influência

Outro grande paradoxo retratado por Thierry Oberlé é o de um rei discreto, mas altamente móvel, frequentemente ausente de Marrocos, dividindo o seu tempo entre Paris, Gabão, Seychelles, Dubai ou Tânger.

O autor explora:

    • o gosto do monarca pelo luxo internacional;

    • o vasto património imobiliário;

    • os iates e residências exclusivas;

    • a prática de um «governo à distância»;

    • e as consequências dessas ausências para a governação do país.

Para alguns observadores, estas deslocações funcionam como válvula de escape pessoal; para outros, são interpretadas como sinal de distanciamento político.


Irmãos e redes de influência: o caso Azaitar

A entrada em cena dos irmãos Azaitar, lutadores de MMA (Artes Marciais Mistas) próximos do rei, simboliza, segundo o livro, uma deriva do sistema: o acesso de perfis informais e controversos ao círculo real. O episódio ilustra um funcionamento do poder marcado por relações pessoais e imprevisibilidade, capaz de promover rapidamente determinadas figuras e, com igual rapidez, afastá-las, conforme o humor do soberano ou a agenda do Palácio.


Conclusão: um reinado contrastado, uma monarquia intacta


Thierry Oberlé traça um balanço matizado:

  • modernização real, mas inacabada;
  • abertura controlada seguida de um endurecimento autoritário;
  • dinamismo económico contrastando com desigualdades sociais persistentes;
  • prestígio internacional, mas recuo diplomático fora da questão do Sahara;
  • monarquia poderosa, encarnada por um rei fragilizado e frequentemente ausente.


O «mistério Mohamed VI» reside precisamente nessa tensão: um monarca entre modernidade proclamada e arcaísmo político, entre liberdade pessoal e opacidade institucional, entre popularidade efetiva e contestação profunda.

Um livro essencial para compreender o Marrocos contemporâneo e os bastidores de um reinado singular. (in Maghreb Online)


O autor: Thierry Oberlé 

Thierry Oberlé é um jornalista francês especializado em política internacional e geopolítica do Magrebe e do Médio Oriente.

É repórter sénior do jornal Le Figaro, onde acompanhou durante décadas temas ligados a Marrocos, Argélia, Tunísia e ao mundo árabe em geral. Ao longo da sua carreira realizou inúmeras reportagens de terreno, entrevistas com líderes políticos e cobertura de crises regionais.

É autor do livro «Mohammed VI – Le mystère», uma investigação aprofundada sobre o rei de Marrocos, baseada em cerca de 30 anos de observação e fontes diplomáticas, políticas e institucionais. A obra analisa tanto a dimensão pessoal do monarca como os bastidores do sistema de poder marroquino.

Oberlé é reconhecido pelo acesso privilegiado a fontes no Magrebe e pela abordagem detalhada às dinâmicas internas do regime marroquino.


Marrocos: figura do movimento GenZ 212 France detida em Marraquexe

 

Zineb Kharroubi

Uma das principais figuras do movimento GenZ 212 France, Zineb Kharroubi, foi detida à chegada a Marraquexe, acusada de «incitação à participação numa manifestação não autorizada através das publicações que partilhou nas redes sociais». A informação é avançada pelo Le Monde Afrique, que descreve uma vaga de repressão sem precedentes contra jovens manifestantes da geração Z no reino.

Segundo o jornal francês, a detenção ocorreu na tarde de 12 de fevereiro, no Aeroporto Internacional de Marraquexe-Ménara, quando a ativista, de 28 anos, se deslocava a Marrocos por motivos familiares. Figura destacada do movimento formado pela diáspora marroquina em França, Kharroubi foi transferida para as instalações da polícia judiciária de Casablanca e apresentada ao procurador do rei no tribunal da cidade no dia seguinte, 13 de fevereiro.


De acordo com o Ministério Público, citam os jornalistas Simon Roger e Célia Cuordifede, a jovem está a ser processada por incitamento à participação em manifestação não autorizada. Após a primeira audiência, foi libertada, ficando a aguardar nova comparência em tribunal marcada para 26 de fevereiro.


«Cerca de 5.700 pessoas detidas...»


Vários advogados de Marraquexe e Casablanca procuraram assegurar a sua defesa, mas foram impedidos de a assistir devido à greve que a classe mantém há várias semanas. «Se nenhum advogado suspender a greve, ela terá de continuar a responder perante o procurador sem assistência jurídica», afirmou ao Le Monde l um membro da Association marocaine des droits humains (AMDH).



Movimento ativo apesar da repressão

Embora não se realizem manifestações do GenZ 212 desde meados de dezembro, as autoridades não terão abrandado a repressão. O coletivo, criado no outono de 2025, mobiliza cerca de 400 membros em França, maioritariamente na região parisiense, e utiliza a plataforma Discord para organizar as suas ações.

A primeira manifestação promovida pelo grupo, a 4 de outubro, reuniu aproximadamente 800 pessoas na Praça do Trocadéro, em Paris. Desde então, multiplicaram-se assembleias gerais, debates públicos e eventos de solidariedade, nomeadamente em apoio aos jovens detidos na sequência da vaga de arrestos associados ao surgimento do movimento.




Segundo Hakim Sikouk, presidente da AMDH em Rabat, citado pelo Le Monde, cerca de 5.700 pessoas foram detidas. Destas, 2.480 foram julgadas e condenadas a multas ou penas curtas de prisão — muitas já cumpridas em regime de detenção preventiva — enquanto 2.100 permanecem encarceradas, com penas entre um mês e 15 anos. Algumas centenas aguardam ainda julgamento em primeira instância.

Fonte: Le Monde Afrique, por Simon Roger e Célia Cuordifede, 13 de fevereiro de 2026.

Sahara Ocidental num Encruzilhada Estratégica



Um artigo publicado pela African Security Analysis (ASA)


À medida que Marrocos falha na apresentação de um plano de autonomia credível, Washington poderá impor um quadro de autodeterminação moldado pelos EUA


Resumo Executivo

O dossier do Sahara Ocidental está a entrar numa fase decisiva. À medida que o enviado especial norte-americano Massad Boulos conduz consultas de alto nível em todo o Norte de África, o crescente foco de Washington nos minerais críticos e nas cadeias de abastecimento estratégicas está a reformular o seu cálculo político. Quase duas décadas após Marrocos ter apresentado a sua iniciativa de autonomia, em 2007, a ausência de um quadro concreto e operacional tornou-se cada vez mais difícil de ignorar — sobretudo para uma administração orientada por resultados transacionais, mais do que por diplomacia processual.

Este contexto em evolução levanta uma possibilidade credível: os Estados Unidos poderão ir além do apoio retórico ao conceito de autonomia defendido por Marrocos e avançar para a promoção de um modelo substantivo de autodeterminação alinhado com os interesses estratégicos norte-americanos — um modelo que poderia convergir, paradoxalmente, com as exigências históricas argelinas e saharauis de uma autonomia genuína.


A Proposta Marroquina de Autonomia: Um Conceito sem Arquitetura

A “Iniciativa para a Negociação de um Estatuto de Autonomia”, apresentada por Marrocos em 2007, tem sido amplamente descrita como “séria, credível e realista”. No entanto, quase 20 anos depois, não foi produzida qualquer arquitetura jurídica, institucional ou fiscal detalhada que permita a sua operacionalização.

A proposta original continua a ser uma lista de princípios gerais, carecendo de:

  • poderes legislativos ou executivos claramente definidos;

  • soberania fiscal ou autoridade orçamental independente;

  • controlo sobre os recursos naturais;

  • garantias executórias de implementação.

Esta ambiguidade estratégica serviu Rabat no plano diplomático, permitindo que parceiros internacionais apoiassem a ideia de autonomia sem confrontarem a sua ausência prática. Contudo, para uma administração que privilegia resultados concretos e acordos executáveis, a falta de progressos tangíveis torna-se cada vez mais insustentável.

Além disso, o próprio modelo de governação marroquino fragiliza a credibilidade da proposta. A chamada “regionalização avançada”, consagrada na Constituição de 2011, não se traduziu numa descentralização significativa. Nenhuma região marroquina exerce controlo soberano sobre recursos estratégicos, tributação ou legislação — o que levanta dúvidas legítimas sobre a possibilidade de o Sahara Ocidental vir a ser tratado de forma diferente, sem criar precedentes potencialmente desestabilizadores dentro do próprio Reino.



A Lente Transacional de Trump: Porque o Status Quo Está a Perder Valor

Ao contrário de anteriores administrações norte-americanas, que toleraram o incrementalismo diplomático, a administração Trump encara os diferendos geopolíticos através de um quadro transacional: os problemas devem ser resolvidos, não geridos indefinidamente.

O conflito do Sahara Ocidental enquadra-se plenamente nesta lógica. Indicações anteriores de que Washington pretendia alcançar um avanço rápido — outrora enquadrado publicamente num horizonte de 60 dias — não resultaram em quaisquer concessões concretas por parte de Marrocos. Em paralelo, as prioridades estratégicas dos EUA deslocaram-se de forma acentuada para a garantia de acesso a minerais críticos essenciais para a defesa, a tecnologia e a transição energética.

Ações recentes dos Estados Unidos sublinham esta mudança:

  • investimento federal direto no processamento de terras raras;

  • parcerias estratégicas para contrariar a hegemonia chinesa;

  • reposicionamento agressivo em territórios ricos em recursos naturais.

Neste contexto, o potencial mineral do Sahara Ocidental adquire uma importância acrescida.


Perfil Estratégico de Recursos do Sahara Ocidental

Para além das conhecidas reservas de fosfatos de Bou Craa — das maiores a nível mundial e essenciais para a segurança alimentar — o território apresenta um potencial significativo ainda por explorar em:

  • terras raras;

  • minério de ferro;

  • titânio e vanádio;

  • zircónio;

  • e possivelmente urânio.

Estudos geológicos identificaram concentrações invulgarmente elevadas de minerais estratégicos, posicionando o Sahara Ocidental como um potencial elo crítico nas futuras cadeias de abastecimento não dependentes da China.

Para Washington, a contínua ambiguidade jurídica quanto à soberania e ao controlo dos recursos é incompatível com investimentos de grande escala e de longo prazo. O atual conceito de autonomia marroquino, desprovido de garantias executórias e de soberania efetiva sobre os recursos, não oferece a segurança jurídica exigida pelo capital estratégico norte-americano.


Rumo a uma “Terceira Via”: Autonomia Imposta através da Autodeterminação

Um número crescente de análises sugere que os Estados Unidos poderão, eventualmente, contornar a proposta marroquina — atualmente bloqueada — e avançar com o seu próprio enquadramento, impondo uma forma de autonomia suficientemente robusta para salvaguardar os interesses norte-americanos, ao mesmo tempo que respeita os padrões do direito internacional.

Tal enquadramento poderá incluir:

  • soberania efetiva sobre os recursos naturais por parte da entidade saharaui, em conformidade com o direito internacional e decisões judiciais relevantes;

  • capacidade económica e comercial independente, permitindo parcerias diretas e joint ventures;

  • garantias internacionais, potencialmente sob supervisão da ONU ou dos EUA, para assegurar a implementação;

  • instituições legislativas e judiciais próprias, permitindo uma autogovernação genuína.

Este modelo representaria um afastamento claro da narrativa marroquina de descentralização administrativa, aproximando-se mais do direito do povo saharaui à autodeterminação.

Importa notar que já foram sinalizados financiamentos significativos de desenvolvimento por parte dos EUA para a região, nomeadamente nos sectores das energias renováveis e dos minerais críticos — investimentos que exigem precisamente o tipo de clareza jurídica que Marrocos não conseguiu proporcionar.


Argélia: O Ator Indispensável

A priorização de Argel no recente envolvimento diplomático dos Estados Unidos não é simbólica nem circunstancial. Washington reconhece cada vez mais que nenhuma solução duradoura será possível sem o consentimento e a participação da Argélia.

O apoio consistente de Argel à autodeterminação saharaui — durante anos descrito por críticos como obstrucionista — surge agora como uma postura estratégica coerente, enraizada nos princípios da descolonização. Do ponto de vista norte-americano, a Argélia representa igualmente:

  • uma potência regional estável;

  • um parceiro económico e energético credível;

  • e uma porta de entrada para uma maior estabilidade no Norte de África e no Sahel.

Qualquer solução imposta que ignore a Argélia carecerá de capacidade de execução; qualquer acordo moldado com a sua participação terá maiores probabilidades de ser duradouro.


Implicações para a Frente Polisario e a População Saharaui

Para a Frente Polisario e para a população saharaui refugiada, o crescente pragmatismo norte-americano poderá representar um ponto de viragem há muito aguardado. A Polisario tem demonstrado abertura condicional a uma solução de autonomia — desde que sujeita a referendo e que garanta uma autodeterminação efetiva.

Esta flexibilidade contrasta com a rejeição persistente de Marrocos a qualquer consulta que inclua a independência como opção. Do ponto de vista estratégico, esta assimetria tende a fragilizar a posição de Rabat num ambiente negocial orientado para resultados concretos.


Perspetiva Estratégica

A questão do Sahara Ocidental deixou de ser apenas um diferendo herdado do processo de descolonização. Transformou-se num dossiê estratégico ligado a recursos naturais e modelos de governação, cruzando-se com a competição entre grandes potências, a segurança das cadeias de abastecimento e a estabilidade regional.

Para os Estados Unidos, a margem de escolha está a estreitar-se:

  • manter um quadro simbólico de autonomia que não garante nem paz nem acesso estratégico;

  • ou impor uma solução substantiva que reconfigure o equilíbrio regional, ao mesmo tempo que assegura os interesses norte-americanos.

Caso Washington opte pela segunda via, a História poderá registar que uma administração norte-americana de natureza transacional — motivada por minerais mais do que por princípios normativos — acabou por promover, de forma mais decisiva do que décadas de diplomacia convencional, os princípios do direito internacional e da autodeterminação genuína.

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Nota: 

O artigo publicado pela African Security Analysis (ASA) contribui para enquadrar o “terreno em que nos movemos” relativamente ao dossiê do Sahara Ocidental na era Trump, oferecendo uma leitura estratégica das dinâmicas políticas e diplomáticas em curso. Trata-se de uma entidade com credibilidade na área da análise de risco e segurança, cujas avaliações e projeções merecem ser consideradas no debate.

A African Security Analysis é uma empresa privada com base administrativa na Suécia, sendo sueca a sua nacionalidade jurídica e sede corporativa. Contudo, a organização desenvolve atividade operacional em vários países africanos — como a Costa do Marfim, a República Democrática do Congo ou o Gabão — o que reflete o seu foco especializado na realidade política, económica e securitária do continente.

A ASA presta serviços de análise de risco, inteligência estratégica e consultoria em segurança a clientes públicos, privados e governamentais. O seu trabalho centra-se na antecipação de ameaças e na avaliação de mudanças no contexto africano, apoiando decisões de investimento, planeamento operacional e proteção de ativos e pessoas.




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Bar El Kentaoui: «Saio com as minhas convicções ainda mais reforçadas»



Dez anos após a sua detenção, o membro dos «Companheiros de El El Ouali» quebra o silêncio na sua primeira entrevista após deixar as prisões marroquinas.


Por Héctor Bujari Santorum | 10/02/2026 | Periodismo Alternativo


Bar El Kentaoui, cidadão saharaui de 34 anos, foi libertado após cumprir uma pena de dez anos em prisões marroquinas. Estudante de geografia na Universidade Cadi Ayyad de Marraquexe, El Kentaoui foi detido em 2016 e permaneceu preso juntamente com um grupo de doze estudantes conhecido como os «Companheiros do Mártir El Ouali».

Enquanto alguns membros do grupo foram libertados após três anos, El Bar e outros receberam penas de dez anos de prisão.


Nasceu em 1992 e foi preso aos 24 anos. Que momento o levou a se comprometer com a atividade política do povo saharaui?

Comecei em 2005, com a Intifada de 2005.


Como viveu essa Intifada?

Bem, comecei no início dos anos 2000, nas manifestações saharauis. Eram pacíficas e, acima de tudo, protestos sociais. Tendo em conta a resposta do regime marroquino — uma resposta violenta, a repressão violenta que sofremos a partir de 2005 —, comecei a ter essa consciência de luta contra o regime marroquino, em vez de assumir uma posição mais dialogante. Então começou a repressão... Essa repressão e as suas consequências influenciaram muito o meu ativismo.


Vocês, os companheiros de El Ouali, foram julgados em 2016. Como viveram esse processo, desde o julgamento farsa a que foram submetidos naquele ano?

Refere-se a como vivi a detenção ou a como vivi tudo o que antecedeu o julgamento?


Eu estava a referir-me ao julgamento, mas se quiser falar sobre tudo, tudo bem.

Fui detido em 24 de janeiro de 2016 e fiquei dois anos à espera do julgamento. Sofri torturas e todo o tipo de situações contra a minha integridade física. Obrigaram-me a assinar uma confissão falsa, uma confissão sobre coisas que eu não tinha feito, e esse documento foi apresentado no julgamento como prova contra mim.

Quando cheguei lá, percebi que tudo estava preparado, que eu não tinha possibilidade de me defender. Os juízes basearam-se nessa confissão obtida sob tortura para me julgar e condenar. Mesmo a lei marroquina, de acordo com alguns artigos que poderiam ser exculpatórios, não foi utilizada. Eles aplicaram o mais severo da sua lei com base nessa confissão, sem levar em conta as provas a meu favor que me ilibavam. Tudo foi uma encenação para me condenar a dez anos de prisão.


Sobre a tortura a que foi submetido, o que lhe faziam? Foi apenas durante esses dois anos ou continuou depois, já na prisão?

Quando tudo acabou e entramos na prisão, começámos a viver uma situação diferente de tortura, ao nível da discriminação, tanto pela nossa condição de saharauis como pela nossa condição de defensores da causa. Começaram as discriminações: privaram-nos de certas coisas, como visitas familiares, e enviaram-nos para zonas de Marrocos muito distantes das nossas zonas de residência para dificultar as visitas das nossas famílias.

Fizemos greves de fome; alguns companheiros estiveram à beira da morte durante o período da greve. A tortura física e psicológica na prisão piorou depois disso.


Durante as suas greves de fome, qual foi a duração mais longa que atingiu? Qual foi a reação concreta das autoridades penitenciárias: negociação, isolamento ou alimentação forçada?

Começámos as greves de fome pouco depois do fim do julgamento, pouco tempo depois de entrarmos na prisão. As autoridades tentaram minar-nos psicologicamente, tentaram esmagar-nos para que abandonássemos a greve. Colocavam-nos em celas de isolamento durante dias e dias para tentar desmoralizar-nos.

Diziam-nos que as nossas greves não serviriam para nada, que só iríamos acabar com as nossas vidas. Recusavam as visitas dos nossos familiares ou iam falar com as nossas famílias para tentar que elas interviessem e nos fizessem acabar as greves de fome. Usavam as nossas famílias como forma de pressão para tentar que parássemos as greves.


Com que frequência podiam receber visitas de familiares ou advogados? Recusaram-vos muitas vezes as visitas ou os cuidados médicos?

As visitas eram uma vez por semana, durante quinze minutos, quando permitiam.


Tinha acesso a notícias do exterior ou só podia ficar a saber durante esses quinze minutos?

Proibiram-nos os telefones, sobretudo nos períodos de greve. Quando a família vinha visitar-nos, havia sempre um polícia por perto durante esses quinze minutos, a vigiar a conversa. Basicamente, censuravam o pouco que era possível comunicar.


Ficou sabendo na prisão da mudança de postura do governo espanhol em relação ao Sahara Ocidental?

Bem, a posição do Governo espanhol encorajou os marroquinos. Quando souberam disso, acreditaram que era um avanço muito importante a favor do seu expansionismo no Sahara. Notei uma espécie de alegria desmedida por parte das autoridades e de alguns presos; não compreendi bem e fiquei muito triste.


Sentiu alguma mudança concreta nas suas condições após as campanhas de organizações como a Amnistia Internacional ou após as resoluções do Parlamento Europeu sobre o seu caso?

Sempre que era publicada uma resolução ou um relatório de uma organização de direitos humanos, a administração prisional marroquina rejeitava essas acusações e apresentava-as como se fossem uma conspiração contra Marrocos, a propaganda que já conhecemos. Na prática, isso não influenciava a melhoria das condições, muito menos.


Agora que saiu da prisão, a sua libertação foi condicional ou definitiva? Existem restrições específicas — como proibição de viajar ou a obrigação de assinar periodicamente — que deve cumprir?

Desde que saí da prisão, uma das coisas que aconteceu desde a recepção que me fizeram foi que as autoridades marroquinas iniciaram uma campanha de pressão contra a minha família. Militarizaram a minha casa e cercaram-na; passaram vários dias vigiando e conversando com as pessoas que apareciam nos vídeos a receber-me, que eram principalmente familiares. Disseram que não concordavam com essa recepção e ameaçaram aqueles que apareciam nos vídeos.

Além disso, neste momento não tenho documentação: não tenho bilhete de identidade nem passaporte. Fiz um pedido para os obter e, até agora, não obtive resposta. Provavelmente vão dificultar-me a obtenção do bilhete de identidade e do passaporte. Acho que tudo isso vai ser muito complicado no futuro; vão colocar-me obstáculos para obter um passaporte e legalizar a minha situação. Até agora não me responderam.


Como era a solidariedade entre os presos políticos saharauis e como vocês conseguiam apoiar-se mutuamente, apesar da distância?

Sim, havia essa solidariedade e companheirismo entre nós. Tanto o grupo de El Ouali como o grupo de Gdeim Izik, dentro do pouco espaço que tínhamos, tentávamos ajudar-nos moralmente para manter o ânimo elevado. Tentávamos manter-nos em contacto entre nós e apoiar-nos uns aos outros dentro das nossas possibilidades.


Além dos guardas, havia outros prisioneiros usados para vigiar-vos ou pressionar-vos? E também se sentiam muito vigiados durante a estadia na prisão?

Sim, isso era o pão nosso de cada dia. Usavam outros prisioneiros marroquinos para tentar desmoralizar-nos, desrespeitar-nos e intimidar-nos com linguagem ofensiva.

Também os usavam para nos espionar: quando tínhamos algum exame ou se tivéssemos que escrever algo, eles queriam saber quem escrevia e o que escrevíamos.

Também durante as visitas familiares, eram sempre os mesmos presos que usavam para nos vigiar e ameaçar. Um deles chegou a me ameaçar diretamente.


Como está a sua saúde após estes dez anos?

Como consequência das greves de fome que tive de fazer, tenho dores nos rins e no estômago, bem como problemas respiratórios. Até hoje continuo a sofrer estas sequelas como consequência dessas greves de fome.


Após dez anos isolado, como vê a situação atual da luta do povo saharaui?

A situação em que nos encontramos agora é uma situação crucial para a luta, após todas as mudanças geopolíticas que ocorreram. Mas acredito que tudo isso não terá impacto na luta do povo saharaui. Pessoalmente, saí da prisão com as minhas convicções ainda mais reforçadas e acredito que a luta vai continuar. Apesar de quaisquer questões políticas ou fatores que possam ser considerados prejudiciais à causa, esta causa já existe há muitos anos e é uma luta de gerações.


Ou seja, voltarias a ter o mesmo ativismo, sabendo o que aconteceu depois e a condenação que cumpriste?

Sim, sim. Nada mudou.


Tem alguma mensagem que queira transmitir ao povo saharaui?

As melhores horas da noite são as que antecedem o amanhecer. Ao amanhecer, tudo ficará claro. A minha mensagem ao povo é uma mensagem de luta e perseverança. O melhor trunfo do povo saharaui tem sido a sua paciência. Essa paciência não vai acabar enquanto existir a ideia de lutar pela nossa causa, pela justiça e pelo que é nosso.

Temos de confiar no nosso exército e nas nossas possibilidades. Embora pareça que o mundo está contra nós, a solução para a causa saharaui não está nas mãos de ninguém alheio à causa; está nas mãos do povo saharaui e da nossa perseverança.


Tem planos para continuar com o ativismo após esta libertação?

Sim. De momento, como acabei de sair, estou a pensar em muitas coisas, mas é claro que tenho planos para continuar na luta, como antes de estar na prisão. Agora estou numa situação de «reinício».


Como têm sido estes dias desde a libertação?

Bem, depois de dez anos, encontrei muitas mudanças: crianças que cresceram, pessoas que já não estão... Houve mudanças a nível familiar. Neste momento, preciso de tempo para me adaptar a essas mudanças familiares; dez anos não são fáceis. Estou a tentar adaptar-me e, acima de tudo, acreditar que já estou livre.


Pode deixar uma mensagem para os presos políticos que permanecem nas prisões marroquinas? Que palavras poderia dirigir-lhes?

A primeira coisa que me vem à cabeça é a situação em que se encontram esses presos. Peço às associações de direitos humanos que intervenham, se não para os libertar — o que seria justo —, pelo menos para melhorar a sua situação dentro das prisões e para que não continuem a sofrer essas pressões e torturas, esse racismo que os saharauis sofrem nas prisões marroquinas. Aliviar esse sofrimento.


Para terminar, deixo-lhe um espaço, El Kentaoui, para que faça alguma reflexão ou envie uma mensagem para aqueles que nos ouvem.

A minha mensagem é de gratidão para todos aqueles que fizeram algo pelos presos políticos saharauis: aqueles que trabalharam a nível dos direitos humanos, a nível do jornalismo, qualquer pessoa que se tenha dedicado a divulgar e dar visibilidade à causa dos presos políticos.

Aos que estiveram comigo desde o momento da detenção e fizeram algo, por menor que seja, pela causa e pela causa dos presos em geral, quero agradecer. Que continuem com esse ativismo e esse trabalho pelos presos, por aqueles que continuam nas prisões. Para mim é muito importante, porque eu vivi tudo isso.


Brasil doa 120 mil US dólares ao Programa Alimentar Mundial para ajuda aos refugiados saharauis na Argélia

Foto © WFP/PAM

A contribuição destina-se a responder às necessidades alimentares urgentes nos campos de refugiados saharauis, junto a Tindouf, onde mais de 80% da população depende exclusivamente de ajuda humanitária para sobreviver no deserto do Sahara.

O Programa Alimentar Mundial (PAM/WFP) anunciou uma contribuição de 120 mil dólares do Governo do Brasil, destinada a apoiar as populações mais vulneráveis nos campos de refugiados saharauis localizados na Argélia.
Segundo o PAM, cinco campos situados nas proximidades de Tindouf, no sudoeste argelino, acolhem estas populações desde 1975, em condições extremamente difíceis no deserto do Sahara.
Em parceria com a Cruz Vermelha Argelina, a agência das Nações Unidas distribui mensalmente rações alimentares ajustadas às necessidades nutricionais da população.
O PAM tem igualmente reforçado programas de combate à desnutrição, incluindo iniciativas de Mudança Social e Comportamental (SBC, na sigla em inglês), com o objetivo de reduzir a desnutrição infantil, apoiar mulheres grávidas e promover melhores práticas alimentares nos campos.

22 mil toneladas de alimentos distribuídas em 2025
A representante e diretora do PAM na Argélia, Aline Rumonge, agradeceu ao Brasil pelo apoio, sublinhando que a contribuição é essencial para manter as operações. “Esta contribuição oportuna assegura os recursos críticos necessários para sustentar a assistência alimentar e otimizar as nossas operações nos campos”, afirmou.
Em 2025, o PAM distribuiu mais de 22 mil toneladas de alimentos a cerca de 133 mil beneficiários nos campos saharauis. O apoio incluiu ainda 8.600 mulheres grávidas e lactantes, que receberam transferências mensais em dinheiro para melhorar a diversidade alimentar e reduzir casos de anemia.
Além disso, foram distribuídos alimentos nutricionais especializados para prevenir e tratar a malnutrição aguda moderada em cerca de 15 mil crianças com menos de cinco anos.

Brasil reafirma compromisso
O embaixador do Brasil na Argélia, Marcos Pinta Gama, afirmou que o país continuará a apoiar os refugiados saharauis em Tindouf, através de contribuições financeiras e doações em espécie, incluindo com o envolvimento do setor privado. O diplomata sublinhou que o Brasil mantém solidariedade para com estas populações, que vivem há décadas em condições adversas.
Segundo o comunicado, o PAM na Argélia pretende reforçar a colaboração com doadores governamentais tradicionais e emergentes. A agência das Nações Unidas apoia os refugiados saharauis no país desde 1986.
O PAM acrescenta que as suas operações são realizadas e monitorizadas em coordenação com organizações nacionais e internacionais, garantindo que a assistência alimentar chega às populações mais necessitadas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Negociações lideradas pelos EUA relançam diplomacia sobre o Sahara Ocidental, mas impasses mantêm-se

 

Em cima: Mike Walz e Massad Boulos (EUA) e Staffan de Mistura (ONU).

Em baixo: Ahmed Attaf (MNE da Argélia), Mohamed Ould Merzoug (MNE da Mauritania), Nasser Bourita (MNE de Marrocos) e Mohamed Beisat (representante da POLISARIO)

As negociações sobre o futuro do Sahara Ocidental ganharam novo impulso com a retoma de conversações diretas em Madrid, sob liderança dos Estados Unidos, embora persistam divergências profundas entre as partes envolvidas. A análise é do International Crisis Group, num texto assinado pelo especialista Riccardo Fabiani. Eis um resumo do seu artigo.

Nos dias 8 e 9 de fevereiro, delegações ministeriais de Marrocos, Argélia, Mauritânia e da Frente Polisario reuniram-se na embaixada norte-americana em Madrid, no primeiro encontro deste nível desde 2019. A reunião marcou também o primeiro contacto público entre responsáveis marroquinos e argelinos desde o corte de relações diplomáticas entre os dois países, em 2021.

s conversações foram presididas pelo conselheiro sénior dos EUA para os assuntos árabes e africanos, Massad Boulos, e pelo embaixador norte-americano junto das Nações Unidas, Mike Waltz, com a presença do enviado pessoal do secretário-geral da ONU para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura. Apesar da coorganização formal das Nações Unidas, Washington assumiu um papel central, relegando a ONU para uma posição secundária, numa tentativa aparente de acelerar o processo político.

O encontro introduziu mudanças relevantes face a rondas anteriores. Pela primeira vez, Argélia e Mauritânia participaram como partes plenas, abandonando o estatuto de meros “observadores regionais”. Além disso, Marrocos apresentou uma versão revista do seu plano de autonomia para o território, agora com cerca de 40 páginas, substituindo a proposta sucinta apresentada em 2007.

Apesar do simbolismo político, os resultados concretos permanecem incertos. Rabat afirma que o seu plano de autonomia foi aceite como única base de trabalho, mas fontes argelinas e da Polisario contestam essa leitura, defendendo que não houve acordo formal e que continuam em cima da mesa soluções que incluem um período de autonomia transitória seguido de um referendo de autodeterminação, com a independência como opção.

Também não ficou claro se foi aprovada a criação de um comité técnico conjunto para preparar um eventual acordo-quadro a discutir numa nova ronda prevista para maio. Algumas fontes indicam que a ideia foi discutida, mas sem decisão formal.

Ainda assim, o International Crisis Group sublinha que o principal ganho do encontro foi o relançamento do diálogo entre os atores-chave de um conflito que se arrasta desde 1975. O grande desafio para os mediadores norte-americanos será ultrapassar o impasse central: enquanto Argélia e Polisario admitem negociar um modelo de autonomia, mas continuam a exigir um referendo com opção de independência, rejeitado por Marrocos, que considera a autonomia suficiente como expressão do direito à autodeterminação.

A superação desta divergência estrutural será, segundo os analistas, longa e politicamente complexa.

Fonte: International Crisis Group, Riccardo Fabiani – Renewed U.S.-led Talks in Madrid Lend Momentum to Western Sahara Diplomacy, but Big Challenges Remain