A Instância Saharaui contra a Ocupação Marroquina (ISACOM), organização de defesa dos direitos humanos presidida pela ativista Aminetou Haidar, apelou às Nações Unidas para criarem um mecanismo internacional independente de vigilância dos direitos humanos no Sahara Ocidental, alertando para os riscos decorrentes do fim da presença da MINURSO.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, 3 de novembro, a organização manifesta preocupação com as consequências da não renovação do mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), na sequência da falta de consenso entre os membros do Conselho de Segurança sobre os projetos de resolução apresentados.
Segundo a ISACOM, o encerramento da missão poderá agravar o isolamento da população saharaui nos territórios sob controlo marroquino e dificultar a observação, documentação e verificação de violações dos direitos humanos.
A organização reconhece que a MINURSO não dispunha de competências específicas para supervisionar ou proteger os direitos humanos, mas considera que a sua presença constituía um fator de dissuasão, ainda que limitado, contra determinadas violações e contribuía para manter a atenção internacional sobre a situação no território.
Perante o fim da missão, a ISACOM defende a criação urgente de um mecanismo internacional independente, com mandato para acompanhar a situação dos direitos humanos, investigar denúncias de violações e publicar relatórios periódicos.
Entre as prioridades apontadas estão o acompanhamento da situação dos presos políticos saharauis, incluindo as condições de detenção e as garantias judiciais, o esclarecimento dos casos de desaparecimento forçado e a proteção de ativistas, testemunhas e vítimas contra intimidações e represálias.
A organização reclama igualmente que as Nações Unidas garantam o acesso sem restrições de observadores internacionais, jornalistas e organizações de defesa dos direitos humanos aos territórios sob controlo marroquino, permitindo o contacto direto com as vítimas e os seus familiares.
Críticas à proposta norte-americana
No comunicado, a ISACOM critica também o projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos ao Conselho de Segurança, considerando que, caso tivesse sido aprovado nos termos propostos, poderia ter enfraquecido as garantias internacionais do processo de paz e comprometido os direitos do povo saharaui.
Na perspetiva da organização, a definição antecipada dos parâmetros de uma solução política, sem respeitar a vontade da população saharaui, colocaria em causa os fundamentos do processo de negociação conduzido pelas Nações Unidas.
A ISACOM reafirma, por isso, que qualquer solução para o conflito deve respeitar o direito do povo saharaui à autodeterminação, rejeitando fórmulas políticas que, no seu entender, sejam impostas sem o consentimento da população.
A organização exige ainda o fim da exploração dos recursos naturais do Sahara Ocidental sem o consentimento do povo saharaui, defendendo o seu direito a decidir sobre a utilização desses recursos.
No documento, assinado pelo seu gabinete executivo em El Aaiún, a ISACOM apela à ONU para que assuma as suas responsabilidades relativamente ao processo de descolonização do território e assegure que qualquer alteração à presença internacional não deixe a população civil sem acompanhamento e proteção.
A organização reafirma, por último, o compromisso de continuar a documentar denúncias de violações dos direitos humanos e a cooperar com entidades internacionais na defesa dos direitos da população saharaui.


