quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Autoridade saharaui do Petróleo e da Mineração alerta para exploração ilegal de minerais no Sahara Ocidental por Marrocos



A Saharawi Petroleum and Mining Authority (SPMA) alertou esta quinta-feira para o que classifica como comércio ilegal de minerais estratégicos por parte de Marrocos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, sublinhando que Rabat não detém qualquer soberania ou direito legal sobre os recursos naturais da região.
Em comunicado divulgado a partir de Bir Lehlu, nos territórios libertados, a autoridade da República Árabe Saharaui Democrática reagiu à participação do ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Nasser Bourita, numa reunião ministerial sobre minerais críticos realizada em Washington, sob a égide do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
A SPMA recorda que, de acordo com o direito internacional, Marrocos não tem jurisdição sobre o Sahara Ocidental nem sobre os seus recursos naturais, posição que, segundo o organismo, tem sido reiteradamente confirmada por pareceres e decisões judiciais internacionais. Entre estes, destaca-se o parecer jurídico das Nações Unidas de 2002, que considera ilegal qualquer exploração de recursos do Sahara Ocidental sem o consentimento do povo saharaui e do seu representante legítimo, a Frente Polisario.
O comunicado refere ainda decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia, bem como de tribunais no Reino Unido, África do Sul e Nova Zelândia, além de um acórdão do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos, que reconhecem o Sahara Ocidental como um território distinto de Marrocos e consideram ilegais os acordos celebrados por Rabat que incluam essa região.




Segundo a SPMA, o Sahara Ocidental possui recursos naturais significativos, como ouro, minério de ferro, zinco e terras raras, que pertencem exclusivamente ao povo saharaui. A participação de responsáveis marroquinos em fóruns internacionais sobre minerais críticos é classificada como “enganadora” e suscetível de envolver terceiros em atividades que podem configurar a exploração de recursos “roubados”.
A autoridade saharaui alerta que qualquer empresa ou instituição que desenvolva atividades no Saara Ocidental através das autoridades marroquinas o faz sem base legal e em violação do direito internacional. Em paralelo, reafirma a disponibilidade da RASD para dialogar com parceiros internacionais e investidores interessados em operar no território, desde que esse envolvimento ocorra de forma transparente, reconhecida internacionalmente e fora do quadro da ocupação marroquina.
A SPMA conclui reiterando que o Estado saharaui está aberto a investimento responsável e a iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável e o crescimento económico, desde que respeitem o direito do povo saharaui à autodeterminação e à soberania permanente sobre os seus recursos naturais.

Fonte: Saharawi Petroleum and Mining Authority (SPMA).

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