quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aminetou Haidar: situação dos Direitos do Homem nos territórios saharauis ocupados é "insustentável"



A militante saharaui dos direitos humanos Aminetou Haidar, afirmou ontem em Roma, em entrevista à APS, que a situação dos Direitos do Homem nos territórios saharauis ocupados "continua insustentável", sublinhando que as autoridades marroquinas continuam a reprimir os cidadãos saharauis cada vez que estes reivindicam os seus direitos.

"A situação em que vivem as populações saharauis nos territórios ocupados é dramática e insustentável", afirmou Haidar, que deplora o facto dessas populações enfrentarem uma repressão "feroz" todas as vezes que protestam pacificamente para que lhe sejam restituídos os seus direitos.

Segundo a militante saharaui, que acaba de receber a distinção de cidadã de honra de dois municípios italianos da Província de Florença, cada vez mais, e apesar da repressão, os saharauis se manifestam contra a ocupação das suas terras e a pilhagem dos seus recursos naturais por Marrocos e seus aliados ocidentais.

"Posso afirmar enquanto militante dos direitos humanos que foi já muitas vezes detida, encarcerada, torturada e maltratada, que as autoridades marroquinas de ocupação não hesitam, a todo o momento, em recorrer à força para fazer calar todas as vozes que denunciam o estado deplorável em que se encontram os cidadãos saharauis", afirmou Aminetou Haidar, a propósito da situação prevalecente nos territórios ocupados.

Haidar lamenta o facto de "Marrocos prosseguir inabalavelmente a sua política de flagrante negação desses direitos", apesar de inúmeros relatos de ONGs internacionais, observadores independentes ocidentais e de órgãos de comunicação internacionais que constatam e relatam as violações sistemáticas dos direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais de que é alvo o povo saharaui.

"As autoridades de ocupação gozam da cumplicidade de países ocidentais e europeus interessados ​​no saque dos nossos recursos naturais", afirma.(…)

Aminetou Haidar sublinha que as forças marroquinas de repressão "não cessaram com a sua brutalidade " contra os saharauis — jovens, homens, mulheres, anciãos —, nem mesmo durante a recente visita duma personalidade internacional reconhecida, e Enviado Pessoal do Secretário-geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, o embaixador Christopher Ross.

Nesse dia, conta, "escapei a um assassinato com arma branca depois de me ter encontrado com o senhor Ross", revelando que desconhecidos a haviam sequestrado em sua casa juntamente com a sua filha.


"Como não conseguiram atentar contra a minha vida, destruíram o mau carro", acrescenta.

Haidar deplora que, neste contexto, " Marrocos goze de impunidade", embora hoje, com a Internet e as redes sociais, a verdade, durante tantos anos escondida, possa ser mostrada todos os dias à opinião pública internacional.


Aminetou faz questão de se dirigir ao povo marroquino, que qualifica de «irmão», assegurando que o povo saharaui "não é contra ele."

"O povo e o governo do saharauis opõem-se ao regime marroquino e à sua política de ocupação da nossa terra", afirmou, acrescentando que o povo marroquino, ele próprio, tem o direito de viver em paz e em democracia.

Por último Aminetou Haidar lança um apelo à comunidade internacional e, nomeadamente, aos países europeus, para que façam pressão sobre o governo marroquino a fim de que este ponha termo à ocupação dos territórios do Sahara Ocidental e às violações dos direitos do povo saharaui.

Haidar afirma que a resolução do problema saharaui terá consequências "positivas" para a estabilidade da região.

(SPS)

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