Mundial 2030 pode custar 14,9 mil milhões de euros a Marrocos (157,6 mil milhões de dirhams)
Num artigo publicado no OrientXXI, o jornalista Omar Kabbadj descreve a ampla operação de demolições em curso na medina de Casablanca, enquadrada no projecto da futura "Avenida Real", uma infraestrutura prevista até ao Mundial de Futebol de 2030, que ligará a Mesquita Hassan II à Praça das Nações Unidas. O projecto, orçado em cerca de 2 mil milhões de dirhams (187 milhões de euros), inclui zonas verdes, equipamentos culturais e espaços comerciais, sendo apresentado pelas autoridades como uma iniciativa de modernização urbana e reforço da atratividade turística da cidade.
Segundo a reportagem, centenas de famílias já foram obrigadas a abandonar as suas casas e entre 1.000 e 1.500 famílias terão sido deslocadas até ao momento, num universo estimado de 15.000 agregados afetados. Os moradores denunciam indemnizações insuficientes, dificuldades no acesso ao realojamento e alegadas irregularidades na identificação dos beneficiários. Muitos inquilinos, sem contratos formais de arrendamento, afirmam ter ficado praticamente sem compensação.
O texto recorda que o projeto foi concebido em 1989, durante o reinado de Hassan II, mas permaneceu décadas bloqueado devido à dificuldade em realojar os residentes e a casos de corrupção associados à empresa pública responsável pelo desenvolvimento urbano. A execução foi retomada em 2025, ficando a gestão das demolições, indemnizações e realojamentos a cargo de uma sociedade de desenvolvimento local sob tutela do Ministério do Interior marroquino.
Arquitetos, investigadores e representantes políticos citados pela publicação alertam para os impactos sociais e patrimoniais da operação. Sustentam que a valorização imobiliária e a especulação fundiária estão a acelerar a transformação do centro histórico, enquanto criticam a falta de transparência do processo de expropriações e de debate público sobre o projeto. O artigo refere ainda que outros bairros históricos de Casablanca poderão vir a ser alvo de intervenções semelhantes, no âmbito dos preparativos urbanos para o Mundial de 2030.
Marrocos poderá investir até 14,9 mil milhões de euros em estádios e infraestruturas para o Mundial 2030
A preparação de Marrocos para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 poderá representar um investimento global de até 14,9 mil milhões de euros, segundo estimativas de analistas, muito acima dos cerca de 5 mil milhões de euros apontados oficialmente por fontes marroquinas para os custos diretamente associados ao torneio.
O país, que organizará a competição em conjunto com Portugal e Espanha, está a desenvolver um vasto programa de construção e modernização de estádios, bem como de infraestruturas urbanas, ferroviárias e rodoviárias, num dos maiores investimentos públicos da sua história recente.
Embora as autoridades marroquinas tenham divulgado um valor de cerca de 52 mil milhões de dirhams (aproximadamente cinco mil milhões de euros) para os custos ligados ao Mundial, vários observadores consideram que o impacto financeiro será bastante superior quando forem contabilizados os projetos de mobilidade, requalificação urbana e transportes associados ao evento, elevando a fatura para cerca de 14,9 mil milhões de euros.
O Governo marroquino apresenta estes investimentos como uma oportunidade para acelerar a modernização do país e reforçar a sua projeção internacional. No entanto, críticos da estratégia consideram que o Mundial constitui também uma importante operação de promoção externa do Reino, num contexto em que Rabat procura consolidar o seu posicionamento internacional relativamente ao Sahara Ocidental.
A dimensão do investimento tem igualmente suscitado críticas internas, num país onde persistem elevados níveis de pobreza, desigualdades sociais e desemprego jovem. Nos últimos anos registaram-se protestos contra as prioridades orçamentais do Estado, com organizações de direitos humanos a denunciarem detenções e condenações de jovens ativistas envolvidos em manifestações.
Os projetos previstos incluem a construção e renovação de estádios, novas ligações ferroviárias, autoestradas, melhoria dos aeroportos e intervenções urbanísticas destinadas a preparar o país para receber o maior evento desportivo do mundo em 2030.

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