sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sahara Ocidental: Marrocos e Argélia reativam a sua ofensiva diplomática na Europa

 


No te Olvides del Sahara Occidental - 24/04/2026 | O Sahara Ocidental volta a situar-se no centro de uma intensa atividade diplomática regional e internacional. Na véspera de novas discussões nas Nações Unidas sobre a MINURSO, Marrocos e a Argélia parecem mover as suas peças na Europa com objetivos distintos, mas ligados a um mesmo cenário: o futuro do conflito saharaui e o equilíbrio de forças no Magrebe.

Por um lado, Marrocos intensificou os seus contactos com parceiros europeus para consolidar apoios à sua proposta de autonomia. A recente visita do seu ministro dos Negócios Estrangeiros a Londres insere-se nessa estratégia, num contexto em que países como o Reino Unido demonstraram o seu apoio a esta abordagem como base para uma solução política (Reuters). Este tipo de apoios reforça a narrativa de Rabat de que a sua proposta ganha terreno a nível internacional.

O interesse de Marrocos por Londres não é menor. Como membro permanente do Conselho de Segurança, a posição britânica assume especial relevância num momento em que se discute o futuro da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO). Paralelamente, várias análises apontam para que diversos países europeus se tenham vindo a alinhar progressivamente com a tese marroquina, reforçando uma tendência que Rabat procura consolidar no âmbito diplomático.

Ao mesmo tempo, a Argélia também está a reconfigurar a sua estratégia na Europa. A preparação de contactos ao mais alto nível com países como a Espanha ou a Alemanha reflete uma tentativa de recuperar margem diplomática num contexto marcado pela tensão acumulada nos últimos anos. No caso espanhol, a recente reativação do diálogo bilateral após a crise que eclodiu em 2022 confirma que o Saara Ocidental continua a condicionar a relação entre ambos os países (Europa Press).

Esta dupla dinâmica põe em evidência que o conflito está longe de estar congelado. Embora o processo político formal permaneça bloqueado, o Sahara Ocidental continua a influenciar alianças, agendas diplomáticas e relações estratégicas. A disputa não se limita ao âmbito das Nações Unidas, mas estende-se também às capitais europeias e aos espaços de negociação bilateral.


«O Sahara Ocidental continua a ser um território pendente de descolonização. E qualquer solução que não passe pelo consentimento do povo saharaui continuará a enfrentar limites tanto políticos como jurídicos».


Neste contexto, devem ser interpretadas com cautela algumas informações provenientes dos meios de comunicação marroquinos sobre supostas pressões dos Estados Unidos em relação aos campos de refugiados saharauis. Mais do que factos confirmados, estas narrativas refletem a dimensão informativa do conflito e a disputa pela narrativa no plano internacional.

O elemento de fundo continua a ser o mesmo: enquanto Marrocos procura consolidar a sua proposta como única via possível, a Argélia tenta manter em aberto a centralidade do direito à autodeterminação. Entre ambas as estratégias, o povo saharaui continua a ser o titular de um direito reconhecido pelo direito internacional, mas cuja aplicação efetiva ainda está pendente.

A questão não é menor. Nenhuma ofensiva diplomática pode substituir o princípio jurídico que define o conflito: o Sahara Ocidental continua a ser um território pendente de descolonização. E qualquer solução que não passe pelo consentimento do povo saharaui continuará a enfrentar limites tanto políticos como jurídicos.

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