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| Zineb Kharroubi |
Uma das principais figuras do movimento GenZ 212 France, Zineb Kharroubi, foi detida à chegada a Marraquexe, acusada de «incitação à participação numa manifestação não autorizada através das publicações que partilhou nas redes sociais». A informação é avançada pelo Le Monde Afrique, que descreve uma vaga de repressão sem precedentes contra jovens manifestantes da geração Z no reino.
Segundo o jornal francês, a detenção ocorreu na tarde de 12 de fevereiro, no Aeroporto Internacional de Marraquexe-Ménara, quando a ativista, de 28 anos, se deslocava a Marrocos por motivos familiares. Figura destacada do movimento formado pela diáspora marroquina em França, Kharroubi foi transferida para as instalações da polícia judiciária de Casablanca e apresentada ao procurador do rei no tribunal da cidade no dia seguinte, 13 de fevereiro.
«Cerca de 5.700 pessoas detidas...»
Vários advogados de Marraquexe e Casablanca procuraram assegurar a sua defesa, mas foram impedidos de a assistir devido à greve que a classe mantém há várias semanas. «Se nenhum advogado suspender a greve, ela terá de continuar a responder perante o procurador sem assistência jurídica», afirmou ao Le Monde l um membro da Association marocaine des droits humains (AMDH).
Movimento
ativo apesar da repressão
Embora não se realizem manifestações do GenZ 212 desde meados de dezembro, as autoridades não terão abrandado a repressão. O coletivo, criado no outono de 2025, mobiliza cerca de 400 membros em França, maioritariamente na região parisiense, e utiliza a plataforma Discord para organizar as suas ações.
A primeira manifestação promovida pelo grupo, a 4 de outubro, reuniu aproximadamente 800 pessoas na Praça do Trocadéro, em Paris. Desde então, multiplicaram-se assembleias gerais, debates públicos e eventos de solidariedade, nomeadamente em apoio aos jovens detidos na sequência da vaga de arrestos associados ao surgimento do movimento.
Segundo
Hakim Sikouk, presidente da AMDH em Rabat, citado pelo Le Monde,
cerca de 5.700 pessoas foram detidas. Destas, 2.480 foram julgadas e
condenadas a multas ou penas curtas de prisão — muitas já
cumpridas em regime de detenção preventiva — enquanto 2.100
permanecem encarceradas, com penas entre um mês e 15 anos. Algumas
centenas aguardam ainda julgamento em primeira instância.
Fonte:
Le Monde Afrique, por Simon Roger e Célia Cuordifede, 13 de
fevereiro de 2026.


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