domingo, 29 de junho de 2014

Luís Fontoura: a morte do político que negociou com a Frente POLISARIO a libertação de 15 pescadores portugueses




Morreu hoje, com 81 anos, Luís Fontoura, antigo vice-presidente do PSD, um homem de bom trato, de grande elegância e inteligência. Em 1980, foi ele quem, a pedido do então primeiro-ministro Sá Carneiro, negociou com a Frente Polisario a Libertação de 15 pescadores portugueses capturados no «Rio Vouga» que fainava ilegalmente nas águas territoriais do Sahara Ocidental ocupado. Desde então sempre se considerou, de alguma maneira, ligado àquele território e àquele povo que ele desde logo aprendeu a respeitar.

Luís Fontoura deu-nos a conhecer que era um leitor atento das notícias veiculadas pela AAPSO sobre a luta de autodeterminação do Povo Saharaui.
Dele nos despedimos com respeito e consideração.





A história dos 15 pescadores do «Rio Vouga» relatada pelo fotógrafo Rui Ochoa do Expresso, que acompanhou as conversações:

“Numa madrugada do início de Junho de 1980, o arrastão "Rio Vouga", com 15 pescadores a bordo, foi sequestrado por guerrilheiros da Frente Polisário, que combatiam o reino de Marrocos, pela libertação dos territórios do Sahara Ocidental, e por esse motivo consideravam proibido pescar nas "suas" águas.

O navio foi destruído durante o ataque, mas os pescadores mantiveram-se algures no deserto, quase dois meses, enquanto decorriam conversações com o Governo português, na altura presidido por Sá Carneiro, em plena vigência do Governo da AD.

Era um assunto delicado para o Governo de Portugal, pois, por um lado, o principal objetivo era trazer de novo os pescadores para Matosinhos e, por outro, havia a preocupação de salvaguardar as excelentes relações que Portugal mantinha com Rabat e com o Rei Hassan II, tanto mais que trabalhavam em Marrocos 25 mil portugueses.

Sá Carneiro decidiu então enviar ao deserto do Sahara um negociador institucional, mas que não pertencia ao Governo, Luís Fontoura, das Relações Internacionais do PSD. Fontoura deslocou-se por duas vezes ao Sahara, tendo assinado, num jantar (em que participei) efetuado numa tenda no deserto, em Tindouf, em nome do Governo português, um acordo com a Frente Polisário que levaria à libertação dos 15 pescadores.

Após uma curta paragem em Argel, tendo como anfitrião e participante ativo nas conversações o embaixador Meneses Cordeiro, os pescadores chegaram no dia 24 de Julho a Lisboa”.
  

Sem comentários:

Enviar um comentário