sábado, 4 de abril de 2026

Empresa canadiana avança com exploração de lítio no Sahara Ocidental à margem da legalidade internacional

 


A empresa canadiana Lithium Africa Resources está a desenvolver trabalhos preliminares de exploração de lítio numa área de 585 km² em Tichla, no Sahara Ocidental, território cuja soberania permanece por resolver à luz do direito internacional e que é ocupado por Marrocos.

Segundo informação divulgada pela própria empresa, foram concluídas no segundo trimestre de 2025 campanhas de cartografia geológica e amostragem de superfície, consideradas uma fase inicial antes de eventuais perfurações. O projeto não apresenta, para já, qualquer estimativa de recursos ou avaliação certificada de reservas.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Office national des hydrocarbures et des mines (ONHYM), entidade marroquina, que assegura o enquadramento administrativo do projeto. No entanto, não foram divulgados os termos financeiros nem os mecanismos de autorização associados.


Carl Esprey, diretor-geral da empresa canadiana da Lithium Africa Resources Corp e Amina Benkhadra, diretora-geral da marroquina ONHYM assinam o acordo para exploração do lítio saharaui


Questões de legalidade internacional

A exploração de recursos naturais no Sahara Ocidental levanta questões jurídicas sensíveis, uma vez que o território é considerado pelas Nações Unidas como não autónomo, pendente de um processo de autodeterminação. Diversos pareceres jurídicos internacionais sublinham que qualquer atividade económica na região deve respeitar a vontade e os interesses do povo saharaui.
Neste contexto, projetos de exploração promovidos sob a égide de autoridades marroquinas têm sido alvo de contestação, por configurar
em a exploração de recursos naturais sem o consentimento do povo do território.


Estratégia e incerteza

Apesar da ausência de dados concretos sobre reservas, a Lithium Africa Resources enquadra o projeto numa estratégia de expansão em África, apostando em regiões ainda pouco exploradas. A empresa aponta também para uma eventual integração futura em cadeias de valor do lítio direcionadas para os mercados europeu e norte-americano, embora sem apresentar investimentos ou capacidades industriais detalhadas.

O avanço ocorre num cenário em que África representa apenas cerca de 7% dos investimentos globais em exploração de lítio, mantendo-se marginal face às principais regiões produtoras.
Para já, o projeto permanece numa fase embrionária. No entanto, a sua evolução poderá intensificar o debate sobre a legalidade e legitimidade da exploração de recursos naturais no Sa
hara Ocidental, frequentemente descrito como a última colónia de África.

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