terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Sahara Ocidental, Timor-Leste, o rei de Espanha e a eleição de António Guterres para o cargo de SG da ONU.. - A palavra a Jean Pierre Catry
















Na sequência da publicação da mais recente Newsletter da AAPSO (Outubro), Jean Pierre Catry, nosso associado e nome grande na história da solidaridade à autodeterminação e independência do povo de Timor-Leste, escreve-nos uma carta. Merece a pena lê-la e refletir no que lá se diz:

“Sou provavelmente dos sócios mais calados da associação mas o último boletim e a eleição de Guterres empurram-me a dar uma opinião.



No boletim é a notícia sobre a intervenção do rei de Espanha, Felipe VI e a resposta da organização "por um Sahara livre". Esta critica ao rei por ter feito uma intervenção redundante e vazia, terá as suas razões...


No início dos anos 80 comecei a escrever sobre Timor e também criticava o governo português, mas com o tempo as organizações que defendiam a autodeterminação começaram a ter contactos nos meios políticos, presidência e governo, e começou a haver cooperação. Felipe VI é, talvez, suficientemente novo no poder por favorecer uma viragem na política espanhola se for apoiado neste sentido?

E é aqui que entra a eleição de Guterres. Portugal ganhou credibilidade a nível internacional com a independência de Timor quando Guterres era 1º ministro. Guterres é, provavelmente, o melhor colocado para convencer espanhóis e marroquinos dos benefícios que Portugal e a Indonésia retiraram da resolução do problema de Timor.


A AAPSO pode talvez sensibilizar as associações de solidariedade neste sentido.”

ONU adota uma resolução que reafirma o direito do povo saharaui à autodeterminação




Nova Iorque, 11/10/16 (SPS) - A Quarta Comissão da Assembleia Geral da ONU encarregada da Política Especial e da Descolonização, aprovou ontem segunda-feira em Nova Iorque, uma resolução que reafirma o direito do povo saharaui à autodeterminação.

A resolução adoptada no âmbito de um debate geral sobre a descolonização que se prolongou por vários dias, reafirma o apoio da Assembleia Geral da ONU ao processo de negociações iniciado pelo Conselho de Segurança com o objetivo de alcançar uma solução justa, duradoura e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo saharaui.

A resolução apresentada por 26 países saúda os esforços do secretário-geral e do seu enviado pessoal para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, para reatar as negociações, suspensas desde 2012.

O texto, adoptado por consenso, insta as partes e os Estados da região a cooperarem plenamente com o enviado da ONU.

O documento reflete ideias claras por parte da ONU para a resolução do conflito do Sahara Ocidental, através de um apoio expresso ao reatamento das negociações entre a Frente Polisario e Marrocos e aos esforços de mediação de Christopher Ross.

As delegações dos países participantes no debate da Quarta Comissão de Descolonização apoiaram firmemente o direito do povo saharaui à livre determinação e ao reatamento das negociações entre as duas parte do conflito.

A adopção da resolução tem lugar num momento de tensa situação de segurança na zona de El Guergarat no sul do Sahara Ocidental, onde Marruecos começou a construir uma estrada fora do “muro da vergonha” em violação do acordo de cessar-fogo firmado em 1991 entre as duas partes e sob a supervisão da ONU.


A escalada de Marrocos na zona de El Guergarat tem por objetivo frustrar os esforços da ONU que procuravam reatar as paralizadas negociações sobre o Sahara Ocidental.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Aziza Brahim, compositora, intérprete e ativista saharaui, no Festival de Ooutono da Universidade do Minho


Aziza Brahim- fotografia de Stefano Buonamici

De 13 a 15 de Outubro, a sétima edição do Festival de Outono da Universidade do Minho, organizado pelo Conselho Cultural da Universidade, em parceria com a Rádio Universitária do Minho e com a Associação Académica da Universidade do Minho, aposta na promoção de diferentes expressões artísticas, incutindo novos hábitos culturais e proporcionando um maior conhecimento de diferentes culturas aos novos alunos e à região. Assim, a UMinho na prossecução de um dos seus eixos de intervenção – a interação com a sociedade - cumpre o seu papel de dinamizador cultural nas cidades de Braga e em Guimarães.



O programa pretende conciliar aspetos relacionados com o património cultural e artístico das cidades, através de concertos, workshops, visitas guiadas e conversas/debate. Por outro lado, o majestoso Salão Medieval do final do século XIV, situado no Largo do Paço em pleno coração da cidade de Braga, receberá o músico sírio Omar Souleyman, a compositora e ativista Aziza Brahim do Sahara Ocidental, o artista luso-angolano Batida, os portugueses Fandango, o virtuoso guitarrista sul-africano Derek Gripper e o projeto afro-peruano Crocodilo Criollo.

As conversas e os workshops que acompanharão os três dias de festival servirão de catalisador de diálogo e produtor de pensamento onde os direitos humanos, a liberdade de expressão, os desafios das instituições na cultura e as raízes e futuro da música portuguesa, estarão em grande destaque envolvendo os artistas deste festival como Pedro Coquenão (aka Batida) e Aziza Brahim. A apresentação da série de Tiago Pereira "O Povo Que Ainda Canta" e a sua recente edição em formato físico estarão também em foco.

O clubbing terá lugar no Insólito Bar, outro espaço histórico em Braga, que acolherá o pós-concertos com as atuações de produtores e dj's nos quais se destacam a veterana das músicas do mundo Raquel Bulha, o produtor e radialista da rádio nacional italiana Rai2 Dj Khalab (música afro-futurista eletrónica), os dois argentinos El G e El Remolón da mediática ZZK Records e os portugueses La Flama Blanca (Music Box & Baile Tropicante) e Dj Quesadilla.

Num ano em que a cidade de Braga é Capital Ibero-Americana da Juventude, torna-se essencial dar a conhecer o potencial cultural da cidade aos novos estudantes, aproximando a população à Universidade e vice-versa e criando uma força motriz cultural que pretende influenciar positivamente a vida da Região.

O objetivo é elevar o Festival de Outono ao panorama nacional, resgatando para o Minho mais um evento multicultural marcante, com viabilidade e com grande visibilidade para o futuro.

Para Guimarães está reservado o concerto de abertura pela Orquestra da Universidade do Minho, no Paço dos Duques (entrada livre) bem como um arraial, no campus da Universidade, com direito a Dj set de Batida.

Os passes estão disponíveis para venda na BOL, nos locais habituais (FNAC, Worten, CTT, entre outros) e nos campus da Universidade do Minho (nos Gabinetes de Apoio ao Aluno).

Para mais informações: fb.com/uminhooficial, fb.com/radiorum, Evento no Facebook ou para o email ccultural@reitoria.uminho.pt

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

António Guterres será o novo secretário-geral da ONU




António Guterres será o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido qualquer “chumbo” dos cinco estados com poder de veto, naquela que foi a sexta votação. O futuro SG da ONU conhece bem o dossier do Sahara Ocidental, tendo-o acompanhado de muito perto quando exerceu as funções de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. A sua personalidade, enquanto homem e político, levam a crer o povo saharaui que ele saberá conduzir o processo de descolonização da mais antiga colónia de África com total espírito de diálogo, isenção mas, simultaneamente, com firmeza dos princípios que constam da carta da ONU.


Um candidato consensual

António Guterres está prestes a tornar-se o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido qualquer "chumbo" dos cinco estados com poder de veto, naquela que foi a sexta votação.
António Guterres venceu esta quarta-feira a sexta votação informal seguida (num total de seis realizadas, e na primeira em que participou a búlgara Kristalina Georgieva), sem que nenhuma das potências com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, França e Inglaterra) tenha votado contra o ex-Alto Comissário do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). De acordo com o jornal Washington Post, o Conselho de Segurança confirmou que Guterres foi escolhido por unanimidade para exercer o cargo de secretário-geral da instituição.
Guterres é, assim, oficiosamente o novo secretário-geral das Nações Unidas. Agora o nome do português será recomendado à Assembleia Geral da organização, que deverá aclamá-lo líder da ONU já esta quinta-feira, 6 de Outubro, na assembleia marcada para as 15:00. Antes, ainda durante a manhã de amanhã, o Conselho de Segurança irá votar formalmente para confirmar que será Guterres o nome a apresentar à Assembleia Geral.

Leia os artigos publicados no nosso blog sobre António Guterres e a questão do Sahara ocidental:


Espanha: Supremo Tribunal reconhece estatuto de refugiado a ativista saharaui




Cinco anos após o pedido, o Supremo Tribunal reconheceu finalmente o estatuto de refugiado a Hassanna Alia, ativista saharaui, revogando a decisão de recusa tomada pelo Departamento de Asilo e Refúgio do Governo espanhol.

Hassanna Alia, de 29 anos, foi um dos ativistas saharauis julgados e condenados por um Tribunal Militar de Rabat pelos acontecimentos do acampamento de protesto de Gdeim Izik, em a maior manifestaçao civil organizada ocorrida nos territórios do Sahara Ocidental ocupados por Marrocos. Teve a sorte de se encontrar em Espanha quando o Tribunal lhe decretou uma pena de Prisão Perpétua...!

Para Hassanna Alia, "Esta vitória não é só minha, é uma vitória coletiva do povo saharaui e dos presos políticos saharauis que cumprem penas severas, que vão desde a prisão perpétua a vinte anos de ." O ativista saharaui também observou que a resolução do Tribunal Nacional "reconhece que o julgamento de Gdeim Izik foi um julgamento ilegal, uma farsa, sem garantias contra ativistas que lutam pacificamente nos territórios ocupados do Sahara Ocidental".


terça-feira, 4 de outubro de 2016

PCP dirige pergunta ao governo sobre os presos políticos de Gdeim Izik




A deputada Carla Cruz, do Grupo Parlamentar do PCP e membro da Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas, dirigiu ao governo português — através do MNE - uma pergunta sobre “a situação dos presos políticos saharauis do grupo de Gdeim Izik”.

Carla Cruz

Carla Cruz pergunta ao governo português se tem informação ou a vai solicitar juntamente com instituições internacionais sobre as condições de detenção dos presos políticos de Gdeim Izik.

Após o desmantelamento do Acampamento de Gdeim Izik e posterior detenção arbitrária e sequestro dos presos políticos saharauis, têm sido já  várias as iniciativas parlamentares do PCP sobre este assunto.




Fonte: porunsaharalibre.org