domingo, 10 de dezembro de 2023

Reino de Marrocos, monarquia «constitucional»: Policial & Prisional


A ocupação brutal do Sahara Ocidental e violação dos Direitos Humanos nos territórios ocupados da «Última Colónia de África» é apenas uma das facetas de um regime que assenta na violência policial, na perseguição implacável aos seus opositores ou simples críticos. A democracia partidária de que nos falam do Reino de Mohamed VI é uma farsa, o parlamento apenas uma caixa de ressonância do poder instituído. Em Marrocos, as pessoas vivem sob um regime que assenta no medo, na delação, na corrupção, nos múltiplos e poderosos corpos policiais, nos todo-poderosos serviços secretos.
Mais de 70% dos marroquinos querem sair de Marrocos para progredir nas suas carreiras. É o que revela um inquérito realizado pelo maior site de recrutamento do Médio Oriente. 71% dos executivos estão dispostos a mudar de área ou de sector se isso lhes permitir emigrar, enquanto 49% querem ocupar cargos mais elevados. Estes são os resultados de um inquérito recente realizado pelo Bayt, o maior site de recrutamento do Médio Oriente, em colaboração com a YouGov.
Uma sondagem anterior, realizada em dezembro de 2021, mostrava que 70% dos marroquinos estavam a considerar emigrar. Sete em cada dez jovens marroquinos querem emigrar e 83% não estão satisfeitos com as suas vidas, revelava o estudo realizado pelo Observatório Nacional do Desenvolvimento Humano (ONDH).
No dia Mundial dos Direitos Humanos, lembramos aqueles que no interior de Marrocos têm a enorme coragem de criticar e denunciar as malvadezes, as crueldades, as negociatas, as corrupções.

Rei rico, povo pobre

Estimada em 6 mil milhões de euros pela Forbes em 2015 (de então para cá o monarca curiosamente deixou de «aparecer» nessa lista de ‘notáveis’...), a fortuna do rei Mohamed VI provém de inúmeras fontes. Acredita-se que, actualmente, seja muito maior do que o valor avançado pela revista americana. Segundo a investigação da revista francesa Mariane no Reino de Marrocos:
"A Forbes limitou-se a analisar a capitalização das numerosas empresas da holding real Al Mada para calcular a sua fortuna, mas este cálculo não tem em conta a parte invisível", explica o economista Fouad Abdelmoumni. No boletim oficial - a missiva real anual que apresenta os orçamentos de todos os ministérios -, sob o título "despesas de funcionamento do orçamento geral para 2023", aparece que a remuneração do rei, conhecida como "listas civis", equivale a 2,36 milhões de euros por ano. Para além do seu salário, a "dotação de soberania" paga as "missões da monarquia" no valor de 47 milhões de euros por ano.
As despesas da corte real, incluindo os seus criados, custam 52 milhões de euros por ano, e 138 milhões de euros por ano são gastos em "equipamento e despesas diversas". Este último orçamento registou um aumento de 40% desde 2001. Só a monarquia custa, portanto, 657 mil euros por dia aos contribuintes marroquinos. O orçamento oficial atribuído a Mohamed VI e à sua família é superior ao dos Ministérios dos Transportes, da Transição Energética e do Desenvolvimento Sustentável, do Turismo, da Água, do Comércio e da Indústria, em conjunto, e 23 vezes superior ao do Chefe do Governo, que se diz ter dificuldades em financiar as suas deslocações". Mas não é caso de preocupação, já que o Primeiro Ministro de Marrocos, por casualidade, é o segundo homem mais rico do país, com uma fortuna avaliada segundo a Forbes em 1500 milhões de dólares, estribado no todo poderoso negócio do petróleo a nível nacional.
Em Marrocos, o salário minimo na indústria e serviços é de 3.111 Dirhams (cerca de 284 euros), enquanto que na agricultura o valor mínimo da mão-de-obra é de 8 euros... por dia! Segundo a reportagem da revista Marianne publicada na sua edição de 05 de outubro passado, «... só 10% da população em idade activa (27,5 milhões de pessoas) o receberão» dado a amplitude do desemprego, do sub-emprego e da economia paralela na sociedade marroquina.

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