sexta-feira, 15 de maio de 2026

Seguridad Nacional alerta para reativação da rota do haxixe entre Marrocos e Espanha

 


O Departamento de Segurança Nacional (DSN) espanhol alerta, no seu relatório anual de 2025, para uma reativação da rota do haxixe entre Marrocos e Espanha, num contexto de aumento da atividade do narcotráfico no estreito de Gibraltar. A informação foi hoje avançada pelo jornal espanhol El Confidencial, citando o documento oficial do organismo dependente da presidência do Governo espanhol.

Segundo o relatório, Marrocos continua a ser o “principal produtor mundial de haxixe” e a rota de exportação para Espanha “parece ter sido reativada” no último ano. Apesar da redução das áreas de cultivo de cannabis no Rif, o aumento da produtividade mantém a produção anual estimada entre 2.500 e 3.000 toneladas.

O documento refere ainda que as organizações criminosas passaram a operar mais frequentemente a partir da costa marroquina para evitar a apreensão de embarcações pelas autoridades espanholas. O tráfico recorre agora a barcos de menor dimensão, pesqueiros, veleiros e iates para introduzir droga em Espanha através de portos de pesca, marinas e desembarques em praias.

O DSN estima que existam atualmente mais de 600 embarcações rápidas (“go-fast”) suspeitas de participação em operações de narcotráfico, sobretudo na zona do estreito de Gibraltar. Trata-se da primeira vez que uma autoridade espanhola apresenta uma estimativa desta dimensão da frota ligada ao tráfico de droga.

O relatório destaca também um aumento significativo das apreensões de combustível no sul de Espanha, particularmente nas províncias de Cádis e Huelva, destinado ao abastecimento das narcolanchas.

Entre as principais tendências identificadas pelo organismo espanhol está o aumento da violência dos traficantes, incluindo o uso de armas de guerra e ataques contra embarcações e veículos das forças de segurança. O documento recorda a morte de um agente da GNR portuguesa, em outubro, no rio Guadiana, após a colisão provocada por uma embarcação ligada ao narcotráfico.

Outra das novidades apontadas é o regresso do transporte aéreo de droga, incluindo o uso de drones e aeronaves clandestinas para transportar haxixe entre Marrocos e Espanha.

O relatório refere ainda que a pressão policial no golfo de Cádis está a levar os traficantes a expandirem as rotas para oeste, em direção à costa portuguesa, e para leste, até ao Mediterrâneo espanhol, Baleares e sul de França e Itália.

Segundo o DSN, a proibição em Espanha da fabricação e posse de lanchas rápidas levou parte da produção destas embarcações a deslocar-se para o norte de Portugal.


Última apreensão de armas de guerra no dia 8 de maio,
num navio com 30 toneladas de cocaína. (Guarda Civil)


O documento assinala igualmente o crescimento da chamada “rota atlântica do haxixe”, através da qual a droga é enviada da costa atlântica marroquina para países africanos como Senegal, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri, seguindo depois por via terrestre através do Sahel até à Líbia e posteriormente para a Europa ou Médio Oriente.

Além do haxixe, as autoridades espanholas registaram um aumento das apreensões de heroína e cocaína. No caso da cocaína, as quantidades apreendidas triplicaram nos últimos cinco anos, atingindo 124 mil quilos.

O relatório do Departamento de Segurança Nacional foi divulgado poucos dias após a morte de dois agentes da Guardia Civil durante uma perseguição a uma narcolancha ao largo de Huelva.

Fonte: El Confidencial

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