Marrocos tornou-se o maior importador de armamento em África nos últimos cinco anos, segundo o mais recente relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). Os dados indicam que Rabat ultrapassou a Argélia no volume de aquisições, num contexto de reforço da cooperação militar com Israel, que passou a ser o segundo maior fornecedor de armas ao país – quem o diz é o jornalista Ignacio Cembrero, em artigo no El Confidencial.
De acordo com o estudo citado pelo reputado jornalista especialista na região do Magrebe, os Estados Unidos continuam a ser o principal fornecedor de armamento a Marrocos, representando cerca de 60% das importações militares do país. Israel surge em segundo lugar, com 24%, ultrapassando a França, tradicional parceiro militar de Rabat, que desceu para 10%.
A
intensificação das compras a Israel está ligada ao
restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países
em 2020, o que abriu caminho a uma cooperação mais estreita nas
áreas militar e de segurança. Um exemplo dessa aproximação foi a
assinatura de um contrato com a empresa Israel Aerospace Industries
para a aquisição do sistema de defesa aérea Barak MX, avaliado em
cerca de 500 milhões de dólares.
Segundo o SIPRI, as
importações de armamento por Marrocos aumentaram 12% desde 2021.
Ainda assim, representam apenas 1% do total mundial, colocando o país
na 28.ª posição entre os maiores compradores de armas a nível
global.
Argélia perde liderança, mas mantém forte orçamento militar
No
mesmo período – refere
o artigo do El Confidencial -,
a Argélia, que no final da década passada era o principal
importador africano de armamento, caiu para o segundo lugar no
continente. As estimativas do SIPRI indicam que as suas compras
diminuíram 78% nos últimos cinco anos, colocando o país na 33.ª
posição mundial, com 0,9% das importações globais.
Os
principais fornecedores de armas à Argélia são a Rússia (39%),
seguida pela China (27%) e pela Alemanha (18%).
No entanto, o instituto sueco alerta para a opacidade das aquisições militares argelinas, sobretudo nas compras à Rússia. Vários relatórios não confirmados entre 2021 e 2025 sugerem que o volume real poderá ser superior ao estimado.
Especialistas do setor admitem que o verdadeiro nível das compras argelinas permanece incerto. Moscovo chegou mesmo a indicar que a Argélia é um dos seus principais clientes de armamento, embora sem divulgar valores detalhados.
Entre os equipamentos adquiridos estariam 14 caças furtivos Sukhoi Su-57, considerados entre os mais avançados do mundo, dos quais os dois primeiros já terão sido entregues à força aérea argelina.
Corrida armamentista no Magrebe
Apesar
da queda nas importações, a Argélia continua a gastar mais em
defesa do que Marrocos. O orçamento militar argelino para este ano é
estimado entre 21 mil milhões e 25 mil milhões de dólares,
enquanto o de Rabat deverá ficar abaixo dos 16 mil milhões.
Os
dois países mantêm há décadas uma corrida armamentista,
intensificada após a retirada de Espanha do Sahara
Ocidental em 1975. A fronteira terrestre entre ambos permanece
fechada desde 1994, e desde 2022 não existem relações diplomáticas
nem voos civis regulares entre os dois Estados.
Israel reforça posição como exportador mundial
O aumento das vendas a Marrocos reflete também o crescimento da indústria militar israelita. Israel tornou-se no sétimo maior exportador de armas do mundo, com as suas vendas globais a aumentarem 4,4%, ultrapassando pela primeira vez as do Reino Unido – enfatiza Cembrero.
Segundo investigadores do SIPRI, a procura internacional por sistemas de defesa aérea – área em que a indústria israelita é particularmente forte – tem sido um dos principais motores deste crescimento.

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