Marrocos e os Estados Unidos assinaram um acordo-quadro sobre minerais críticos que poderá abrir às empresas norte-americanas acesso privilegiado à exploração de recursos minerais no Sahara Ocidental, região cuja soberania é disputada. A informação foi avançada pela publicação francesa Africa Intelligence.
Segundo a mesma fonte, o acordo foi assinado a 4 de fevereiro pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, Nasser Bourita. O objetivo é garantir fornecimento estável de minerais críticos e promover investimentos no setor mineiro, permitindo que empresas norte-americanas tenham prioridade em novos projetos.
De acordo com a Africa Intelligence, três jazidas localizadas no sul do Sahara Ocidental já foram identificadas para desenvolvimento inicial: Twihinate, Lamlaga e Glibat Lafhouda.
Minerais estratégicos
Os depósitos contêm minerais considerados estratégicos para a indústria tecnológica e de defesa, incluindo terras raras, nióbio, vanádio, tântalo e ferro. O nióbio, por exemplo, é utilizado na produção de tubagens, componentes aeroespaciais, indústria automóvel e armamento, incluindo drones.
Nos projetos em Twihinate e Lamlaga participam a empresa mineira marroquina Managem e o Office National des Hydrocarbures et des Mines. A fase de estudos do depósito de Twihinate está em fase final e o início da exploração está previsto para 2028.
Já no projeto de Glibat Lafhouda, participam o OCP Group e o Onhym, que também analisam o potencial de exploração de tântalo e terras raras.
Transformação de minerais em Marrocos
O acordo prevê ainda que Marrocos possa tornar-se um centro de transformação de minerais extraídos noutros países africanos, antes da sua exportação para os Estados Unidos. O plano envolve também o Departamento de Energia dos Estados Unidos.
As negociações decorriam desde o final de 2025, com apoio técnico do Onhym, entidade responsável pela gestão das explorações mineiras em território marroquino e pela atribuição de licenças de exploração.
Segundo a Africa Intelligence, o acordo reforça a estratégia de Washington para diversificar as fontes de minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética e para as cadeias de produção tecnológica.


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