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| Brahim Ghali, Foto EFE |
A Frente Polisario denunciou uma nova ofensiva diplomática internacional favorável a Marrocos, liderada pelos Estados Unidos, após os recentes confrontos junto à cidade de Smara, a terceira mais importante zona urbana no Sahara Ocidental.
A
reação surge depois de várias potências ocidentais terem
condenado um ataque reivindicado por unidades militares do Exército
de Libertação do Povo Saharai (ELPS) contra posições marroquinas
nos arredores da cidade de Smara, território ocupado por Rabat desde
1975. Segundo informações divulgadas, não terao sido registadas
vítimas mortais.
Numa carta enviada ao secretário-geral da
ONU, António Guterres, o líder da RASD e SG da POLISARIO, Brahim
Ghali, criticou aquilo que classificou como “incoerência”
internacional, acusando vários governos de condenarem as ações do
Polisario sem denunciarem alegados ataques marroquinos contra civis
saarauis.
Segundo o Polisario, entre 2020 e 2024 terão sido registadas 160 vítimas civis de ataques com drones marroquinos, incluindo 80 mortos, dados atribuídos ao organismo saharaui SMACO, responsável pela coordenação de ações contra minas.
EUA reforçam apoio ao plano marroquino
A nova vaga diplomática pró-Marrocos foi impulsionada sobretudo pelos Estados Unidos, que reiteraram recentemente o seu apoio ao plano marroquino de autonomia para o Sahara Ocidental.
A
missão norte-americana junto das Nações Unidas classificou os
incidentes em Smara como uma ameaça à estabilidade regional e
defendeu que “o status quo não pode continuar”, considerando a
proposta marroquina como “o caminho para a paz”.
Também
França, Espanha e representantes da União Europeia manifestaram
apoio aos esforços diplomáticos conduzidos sob a égide da ONU,
embora Paris e Washington tenham assumido posições mais explícitas
favoráveis ao plano de autonomia marroquino.
Madrid apelou ao
respeito pelo cessar-fogo e ao avanço das negociações previstas
nas resoluções do Conselho de Segurança.
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| O embaixador dos EUA em Marrocos, Duke Buchan, na sua visita á cidade ocupada de Dakhla, no Sahara Ocidental | Imagem da |
Polisario lembra que o cessar-fogo terminou em 2020
Na carta dirigida a António Guterres, Brahim Ghali rejeitou igualmente a ideia de que o cessar-fogo firmado em 1991 continue em vigor.
Segundo o dirigente saharaui, o acordo colapsou em 2020, após os incidentes de Guerguerat, e as próprias resoluções recentes do Conselho de Segurança reconhecem “a rutura do cessar-fogo”.
O Polisario insiste que mantém o direito à “legítima defesa” face ao que considera ser uma ocupação marroquina do território saharaui.
Exercícios militares aumentam tensão regional
A tensão aumentou ainda mais nas últimas semanas após a visita do embaixador norte-americano em Marrocos, Duke Buchan, à cidade de Dakhla, no Sahara Ocidental ocupado por Rabat.
Durante a visita, o diplomata referiu-se à região como “Sahara marroquino”, provocando críticas da Polisario, que acusou Washington de prejudicar o ambiente negocial patrocinado pelas Nações Unidas.
O episódio coincidiu com a realização das manobras militares African Lion, conduzidas pelo comando africano do exército norte-americano em parceria com Marrocos e outros países africanos.


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