quinta-feira, 22 de julho de 2021

Marrocos continua a chantagear a Espanha e envia 300 migrantes para Melilha, apesar do novo MNE espanhol alegar que o reino é um "Estado amigo".

 


Por Lehbib Abdelhay / ECS

Madrid (ECS). - Um total de 238 imigrantes de origem subsahariana, segundo dados da Delegação do Governo Regional, entraram em Melilha na madrugada desta quinta-feira, num salto por cima da vedação que deixou vários feridos, incluindo três agentes da Guarda Civil, informa a agência Efe.

O evento ocorreu às 6h50. “Os migrantes, equipados com ganchos, escalaram a cerca”, acrescentou um porta-voz. Segundo a citada fonte, “apesar do dispositivo anti-intrusão da Guarda Civil ter sido implantado em todo o perímetro, conseguiram aceder a Melilha 238 pessoas, todas do sexo masculino.

Este salto em cima do muro, um dos mais numerosos dos últimos anos, ocorreu por volta das 6h50 e mais de 300 africanos subsaharianos participaram nele, embora nem todos o tenham conseguido.

Apesar das concessões feitas pelo executivo espanhol, 20 dias após a mudança de governo e a destituição da anterior ministra dos Negócios Estrangeiros, Marrocos retomou as suas chantagens intermináveis contra Espanha.

Se no dia 1 de julho o Presidente do Governo, Pedro Sánchez, disse no canal La Sexta que a sua vontade era "ter as melhores relações com um país vizinho e irmão como Marrocos", na mesma linha, o recém nomeado José Manuel Albares como ministro das Relações Exteriores no ato de transferência da pasta ministerial com a sua antecessora, Arancha González Laya, declarou: “com nossos vizinhos do sul temos que estreitar ainda mais nossas relações, especialmente com Marrocos, nosso grande vizinho e amigo”.

Durante a transferência de pastas, antes da intervenção do novo Chanceler, Arancha González Laya disse que aquele foi um dia "agridoce" e assumiu os erros cometidos dizendo que os estes foram só dela e os triunfos cabiam à sua equipa. Citou como uma das questões pendentes a "normalização total" das relações com o Marrocos "a partir do respeito e da corresponsabilidade".

A ex-Ministra dos Negócios Estrangeiros, que exerceu o seu cargo durante 546 dias como ela própria recordou, tentou numa primeira fase do seu mandato não se opor a Marrocos, chegando mesmo a apagar a bandeira do Sahara Ocidental do mapa político da União Africana (UA), de que a República Saharaui é fundadora, facto que teve repercussões favoráveis ​​na imprensa marroquina.

Além de não fazer referência ao direito à autodeterminação dos saharauis, que o regime marroquino recusa, em resposta à denúncia do seu homólogo marroquino, Nasser Bourita, González Laya desautorizou o secretário de Estado dos Direitos Sociais, Nacho Álvarez, num tweet, por este ter mantido um encontro com a ministra saharaui dos Assuntos Sociais e Promoção da Mulher, Suilma Beiruk, afirmando que esta não é a posição do Governo de Espanha, que não reconhece a RASD.

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