segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

A Guerra no Sahara Ocidental de 01 a 31 de janeiro

 


O Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) prosseguiu a guerra de desgaste e usura (humano e material) contra o dispositivo militar marroquino de ocupação no Sahara Ocidental. As operações centraram-se neste último mês particularmente na região centro/norte do Saguia El Hamra, em particular nas áreas de Mahbes, Housa e Guelta.

 


Operações militares em janeiro

01 de janeiro - destacamentos do Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) efetuaram um bombardeamento concentrado contra uma base das forças marroquinas de ocupação situada na região de Echrag Lagrab, no setor de Guelta.

16 de janeiro - Unidades del ELPS levaram a cabo um ataque com mísseis contra bases inimigas situadas na região de Acharak Tawarta, causando baixas nas fileiras das forças ocupantes.

17 de janeiro - Unidades ELPS realizaram um ataque contra a sede de comando do exército inimigo na cidade de Mahbes causando baixas humanas e materiais no dispositivo invasor marroquino.

18 de janeiro - Forças do Exército de Libertação do Povo Saharaui realizaram várioa ataques de artilharisa sobre a retaguardo do inimigo na zona de Rus Aswal, no setor de Hauza.

Neste mesmo dia a artilharia saharaui atingiu também uma base do exército ocupante na zona de Gràir Chadeiyda no setor de Farsia, na zoba norte/nordeste do território do Sahara Ocidental. Enquanto outras unidades do ELPS atacavam na zona de Agràrat Lahdid também no setor de Farsia.

19 de janeiro - Forças do ELPS realizaram ataques a bases militares inimigas na zona de Rus Audewat Chdeida e na zona de Alfayeín, ambas no setor de Farsia.

27 de janeiro - Uma série de bombardeamentos concentrados desencadeados por forças do ELPS atingiram várias bases inimigas sediadas na região de Laagad, no setor de Mahbes.

A rejeição do pedido da Comissão Europeia pelo TJUE é um doloroso revés para a Comissão, afirma a Frente POLISARIO

 

Abbi Bachraya Al Bachir

Agência SPS - 07/02/2025 -  O representante da Frente POLISARIO na Suíça, nas Nações Unidas e nas organizações internacionais em Genebra, o embaixador Abbi Bachraya Al Bachir, disse “que a rejeição pelo Tribunal de Justiça da União Europeia ao pedido da Comissão da União Europeia para retificar parágrafos específicos dos seus acórdãos emitidos em 04 de outubro, esclarecendo a diferença entre ‘a população’ do Sahara Ocidental e ‘o povo’ do Sahara Ocidental, sendo este último o titular do direito à autodeterminação é “outro golpe doloroso para a Comissão, que, como de costume, está a tentar encontrar uma maneira de contornar as decisões, como fez no final de 2018”.

O diplomata saharaui em declarações à APS disse que a rejeição pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) de um pedido da Comissão Europeia destinado a distorcer a demografia do Sahara Ocidental, “confirma o seu compromisso com a sólida base jurídica em que se basearam os julgamentos de 2015 a 2024, derivados do direito internacional e do direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação, o que implica a sua soberania sobre os seus recursos naturais, ao abrigo dos quais os acordos foram anulados porque não obtiveram o consentimento do povo saharaui, o titular exclusivo da soberania. ”

Ao indeferir este pedido, o Tribunal confirma o direito à autodeterminação e a situação demográfica de pré-ocupação, independentemente do termo população, que o ACNUR e Marrocos tentam introduzir na equação ao introduzir colonos em diferentes fases para alterar a composição demográfica do povo saharaui”, afirma.

Segundo a Western Sahara Resource Watch (WSRW), “a tentativa da Comissão Europeia de distorcer a demografia do Sahara Ocidental é um ato flagrante de manipulação, concebido para minar as decisões claras do Tribunal”.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

A Espanha pressionou o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias a alterar os acórdãos que anularam os acordos com Marrocos, sem sucesso.

 


EL INDEPENDIENTE - por Francisco Carrión @fcarrionmolina  | 06 / 02 / 25

O governo espanhol, juntamente com o governo francês, pressionou o Tribunal de Justiça Europeu para modificar os acórdãos históricos que, em outubro passado, anularam os acordos agrícolas e de pesca entre Bruxelas e Rabat, abrindo assim caminho para obter o consentimento do povo saharaui exigido pelo tribunal da UE. O Tribunal Europeu rejeitou as tentativas de alteração dos acórdãos, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, nunca comunicou à imprensa nem nas suas intervenções no Congresso dos Deputados de Espanha.

“O Tribunal de Justiça da UE rejeitou o pedido da Comissão Europeia para retificar parágrafos específicos nos seus acórdãos de 2024, uma vez que questiona se a maioria da população do Sahara Ocidental vive fora do território”, afirma o Western Sahara Resource Watch, um observatório com sede na Bélgica que denuncia a ocupação marroquina da antiga colónia espanhola.

O ponto de discórdia sobre o qual a Comissão se debateu com o apoio de Moncloa e do Eliseu diz respeito ao termo “povo” e “população”. O acórdão menciona “o povo saharaui” como proprietário dos recursos naturais do Sahara Ocidental, em oposição à população atual do Sahara ocupado que Marrocos tem alimentado com os seus nacionais a partir do território marroquino.

 

Tentativa de alteração dos termos

Em 24 de outubro de 2024, menos de três semanas após o acórdão do Tribunal, a Comissão da UE - denuncia o observatório - apresentou pedidos ao Tribunal para “retificar os parágrafos anteriores de cada acórdão, os mesmos parágrafos que deixam claro que a população do Sahara Ocidental, que tem direito ao consentimento em virtude do seu direito à autodeterminação, foi deslocada na sua maior parte”. “A Comissão alegou que esses parágrafos continham imprecisões e afirmou que não é claro se a maioria do povo saharaui vive realmente fora do território. O pedido, que foi apoiado pelos governos francês e espanhol, não tinha sido tornado público até agora”, explica a organização.

No final da semana passada, o Tribunal publicou as suas conclusões no seu sítio Web. “O Tribunal afirma que, em 15 de janeiro de 2025, o TJUE emitiu despachos que rejeitam o pedido da Comissão de retificação dos acórdãos relativos à pesca e ao comércio externo. De acordo com o tribunal, “não havia imprecisões óbvias nos parágrafos especificados que justificassem uma correção”. “O despacho sublinhou que os acórdãos originais se mantêm tal como foram proferidos, sem alterações nas secções impugnadas”, acrescentou.

“A tentativa da Comissão Europeia de distorcer a demografia do Sahara Ocidental é um ato flagrante de manipulação, destinado a minar as decisões claras do Tribunal. Estão a tentar fabricar dúvidas onde elas não existem, tudo para justificar a sua contínua cumplicidade com a exploração ilegal do território por parte de Marrocos.

Isto não é apenas um insulto ao direito internacional, é um insulto ao povo saharaui deslocado que lutou durante décadas pelo seu legítimo direito à autodeterminação”, observa Sara Eyckmans do Western Sahara Resource Watch. “Ao rejeitar os pedidos de retificação, o Tribunal reafirma a sua interpretação do direito internacional neste contexto, em particular no que diz respeito ao princípio da autodeterminação e aos direitos do povo do Sahara Ocidental.

A tentativa de alterar a redação do acórdão no interesse de Marrocos foi feita em total secretismo. A Comissão Europeia não informou os deputados da UE nas audições do outono de 2024 que tinha pedido ao Tribunal da UE para rever parágrafos-chave dos acórdãos sobre comércio e pescas. Nem o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, nem o ministro espanhol da Agricultura e Pescas, Luis Planas, mencionaram este facto nas suas repetidas declarações públicas sobre o assunto.

De facto, representantes da Comissão afirmaram aos membros das Comissões do Comércio Internacional, das Pescas e da Agricultura que ainda estavam a analisar os acórdãos. Uma versão que foi também repetida pelo Governo espanhol, que manifestou a sua intenção de preservar as “boas relações” com Marrocos. “Claramente, a Comissão estava apenas a ganhar tempo enquanto aguardava os resultados dos seus esforços para minar os direitos do povo saharaui”, denuncia Eyckmans.

 

Um bloqueio definitivo aos atalhos da Comissão

Para o Tribunal, é um facto comprovado que a maioria do povo saharaui não vive hoje no território, pois foi deslocado, enquanto a grande maioria dos actuais habitantes do território não são saharauis. A ordem deste novo Tribunal parece ter bloqueado definitivamente a possibilidade da Comissão de contornar o consentimento substituindo o povo saharaui por outras partes interessadas.

A 4 de outubro de 2024, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) emitiu dois acórdãos concluindo que tanto o Acordo de Comércio Preferencial UE-Marrocos como o Acordo de Pesca UE-Marrocos são inaplicáveis no Sahara Ocidental, uma vez que o povo do território não deu o seu consentimento. O tribunal declarou-os nulos e sem efeito.

Nos acórdãos, o Tribunal acrescentou parágrafos esclarecedores, afirmando que existe uma diferença entre a “população” do Sahara Ocidental e o “povo” do Sahara Ocidental, que tem o direito à autodeterminação. “Este povo, na sua maioria deslocado, é o único titular do direito à autodeterminação relativamente ao território do Sahara Ocidental. O direito à autodeterminação pertence a esse povo, e não à população desse território em geral, da qual, segundo as estimativas fornecidas pela Comissão na audiência perante o Tribunal de Justiça, apenas 25% é de origem saharaui”, determinou o tribunal.

Nota da tradução: Leia também o artigo publicado no site do Western Sahara Resources Watch (WSRW)


Este ano o FiSahara é em Outubro

 


Ainda não há datas concretas, mas para todos aqueles que querem acompanhar ou vir a assistir nos acampamentos de refugiados saharauis ao mais icónico Festival de Cinema no deserto, a informação aqui fica: o FiSahara 2025 vai ter lugar em Outubro.

Na ausência de confirmação de datas concretas e para que possam começar a planear, adiantamos que este ano o #FiSahara salta de Maio para Outubro!

Logo que haja datas definitivas o Festival anunciará nas redes sociais.

Foto: Giulio Paletta Photography

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Francisco Carrión expulso de Marrocos pelo seu trabalho jornalístico

 

Francisco Carrión, jornalista do «El Independiente»

A Federação das Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) denuncia a expulsão do jornalista Francisco Carrión do Sahara Ocidental.

 

Infoperiodistas - 06-02-2025 - A Federação das Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) condenou a expulsão de Francisco Carrión, jornalista do El Independiente, do Sahara Ocidental pelas autoridades marroquinas. Carrión deslocou-se a Dakhla (antiga Villa Cisneros) para fins informativos. Uma vez lá, não foi autorizado a prosseguir o seu itinerário. Foi primeiro detido, interrogado durante uma hora e meia e finalmente obrigado a regressar a Espanha num voo da Ryanair. De acordo com o seu testemunho, um agente disse-lhe que a sua expulsão se devia às suas publicações sobre o rei de Marrocos.

Além disso, Carrión denunciou a falta de assistência por parte das autoridades consulares espanholas. Recordou que outro jornalista espanhol, José Carmona, do Público, tinha sofrido o mesmo destino uma semana antes.

Perante estes acontecimentos, a FAPE solicita ao ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros que peça explicações ao seu homólogo marroquino e recorda que a repressão contra a imprensa em Marrocos é recorrente. Têm-se registado no país detenções arbitrárias e penas de prisão contra jornalistas.

 

Censura do documentário “Vientres de arena”

O bloqueio da informação em Marrocos afectou também a produção audiovisual. A produtora espanhola Cárabo Producciones denunciou a censura do seu documentário “Vientres de arena”, que trata das condições sanitárias do povo saharauí nos campos de refugiados de Tindouf. O filme foi premiado no Festival de Cinema do Fórum Mundial da Alimentação 2024, mas a sua exibição foi vetada, alegadamente devido a pressões do governo marroquino.

 


Liberdade de imprensa ameaçada em Marrocos

As organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram a falta de liberdade de expressão em Marrocos. A Amnistia Internacional denunciou a detenção de jornalistas e académicos por exercerem o seu direito à liberdade de expressão, bem como restrições arbitrárias nas prisões, que impedem os reclusos de aceder a material de leitura e de escrita.

Além disso, uma sondagem recente revela que 62% dos marroquinos consideram que os meios de comunicação social não estão autorizados a exprimir-se livremente. São estas restrições, entre outras, que levaram a que Marrocos fosse classificado por organizações internacionais como um “país não livre” em termos de liberdade de imprensa.


Consequências da repressão da imprensa

A FAPE alerta para o facto de Marrocos, ao tentar silenciar os meios de comunicação social, projetar uma imagem oposta à da democracia que pretende representar. A expulsão de jornalistas e a censura de conteúdos reforçam a perceção de repressão e geram a condenação unânime dos Estados democráticos, das suas instituições e da sociedade civil.

A organização defende que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia e do desenvolvimento social. Sem jornalistas não há jornalismo e sem jornalismo não há democracia.

 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Os sindicatos marroquinos festejam o “êxito retumbante” da greve geral, que contou com a adesão de 85% dos trabalhadores

 


A União Marroquina do Trabalho (UMT) celebrou o “êxito retumbante” da greve geral convocada em conjunto com outras quatro organizações sindicais, que no seu primeiro dia, quarta-feira, paralisou vários setores do país, atingindo, segundo o Comité Nacional de Greve, uma participação de quase 85%.

 

MADRID, 6 de fevereiro (EUROPA PRESS) - A União Marroquina do Trabalho (UMT) festejou o “êxito retumbante” da greve geral convocada em conjunto com outras quatro organizações sindicais, que no seu primeiro dia, esta quarta-feira, paralisou vários sectores do país, atingindo, segundo informou o Comité Nacional de Greve, uma participação de quase 85%.

Em comunicado publicado no seu site, felicita a “classe trabalhadora”, destacando o seu empenho “intenso, consciente e responsável” no primeiro dia de greve geral, que “superou as expectativas em todas as regiões” do país magrebino, bem como em grande parte do tecido económico, nomeadamente na agricultura, no comércio, nos estabelecimentos de ensino, nos bancos e em alguns meios de transporte.

O sindicato congratulou-se com este nível de participação e apelou novamente a “continuar e aumentar o ritmo da mobilização” no segundo dia da greve geral nacional, na quinta-feira, 6 de fevereiro.

Apesar do sucesso da greve, a UMT denunciou “provocações administrativas e tentativas de enganar a opinião pública (...) por parte dos organismos governamentais”.

Será que o governo vai aprender a lição?”, pergunta a organização, ao mesmo tempo que apela ao governo de Aziz Akhannouch para que regresse ao ‘caminho certo’, abra negociações ‘reais’ sobre as ‘legítimas aspirações’ dos trabalhadores e discuta ‘séria e responsavelmente’ com os sindicatos sobre questões que ‘exigem tratamento imediato sem demora’.

Também a Confederação Democrática do Trabalho (CDT), que considera o “momento de histórico”, assinalou que o governo deve responder a edsta mensagem contundente dos trabalhadores e entabular “um diálogo sério e responsável sobre o tema das leis de carácter social”, entre as quais naturalmente o Direito à Greve.

Trata-se da primeira Greve Geral convocada em Marrocos desde o ano de 2016.