quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado Militar 4.º 49

 


Prosseguem os ataques do ELPS contra bases e posições das forças de ocupação marroquinas ao longo do muro militar que se estende por 2.700 km.


Segundo o comunicado militar Nº. 49, emitido pelo Ministério de Defesa Nacional da RASD, foram bombardeadas as seguintes posições.

01. Na terça-feira, 29 de dezembro, destacamentos avançados do ELPS, lançaram um bombardeamento surpresa contra as bases inimigas marroquinas na zona de Galb Al Nas, setor Auserd (sul do SO).

 

Ontem, quarta-feira, 30 de dezembro, foram atacadas as seguintes bases do Real Exército de Marrocos:

 

02. Violento fogo de artilharia contra forças inimigas na área de Fadret Legrab, no setor de Hauza (norte do SO), por duas vezes consecutivas.

03 Devastador bombardeamento ocorreu contra as bases dos efetivos inimigos entrincheirados na área de Legsaibi, setor de Al-Farsia (norte do SO).

04. Bombardeamento de forças inimigas no setor de Al-Baggari (centro do SO).

 

Hoje, quinta-feira, 31 de dezembro, os ataques do Exército de Libertação Saharaui centraram-se nos seguintes alvos:

 

05. Violentos bombardeios de posições de forças inimigas estacionadas no setor de Mahbes (nordeste do SO).

06. Bombardeamento indiscriminado contra as trincheiras do Real Exército de Marrocos na região de Tinushad, no setor de Mahbes (nordeste do SO).

07. Bombardeio de bases inimigas na área de Rurr Lefreni no setor de Smara (norte do SO).

08. Outro violento bombardeio teve como objetivo as forças inimigas na área de Sabjet Lejrish, no setor de Smara (norte do SO).

09. Ferozes bombardeamentos em cadeia abateram-se sobre as forçaas inimigas estacionadas em Amqali al-Dashra, no setor de Amgala (norte do SO).

10. Severo bombardeamento sobre as trincheiras do Real Exército de Marrocos na região de Russ Shdeida, no setor de Al Farsia (norte do SO), cerca do muro militar marroquino.

11. Devastador bombardeio sobre bases inimigas implantadas na região de Agurat Abruk, no setor de Hauza (norte do SO).

12. Bombardeio violento contra forças inimigas na área de Adheim Um Jlud, setor de Auserd (sul do SO).

 

Estes ataques causaram devastação e baixas no exército de ocupação marroquino, entrincheirado por detrás de um frágil muro militar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado Militar n.º 48

 

ELPS: toda a iniciativa sobre o terreno

As unidades militares saharauis continuam a bombardear posições marroquinas. Os sucessivos comunicados do ministério da Defesa Nacional da RASD rreportam perdas humanas entre os efetivos marroquinos, desmoralização, além de avultadas perdas materiais, como radares, bases e veículos do exército de ocupação.

No dia 29, terça-feira, unidades avançadas do ELPS atacaram as seguintes posições:

 

01. Bombardeamentos violentos contra forças inimigas na área de Lejcheibi no setor de Hauza (norte do SO).

02. Forte bombardeio das trincheiras das FAR no muro de defesa na zona de Russ Targant, na região de Hauza (norte do SO).

03. Devastador bombardeamento contra bases inimigas entrincheiradas na região de Awadi em Al-Farsia (norte do SO).

 

Hoje, quarta-feira, 30 de dezembro, o alvo dos ataques do Exército Popular de Libertação centrou-se nos seguintes pontos:

 

04. Bombardeio violento de forças inimigas na área de Amqali al-Dashra, no setor de Amgala (norte do SO).

05. Cadeia de bombardeios contra posições entrincheiradas das FAR no muro militar na zona de Ross Sebti, no setor de Mahbes (nordeste do SO).

06. Novo devastador bombardeio contra bases dos efetivos inimigos entrincheirados na área de Russ Udey, em Mahbes (nordeste do SO).

07. Bombardeamento violento contra forças de ocupação na zona de Guelta (centro do SO).

 

Segundo o comunicado, os ataques “provocaram um grande pânico nas fileiras do exército de ocupação marroquinas em resultado dos danos e perdas causados”.

 

Serviços secretos marroquinos perseguem opositores no estrangeiro


Os 'chefes' das secretas marroquinas


Em despacho distribuído pela agência noticiosa marroquina e publicada no orgão oficioso do regime de Mohamed VI - le360.ma - os três serviços secretoas dão conta que estão a perseguir com especial empenho os opositores marroquinos no exílio.

Em comunicado conjunto as 3 ‘secretas’ referem: “A Direcção-Geral de Segurança Nacional (DGSN), a Direcção-Geral de Vigilância Territorial (DGST) e a Direcção-Geral de Estudos e Documentação (DGED) apresentaram queixas contra particulares estabelecidos no estrangeiro”.

De acordo com uma declaração conjunta das três instituições a queixa foi apresentada ao Ministério Público do Tribunal de Primeira Instância de Rabat contra ‘indivíduos estabelecidos no estrangeiro’, por "insultar funcionários públicos no exercício das suas missões" e “desacato aos órgãos constituídos”, bem como por “denúncias caluniosas”, “crimes fictícios” e “divulgação de alegações e factos falsos” e, por último, por “difamação”.


Cartoon do  marroquino Khalid Gueddar, antigo crítico do regime e atualmente seu colaboracionista


O argumento principal tem servido o regime ao longo de décadas para exercer os mais infames crimes de violação dos DDHH, assassinatos, crimes, desaparecimentos, prisões sem julgamentos, torturas e humilhações de todo o tipo contra opositores e saharauis - “o exercício do direito de ação judicial garantido a essas instituições e a implementação do princípio de “proteção do Estado”...

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

ONU: Lobby marroquino e assessoria de Comunicação de Guterres vetam jornalistas especializados na questão saharaui - exclusivo El Portal Diplomático

 


Segundo informações obtidas pelo El Portal Diplomático, o lobby marroquino na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e parte da equipe de Comunicação do secretário-geral, Antonio Guterres, têm impedido o trabalho de jornalistas especializados na questão do Sahara Ocidental.

Correspondentes da Agência Marroquina de Notícias (MAP,), Enhari Naoufal, e elementos da nova chefe da equipa de Comunicação do Secretário-Geral, Melissa Fleming, impediram a entrada do jornalista Mathew Lee, especialista em conflitos armados e com mais de 10 anos de trabalho jornalístico na ONU.

“Assim, são censurados meios de comunicação como o Inner City Press, que frequentemente questiona sobre a questão saharaui, especialmente sobre as violações cometidas pelo ocupante marroquino nas Zonas Ocupadas” - refere o portal.



Que adianta:

“A 26 de dezembro, na conferência de imprensa coletiva dada por Melissa Fleming, a Inner City Press questionou aquela responsável sobre a crescente repressão marroquina contra ativistas saharauis nas Zonas Ocupadas do Sahara Ocidental e não obteve respostas da nova chefe de Comunicação de Antonio Guterres”.

O portal recorda “que a Inner Ciy Press revelou um alegado escândalo de abusos sexuais perpetrado pelo atual chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), Colin Stewart, quando trabalhava como representante permanente da ONU em Etiópia”.

A mesma fonte confirmou ao El Portal Diplomático que “Guterres impediu a Inner City Press de ter acesso ao edifício da ONU, ao mesmo tempo que permitiu a entrada de vários meios de comunicação marroquinos que até têm escritórios na sede” da organização.




O correspondente da agência governamental marroquina, MAP, Enhari Naoufal, por exemplo “não só tem credencial para participar e tirar dúvidas em conferências de imprensa, mas também tem um escritório no edifício da ONU em Nova York (Secretariado da ONU Edifício Sala S-0419).

Segundo apurou o El Portal Diplomático, a equipa de Guterres facilitou Marrocos quanto à colocação da cidadã marroquina Benyoussef Bouchra na ONU com o propósito de facilitar o trabalho do lobby mediático do regime marroquino, mas, ao invés, tem dificultado o trabalho desses jornalistas especializados na questão saharaui.

Neste contexto, as fontes do El Portal Diplomático nos meios de imprensa que cobrem a ONU confirmam que o jornalista palestiniano Abdelhamid Sayiam se tornou um alvo prioritário do lobby marroquino, devido às suas constantes perguntas sobre o Sahara Ocidental.

Sayiam, que tem credenciais para cobrir os acontecimentos organizados na sede da ONU, está a ser perseguido e assediado pela equipa de Benyoussef Bouchra, nomeadamente depois das suas análises publicadas na imprensa internacional em que critica a ocupação marroquina do Sahara Ocidental.

O objetivo de Marrocos - adianta o portal - “é silenciar as vozes que defendem a aplicação do direito internacional em relação ao Sahara Ocidental. Fazer isso na própria sede da ONU é um precedente extremamente grave”.

“Tanto Antonio Guterres quanto a sua equipe de Comunicação devem dar explicações e oferecer as mesmas oportunidades a todos os jornalistas. A ONU não pode ser o centro de operações do lobby marroquino em Nova York” - conclui o portal.


Frente POLISARIO envia carta ao presidente do Conselho de Segurança




A Frente Popular do Saguia El Hamra e Rio de Ouro (Frente POLISARIO), através do seu Representante Permanente nas Nações Unidas, Sidi Omar, enviou uma carta à Presidência do Conselho de Segurança da ONU.


Texto integral da Carta (em espanhol) :

Seguindo instruções das minhas Autoridades, tenho a honra de transmitir as opiniões da Frente POLISARIO sobre a recente proclamação do Presidente cessante dos EUA em relação ao Sahara Ocidental: 


El 10 de diciembre de 2020, el Presidente saliente de los Estados Unidos, Donald Trump, anunció que Marruecos e Israel habían llegado a un acuerdo para normalizar las relaciones gracias a la mediación estadounidense. Asimismo, como contrapartida del acuerdo, el Presidente Trump proclamó que los Estados Unidos reconocían la “soberanía marroquí sobre el Sáhara Occidental” y manifestó la intención de abrir un consulado estadounidense en la ciudad saharaui ocupada de Dajla (Dakhla).

 

La decisión adoptada por el Presidente saliente de los Estados Unidos constituye una postura lamentable y unilateral que incumple la Carta de las Naciones Unidas y las resoluciones de las Naciones Unidas, entre ellas las resoluciones del Consejo de Seguridad que los propios Estados Unidos redactaron y aprobaron en los últimos decenios. Más lamentable aún, esta proclamación se aleja de la política que siempre han mantenido los Estados Unidos con respecto al Sáhara Occidental, abandona una posición de larga data sobre el derecho a la libre determinación que está consagrado en la Constitución de los Estados Unidos y niega uno de sus principios cardinales.

 

Asimismo, la proclamación hace caso omiso de las resoluciones de la Asamblea General de las Naciones Unidas, en particular de la resolución 2625 (XXV), de 1970, en la que se dispone que no se reconocerá como legal ninguna adquisición te rritorial derivada de la amenaza o el uso de la fuerza, y, por lo tanto, constituye una violación del derecho internacional humanitario y de las obligaciones erga omnes de los Estados de abstenerse de actuar o prestar asistencia de formas que puedan derivar en la consolidación de una situación ilegal creada por una violación grave de los principios básicos del derecho internacional.

 

El estatuto jurídico del Sáhara Occidental es absolutamente claro. La Corte Internacional de Justicia (CIJ), principal órgano judicial de las Naciones Unidas, emitió una opinión consultiva sobre el Sáhara Occidental el 16 de octubre de 1975, en la que dictaminó que no había ningún vínculo de soberanía territorial entre el Territorio del Sáhara Occidental y el Reino de Marruecos.

 

Al refutar las reclamaciones de soberanía de Marruecos sobre el Sáhara Occidental, la CIJ dejó claro que la soberanía sobre el Territorio reside en el pueblo saharaui, que tiene el derecho a decidir el estatuto del Territorio, expresando su voluntad libre y genuinamente, de conformidad con la resolución 1514 (XV) de la Asamblea General de las Naciones Unidas y otras resoluciones relativas a la descolonización.

 

En 2002, el Secretario General Adjunto de Asuntos Jurídicos de las Naciones Unidas, Hans Corell, emitió una opinión consultiva a petición del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas en la que también reafirmó que Marruecos no ejercía ni soberanía ni poder administrativo alguno sobre el Sáhara Occidental. Diversos fallos de tribunales africanos y europeos también han reafirmado este hecho.

 

Las Naciones Unidas y la Organización de la Unidad Africana (actualmente, la Unión Africana), así como la Unión Europea, nunca han reconocido la anexión ilegal por la fuerza que ha efectuado Marruecos de partes del Sáhara Occidental, que sigue siendo un Territorio No Autónomo cuya descolonización se vio frustrada a causa de la invasión militar del Territorio perpetrada por Marruecos el 31 de octubre de 1975.

 

De conformidad con su doctrina de no reconocer como legal ninguna adquisición territorial derivada del uso de la fuerza, la Asamblea General de las Naciones Unidas ha descrito en términos claros que la presencia de Marruecos en el Sáhara Occidental constituye un acto de ocupación (resolución 34/37, de 21 de noviembre de 1979, y resolución 35/19, de 11 de noviembre de 1980). La medida unilateral adoptada por el Presidente saliente de los Estados Unidos en relación con la soberanía del Sáhara Occidental es ajena a la Carta de las Naciones Unidas y al derecho internacional y, por ende, es nula y no tendrá efecto alguno.

 

En respuesta a la proclamación del Presidente Trump, numerosos países, entre los que se contaron miembros permanentes del Consejo de Seguridad, han reafirmado su posición con respecto al Sáhara Occidental y su apoyo a las resoluciones de las Naciones Unidas sobre la libre determinación del pueblo del Sáhara Occidental. Algunos países han manifestado que la decisión del Presidente de los Estados Unidos constituía una violación de los principios básicos del derecho internacional que solo agravaría la situación sobre el terreno.

 

Además, algunas personalidades influyentes del Congreso de los Estados Unidos, la sociedad civil y el ámbito político han expresado su conmoción y decepción respecto de este intento de ceder la libre determinación del pueblo del Sáhara Occidental y han pedido al Presidente entrante que revoque la decisión de Trump.

 

El Secretario General de las Naciones Unidas también ha reafirmado que las Naciones Unidas no han modificado su posición con respecto al Sáhara Occidental. Por su parte, la Unión Africana, de la que son estados miembros tanto la República Saharaui como Marruecos, ha reafirmado su posición con respecto al Sáhara Occidental, de conformidad con las resoluciones pertinentes de la Unión Africana y las Naciones Unidas.

 

Todas las gestiones que llevó adelante la comunidad internacional en los últimos decenios desde que comenzó a aplicarse el Plan de Arreglo de las Naciones Unidas y la Organización de la Unidad Africana en 1991 se han topado con el obstruccionismo y el rechazo de Marruecos. La decisión adoptada por el Presidente Trump obstaculiza las gestiones de las Naciones Unidas y la Unión Africana que procuran llegar a una solución pacífica a la cuestión del Sáhara Occidental. Además, alienta al estado marroquí ocupante a mantener su ocupación ilegal y la actividad agresiva que ya ha derivado en su agresión militar contra el Territorio Saharaui Liberado el 13 de noviembre de 2020, con lo que puso fin al alto el fuego vigente desde 1991.

 

El Gobierno de la República Saharaui y el Frente POLISARIO confían en que el Gobierno entrante de los Estados Unidos dé marcha atrás a la decisión unilateral adoptada por el Presidente saliente de los Estados Unidos y se asegure de que los Estados Unidos sigan desempeñando un papel constructivo en las gestiones internacionales que tienen por objeto llegar a una solución pacífica y duradera en virtud de la cual el pueblo saharaui pueda ejercer su derecho inalienable a la libre determinación y la independencia. 


Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado Militar n.º 47


O muro marroquino: 2.700 km objetivamente impossíveis de defender.
O Exército de Libertação Saharaui tem a iniciativa e escolhe os seus alvos. 
 

O norte do Sahara Ocidental tornou-se no alvo principal do Exército de Libertação Saharaui. Regiões como Mahbes, Al-Farsia e Hauza são bombardeadas constantemente, sofrendo as forças de ocupação marroquinas danos consideráveis, quer em termos de baixas humanas quer em material, desde há mais de um mes.

Ontem, 28 de dezembro, o ELPS bombardeou as posições marroquinas nos seguintes lugares:


01. Bombardeamento de efetivos das FAR na área de Laagad no setor de Mahbes.

02. Bombardeamento de concentrações de tropa inimiga na área de Akoura Ould Abal no setor Mahbes.

03. Forte fogo de artilharia a tropa inimiga entrincheirada no distrito de Akara do setor de Hadid, em Al-Farsia.

04. Bombardeamento intenso de posições inimigas na área de Harisha no setor de Hauza.

05. Bombardeanmento violento das bases inimigas na área de Rus Fadret al-Tamat no setor Hauza.

06. Bombardeamento de bases marroquinas na área de Amegali Al-Nabqa no setor de Amgala.

07. Bombardeio violento das trincheiras das forças de ocupación na área de Galb Adhlim no setor de Auserd.

08. Bombardeamento devastador de uma posição das forças de ocupação na área de Um Eddeguen no sector de Um Draiga por duas vezes consecutivas.


Hoje, dia 29 de dezembro, as forças do ELPS concentraram os seus ataques sobre as seguintes posições do inimigo:


09. Bombardeamento de de forças inimigas na área de Tandkum no setor de Um Draiga.

10. Forte bombardeio contra trincheiras das forças ocupantes estacionadas na área de Tinushad no setor de Mahbes.

11. Devastador bombardeio contra bases do exército de ocupação marroquino na zona de Fadrat Al-Mors no setor de Hauza.

12. Violento bombardeamento contra esconderijos do exército inimigo na área de Bankrat no setor de Smara.

Fonte: SPS/Ecsaharui


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Guerra no Sahara Ocidental - comunicado militar n.º 46

 



Após 46 dias do reatamento da guerra de libertação, os ataques dos combatentes do Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS) concentraram-se sobre as seguintes posições do aparelho militar de ocupação marroquino. 

No domingo:


01. Bombardeamento às trincheiras marroquinas no sector de Al-Farsia (norte do SO).

02. Violento bombardeio sobre as forças inimigas na zona de Agararat al-Ramaz no setor de Al-Farsia (norte do SO).

03. Intenso bombardeamento contra pontos de concentração das forças de ocupação na área de Adheim Um Ajlud no setor de Auserd (sul do SO).

04. Encadeamento de bombardeios violentos contra forças de ocupação na zona de Janget Al-Sukum no setor de Smara (norte do SO).

05. Bombardeamento de forças de ocupação na zona de Al-Ghashash no setor de Smara (norte do SO).


Esta segunda-feira, unidades do ELPS bombardearam posições inimigas nos seguintes lugares:


06. Violento fogo de artilharia e obuses contra pontos de concentração de los efetivos inimigos na região de Ross Ode no sector de Smara (norte do SO).

07. Violentos bombardeamentos contra forças de ocupação estacionadas na zona de Deirat Aharash no setor de Hauza (norte do SO).

08. Bombardeamento efetivos inimigos entrincheirados no setor de Um Draiga (centro do SO. 

Fonte: SPS

A ONU insta Espanha a evitar a pilhagem dos recursos do Sahara Ocidental



A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma nova resolução pela qual exorta todos as potências administrantes a evitarem o saque de recursos de territórios não autónomos. A Espanha é legalmente a potência administrante do Sahara Ocidental

Por José Antonio Gómez - 27/12/2020 - Diario16


Conforme publicámos no Diario16, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução da Assembleia Geral na qual exorta as potências administrantes dos territórios não-autónomos a cumprir as obrigações reconhecidas na Carta das Nações Unidas. A Espanha está diretamente relacionada com esta resolução uma vez que, à luz da legalidade internacional, continua a ser a administrante legal do Sahara Ocidental [na qualidade de antiga potência colonial do território a que não foi dada, ainda, a possibilidade de se descolonizar].

No entanto, o assunto não terminou por aí, visto que, posteriormente, a ONU aprovou uma nova resolução na qual exorta essas potências administrantes a evitarem o saque dos recursos dos referidos territórios. Da mesma forma, isso diz respeito diretamente à Espanha e às suas obrigações para com o Sahara Ocidental.

A resolução, a que o Diario16 teve acesso, indica que a ONU está muito preocupada "com todas as atividades realizadas para explorar os recursos naturais e humanos dos Territórios Não Autónomos em detrimento dos interesses dos habitantes desses Territórios". 

Por isso, as Nações Unidas reafirmam na resolução a responsabilidade que a Carta confere às potâncias administrantes de promover o progresso político, económico, social e educacional dos Territórios Não Autónomos, além dos direitos legítimos dos povos desses Territórios sobre os seus recursos naturais.

Por outro lado, a resolução aponta a importância e a necessidade de evitar qualquer atividade económica ou outra, incluindo o uso de Territórios Não Autónomos para atividades militares, que afetem negativamente os interesses dos povos de Territórios Não-Autónomos. E, a esse respeito, recorda às potências administrantes a sua responsabilidade e obrigação de responder pela deterioração que possam sofrer os interesses dos povos desses Territórios.

Por esta razão, as Nações Unidas exortam "todos os governos que ainda não o fizeram a adotarem medidas legislativas, administrativas ou outras em relação aos seus nacionais e às pessoas jurídicas sob sua jurisdição que possuem e operam empresas em Territórios Não Autónomos que prejudiquem os interesses dos habitantes desses Territórios, de forma a pôr termo à actividade destas empresas ”, afirma a resolução.

Por outro lado, insta as potências administrantes a assegurar que a exploração dos recursos marinhos e outros recursos naturais dos Territórios Não Autónomos por eles administrados não seja realizada em violação das resoluções pertinentes das Nações Unidas ou prejudique os interesses dos povos desses Territórios.

Tudo isso afeta diretamente Espanha no que diz respeito ao Sahara Ocidental, território que é legalmente administrado pelo Estado espanhol e cujos recursos naturais estão sendo saqueados tanto por Marrocos como por empresas espanholas.




O setor da pesca nos bancos do Sahara Ocidental é um dos melhores exemplos do que afirma as Nações Unidas. A quase totalidade da indústria pesqueira dos ricos bancos saharauis é controlada por empresas europeias, principalmente espanholas. Tudo isso ocorre apesar de as leis da União Européia proíbirem qualquer propriedade ou controle estrangeiro dos recursos do território.

Estas empresas, na sua maioria espanholas, operam por meio de empresas marroquinas que utilizam estruturas corporativas opacas para importar barcos e obter licenças de pesca, que se tornam um recurso de obtenção de rendimentos porque as pessoas que têm essas concessões têm possibilidade de os alugar ou participar nos benefícios da exploração dos pesqueiros saharauis.

No Sahara Ocidental, a indústria da pesca foi uma importante fonte de rendimento durante a era colonial espanhola. No entanto, foi mais um factor local que, na última década do século XX e na primeira década do XXI, começou a crescer graças à construção de cais e instalações de processamento de pescado instaladas no porto de Marsa, em El Aaiún.

De acordo com a organização Western Sahara Resource Watch (WSRW), o desenvolvimento da indústria pesqueira resultou no controle por parte de empresas europeias, a maioria delas espanholas, que obtêm a grande parte dos benefícios graças a acordos opacos com empresas marroquinas.

Desde que a UE e Marrocos assinaram o acordo de pesca em 2006, que este é renovado anualmente, dando acesso ao banco de pesca do Sahara Ocidental a mais de 100 barcos europeus, a grande maioria espanhóis.

No entanto, os acordos assinados com Marrocos relativos ao Sahara são ilegais, uma vez que a ONU não reconhece a soberania marroquina sobre o território. Além disso, a principal intenção de Marrocos na manutenção dos referidos acordos é a busca de legitimação sobre o Sahara, para a qual recorre à União Europeia e, por extensão, à Espanha.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado n.º 45



Os combatentes do Exército de de Libertação Popular Saharaui  (ELPS prosseguem as suas operações de bombardeamento e ataque a posições marroquinas ao longo do muro, que os saharauis qualificam de «muro da vergonha». Pelo menos nove objetivos marroquinos foram atacados nas últimas 24 horas, não obstante parte dos efetivos saharauis terem sido rendidos por outros efetivos após 44 dias de combate e tendo sido alvo de uma enorme manifestação de júbilo e carinho por parte de milhares dos seus compatriotas e familiares nos acampamentos de refugiados quando ali regressaram (ver fotos).






Segundo o comunicado militar n.º 45 emanado do Ministério da Defesa Nacional da RASD foram atacadas ontem as seguintes posições inimigas:

 

01. Violento bombardeamento às trincheiras marroquinas na área de Domus no setor de Al Bagari (centro do SO).

 02. Bombardeio contra os militares de ocupação marroquinos na zona de Lghaswa no setor de Smara (norte do SO).

 

Hoje, domingo, unidades do ELPS bombardearam posições marroquinas nos seguintes lugares:

 

03. Bombardeamento na zona de Ross Lafrina no setor de Smara (norte do SO).

04. Violento bombardeamento de artilharia contra a área de Rus Chedhmiya no setor de Mahbes (nordeste do SO).

05. Intenso bombardeo contra o quartel general das forças inimigas na área de Tinushad no setor de Mahbes (nordeste do SO).

 06. Vagas de bombardeios contra os baluartes das forças inimigas na zona de Rus al-Sabti no setor de Mahbes (nordeste do SO).

 

07. Bombardeamento de uma área em Fadrat Al-Tamat no setor de Hauza (norte do SO).

08. Bombardeamento violento das forças de ocupação na zona de Zarzariyat em Guelta (centro do SO).

09. Bombardeamento das forças inimigas na área de Azmul Um Jamla no setor de Um Draiga (centro do SO).

Fonte: SPS

Imagens de guerra captadas na zona de Mahbes, Sahara Ocidental

 

Clique na imagem ou veja o vídeo AQUI


A Televisão Pública da Argélia transmitiu imagens exclusivas de parte de operações militares do Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) contra as tropas marroquinas no setor operacional de Mahbes, no nordeste do território do Sahara Ocidental.

Há dias, o ELPS, através do 6.º Regimento Militar, coordenou uma contra-ofensiva em Mahbes dirigida às posições marroquinas, desencadeando uma batalha contra o 40º Batalhão de Infantaria das FAR que durou pelo menos dois dias e terminou com a destruição parcial do Base militar marroquina nº 23. De referir que na semana passada, também em Mahbes, o posto de comando foi destruído.

O ELPS mantém o cerco à região de Mahbes por meio de intensos bombardeios contra o inimigo, que se concentra nas áreas de Rus Sabti, Rus Al Shismiya e Tinushad.

A televisão argelina tornou-se o primeiro meio de comunicação internacional a transmitir ao vivo imagens dos ataques das unidades militares saharauis.





O correspondente da televisão argelina nos Territórios Libertados do Sahara Ocidental, Faouzi Ait Ali, afirmou que o Exército saharaui realizou intensos ataques contra as bases militares marroquinas em Mahbes.

A guerra eclodiu no Sahara Ocidental em 13 de novembro após invasão pelo exército marroquino da área tampão-desmilitarizada de El Guerguerat, segundo o acordo de resolução de 1991, apresentado pela ONU e subscrito por ambos os contendores. A passagem ilegal aberta pelas FAR tinha por objectivo franquear a passagem para a fronteira no extremo sul do território com a Mauritânia, por onde Marrocos exporta os recursos que explora ilegalmente no Sahara Ocidental.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado Militar n.º 44




O Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS), continua a fustigar através de bombardeamentos intensos as tropas de ocupação marroquinas ao longo do muro militar construído ao longo de anos por Marrocos. Os combates, nestes últimos dias,  têm sido particularmente intensos e constantes na região norte e nordeste do território.

Segundo o comunicado militar n.º 44 difundido pelo Ministério de Defesa Nacional da RASD, unidades do ELPS bombardearam esta sexta-feira as seguintes posições:


01. Bombardeamento concentrado por duas vezes contínuas na zona de Sheidmiya no setor de Mahbes (ver mapa junto).

02. Bombardeamento das bases militares marroquinas na zona de Tanushad no setor de Mahbes.

03. Bombardeamento intenso das forças inimigas estacionadas na zona de JANGAT Sheidmiya no setor de Mahbes.

04. Bombardeio contra posições inimigas  na zona de Russ Lafrarin  no setor de Smara.

05.  Bombardeio concentrado  sobre as concentrações de militares das forças de ocupação na zona de Fadrat Tamát no setor de Hauza.

06. Bombardeamento das bases de efetivos ocupantes na zona de Fadrat Lagráb no setor de Hauza.

07. Bombardeio intenso das forças inimigas estacionadas na zona de Alfeeín no setor de Farsía.

08. Bombardeio intenso de forças inimigas estacionadas no setor de Bagari onde foi destruido totalmente um radar do inimigo.


No dia de hoje, sábado,  os combates de artilharia contra o inimigo prosseguiram contra as seguintes posições:


09. Bombardeio intenso das forças de ocupação na zona de Russ Lafreirina no setor de Smara.

10. Bombardeio contra  tropas de ocupação na região de Alfaein no setor Farsía.

11. Bombardeio intenso de forças inimigas estacionadas na zona de Russ Udey Asfaa, no setor de Smara.


Segundo o comunicado da RASD, os ataques do ELPS continuam a provocar baixas humanas e consideráveis perdas materiais no dispositivo militar marroquino. 

OPINIÃO: Sara Ocidental, o Timor do deserto

Referendo em Timor-Leste - Fotomontagem AAPSO

 

"Só a comunidade internacional impede que Marrocos concretize a plena absorção do Sara Ocidental, país reconhecido como território soberano por seis dezenas de nações".

Autor: David Pontes - Diretor Adjunto do PÚBLICOdavid.pontes@publico.pt

 Artigo publicado na edição do "Público" de 26-12-2020

O título, infelizmente, não tem nada de original, há tanto tempo se arrasta o problema do povo sarauí e tantas são as semelhanças com o que sucedeu ao território de Timor-Leste. Aqui ao pé, como no distante Sudeste asiático, um território foi deixado praticamente ao abandono pela antiga potência colonial (Espanha) e um país vizinho (Marrocos) ocupou-o, impedindo o seu povo de exercer o justificado direito à autodeterminação.

Tal como em Timor, só a comunidade internacional, com resoluções do Tribunal Internacional de Justiça e do Conselho de Segurança da ONU, que há quase 30 anos mantém uma missão encarregada de realizar um referendo sobre a independência, impede que Marrocos concretize a plena absorção daquele país, reconhecido como território soberano por seis dezenas de nações.

As mais recentes decisões da administração norte-americana de reconhecer a soberania marroquina e de abrir um consulado naquele território vem enfraquecer a posição dos homens e mulheres da Frente Polisário, legal representante do povo sarauí, que recentemente decidiu regressar “à luta armada” após uma intervenção militar das Forças Armadas de Marrocos na zona desmilitarizada no Sara Ocidental.

Como que ainda a deixar um último lampejo do que mais se seguiria se tivesse sido reeleito, Donald Trump veio reafirmar as linhas orientadoras da sua política internacional: desrespeito pelas instituições internacionais, alinhamento com o mais forte e total desprezo pelos mais fracos. No mundo de Trump não há lugar para princípios, nem que sejam aqueles que estiveram na origem do seu próprio país, como o direito da autodeterminação dos povos. Tudo é transformado num negócio, neste caso em troca da normalização de relações com Israel.

Contra este mundo selvagem, a ONU, mesmo com todas as suas limitações e inoperância, continua a ser a melhor esperança de que a negociação e o entendimento possa prevalecer sobre a força e a imposição do mais forte. À frente da organização, António Guterres tem a obrigação de fazer com que a actual crise, com o acrescento de visibilidade que trouxe, possa servir para se tomarem passos significativos de forma a que o Sara Ocidental deixe de ser a última colónia em África. Tanto ele como as autoridades nacionais e o povo português têm a obrigação histórica de continuar a insistir na mensagem de esperança que foi o caso de Timor-Leste.


Nota da AAPSO

O texto exprime apenas as opiniões do autor, não necessariamente aquilo que a AAPSO pensa ou defende. 

Uma curiosidade dramática: Xanana Gusmão, líder da luta de libertação em TL, logo que soube da aprovação em 1991 do Plano de Resolução da ONU para o Sahara Ocidental, aprovado pelas partes em conflito (Reino de Marrocos e a Frente POLISARIO), estava ele então nas montanhas timorenses encabeçando a luta armada, tratou de a ele ter acesso, considerando-o um importante 'precedente' para a luta do seu próprio povo. Não imaginaria nunca que o seu povo teria acesso ao «precedente» (o Referendo), em 30 de agosto de 1999, e o povo saharaui continuaria, em 2020/2021 a lutar para o poder concretizar. 

Com uma agravante: a população de votantes em TL era de 451 792 votantes e foi recenseada em poucos meses; no Sahara Ocidental a população de votantes identificados pelos técnicos da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental), ... após anos de trabalhos de recenseamento, é de apenas  86 381

Quando Marrocos teve acesso à lista de potenciais votantes nunca mais quis ouvir falar de Referendo e tratou de 'inventar' um suposto 'Plano de Autonomia'. Porquê? (pergunta naïf  

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Alemanha alerta para parcialidade de Washington no conflito do Sahara Ocidental

 


Christoph Heusgen, embaixador da Alemanha nas Nações Unidas

NOVA YORK, 24 de dezembro de 2020 (SPS) A delegação alemã na ONU advertiu para a parcialidade dos EUA, redator-principal das resoluções sobre o Sahara Ocidental, após a decisão do presidente cessante Donald Trump de reconhecer o alegada soberania de Marrocos sobre este território.

“Ser redator emana da responsabilidade. Surge junto com um forte compromisso na resolução de um problema, sendo necessário ser imparcial, ter em mente os legítimos interesses de todas as partes e agindo dentro do quadro do direito internacional ”, disse o embaixador alemão na ONU, Christoph Heusgen.

O diplomata revelou que o seu país "continua profundamente comprometido com uma solução política que é verdadeiramente do interesse de todos. Toda a região será beneficiada" - disse.

Na sua edição de terça-feira, o New York Times, com base em fontes diplomáticas, referiu que a decisão de Trump pode ser anulada pelo governo do presidente eleito Biden, que assumirá o controle da Casa Branca a partir de 20 de janeiro.

Uma anulação que poderia ser explicada pelo facto do reconhecimento da soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental ser contrária a um dos princípios fundadores dos EUA, nomeadamente o apoio ao direito à autodeterminação.

Por outro lado, os EUA, enquanto redator das resoluções sobre o Sahara Ocidental no Conselho de Segurança, não podem tomar partido a favor de uma parte do conflito, daí o apelo diplomático à ordem, proferido por Christoph Heusgen.

Além disso, o diplomata alemão insistiu na importância de acelerar a nomeação de um enviado pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, a fim de contribuir para a retomada do processo político, interrompido desde a renúncia do ex-enviado, o alemão Horst Kohler, em maio de 2019.

“Estamos a assistir a uma estagnação do processo político e precisamos urgentemente de um novo enviado pessoal. Sabemos como é difícil encontrar esta pessoa, porque tal pessoa deve ser aceite por ambas as partes. Se não tivermos sucesso, o processo político entrará em colapso ”, argumentou.

O embaixador disse que o conflito no Sahara Ocidental precisava de "uma revitalização do processo político" e "um acordo negociado realista, prático e duradouro". (SPS)

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado Militar n.º 43

 



O Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS), continua a bombardear as guarnições e trincheiras das forças de ocupação marroquinas ao longo do muro militar de mais de 2500 km.

Segundo o comunicado n.º 43 hoje distribuído pelo Ministério de Defesa Nacional destacamentos do ELPS lançaram ontem e hoje ataques concentrados contra várias posições defensivas do ocupante. A saber:

 

-Bombardeamento de posições inimigas na zona de Adeim Um ajlud no setor de Auserd (sul do SO).

– Bombardeamento por duas vezes consecutivas a bases de tropa inimiga na zona de Galb Adleim no setor de Tichla (sul do SO).

– Bombardeamento intenso de forças inimigas estacionadas no setor de Albagari (centro do SO).

 

Hoje, sexta-feira, os destacamentos do Exército de Libertação Saharaui atacaram as posições inimigas nos seguintes locais:

– Bombardeamento intenso na zona de Russ Lafreirina no setor de Smara (norte do SO).

– Bombardeamento concentrado contra bases de tropa de ocupação na região de Tandagma no setor de Albagari (centro do SO).

– Bombardeio intenso das forças inimigas estacionadas na zona de Alfaein no sector Farsía (norte do SO).

Segundo o Ministério da Defesa da RASD, os ataques do ELPS continuam a causar baixas mortais e consideráveis perdas materiais.

UA pede ao Conselho de Paz e Segurança da organização pan-africana para preparar as condições de um novo cessar-fogo

 

União Africana - Cimeira de chefes de Estado e de Governo (imagem de arquivo)

Johannesburgo, 25 de dezembro de 2020 (SPS)-. A União Africana (UA) solicitou ao Conselho de Paz e Segurança (CPS) a exortar Marrocos e a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) a "prepararem as condições para um novo cessar-fogo" como premissa que conduza a uma solução que garanta o direito do povo saharaui à autodeterminação.

Na decisão final adotada pela 14ª Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada a 6 de Dezembro, sob o tema "Silenciamento das armas", o CPS foi convidado a "dar os contributos esperados da União Africana em apoio aos esforços das Nações Unidas e em conformidade com as disposições relevantes do seu Protocolo”, para exortar as duas partes no conflito, que são Estados membros da União Africana, a abordar a situação atual a fim de preparar as condições para um novo cessar-fogo e chegar a uma solução justa e duradoura para o conflito ”.

Os Chefes de Estado e de Governo da União Africana apelaram também à "revitalização do mecanismo da Troika", em conformidade com a decisão 693 (31) (União Africana / Assembleia).

A 14ª Cimeira Extraordinária da UA sobre o “silenciamento das armas” decidiu reinscrever a questão do Sahara Ocidental na agenda do CPS da União Africana para dar “um novo impulso” à questão saharaui.

Além disso, no comunicado final (Declaração de Joanesburgo), foi solicitado ao CPS da UA, com o apoio do Presidente da Comissão da UA e do Grupo de Sábios, a “garantir o estrito cumprimento do Acto Constitutivo da UA e o Protocolo sobre o estabelecimento do CPS e outros quadros regulatórios relevantes, e fornecer uma resposta rápida às crises latentes no continente, a fim de evitar uma escalada para um conflito violento”.

E tendo por objetivo um continente livre de armas, os dirigentes da União Africana decidiram reafirmar “o primado das soluções políticas e da resolução pacífica de todos os conflitos”, e “implementar integralmente todas as disposições dos acordos de paz assinados, com vista a facilitar soluções amigáveis ​​e duradouras para conflitos e crises continentais.” SPS

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Guerra no Sahara Ocidental - Comunicado Militar n.º 42

 


 

O ministério da Defesa Nacional da RASD distribuiu há poucas horas o comunicado militar nº 42, dando conta das operações militares levadas a cabo pelas forças do ELPS nas últimas 24 horas.


Ontem, unidades saharauis bombardearam as forças inimigas nos seguintes pontos:

 

- Bombardeamento a concentrações inimigas na zona de Lejcheibi no setor de Al-Farsia (norte do SO).

- Uma séria de bombardeamentos violentos tiveram lugar contra forças de ocupação entrincheiradas na área de Gleib Azim, no setor de Tichla (sul do SO).

 

Hoje, dias 24/12, destacamentos avançados do ELPS bombardearam as forças de ocupação nos seguintes lugares:

 

- Bombardeamento de concentração de tropa inimiga na el área de Sabjet Al-Akrish no setor de Smara (norte do SO).

- Bombardeamentos violentos tiveram como alvo concentrações de efetivos militares marroquinos na zona de Alfayeen no setor de Al-Farsia (norte do SO).

- Bombardeamento de forças de ocupação entrincheiradas, na zona de Russ Cheidhmia no setor de Mahbes (noroeste do SO).

- Bombardeamento violento contra posições inimigas na área de Rus Sebti no sector Mahbes (noroeste do SO).

Italia também nega ter qualquer intenção de abrir um consulado nos territórios ocupados do Sahara Ocidental

 

Luigi Di Maio, ministro das Relações Exteriores italiano 

Roma. - 24/12/2020 - A Itália nega a informação que recentemente circulou em diversos meios de comunicação ( em primeira mão no periódico “EL ESPAÑOL”) sobre a sua intenção de abrir uma representação diplomática nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, manifestando-se a favor da iniciativa das Nações Unidas em relação à questão saharaui.

Esta posição da chancelaria italiana surgiu em resposta ao que foi publicado numa reportagem do digital El Español sobre a suposta ‘iminente abertura de um consulado italiano no Sahara Ocidental’ ocupado, já que o ministério negou até mesmo a intenção de pensar nessa direção, segundo uma nota que foi emitida sobre o assunto.

A ‘simpatia’ do regime marroquino há meses que pretende cativar países europeus a abrir o que chama de "consulados” nos territórios que ocupa no Sahara Ocidental, para obter um reconhecimento ilegal de um território que a ONU mantém na agenda da sua quarta comissão de descolonização.

Nesse sentido, o Ministério das Relações Exteriores da Itália reafirmou os seu acompanhamento pelaquestão do Saara Ocidental com grande interesse e total apoio ao trabalho das Nações Unidas.

Portugal afirma que não vai abrir um consulado no Sahara Ocidental e desmente a notícia publicada pelo periódico "EL ESPAÑOL".

 

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal

Lisboa, 23 dez (lavanguardia.com) - O Ministério dos Negócios Estrangeiros negou hoje (ontem) a abertura de um consulado português no Sahara Ocidental e referiu que Portugal apoia o relançamento das negociações no âmbito das Nações Unidas para se chegar a uma solução política .

“A notícia da abertura de um consulado português no Sahara Ocidental é falsa”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros português em nota enviada à EFE, após o jornal “El Español” publicar que Portugal vai abrir um consulado no Sahara Ocidental.

Os Negócios Estrangeiros desmentiram esta intenção e sublinharam que a posição portuguesa sobre o Sahara Ocidental “permanece inalterada”, exigindo negociações no âmbito das Nações Unidas.

“Portugal continua a apoiar os esforços do Secretário-Geral das Nações Unidas para relançar as negociações no âmbito da ONU, com vista a alcançar uma solução política, duradoura e mutuamente aceitável pelas partes, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas “, está indicado na nota.

O Sara delas - As mulheres como epicentro de uma luta com quatro décadas



Nuno Abreu e Maria João Salgado publicaram no PÚBLICO de 11 de Outubro passado uma extensa reportagem nos acampamentos de refugiados saharauis, na região de Tindouf, no extremo sudoeste da Argélia, ali bem perto da fronteira com o Sahara Ocidental, Marrocos e Mauritânia. Vale a pena ler o seu relato anterior ao reatamento da guerra no Sahara Ocidental, ocorrido no dia 13 de novembro passado. 

A vida nos acampamentos é o que era, mas hoje veem-se poucos homens e jovens. Partiram para a guerra ou estão na instrução militar para se prepararem para partirem para as zonas de combate contra as forças militares do país que invadiu o seu país em 1975 e lhes trouxe a desgraça, a separação dos seus familiares, o exílio. - nota da AAPSO.


O segundo acampamento de refugiados activo mais antigo do mundo foi construído por mulheres que fugiram da guerra e das bombas de napalm e fósforo branco com os seus filhos ao colo, em meados da década de 70. O percurso sinuoso da “última colónia africana” pela voz das mulheres do Sara Ocidental.

Nuno Abreu e Maria João Salgado - PÚBLICO- 11 de Outubro de 2020


“Cavámos profundos buracos para nos metermos lá dentro e nos defendermos das bombas que caíam do céu.” Milhares de mulheres fugiram para o interior do deserto com as crianças para escaparem das bombas de napalm e fósforo branco, enquanto os homens se organizavam para combater as forças invasoras, começou por nos contar Fatma, mulher sarauí que viveu as primeiras transformações na sua sociedade assim que Marrocos e a Mauritânia entraram em confronto com o Sara Ocidental. Um mergulho pelas memórias de Fatma (80 anos), mãe da Lala (34 anos), mulher enfermeira que nos hospedou no deserto árido a alguns quilómetros da cidade de Tindouf, na Argélia, nos acampamentos de refugiados do Sara Ocidental, servia assim de cartão de boas-vindas às 16 noites a dormir sob o alento das estrelas e aos 16 dias por debaixo de um calor abrasador a escutar as suas histórias.

A noite caía no horizonte, depois de uma tarde de ventos fortes que nos deixou sem electricidade durante grande parte do dia. As temperaturas chegaram aos 42º, mas em Julho e Agosto podem chegar aos 50º. A melfa azul-turquesa — vestido e símbolo da mulher sarauí — que cobria o corpo de Fatma imanava uma calma de alguém que já viveu muito e passou por muitas transformações. O chá era preparado enquanto partilhava mais alguns episódios. “Esses tempos foram muito difíceis. Caminhámos quilómetros com as crianças ao colo. Havia poucos carros e quando algum passava íamos dezenas no mesmo.” As sombras no rosto de Fatma começavam a notar-se à medida que ia mergulhando nas suas memórias. “No caminho havia muitos corpos caídos pelo deserto” e os primeiros anos nos acampamentos na Argélia foram de uma miséria total. Não havia água nem comida e todas as crianças tinham febres e diarreias. “Foi muito difícil. As mulheres tiveram de se organizar e começar tudo de novo no meio deste deserto inóspito.” A conversa terminava de forma abrupta com Lala a dizer que a mãe não se sentia bem quando revivia estas memórias.

O que é o Sara Ocidental? Quem é o povo sarauí? O que lhes aconteceu para viverem há 44 anos num dos desertos mais inóspitos do planeta?


Acampamento de Bojador. O fim de tarde permite que Lala saia de casa
para ir ao mercado mais próximo comprar alguns alimentos


Um ponto de interrogação

O Sara Ocidental ainda é para muitos um gigante ponto de interrogação. No Norte de África, a mais presente potência colonial foi a França, mas houve um país que tomou por assalto o território dos berberes: Espanha. No vasto Magrebe, o Sara Ocidental situa-se exactamente entre Marrocos (a norte), a Mauritânia (a sul) e a Argélia (a este). E este é um dos últimos 17 territórios em processo de autodeterminação em todo o mundo (segundo dados das Nações Unidas), também conhecido como a última colónia africana. A ONU reconheceu, em 1966, o direito ao povo sarauí de realizar um referendo de autodeterminação, consulta que nunca se realizou até hoje. Espanha ocupou estes territórios desde 1884 a 1975, altura em que a ditadura franquista caiu. “Saíram dos territórios sarauís de forma repentina, sem deixar um único espanhol para que houvesse uma transição moderada. Ficámos sozinhos, sem qualquer quadro técnico (medicina, educação, gestão, etc.)”, disse-nos Tiba Chagaf, membro da cooperação internacional da República Árabe Sarauí Democrática (RASD).

A 6 de Novembro de 1975, o então rei de Marrocos, Hassan II, incitou 350 mil marroquinos a dirigirem-se por terra rumo ao território do Sara Ocidental, movimento que ficou conhecido como Marcha Verde. Espanha, sem que os sarauís tivessem conhecimento, fizera acordos com a Mauritânia e com Marrocos (Acordos Tripartidos, de 14 de Novembro de 1975). Esta negociação determinava que parte do território estava destinada a Marrocos (Saguia el Hamra) e outra parte à Mauritânia (Rio de Oro). Dá-se início a uma guerra entre os três, acabando a Mauritânia por se retirar a 15 de Agosto de 1979 (Acordo de Argel), ficando apenas Marrocos como pretendente a este território. A partir de 1976, os acampamentos de refugiados começavam a nascer em Tindouf, na vizinha Argélia. É nestes movimentos de fuga dos sarauís que o relato de Fatma entra. Só em 1991 é que a ONU intervém no território para mediar o cessar-fogo. Passados 44 anos no meio de sangrentas guerras com Marrocos e a Mauritânia, o povo sarauí resiste dividido em duas grandes partes: a primeira encontra-se no intitulado Sara Ocidental ocupado por Marrocos; a segunda nos acampamentos de refugiados localizados no deserto profundo da Argélia.


Fatma - mãe de Lala - após nos contar o porquê e como fugiu do Sara Ocidental 
para os acampamentos de refugiados na Argélia


As mulheres como núcleo

Chegámos ao aeroporto de Tindouf por volta das 23h e os termómetros indicavam 37 graus Celsius. O bafo quente do lado de fora do nosso jipe augurava uma estada rica em altas temperaturas. A noite ia alta, os corpos cansados, e o ar teimava em dar-nos as boas-vindas à temperatura do chá.

Nesses dias, o povo sarauí estava em celebração pelo prémio Right Livelihood, também conhecido como Prémio Nobel Alternativo dos Direitos Humanos, atribuído à cidadã sarauí Aminetu Haydar. Aminetu é um dos principais rostos da luta pelos direitos humanos na diáspora. A activista ficou conhecida em meados de 2009, após estar 32 dias em greve de fome por ter sido expulsa de El Aaiún, capital do Sara Ocidental. Antes havia sido presa por vários anos e sofrera torturas múltiplas com detenções arbitrárias e sem qualquer apoio jurídico. Aminetu Haydar é um dos símbolos femininos mais celebrados e elogiados por toda a sociedade sarauí, por isso fomos conhecer mulheres que coordenam organismos públicos nos acampamentos, artistas, professoras, trabalhadoras antiminas, vítimas das minas, e cidadãs comuns. O objectivo era compreender o seu papel na construção desta sociedade, os seus desafios e as expectativas que têm para o seu futuro.

A criação da União Nacional das Mulheres Sarauís (UNMS), em 1974, pouco tempo depois da Frente Polisário (movimento político-revolucionário nascido em 1973 para combater a retirada dos espanhóis do seu território), “é um claro sinal da importância da mulher na sociedade sarauí”, disse-nos Mineto Larabàs Suedà, actual coordenadora deste organismo. Como peça fundamental na organização dos acampamentos, decidiu-se que as mulheres teriam de criar um espaço para si, onde nele pudessem trabalhar, de forma autónoma e independente, todas as matérias ligadas à gestão dos acampamentos, ou seja, um local de encontro para que todas tivessem uma voz e pudessem ajudar no fortalecimento da sua sociedade, explicava-nos Mineto.


Para assinalar o dia Mundial da Paz a União Nacional de Mulheres de Bojador 
contou com a presença de mais de 50 mulheres e  algumas 
organizações internacionais como a OXFAM 


 Todos os cinco acampamentos têm um edifício da UNMS, no qual as mulheres se encontram diariamente para discutir e decidir os mais variados assuntos. “Em cada uma destas casas há um grupo de trabalhadoras responsáveis por tudo aquilo que fazemos.” À medida que colocámos as perguntas, outras mulheres sentavam-se à nossa volta e comentavam em hassania. “Para que percebas, em cada acampamento (wilaya) existem várias dayras. Bojador, a wilaya onde estamos, tem três dayras.” As wilayas são as cidades, as dayras, podemos pensá-las como freguesias. Como presidentes de junta, as mulheres têm a impressionante percentagem de 98% de participação, enquanto os bairros são administrados 100% por mulheres. “Tudo o que fazemos aqui dentro tem um tronco comum: encorajamos as mulheres a terem uma participação activa em todos os assuntos que digam respeito à nossa sociedade.”

Durante o diálogo com Mineto, mais do que um papel fulcral na organização das famílias e das suas casas, é o desejo em abraçar todas as áreas basilares de uma sociedade, “desde a educação à saúde, da vida política à nossa emancipação enquanto figuras centrais. É importante que a mulher sarauí seja independente”. Um ou outro homem que ali estava na sala não pestanejava com qualquer comentário mais intenso que Mineto proferia. A voz tornava-se mais firme quando acrescentava que faziam lobby para que a administração central abrisse vagas para as mulheres. O discurso era claro: o tempo e a determinação são cruciais, para que juntas consigam alcançar a igualdade entre os seus pares. Mineto parecia querer terminar a nossa conversa, pois teria de ir para algumas reuniões marcadas, já que “o trabalho não podia esperar”, mas deixou-nos com o principal objectivo da sua coordenação na UNMS, já que na altura da guerra “foram elas que construíram tudo, desde os hospitais às escolas”: “Segundo alguns observadores internacionais, temos os acampamentos mais organizados do mundo.” Sem grandes rodeios, Mineto abordava uma questão que à partida é sensível, mas que não surge envolta em tabu, pois “o que acontece aqui, tal como acontece noutros sítios, quando a guerra acaba, [é que] os homens voltam e ocupam os cargos todos e poucos restam para as mulheres. Queremos estar em todos os níveis políticos e administrativos, 50/50, é isso que queremos”.

Numa sala ao lado, decorria uma sessão com as delegadas das Escolas de Empoderamento da Mulher, organismo criado em 2018 em conjunto com voluntárias do País Basco, com o objectivo de consciencializar a mulher sarauí para a participação política e a importância que tais actividades têm no seio da sua comunidade. Como era de prever, não pudemos entrar nestas sessões, pois são estritamente destinadas às mulheres sarauís e às técnicas de igualdade bascas que ajudam a gerir todo este processo. Aproveitámos o tempo de espera para conversar com uma destas técnicas, Uzune Zuazo, que nos falou um pouco da sua participação e em que é que se baseavam estes encontros. “Esta rede acompanha as mulheres a partir de uma perspectiva feminista. Fazemos formações relativas à participação, liderança e conhecimento corporal. Vimos de dois em dois meses aos acampamentos.”


A sala de aula de uma escola de 2.º ciclo de Bojador com crianças entre os 13 e os 16 anos 
a assistir a uma sessão de esclarecimento sobre os perigos das minas para os mais pequenos


A casa da Lala, onde ficámos hospedados, era o nosso refúgio para fugir às assombrosas temperaturas e à escassa humidade. De volta de quatro filhos (dois rapazes e duas raparigas), Lala geria os dias a cuidar deles — o marido é militar, por isso tem períodos de ausência prolongados —, e muitas vezes durante o período da manhã, preparava-nos o café e logo a seguir saía de casa, pois “tinha muito que fazer na dayra” com o resto das mulheres. Sempre rodeada de papéis, algumas dessas manhãs eram também ocupadas com aulas de várias disciplinas, para que a população tivesse uma educação contínua e estivesse sempre a renovar conhecimentos. “Às vezes custa sair de casa por causa do sol e do pó, mas é importante para nos mantermos unidas e para que nada falte a ninguém”.

Segundo dados do relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, vivem nos acampamentos cerca de 175 mil pessoas, das quais um pouco menos de metade são mulheres, com a maior fatia da população entre os 18 e os 49 anos. Em Bojador, onde ficámos a dormir, este acampamento é apelidado de “dormitório”, local criado mais tarde para apoiar a região administrativa, com a menor densidade populacional entre todos os cinco acampamentos, com cerca de 16 mil pessoas, mas não menos agitado do que uma “cidade normal” durante as horas em que o sol permitia os trabalhos diários.

Num desses dias tivemos de nos deslocar até outro acampamento, neste caso o de Smara. Depois de algumas horas à espera do táxi, ora porque o taxista não tinha todos os papéis em ordem ora porque não nos queria levar pois teria de esperar algumas horas pelo fim das nossas entrevistas, Lala levou-nos na carrinha do primo Ali até à wylaia de Smara. Chegámos ainda a tempo de visitar o horto público de que nos haviam falado. Para além de um punhado de árvores e arbustos autóctones, não havia praticamente agricultura em desenvolvimento. A bomba de água estava estragada, o que impedia a plantação de alimentos. Naqueles terrenos áridos encontrámos um grupo de mulheres a descansar após o trabalho matinal, abrigadas do sol por algumas árvores. “Normalmente plantamos batatas e outros legumes, mas neste momento não conseguimos fazer muito. Costumamos trabalhar das 8h às 12h, já que as horas seguintes não permitem que andemos por cá.”


Almoço em casa de Lala, antes das crianças irem para a aula de Inglês


Uma das maiores taxas de alfabetização de África

Segundo dados da Oxfam, a população do Sara Ocidental nos acampamentos tem uma taxa de alfabetização que chega aos 90%, ou seja, uma das mais altas de África. A escolaridade obrigatória é feita a partir dos três anos, mas o grande desafio para a continuidade dos estudos acontece no ensino universitário. A maior parte dos jovens prossegue os estudos maioritariamente em universidades argelinas e espanholas. O regresso destes alunos formados é uma das grandes crises que enfrentam. Regressados aos campos, as oportunidades são parcas, o que leva a que muitos procurem a sorte no estrangeiro, acabando por enviar algum dinheiro para as famílias nos acampamentos.

O calor abranda por volta das 19h, assim que o sol se enterra no horizonte, mas mesmo assim algumas das aulas extracurriculares têm início pelas 17h. Visitámos uma delas a convite de uma das filhas de Lala, Baghi (12 anos), que fez questão em levar-nos até à aula de música. Chegámos à biblioteca Bubisher, onde as aulas eram dadas por duas professoras sarauís. “A nova sala de aula, construída pela ONG Sandblast, só estará pronta daqui por uns dias. Por isso o espaço que temos é este”, dizia-nos sorridente a professora Fatimetu Malainin (21 anos), coordenadora no terreno deste projecto educativo.

Sentámo-nos a um canto e logo nos apercebemos e que não eram aulas de música convencionais, pois eram dadas em inglês. As crianças, todas elas entre os 12 e os 13 anos, na sua maior parte raparigas, juntaram-se em roda para realizar os exercícios de ritmo e melodia. No fim, sentámo-nos à conversa com Fatimetu, que nos contou o seu percurso e como tinha ido ali parar. À partida, e para os conhecedores da música do Sara Ocidental, os nomes que mais sucesso tem são de mulheres compositoras como Mariem Hassan (falecida em 2015) e Aziza Brahim, artistas que fizeram digressões pelo mundo inteiro, daí estranharmos o primeiro comentário de Fatimetu ao dizer que “no Sara a música não é algo para mulheres”.


Fatimetu a leccionar uma das aulas de música que são dadas em inglês
a crianças entre os 10 e os 12 anos na biblioteca Bubisher

Para Fatimetu, foi muito difícil iniciar os seus estudos musicais, porque a sua família pensava que ela andava em algum desporto, mas na realidade esteve a “aprender música sem ninguém saber”. “Só depois apareci com o diploma de formação musical em casa, o que não foi muito fácil a princípio.” Nos acampamentos, normalmente, é mais comum os rapazes terem aulas de música, “mas eu queria muito aprender, e, por sorte, vieram uns britânicos para implementar um projecto de música para ensinar crianças”, mas também procuravam mulheres para darem aulas, e como só existia Fatimetu com tais características, acabou por aceitar o desafio. Perante a surpresa de as aulas de música serem dadas em inglês, Fatimetu explicou-nos que essa conjugação não tinha sido planeada no início, mas havia sido uma consequência de algumas barreiras que as professoras de música encontraram na execução deste projecto, já que nem todas as famílias queriam que as crianças aprendessem música. Foi então que decidiram juntar as aulas de inglês às de música. Assunto resolvido.


Mulheres à caça de minas antipessoais

“Porque é que faço isto? Obviamente porque alguém tem de o fazer. E nós estamos aqui para sermos agentes da mudança”, respondia-nos Madya Mohamed Mahmud (21 anos), uma das mulheres que estão a ser formadas pela SMACO (Gabinete de Coordenação Sarauí para as Acções de Neutralização de Minas) com o objectivo de integrar as equipas que ajudam a neutralizar milhões de minas que estão adormecidas por debaixo das areias do deserto do Sara Ocidental. Dizia-nos que algum dia o território teria de ser libertado das minas, e quanto mais cedo o fizessem, mais rápido poderiam tirar partido dele, e era assim uma forma de se sentirem “úteis com um grande objectivo: o de salvar vidas. Não só as pessoas, mas também todos os animais que circulam pelos territórios”.

Assistimos a uma aula de formação prática no terreno de algumas mulheres que se estão a preparar para rumar aos territórios libertados para ajudar na neutralização das minas. A chefe de missão, Fatimetu Bauchria, falou-nos sobre o papel transformador da mulher nesta sociedade. Bauchria lidera um grupo de oito mulheres equipadas com fatos de defesa antimina. Tem 31 anos e já leva quatro anos de trabalho com minas nos territórios libertados. Começou neste trabalho mesmo sabendo que correria muitos riscos e, sobretudo, porque era algo humano, algo bom para a sociedade, dizia-nos. Mesmo quando engravidou, continuou o seu trabalho nos campos de minas, numa afirmação de igualdade entre homens e mulheres. “Gostei de mostrar que a mulher pode trabalhar em tudo o que homem trabalha. A gravidez não é um obstáculo para poderes trabalhar.” A verdade é que, antes de ir, as críticas dos vizinhos eram muitas.


Três mulheres sarauís numa aula prática da SMACO para aprender a neutralizar minas
escondidas por debaixo da areia do deserto

As vítimas de minas

A dedicação de pessoas como Fatimetu e Madya evitam em grande escala casos como aqueles que existem no Centro de Incapacitados Mártir El Sheriff, edifício localizado a uns dois quilómetros de Bojador, bem no meio das dunas negras, alojando cerca de 53 famílias. Em 1981 começou a ser construído um muro para separar a zona controlada por Marrocos da zona controlada pela Frente Polisário. Dos 2720 quilómetros de barreiras de areia altamente militarizadas, cerca de 1465 estão artilhados com minas antipessoais. Apesar de não existirem números totais, estima-se que existam aqui cerca de seis milhões destas armas, tornando este território um dos locais mais mortíferos tanto para os humanos como para a vida animal que ali habita. “Todos os dias descobrimos novos locais repletos de minas, isto na zona libertada, pois não temos acesso nem permissão para saber do lado marroquino”, dizia-nos Alvaro Florez, um dos coordenadores do programa do Serviço de Acção Antiminas das Nações Unidas (UNMAS) para o Sara Ocidental. Desde 2008 que estão no terreno e ficarão até 2023. O objectivo é capacitar a SMACO para que consiga organizar a neutralização de minas no território. “A zona de Tifariti, onde ocorreram os embates mais intensos entre os dois países, é a que está mais ‘infectada’.”

Chegámos cedo ao Centro de Incapacitados e fomos recebidos pelos directores da instituição e do centro hospitalar, Mohamed Ahmed Empeirk e Ahmed Mohamud Taleb Aumar, respectivamente. Todas as vítimas de minas que ali se encontravam tinham o seu próprio espaço para que as suas famílias pudessem ali residir também. Fomos a cerca de dez habitações e lá conhecemos quatro mulheres que haviam sido apanhadas pelas minas. Os quatro casos tiveram lugar nos territórios libertados, quando as mulheres viajavam de carro.

A primeira vítima, Sidammi (54 anos), teve o acidente em 1987. Seguiam três pessoas no carro a caminho de casa e duas minas rebentaram. A sua perna direita ficou imobilizada para sempre. Vive ali com os filhos. O mesmo aconteceu a Mariem, que no ano de 1967, quando tinha ainda oito anos, a viajar pela zona libertada, viu o seu carro explodir e a sua perna amputada. No terceiro quarto encontrámos Indira, uma mulher de sorriso fácil que também tinha a perna esquerda amputada. Ia com os pais no jipe quando uma mina explodiu. Era criança, não se recorda de quantos anos tinha, mas ficou órfã. Selmana Brahim teve o acidente corria o ano de 1991, desde então vive no centro com a família. A tristeza compunha o seu quarto. Abandonámos o local para surfarmos as dunas até ao centro institucional dos acampamentos, Rabuni. Fomos em silêncio. Olhávamos a areia do deserto de outra forma.


No Centro de Incapacitados de Martyr Sheriff outra das mulheres vítimas de minas
mostra-nos a amputação da sua perna


O movimento juvenil sarauí

Muitos fins de tarde foram passados na companhia dos mais jovens. As conversas voavam entre vários temas, mas havia um que era mais forte: o que fazer em relação ao futuro. Uns haviam vivido em Espanha ou fora dos acampamentos noutras cidades argelinas para estudar, mas havia casos de jovens que nunca haviam saído. Os discursos eram diferentes. Estes últimos, mais fechados, mais negros em relação futuro. Os mais cépticos continuavam a achar que desta forma não iam chegar a lado algum, pois a comunidade internacional só se preocupava com os casos mais urgentes. “Nós estamos aqui há 44 anos, mas não há guerras, não há pessoas a morrer em catadupas, não há tensão. Enquanto tentarmos fazer tudo de forma correcta como temos vindo a fazer, vamos continuar a ser ignorados”, dizia Mohamed (28 anos). Alegava emotivamente que ninguém queria saber deles e que aquela terra não era deles nem nunca viria a ser. “Não há trabalho aqui, não há nada. Para que é que vamos estudar? Sou poeta da vida.”

Depois de horas a fio deitados sobre almofadas e a beber chá preto, o cansaço tomou conta do corpo e Mohamed despedia-se a agradecer a nossa visita, para percebermos que a coisa mais bela que esta comunidade tem é a sua hospitalidade: “Essa é a nossa melhor arma.”

Para conseguirmos ter um maior alcance da opinião geral dos jovens e dos seus desafios, fomos conhecer Maglaha Ayna, directora da Associação Nova, organização que promove a não-violência entre as gerações mais novas. Estavam oito pessoas sentadas numa mesa larga à nossa espera, cada um com uma responsabilidade específica dentro da Nova, mas quiseram reforçar que, para além daquele cargo, viviam independentes, pois trabalhavam a tempo inteiro noutros ofícios.


No Centro de incapacitados de Martyr Seriff uma das vítimas de minas conta-nos
a história de como ficou imobilizada de uma perna

Num acampamento de refugiados não é fácil dizer o que está certo ou errado, não há grande moralidade num acampamento, dizia-nos Maglaha. Dialogam com frequência com o Parlamento e com o Ministério da Defesa fomentando a ideia de que não podem voltar à guerra e que a solução viável será apenas através do diálogo. Estão em contacto com a juventude marroquina, argelina e tunisina. No início de cada ano, reúnem-se para definirem a estratégia anual: “Algumas coisas conseguimos, outras, não.” “Como temos pouco financiamento, muitos projectos vão por água abaixo.”

A Associação Nova trabalha quatro grandes temas: emprego, direitos humanos, referendo e recursos naturais. Trabalham com grandes organizações como a Oxfam e outras organizações nórdicas. Viajam para o estrangeiro para poderem participar em formações e diálogos interculturais. Regressam e ensinam aquilo que aprenderam aos que não puderam ir. Adiantava que alguns jovens não queriam estudar, e decidiam trabalhar para ter dinheiro. Outras têm famílias muito frágeis. Outros não querem estudar por saberem que não vão ter trabalho depois, “não há futuro para eles”. As partilhas eram francas e pressupõem um grande esforço diário, já que fomentar a ideia de que irão conseguir a autodeterminação com diplomacia é tarefa de supermulheres e super-homens. “Estamos a tentar conseguir a independência com diplomacia”, lembra-nos Maglaha Ayna. Esta dirigente é pragmática: a juventude tende a não acreditar, por isso é difícil fazê-los ir a estas sessões e falar sobre a não-violência, pois estão fartos daquela situação.


Fatimetu Malainin - mulher que perseguiu o sonho de se tornar numa
professora de música sem que a família o soubesse
 

Outro dos grandes desafios é a gestão das promessas não cumpridas pela ONU. “Fazem uma promessa e não atingem os objectivos. Isso faz com que as pessoas fiquem frustradas e percam a esperança. E é isso que muitos jovens pensam. Nós queremos ajudar a construir a nossa sociedade de uma forma pacífica e diplomática.”


A arte nos acampamentos

Chegámos muito cedo a casa de Gahuana (33 anos). Começou a sentir que queria ser poetisa aos sete anos e o seu avô inspirou-a a escrever. Os seus poemas falavam da cultura do Sara, das problemáticas que assolam o seu povo. Recitou-nos um poema que retrata tudo isso, intitulado Intifada. Foi muitas vezes convidada para o Ministério da Cultura, mas optou sempre por declinar, pois tem uma família para cuidar. “Quando trabalhamos para o Ministério da Cultura, temos de fazer muitas viagens, o que me deixaria com muito pouco tempo para estar com a família.” Para Gahuana, não há desafios em ser mulher poeta. “Os homens e as mulheres aqui são iguais, o único grande desafio é mesmo viver nestas condições.” Não tem qualquer livro editado. Por vezes, amigos pedem-lhe para escrever algumas palavras para as bodas (casamentos), para que os homens as cantem. São poesias de celebração do amor, mas não gosta muito de o fazer. Prefere falar sobre o Sara e as suas pessoas. Nunca viajou para fora da Argélia. Foi apenas uma vez a Argel e confidenciou-nos que gostaria de lá viver, mas a família não quer ir.


Á direita, Maglaha Ayna, uma das fundadoras da Associação ASAVIM, que tem como objectivo
fomentar a não violência entre as gerações mais jovens; à direita, Fatimetu Bauchria, a mulher sarauí
que desafia os cânones da sociedade ao trabalhar diariamente com a neutralização de minas
no deserto do Sahara Ocidental

Por entre caminhadas casuais pelos acampamentos, acabamos por conhecer um músico que tinha um estúdio. Assim que chegámos a sua casa percebemos quem era: um dos grandes nomes da música sarauí dos anos 1990, o próprio Nayim Alal. Convidou-nos a entrar na sala de visitas enquanto aguardávamos que limpassem o estúdio. Trabalhava desde 1979 e é um dos poucos produtores com clientes nos acampamentos. Dantes produzia muita música religiosa e revolucionária, mas tudo mudou em 2011, “agora as pessoas querem outro tipo de música, música mais fácil, mais ritmada”. Em 1990 trabalhou com a editora espanhola Nubenegra, na qual gravou o primeiro disco em nome próprio, Nar, entre muitos outros discos em que participou com Mariem Hassan.

Alal foi convidado muitas vezes pelo Ministério da Cultura para gravar os maiores nomes da música do Sara Ocidental, mas acabou por também romper esta relação. Muito trabalho, mas pouco dinheiro, dizia ele. Chegou a tocar em 2001 em Lisboa. Fomos até ao seu estúdio para ouvir a sua mais recente composição. Era música de boda. Com a filha sempre ao colo, disse-nos que o seu sonho seria ela seguir os seus passos, que fosse uma grande produtora e uma conhecida cantora.

Tudo parece ter um propósito e todos têm um espaço seu. Não vemos ninguém a dormir na rua ou a pedir misericórdia. Duas gerações de sarauís nasceram nos campos, nunca viram o mar ou sequer entendem o que é viver fora deles. As mulheres sarauís não perdem a esperança de um dia voltarem aos territórios por si reclamados, mas enquanto não o conseguem, trabalham para viver no melhor do pior dos mundos. As sarauís dão uma lição de vida e resiliência. O Sara será sempre delas.