Na sequência da publicação da mais recente Newsletter da
AAPSO (Outubro), Jean Pierre Catry, nosso associado e nome grande na história
da solidaridade à autodeterminação e independência do povo de Timor-Leste,
escreve-nos uma carta. Merece a pena lê-la e refletir no que lá se diz:
“Sou provavelmente dos sócios mais calados da associação mas
o último boletim e a eleição de Guterres empurram-me a dar uma opinião.
No boletim é a notícia sobre a intervenção do rei de
Espanha, Felipe VI e a resposta da organização "por um Sahara livre".
Esta critica ao rei por ter feito uma intervenção redundante e vazia, terá as
suas razões...
No início dos anos 80 comecei a escrever sobre Timor e
também criticava o governo português, mas com o tempo as organizações que defendiam
a autodeterminação começaram a ter contactos nos meios políticos, presidência e
governo, e começou a haver cooperação. Felipe VI é, talvez, suficientemente
novo no poder por favorecer uma viragem na política espanhola se for apoiado
neste sentido?
E é aqui que entra a eleição de Guterres. Portugal ganhou
credibilidade a nível internacional com a independência de Timor quando
Guterres era 1º ministro. Guterres é, provavelmente, o melhor colocado para
convencer espanhóis e marroquinos dos benefícios que Portugal e a Indonésia
retiraram da resolução do problema de Timor.
A AAPSO pode talvez sensibilizar as associações de
solidariedade neste sentido.”
Nova Iorque,
11/10/16 (SPS) - A Quarta Comissão da Assembleia Geral da ONU encarregada da
Política Especial e da Descolonização, aprovou ontem segunda-feira em Nova Iorque,
uma resolução que reafirma o direito do povo saharaui à autodeterminação.
A resolução adoptada
no âmbito de um debate geral sobre a descolonização que se prolongou por vários
dias, reafirma o apoio da Assembleia Geral da ONU ao processo de negociações iniciado
pelo Conselho de Segurança com o objetivo de alcançar uma solução justa, duradoura
e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo saharaui.
A resolução
apresentada por 26 países saúda os esforços do secretário-geral e do seu enviado
pessoal para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, para reatar as negociações, suspensas
desde 2012.
O texto,
adoptado por consenso, insta as partes e os Estados da região a cooperarem plenamente
com o enviado da ONU.
O documento
reflete ideias claras por parte da ONU para a resolução do conflito do Sahara Ocidental,
através de um apoio expresso ao reatamento das negociações entre a Frente
Polisario e Marrocos e aos esforços de mediação de Christopher Ross.
As delegações
dos países participantes no debate da Quarta Comissão de Descolonização apoiaram
firmemente o direito do povo saharaui à livre determinação e ao reatamento das
negociações entre as duas parte do conflito.
A adopção da
resolução tem lugar num momento de tensa situação de segurança na zona de El
Guergarat no sul do Sahara Ocidental, onde Marruecos começou a construir uma
estrada fora do “muro da vergonha” em violação do acordo de cessar-fogo firmado
em 1991 entre as duas partes e sob a supervisão da ONU.
A escalada
de Marrocos na zona de El Guergarat tem por objetivo frustrar os esforços da
ONU que procuravam reatar as paralizadas negociações sobre o Sahara Ocidental.
De 13 a 15 de Outubro, a sétima edição do Festival de Outono
da Universidade do Minho, organizado pelo Conselho Cultural da Universidade, em
parceria com a Rádio Universitária do Minho e com a Associação Académica da
Universidade do Minho, aposta na promoção de diferentes expressões artísticas,
incutindo novos hábitos culturais e proporcionando um maior conhecimento de
diferentes culturas aos novos alunos e à região. Assim, a UMinho na prossecução
de um dos seus eixos de intervenção – a interação com a sociedade - cumpre o
seu papel de dinamizador cultural nas cidades de Braga e em Guimarães.
O programa pretende conciliar aspetos relacionados com o
património cultural e artístico das cidades, através de concertos, workshops,
visitas guiadas e conversas/debate. Por outro lado, o majestoso Salão Medieval
do final do século XIV, situado no Largo do Paço em pleno coração da cidade de
Braga, receberá o músico sírio Omar Souleyman, a compositora e ativista Aziza Brahim
do Sahara Ocidental, o artista luso-angolano Batida, os portugueses Fandango, o
virtuoso guitarrista sul-africano Derek Gripper e o projeto afro-peruano
Crocodilo Criollo.
As conversas e os workshops que acompanharão os três dias de
festival servirão de catalisador de diálogo e produtor de pensamento onde os
direitos humanos, a liberdade de expressão, os desafios das instituições na
cultura e as raízes e futuro da música portuguesa, estarão em grande destaque
envolvendo os artistas deste festival como Pedro Coquenão (aka Batida) e Aziza
Brahim. A apresentação da série de Tiago Pereira "O Povo Que Ainda
Canta" e a sua recente edição em formato físico estarão também em foco.
O clubbing terá lugar no Insólito Bar, outro espaço
histórico em Braga, que acolherá o pós-concertos com as atuações de produtores
e dj's nos quais se destacam a veterana das músicas do mundo Raquel Bulha, o
produtor e radialista da rádio nacional italiana Rai2 Dj Khalab (música
afro-futurista eletrónica), os dois argentinos El G e El Remolón da mediática
ZZK Records e os portugueses La Flama Blanca (Music Box & Baile Tropicante)
e Dj Quesadilla.
Num ano em que a cidade de Braga é Capital Ibero-Americana
da Juventude, torna-se essencial dar a conhecer o potencial cultural da cidade
aos novos estudantes, aproximando a população à Universidade e vice-versa e
criando uma força motriz cultural que pretende influenciar positivamente a vida
da Região.
O objetivo é elevar o Festival de Outono ao panorama
nacional, resgatando para o Minho mais um evento multicultural marcante, com
viabilidade e com grande visibilidade para o futuro.
Para Guimarães está reservado o concerto de abertura pela
Orquestra da Universidade do Minho, no Paço dos Duques (entrada livre) bem como
um arraial, no campus da Universidade, com direito a Dj set de Batida.
Os passes estão disponíveis para venda na BOL, nos locais
habituais (FNAC, Worten, CTT, entre outros) e nos campus da Universidade do
Minho (nos Gabinetes de Apoio ao Aluno).
Para mais informações: fb.com/uminhooficial,
fb.com/radiorum, Evento no Facebook ou para o email
ccultural@reitoria.uminho.pt
António
Guterres será o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido
qualquer “chumbo” dos cinco estados com poder de veto, naquela que foi a sexta
votação. O futuro SG da ONU conhece bem o dossier do Sahara Ocidental, tendo-o
acompanhado de muito perto quando exerceu as funções de Alto Comissário das
Nações Unidas para os Refugiados. A sua personalidade, enquanto homem e político,
levam a crer o povo saharaui que ele saberá conduzir o processo de descolonização
da mais antiga colónia de África com total espírito de diálogo, isenção mas,
simultaneamente, com firmeza dos princípios que constam da carta da ONU.
Um candidato consensual
António
Guterres está prestes a tornar-se o próximo secretário-geral da ONU, depois de
não ter recebido qualquer "chumbo" dos cinco estados com poder de
veto, naquela que foi a sexta votação.
António
Guterres venceu esta quarta-feira a sexta votação informal seguida (num total
de seis realizadas, e na primeira em que participou a búlgara Kristalina
Georgieva), sem que nenhuma das potências com poder de veto (Estados Unidos,
China, Rússia, França e Inglaterra) tenha votado contra o ex-Alto Comissário do
Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). De acordo com o
jornal Washington Post, o Conselho de Segurança confirmou que Guterres foi
escolhido por unanimidade para exercer o cargo de secretário-geral da
instituição.
Guterres é,
assim, oficiosamente o novo secretário-geral das Nações Unidas. Agora o nome do
português será recomendado à Assembleia Geral da organização, que deverá
aclamá-lo líder da ONU já esta quinta-feira, 6 de Outubro, na assembleia
marcada para as 15:00. Antes, ainda durante a manhã de amanhã, o Conselho de
Segurança irá votar formalmente para confirmar que será Guterres o nome a
apresentar à Assembleia Geral.
Leia os artigos
publicados no nosso blog sobre António Guterres e a questão do Sahara ocidental:
Cinco anos
após o pedido, o Supremo Tribunal reconheceu finalmente o estatuto de refugiado
a Hassanna Alia, ativista saharaui, revogando a decisão de recusa tomada pelo
Departamento de Asilo e Refúgio do Governo espanhol.
Hassanna
Alia, de 29 anos, foi um dos ativistas saharauis julgados e condenados por um
Tribunal Militar de Rabat pelos acontecimentos do acampamento de protesto de
Gdeim Izik, em a maior manifestaçao civil organizada ocorrida nos territórios do
Sahara Ocidental ocupados por Marrocos. Teve a sorte de se encontrar em Espanha
quando o Tribunal lhe decretou uma pena de Prisão Perpétua...!
Para
Hassanna Alia, "Esta vitória não é só minha, é uma vitória coletiva do
povo saharaui e dos presos políticos saharauis que cumprem penas severas, que
vão desde a prisão perpétua a vinte anos de ." O ativista saharaui também
observou que a resolução do Tribunal Nacional "reconhece que o julgamento de
Gdeim Izik foi um julgamento ilegal, uma farsa, sem garantias contra ativistas
que lutam pacificamente nos territórios ocupados do Sahara Ocidental".
A deputada
Carla Cruz, do Grupo Parlamentar do PCP e membro da Comissão de Negócios
Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas, dirigiu ao governo português — através
do MNE - uma pergunta sobre “a situação dos presos políticos saharauis do grupo
de Gdeim Izik”.
Carla Cruz
Carla Cruz pergunta
ao governo português se tem informação ou a vai solicitar juntamente com instituições
internacionais sobre as condições de detenção dos presos políticos de Gdeim
Izik.
Após o desmantelamento
do Acampamento de Gdeim Izik e posterior detenção arbitrária e sequestro dos
presos políticos saharauis, têm sido já várias as iniciativas parlamentares do PCP
sobre este assunto.