sábado, 4 de abril de 2026

A dependência energética de Marrocos: reservas de combustíveis para cerca de dois meses em contexto de tensão energética global

 


Marrocos dispõe atualmente de reservas de gasóleo para 51 dias e de gasolina para 55 dias, enquanto os fornecimentos de carvão e gás estão assegurados até ao final de junho, segundo dados do Ministério da Energia citados pela Reuters.

A informação surge num contexto de forte volatilidade nos mercados energéticos internacionais, agravada pela guerra no Médio Oriente, que provocou uma subida acentuada dos preços do petróleo em março.

País fortemente dependente de importações, Marrocos enfrenta uma vulnerabilidade estrutural: não dispõe de capacidade de refinação doméstica desde o encerramento da refinaria de Samir, em 2015. O fecho tornou Marrocos totalmente dependente da importação de produtos petrolíferos refinados, já que também uma refinaria mais pequena situada em Sidi Kacem, também foi desativada e convertida num centro de armazenamento.

Esta situação obriga o país a importar produtos refinados, expondo-o diretamente às oscilações dos mercados internacionais.


Estratégia de diversificação energética

Apesar dessa dependência, o Governo marroquino tem apostado na diversificação do seu mix energético, nomeadamente através do desenvolvimento de energias renováveis, como a solar e a eólica, com projetos de grande escala como o complexo solar de Ouarzazate e de outros, os mais relevantes em território do Sahara Ocidental ocupado.

O orçamento do Estado para 2026 foi elaborado com base numa previsão de preço médio do petróleo de 60 dólares por barril, um valor que poderá ser pressionado em alta caso se prolonguem as tensões geopolíticas.


Exposição ao choque externo

A atual crise evidencia a fragilidade de economias dependentes de importações energéticas. O aumento dos preços internacionais tem impacto direto nos custos de transporte, produção e bens essenciais, com potenciais efeitos inflacionistas.

Num cenário de instabilidade prolongada, a capacidade de Marrocos para garantir abastecimento e controlar os custos energéticos continuará a ser um dos principais desafios económicos no curto prazo.
Fonte: Reuters.

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