A AAPSO - Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental lança hoje a campanha:





Espaço de informação e debate promovido pela Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental.
Pelo direito à autodeterminação do povo Saharauí.
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| Lehbib Mohamed Abdelaziz (1989-2026) |
A República Árabe Saharaui Democrática (RASD) cumpriu esta semana três dias de luto nacional pela morte de Lehbib Mohamed Abdelaziz, membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e comandante da Primeira Brigada de Reserva, morto em combate no passado domingo, juntamente com dois combatentes saharauis. O comandante militar era um dos filhos do anterior SG da Frente Polisario e Presidente da RASD, falecido a 31 de maio de 2016.
Segundo o Ministério da Defesa Nacional saharaui, Lehbib Mohamed Abdelaziz morreu enquanto dirigia operações militares contra posições das Forças Armadas marroquinas ao longo do muro militar que separa os territórios controlados por Marrocos das áreas libertadas da Frente Polisario no Sahara Ocidental.
A Presidência da República Saharaui anunciou de imediato um período de luto nacional de três dias, iniciado às 20h00 de 7 de junho, em homenagem ao comandante e aos dois combatentes que morreram na mesma ação.
A morte de Lehbib Mohamed Abdelaziz representa uma perda significativa para a estrutura político-militar da Frente Polisario, uma vez que se tratava de um dos mais jovens dirigentes a integrar simultaneamente o comando militar e os órgãos de direção do movimento de libertação saharaui.
Nascido em 1989 nos campos de refugiados saharauis de Tindouf, na Argélia, Lehbib Mohamed Abdelaziz completou os estudos básicos nos acampamentos saharauis antes de prosseguir a sua formação universitária em Relações Internacionais numa universidade argelina.
Após concluir a licenciatura, ingressou em novembro de 2011 no Exército de Libertação Popular Saharaui. A sua carreira militar desenvolveu-se rapidamente. Em 2012 concluiu a formação em Forças Especiais e, entre 2017 e 2018, frequentou cursos de Estado-Maior destinados à preparação de oficiais superiores.
Ao longo dos anos desempenhou diversas funções de comando e gestão militar, incluindo responsabilidades na administração do Ministério da Defesa Nacional saharaui, onde exerceu funções como diretor da Administração Geral e membro do Estado-Maior General. Posteriormente assumiu a Direção Central de Formação das forças armadas saharauis.
Em 2024 foi nomeado comandante da Primeira Brigada de Campo, uma das unidades operacionais do Exército de Libertação Popular Saaraui. No mesmo ano, durante o XVI Congresso da Frente Polisário, foi eleito membro do Secretariado Nacional, o principal órgão dirigente do movimento.
Desde a retoma das hostilidades entre a Frente Polisario e Marrocos, em novembro de 2020, após o colapso do cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas, os confrontos ao longo do muro defensivo marroquino têm sido frequentes.
Em comunicados divulgados após a sua morte, as autoridades saharauis destacaram o percurso do comandante, descrevendo-o como um responsável "disciplinado, dedicado e humilde", que privilegiava a proximidade com os seus subordinados e assumia diretamente a liderança das operações no terreno.
Casado e pai de três filhos — duas meninas e um rapaz — Lehbib Mohamed Abdelaziz tinha 37 anos.
A morte do dirigente ocorre num momento em que a Frente Polisário continua a reivindicar a intensificação das suas ações militares contra posições marroquinas no Sahara Ocidental, enquanto Rabat mantém a sua estratégia de controlo do território através do extenso sistema defensivo conhecido pelos saharauis como "muro da vergonha".
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| Naâma Asfari, em 2010, no acampamento da Dignidade de Gdeim Izik |
O militante saharaui Naâma Asfari, detido em Marrocos desde 2010, iniciou a 8 de junho uma greve de fome ilimitada para denunciar as suas condições de detenção e chamar a atenção para a situação dos prisioneiros saharauis. A informação foi avançada pelo diário francês Libération num artigo publicado no mesmo dia.
Com 56 anos, Naâma Asfari é um dos membros do grupo conhecido como "Gdeim Izik", composto por militantes saharauis detidos na sequência dos acontecimentos de 2010 no acampamento de protesto erguido perto de Laayoune, no Sahara Ocidental. Juntamente com outros 18 detidos, cumpre atualmente uma pena de 30 anos na prisão de Kénitra, perto de Rabat.
Segundo a sua esposa, a francesa Claude Mangin-Asfari, ouvida pelo Libération, esta greve de fome marca uma etapa decisiva após várias ações de protesto realizadas em maio sob a forma de três greves de fome de 48 horas. Afirma que o marido considera que nenhum avanço é possível sem um gesto forte da sua parte.
O processo de Gdeim Izik permanece um dos mais emblemáticos do conflito do Sahara Ocidental. Em outubro de 2010, milhares de saharauis tinham instalado um vasto acampamento para denunciar discriminações socioeconómicas e reivindicar o direito à autodeterminação. O desmantelamento do acampamento pelas autoridades marroquinas provocou violentos confrontos que resultaram na morte de onze membros das forças de segurança marroquinas, segundo as autoridades.
Na sequência desses acontecimentos, vários militantes saharauis foram detidos e condenados a pesadas penas de prisão (8 penas de prisão perpétua; 3 de 30 anos de prisão; 7 de 25 anos de prisão e uma de 20 anos). Os seus advogados contestam há muito a regularidade dos procedimentos judiciais, afirmando nomeadamente que algumas confissões foram obtidas sob tortura.
Várias instâncias das Nações Unidas debruçaram-se sobre este caso. Entre 2014 e 2026, o Comité contra a Tortura registou violações da Convenção contra a Tortura em vários processos ligados aos detidos de Gdeim Izik. Em 2023, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária considerou igualmente que a sua detenção tinha caráter arbitrário e apelou à sua libertação.
Para além da sua própria libertação, Naâma Asfari exige a transferência dos prisioneiros saharauis para estabelecimentos penitenciários situados na proximidade das suas famílias no Sahara Ocidental. Os seus apoiantes denunciam ainda dificuldades de acesso a cuidados médicos e medidas de represália de que seriam vítimas alguns detidos.
Esta nova ação surge num contexto em que os esforços internacionais para relançar o processo em torno do Sahara Ocidental prosseguem. No mesmo dia, o enviado pessoal do secretário-geral da ONU para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura, encontrava-se nos campos de refugiados saharauis de Tindouf, na Argélia, no âmbito das suas consultas com as diferentes partes envolvidas no conflito.
Em "Aaiún", o jornalista Tomás Bárbulo desenvolve a trama num cenário que conhece profundamente: o antigo Sahara Espanhol, atual Sahara Ocidental. O autor viveu no território até aos momentos que antecederam a Marcha Verde, em 1975, e é também autor do ensaio "La historia prohibida del Sáhara Español", obra que o escritor Javier Reverte classificou como "o livro de referência" sobre o conflito.
Construído sob a forma de um thriller, o romance combina elementos de ficção histórica com uma história de amor, assumindo-se, de certa forma, como herdeiro do trabalho de investigação realizado por Bárbulo no seu ensaio sobre a história do Sahara Espanhol.
Uma investigação publicada pelo jornal francês «Libération aborda alegadas rivalidades internas nos serviços de segurança marroquinos e disputas de influência em torno do rei Mohamed VI, num contexto marcado por especulações sobre a sucessão e pela crescente visibilidade do príncipe herdeiro Moulay Hassan.
Segundo o diário francês, as tensões envolveriam diferentes centros de poder ligados ao aparelho de segurança e ao chamado Makhzen — o sistema político e institucional que gravita em torno da monarquia. A reportagem sugere que algumas figuras dos serviços de informações procuram reforçar o seu posicionamento numa fase considerada sensível para o futuro do regime.
O artigo refere-se particularmente ao papel de responsáveis dos serviços de inteligência e segurança, destacando alegadas rivalidades entre diferentes estruturas de informações e segurança interna. O «Libération» sustenta que estas disputas ganharam visibilidade após várias fugas de informação e episódios que expuseram fragilidades dentro do aparelho de segurança marroquino.
A publicação enquadra ainda estas movimentações num contexto mais amplo de especulação sobre a evolução futura da monarquia. Nos últimos anos, a saúde do rei Mohammed VI, as suas ausências prolongadas da vida pública e o papel crescente do príncipe herdeiro têm alimentado análises sobre uma eventual reorganização dos equilíbrios internos do poder marroquino.
De acordo com a investigação, os serviços de segurança continuam a desempenhar um papel central na estabilidade do regime, mas enfrentam desafios relacionados com rivalidades internas, exposição mediática e crescente pressão política. O jornal sugere que estas dinâmicas reflectem uma fase de reajustamento dentro das estruturas de poder marroquinas, embora sem colocar em causa, para já, a centralidade da monarquia no sistema político do país.
A reportagem do «Libération» insere-se numa série de trabalhos da imprensa francesa dedicados às transformações em curso no círculo próximo de Mohamed VI, abordando questões relacionadas com os serviços secretos, os equilíbrios entre diferentes grupos de influência e a preparação das futuras gerações da monarquia marroquina.
Ler artigo do Libération
A operação policial espanhola revelada esta semana — uma rede desmantelada entre Marrocos, Algeciras, o País Basco e a França, utilizando drones capazes de atravessar o estreito de Gibraltar carregados com vinte quilos de estupefacientes — não é um fenómeno isolado. É a expressão mais recente de uma realidade estrutural que os relatórios internacionais documentam há décadas e que as autoridades espanholas denunciam cada vez mais abertamente: Marrocos é o principal fornecedor de droga da Europa, e as suas redes deixaram há muito de se limitar ao cannabis. (Ver notícias no Infobae e El Pais)
Os números são inequívocos. Com 50.000 hectares no vale do Rife e 3.000 toneladas por ano, Marrocos é o maior produtor e exportador mundial de cannabis. Segundo o UNODC, a maioria do cannabis marroquino destinado à Europa é primeiro enviado para Espanha — principal país de trânsito — antes de ser distribuído pelos restantes países europeus. O relatório "EU Drug Market 2025" da Agência da União Europeia para as Drogas regista a apreensão de 551 toneladas de resina de cannabis ao longo dos últimos anos, em mais de 265.000 operações, sendo o cannabis marroquino a maior fatia das drogas interceptadas.
O que mudou é a escala e a natureza do tráfico. As redes do haxixe do Rife serviram de base para uma diversificação em direção à cocaína latino-americana. Os circuitos intercontinentais desenvolveram um sistema de troca direta — um quilo de haxixe por um quilo de cocaína —, um acordo considerado economicamente mais vantajoso do que os pagamentos em dinheiro, que aumenta significativamente o poder de compra das organizações criminosas. A Mocro Maffia, nascida deste comércio nos anos 1990, opera principalmente a partir da Bélgica e dos Países Baixos e controla atualmente um terço do mercado europeu de cocaína.
O porto de Tanger Med desempenha um papel central nesta engrenagem: com mais de 10 milhões de contentores TEU movimentados em 2024 — uma subida de 18,8% num ano —, tornou-se o primeiro porto do Mediterrâneo, ultrapassando Algeciras. A sua posição no estreito de Gibraltar permite-lhe receber fluxos de mercadorias provenientes de todas as regiões do mundo, que se fragmentam depois em fluxos secundários difíceis de rastrear. Um paraíso logístico para os cartéis.
O que distingue o caso marroquino de outros países produtores é a questão da cumplicidade institucional — que já não é evocada apenas por fontes militantes. Meios de comunicação espanhóis, retomando as conclusões de uma investigação da Guarda Civil, relataram que membros da marinha marroquina colaboraram com traficantes de droga para introduzir fardos de haxixe em Espanha, com um patrulheiro da marinha real a servir de navio-mãe para lanchas rápidas envolvidas no tráfico. Um comandante da Guarda Civil com décadas de combate ao narcotráfico declarou: "Quando Marrocos fez uma limpeza e deteve 30 polícias corruptos em Nador, os barcos receberam ordens para mudar o local de recolha da droga" — confirmando, segundo ele, "a capacidade do tráfico de droga para penetrar em todo o território marroquino e infiltrar as instituições".
O relatório Global Organized Crime Index 2025 constata igualmente que o crime organizado ganha terreno em Marrocos, com um crescimento particular nas atividades ligadas ao tráfico de droga, cujo impacto ultrapassa as fronteiras do país.
A operação espanhola desta semana — drones de quatro motores, esconderijos sofisticados em viaturas banalizadas, 40 quilos de cannabis e dois quilos de cocaína apreendidos — não é uma vitória sobre um fenómeno em vias de ser controlado. É um golpe numa das ramificações de um sistema cujas raízes mergulham muito mais fundo, e cujos tentáculos tocam já tanto as instituições marroquinas como os mercados de consumo de toda a Europa Ocidental.
Fonte: Maghreb Online