domingo, 13 de janeiro de 2013

Contra a exploração dos recursos naturais no Sahara Ocidental




No dia 29 de dezembro de 2012, às 5 da madrugada, declarou-se um incêndio na aldeia de pescadores de Lasarga, 10 km. Ao sul da cidade ocupada de Dakhla.

Mais de 100 barracas de madeira foram destruídas pelo fogo, e uns 500 pescadores perderam o seu equipamento, as suas redes e, em muitos casos, os seus barcos.

As causas deste incêndio são desconhecidas mas, segundo algumas fontes, a concorrência com os «reis dos mares» (os generais do reino marroquino) poderão estar na origem do incêndio, qualificado de criminoso. Não toleram a concorrência dos «pequenos» pescadores.
Todos os pescadores sinistrados são marroquinos, e praticam a pesca tradicional de cefalópodes. Alguns têm autorização oficial, outros são clandestinos. Só cerca de 5% de saharauis conseguiram uma licença.

As cifras oficiais divulgadas pelos meios às ordens do Reino marroquino ocupante do Sahara Ocidental apresentam grandes desvios em função dos anos e das declarações.
No entanto, na estratégia de colonização, o rei de Marrocos, Mohamed VI deu ordem em 2001 de autorizar e favorecer a construção de aldeias de pescadores para os colonos marroquinos. Foram construídas quatro aldeias: Lasarga, Interift, Lbeirka (tichka) e a 111. A composição de cada Aldeia de colonos marroquinos em 2012 era a seguinte:

Imtlan ou 111: número de barcos, 300; número de pescadores, 1.200.
Intireft ou Aarich: número de barcos, 1.600; número de pescadores, 8.000.
Lasarga: número de barcos, 1.400; número de pescadores, 6.000.
Lbairda ou Tchikina: número de barcos, 800; número de pescadores, 5.100.

A direção de Pesca de Dakhla divulga uma cifra total de 7.850 barcos artesanais oficialmente autorizados, e estima em 200 o número de barcos artesanais clandestinos.

Segundo estimativas de várias organizações do setor e de associações ecológicas, os barcos clandestinos deverão ultrapassar os 1.000.

Cada saída para o mar supõe uma pesca de 160 kg. de polvo. Uma saída de pesca dura umas 12 h. E os pescadores saem todos os dias excepto às sextas-feiras.


As autoridades de ocupação nunca respeitaram as quotas de captura nem salvaguardaram o necessário repouso biológico das espécies marinhas. Sempre fomentaram tacitamente as embarcações tradicionais que operam ilegalmente nas águas da região.

Em 2009, os meios oficiais marroquinos recordavam, no entanto, que a pesca excessiva de polvo levara ao ponto de extinção da espécie nos anos 2000 e que esta tinha sido salva graças à redução da frota pesqueira tradicional de 7.000 para 3.000 barcos, tendo sido indemnizados com uma subvenção os que deixaram de fainar. Parece que a medida fracassou e que as quotas não são mais que discursos políticos e demagógicos.
Estas práticas desordenadas, destrutivas e ilegais representam um risco real para a riqueza pesqueira da região do rio Eddahab e de Lagouira [NOTA: regiões do Sahara falsas inventadas para o Sahara Ocidental por Marrocos].

*Fonte: Equipo Mediático – Territórios ocupados do Sahara Ocidental

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