O ator Javier Bardem marcou o encerramento do FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Sahara Ocidental – com uma intervenção à distância do deserto argelino onde decorreu o evento, em que criticou a posição do Governo espanhol sobre o conflito e manifestou apoio ao povo saharaui.
Durante a ligação em direto ao campo de refugiados de Auserd, em Tindouf, Bardem afirmou que os saharauis são “um exemplo de dignidade” e sublinhou que “a sociedade espanhola está ao seu lado”, acrescentando que “os governantes não nos representam”, numa referência ao primeiro-ministro Pedro Sánchez e à mudança de posição de Espanha em 2022 sobre o Sahara Ocidental.
O ator, habitual defensor da causa saharaui, recordou ainda a responsabilidade histórica de Espanha enquanto antiga potência administradora do território, defendendo que o país não deve abandonar o povo saharaui.
A intervenção ocorreu no final da edição deste ano do FiSahara, que decorreu ao longo de cinco dias nos campos de refugiados no extremo sudoeste do terrirório argelino e reuniu mais de um milhar de participantes de cerca de 20 países. O evento voltou a combinar cinema, cultura e ativismo, com foco no direito ao regresso do povo saharaui.
O prémio principal do festival foi atribuído ao filme “Todo lo que fuimos”, de Cherien Dabis, um drama que acompanha várias gerações de uma família palestiniana. O segundo e terceiro lugares foram atribuídos, respetivamente, aos filmes “Mariem”, de Javier Corcuera, e “La recompensa”, de Aicha Chej Blal.
Criado em 2003, o FiSahara é um festival único por decorrer em campos de refugiados saharauis, na Argélia, e assume-se como uma plataforma de promoção cultural e de sensibilização internacional para o conflito do Sahara Ocidental e para a defesa dos direitos humanos.

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