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| Camponesa marroquina. Foto Via Campesina |
Os trabalhadores agrícolas de Marrocos têm intensificado protestos contra baixos salários, precariedade laboral e desigualdades sociais, apesar do forte crescimento das exportações agrícolas destinadas sobretudo à Europa. A análise é apresentada por Eva Tapiero num artigo publicado no Le Monde Diplomatique (Março 2026).
Segundo
a reportagem, a região de Souss-Massa, no sul do país, tornou-se um
dos principais polos agrícolas de Marrocos, responsável por 85% das
exportações nacionais de produtos hortícolas e 65% das exportações
de citrinos, grande parte destinada ao mercado europeu. Este
crescimento foi impulsionado pelo Plano Marrocos Verde, lançado em
2008 para modernizar o setor agrícola e aumentar a produção
orientada para exportação.
Apesar do aumento das receitas
agrícolas e do valor gerado para a economia marroquina, os
trabalhadores do setor continuam a beneficiar pouco dessa riqueza. O
salário mínimo agrícola ronda 93 dirhams por dia (cerca
de 8,5 euros), significativamente abaixo do salário mínimo de
outros setores.
O artigo descreve as difíceis condições de trabalho enfrentadas por muitos operários agrícolas, que frequentemente cumprem jornadas superiores a 12 horas, com baixos rendimentos e transportes inseguros para as explorações. Acidentes com trabalhadores transportados em veículos inadequados são relatados com frequência.
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| Região onde foi realizada a reportagem do Le Monde Diplomatique |
Nos últimos anos, sindicatos e trabalhadores têm organizado greves e protestos para exigir melhores condições, incluindo reconhecimento legal do trabalho, acesso à segurança social e melhores salários. As mobilizações têm contado com forte participação de mulheres trabalhadoras, muito presentes nas atividades agrícolas e de embalagem.
Estas reivindicações cruzam-se com o movimento de protesto juvenil “Gen Z212”, que surgiu em 2025 denunciando desigualdades sociais, corrupção e dificuldades de acesso a serviços básicos como saúde e emprego. Para vários investigadores citados na reportagem, existe uma ligação crescente entre as reivindicações do mundo rural e os protestos da juventude urbana.
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| Camponesas marroquinas. Foto Reuters |
Apesar de o movimento de protesto ter sido reprimido após detenções e intervenções policiais, o artigo conclui que as desigualdades persistentes no campo marroquino podem alimentar novas ondas de contestação social no futuro.
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