domingo, 8 de fevereiro de 2026

EUA lideram negociações discretas em Madrid sobre o futuro do Sahara Ocidental

Massad Boulos, enviado para África, e Michael Waltz,
embaixador dos EUA junto das Nações Unidas

Marrocos, a Frente Polisario, Argélia e Mauritânia reúnem-se este domingo em Madrid para negociar o futuro do Sahara Ocidental, num processo conduzido pelos Estados Unidos e realizado sob forte confidencialidade, segundo revela Ignacio Cembrero, do El Confidencial.

As conversações decorrem na Embaixada dos EUA em Madrid e são lideradas por representantes do presidente norte-americano: Massad Boulos, enviado para África, e Michael Waltz, embaixador dos EUA junto das Nações Unidas. Participam os ministros dos Negócios Estrangeiros de Marrocos (Nasser Bourita), Argélia (Ahmed Attaf) e Mauritânia (Mohamed Salem Ould Merzoug), bem como o responsável diplomático da Frente Polisario, Mohamed Yeslem Beissat. O encontro conta ainda com a presença de Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para o Sahara Ocidental, embora a iniciativa esteja a ser conduzida sobretudo pela diplomacia norte-americana em detrimento da iniciatiava onusiana...

A reunião em Madrid dá seguimento a um primeiro encontro secreto realizado há duas semanas em Washington. Desde o outono, os EUA assumiram a liderança do processo, relegando para segundo plano o papel das Nações Unidas. Washington considera a resolução do conflito uma “prioridade máxima” e tem pressionado as partes a negociar com base na resolução 2797 do Conselho de Segurança da ONU, que aponta a proposta marroquina de autonomia “como base para uma solução política”.

Nesse contexto- diz o jornalista do periódico espanhol -, Rabat apresentou recentemente uma nova proposta de autonomia, com cerca de 40 páginas, significativamente mais detalhada do que o plano de 2007. O documento foi elaborado por conselheiros próximos do rei Mohamed VI e contou com o envolvimento dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Interior, bem como dos serviços de informação. Ainda assim, fontes norte-americanas consideram que a proposta continua aquém de uma autonomia plena e exigiria alterações constitucionais em Marrocos - refere.

Apesar da crescente pressão internacional — incluindo o apoio expresso da União Europeia e o reconhecimento da soberania marroquina por EUA e França —, a Argélia e a Frente Polisário mantêm, a defesa do referendo de autodeterminação acordado em 1991 sob a égide da ONU. Um dos objetivos estratégicos de Rabat passa também por reduzir ou mesmo desmantelar a MINURSO, missão da ONU criada para organizar esse referendo, cujo mandato volta a ser discutido no Conselho de Segurança ainda este ano.
A escolha de Madrid para acolher as negociações foi uma decisão unilateral dos Estados Unidos e não contou com a participação formal da diplomacia espanhola.

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