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| Naâma Asfari, em 2010, no acampamento da Dignidade de Gdeim Izik |
O militante saharaui Naâma Asfari, detido em Marrocos desde 2010, iniciou a 8 de junho uma greve de fome ilimitada para denunciar as suas condições de detenção e chamar a atenção para a situação dos prisioneiros saharauis. A informação foi avançada pelo diário francês Libération num artigo publicado no mesmo dia.
Com 56 anos, Naâma Asfari é um dos membros do grupo conhecido como "Gdeim Izik", composto por militantes saharauis detidos na sequência dos acontecimentos de 2010 no acampamento de protesto erguido perto de Laayoune, no Sahara Ocidental. Juntamente com outros 18 detidos, cumpre atualmente uma pena de 30 anos na prisão de Kénitra, perto de Rabat.
Segundo a sua esposa, a francesa Claude Mangin-Asfari, ouvida pelo Libération, esta greve de fome marca uma etapa decisiva após várias ações de protesto realizadas em maio sob a forma de três greves de fome de 48 horas. Afirma que o marido considera que nenhum avanço é possível sem um gesto forte da sua parte.
O processo de Gdeim Izik permanece um dos mais emblemáticos do conflito do Sahara Ocidental. Em outubro de 2010, milhares de saharauis tinham instalado um vasto acampamento para denunciar discriminações socioeconómicas e reivindicar o direito à autodeterminação. O desmantelamento do acampamento pelas autoridades marroquinas provocou violentos confrontos que resultaram na morte de onze membros das forças de segurança marroquinas, segundo as autoridades.
Na sequência desses acontecimentos, vários militantes saharauis foram detidos e condenados a pesadas penas de prisão (8 penas de prisão perpétua; 3 de 30 anos de prisão; 7 de 25 anos de prisão e uma de 20 anos). Os seus advogados contestam há muito a regularidade dos procedimentos judiciais, afirmando nomeadamente que algumas confissões foram obtidas sob tortura.
Várias instâncias das Nações Unidas debruçaram-se sobre este caso. Entre 2014 e 2026, o Comité contra a Tortura registou violações da Convenção contra a Tortura em vários processos ligados aos detidos de Gdeim Izik. Em 2023, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária considerou igualmente que a sua detenção tinha caráter arbitrário e apelou à sua libertação.
Para além da sua própria libertação, Naâma Asfari exige a transferência dos prisioneiros saharauis para estabelecimentos penitenciários situados na proximidade das suas famílias no Sahara Ocidental. Os seus apoiantes denunciam ainda dificuldades de acesso a cuidados médicos e medidas de represália de que seriam vítimas alguns detidos.
Esta nova ação surge num contexto em que os esforços internacionais para relançar o processo em torno do Sahara Ocidental prosseguem. No mesmo dia, o enviado pessoal do secretário-geral da ONU para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura, encontrava-se nos campos de refugiados saharauis de Tindouf, na Argélia, no âmbito das suas consultas com as diferentes partes envolvidas no conflito.

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