domingo, 15 de março de 2026

Fábrica de Braço de Prata exibe mostra de cinema saharaui no Cinalfama

 


O Cinalfama lança a partir de 18 de março, em Lisboa, um novo programa regular de cinema intitulado “Cinema Invisível”, dedicado a cinematografias raramente exibidas nos circuitos tradicionais. As sessões decorrem todas as quartas e quintas-feiras às 19h, na Fábrica do Braço de Prata, na Sala Visconti – em Marvila, Lisboa.

A iniciativa pretende dar visibilidade a obras e autores provenientes de contextos onde o cinema é produzido em condições frágeis ou fora das estruturas industriais habituais. O programa inclui filmes de arquivos esquecidos, produções amadoras e cinematografias ainda pouco conhecidas pelo público.

Segundo dados da UNESCO, grande parte do cinema produzido em várias regiões do mundo surge em contextos com poucos recursos, sem políticas públicas ou redes de distribuição estruturadas. O projeto procura precisamente criar um espaço regular para a exibição e discussão dessas obras.


Primeiro ciclo dedicado ao cinema saharaui

A estreia do programa será marcada por um ciclo dedicado ao cinema saharaui, organizado em colaboração com o FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Sahara Ocidental.

Esta cinematografia surgiu sobretudo nos campos de refugiados saharauis de Tindouf, no sudoeste da Argélia, onde vivem cerca de 180 mil refugiados desde 1975, após a retirada da Espanha do Sahara Ocidental e a subsequente ocupação do território por Marrocos.
Nos últimos anos, realizadores sa
harauis têm recorrido ao cinema para documentar a vida nos campos de refugiados, preservar a memória coletiva e dar visibilidade internacional à situação política do território.


Projeto cultural iniciado em Alfama

Criado em 2009 no bairro de Alfama, o Cinalfama começou por projetar filmes nas ruas e fachadas do bairro histórico de Lisboa. Com o tempo, o projeto evoluiu para um programa cultural mais amplo que inclui festival internacional, programação regular, residências artísticas e iniciativas de memória audiovisual ligadas à cidade.

Com o Cinema Invisível, a organização pretende reforçar a missão de usar o cinema como espaço de encontro, reflexão e descoberta de novas cinematografias.



Programa

18 de Março














19:00Toufa, de Brahim Chagaf – Sahara Ocidental - 2020 – 32’
Toufa recria os primórdios da chegada da população sa
haraui ao deserto árido da Hamada argelina. Esta curta-metragem retrata o sofrimento de três gerações de mulheres saharauis que, através do seu esforço e sacrifício, foram curando as feridas da guerra após a sua chegada ao território inóspito desta parte do sul da Argélia.













19:33Little Sahara, de Emilio Martín – Espanha - 2023 – 31’
Quem não conhece o Sahara acredita que no deserto existe apenas areia. Mas aqui há crianças que brincam, desenham e fazem filmes, tal como este documentário que conta a história da última colónia europeia em África, o Sahara Ocidental, e a de milhares de refugiados sa
harauis que vivem no exílio.



19 de Março


19:00Searching for Tirfas, de Lafdal Mohamed Salem – Sahara Ocidental – 2020 - 14’
Quando se nasce em campos de refugiados, cresce-se a sonhar que um dia se viverá na terra natal e, com o passar do tempo, esse sonho nunca deixa de o ser… Torna-se pai de família e, nesse momento, é preciso enfrentar a vida para alcançar a autonomia. Luta-se para concretizar os sonhos e ultrapassar os obstáculos do quotidiano; entre dois mundos, acaba-se por fazer aquilo que nunca se pensou vir a fazer.













19:15They're Just Fish, de Ana Serna e Paula Iglesias – Espanha e Sahara Ocidental - 2019 – 17’

Teslem, Dehba e Jadija trabalham numa piscicultura nos campos de refugiados saharauis. Onde? Na Argélia, no meio do deserto e longe da sua terra natal. Não há mar ali, mas há peixe.













19:33Running Home, de Michelle-Andrea Girouard – Canadá - 2019 – 30’
Inma (24) está determinada a vencer uma maratona no Deserto do Sahara. Mas as suas motivações vão muito além do desafio físico. Há alguns meses, encontrou documentos de adopção que revelavam o local de nascimento da sua mãe biológica: El Aaiún, Sahara Ocidental. Nunca tendo ouvido falar do país, decide treinar para uma maratona internacional que decorre nos campos de refugiados saaraui no Norte de África. É a oportunidade perfeita para conhecer uma história que nunca enfrentou enquanto crescia em Espanha.



25 de Março











19:00DESERT PHOSfate, de Mohamed Sleiman Labat – Sahara Ocidental - 2023 – 58’
DESERT PHOSfate é um filme experimental que entrelaça narrativas multilayer sobre o fosfato, partículas de areia, plantas, o deslocamento humano e mineral, bem como a perda dos modos de vida nómadas indígenas sa
harauis. O filme também destaca fortes expressões de resiliência comunitária através de jardins e da arte. Realizado por um artista saharaui, o filme procura descolonizar a sua metodologia de fazer cinema e contar histórias, baseando-se em elementos e narrativas da sua própria comunidade.



26 de Março













19:00Champs-Elysées, de Giussepe Carrieri – Sahara Ocidental – 2023 – 23’
Um rapaz sonha viajar pelo mundo, especialmente até Paris, onde vive o seu tio, mas um muro construído na sua terra divide o seu país e impede-o de viajar ou de atravessar para o outro lado da sua própria terra.













19:24Soukeina, 4400 Days of Night, de Laura Sipán – Espanha – 2017 – 28’
Após a ocupação militar do Sahara Ocidental em 1976, o governo marroquino atacou a população civil com forte repressão, forçando centenas de sa
harauis a “desaparecer” em prisões clandestinas. Uma morte invisível e lenta era o único horizonte. No entanto, alguns prisioneiros conseguiram sobreviver depois de sofrerem a sua própria “extinção” durante mais de 10 anos, arrancados às suas famílias, sujeitos a tortura e em total isolamento. Quando finalmente foram libertados, o mundo que conheciam tinha mudado radicalmente.













19:533 Stolen Cameras, Equipe Media, RåFILM – Sahara Ocidental – 2017 – 17’
Os membros do grupo de vídeo-activismo Equipe Media lutam para manter as suas câmaras. Utilizam-nas para documentar as violações dos direitos humanos cometidas pelo reino marroquino na última colónia de África. Não é permitida a entrada de jornalistas no Sahara Ocidental ocupado. As únicas imagens que conseguem sair do território são aquelas que a Equipe Media filma em segredo, escondendo-se em telhados e correndo riscos graves. Filmam manifestações pacíficas atacadas pela polícia e pelo exército, bem como ferimentos e testemunhos de vítimas de brutalidade policial. Esta é uma história sobre a quebra de uma censura absoluta, com imagens únicas de uma região onde as autoridades marroquinas conseguiram impor um bloqueio mediático quase total.

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