sábado, 16 de abril de 2016

Grande manifestação em Goulimin (Sul de Marrocos) em protesto pela morte de Brahim Saika



Centenas de saharauis desceram às ruas de Goulimin, no Sul de Marrocos, numa manifestação de protesto pela morte do sindicalista e ativista saharaui Brahim Saika, na sequência dos maus tratos a que foi sujeito e de uma greve de fome que encetou após a sua injusta detenção.

Brahim Saika

Brahim Saika, licenciado universitário com mestrado em sociologia, foi um dos dirigentes da Coordenadora de Desempregados Saharauis, detido no passado dia 1 de Abril quando saia da sua casa na cidade de Goulemin.

A sua detenção teve lugar no momento em que o ativista procurava juntar-se a uma manifestação pacífica para chamar a atenção sobre a situação dos desempregados saharauis. De imediato foi levado para a comissaria de polícia onde o torturaram durante horas. Brahim decidiu então iniciar uma greve de fome e de líquidos para protestar contra os maus-tratos a que estava sendo submetido, e que é a forma usual como são tratados os presos políticos saharauis.





Milhares de saharauis vivem no Sul de Marrocos

A região de Cabo Juby e de Tarfaya, hoje sul de Marrocos, foram zonas que pertenceram, até 1958, à província do Sahara espanhol. Esses territórios eram maioritariamente povoados por saharauis de diferentes tribos. Foi pelo acordo de Angra de Cintra firmado a 1 de abril de 1958 entre Marrocos e Espanha, que Franco entregou ao então regime de Mohamed V, avô do actual rei Mohamed VI, essa província e toda a população que nela vivia. Essa a razão que explica por que aí existirem e viverem milhares de cidadãos marroquinos pelo passaporte mas saharauis pela cultura e coração. Alguns dos dirigentes da Frente Polisario nasceram ou são descentes de famílias que aí habitaram ou habitam.

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