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| Cartoon gerado por IA |
A ascensão de Fouzi Lekjaa tem sido particularmente rápida e marcada por uma forte acumulação de poder político e desportivo. Ao ponto de agora ser apontado como um dos principais candidatos ao cargo de Primeiro-Ministro do país.
Presidente da Federação Real Marroquina de Futebol desde 2014, entrou no Conselho da FIFA em 2021, tornou-se ministro delegado do Orçamento no mesmo ano e, em 2025, chegou a primeiro vice-presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF). Foi ainda uma das figuras centrais da candidatura conjunta de Marrocos, Espanha e Portugal à organização do Mundial de 2030.
Este percurso coloca Lekjaa simultaneamente no centro das decisões financeiras do Estado marroquino e das principais estruturas que governam o futebol africano e mundial. A concentração de funções tem alimentado críticas e pedidos de maior transparência, sobretudo num setor que, ao longo das últimas décadas, foi abalado por numerosos casos de corrupção e problemas de governação, incluindo na FIFA e no futebol africano.
Sobre o próprio Lekjaa existem também acusações que devem ser tratadas como alegações, e não como factos ainda comprovados. Em 2024, a televisão pública argelina acusou-o de recorrer ao software Pegasus para espiar dirigentes da CAF e obter vantagens para Marrocos dentro do organismo. A imprensa marroquina rejeitou essas acusações, classificando-as como propaganda argelina, e não há confirmação independente apresentada pelas fontes consultadas que demonstre que Lekjaa utilizou o Pegasus para esse fim. Embora esteja mais que comprovado que os serviços secretos marroquinos o fizeram contra opositores e politicos e militares estrangeiros, em que até mesmo Pedro Sanchez e o próprio Emmanuel Macon e alguns dos seus ministros foram alvo de escutas...
A sua crescente influência ocorre igualmente num país onde a corrupção continua a ser apontada como um problema relevante. No Índice de Perceção da Corrupção de 2025 da Transparency International, Marrocos obteve 39 pontos em 100 e ficou em 91.º lugar entre 182 países e territórios. O índice mede a perceção da corrupção no setor público por especialistas e empresários e, por isso, não constitui uma medição direta de atos individuais de corrupção.
A polémica mais recente no futebol africano aumentou ainda mais a atenção sobre a influência de Marrocos na CAF. Na final da CAN disputada em Marrocos, o Senegal venceu inicialmente a seleção anfitriã por 1-0, mas a 17 de março de 2026 o Júri de Apelo da CAF declarou a seleção senegalesa derrotada por 3-0 por forfait, na sequência do protesto e abandono temporário do terreno durante a final, atribuindo assim o resultado a Marrocos. A decisão resultou de um recurso apresentado pela própria Federação Marroquina, presidida por Lekjaa. O Senegal contestou a decisão e o processo seguiu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS/CAS).
É neste cruzamento entre política, finanças públicas e futebol que Fouzi Lekjaa construiu, em pouco mais de uma década, uma posição de influência pouco comum: dirige a federação marroquina, ocupa a vice-presidência da CAF, integra o Conselho da FIFA e, paralelamente, desempenha funções governamentais. Essa acumulação, por si só, não demonstra qualquer irregularidade, mas ajuda a explicar por que razão a sua ascensão e o crescente peso de Marrocos no futebol africano estão sujeitos a um escrutínio cada vez maior.






