quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

VIII Congresso da União Nacional das Mulheres Saharauis elege Minetu Larabás Suedat para SG da organização










O VIII Congresso da União Nacional das Mulheres Saharauis elegeu Minetu Larabás Suedat como nova Secretária-Geral da UNMS para um novo mandato de quatro anos.

A nova SG da UNMS, que substitui Fátma Mehdi no cargo, obteve 184 dos sufrágios, enquanto a sua oponente Nan-na Labàt Rachid obteve 121 dos votos.
A Presidente da Comissão Eleitoral, em seu discurso, elogiou o espírito que caracterizou o processo eleitoral, bem como a responsabilidade no debate e nas deliberações durante o congresso.

A nova Direção da UNMS passa assim a ser constituída:
Secretária-geral: Minetu Larabás Suedat

Secretárias-gerais a nível regional:
-Wilaya de Dakhla: Mariam Chej Mohamed
-Wilaya de Smara:Enguilla Salem Daf
-Wilaya de Auserd: Sidiya Hafed
-Wilaya de Aaiún: Tachla Bachri
-Wilaya de Bojador: Fatma Elgalia

Membros do Comité Executivo da UNMS:
Raabub Barca
Chàba Seini
Dih Mohamed Chadad
Mul-la Beiba Saleh
Emeimha Salimeya
Nayat Haya
Nan-na Labàt Rachid
Nura Ban-na Ba`ha
Fatimetu Hasan-na Brahim
Mahyuba Mohamed Saleh

Concluiram este segunda-feira na wilaya de Auserd os trabalhos do VIII Congresso da UNMS, Mártir Sidam-mi Mojtar Mohamed, após um debate de três dias sobre questões relacionadas com a participação política das mulheres saharauis, a experiência do Estado saharaui em vários domínios e outros temas de interesse. O congresso decorreu sob o slogan "Juntos marchamos rumo à vitória e à libertação” e contou com a participação de 500 delegados de várias representações de mulheres saharauis e representação das zonas ocupadas e de mais de 150 organizações internacionais de mulheres, bem como meios de comunicação nacionais e estrangeiros.

Quem é Minetu Larabas Suedat
Minetu Larabas Suedat é uma jovem saharaui, ativista dos Direitos dos Africanos em geral e líder em organizações de orientação política saharaui. Com cerca de 34 anos, é licenciada em Filologia Inglesa numa universidade argelina, tendo integrado a direção da Organização Internacional da Juventude (iuys).
Nascida nos campos de refugiados saharauis, durante os anos de guerra após a invasão militar marroquina do Sahara Ocidental, trabalhou na desminagem do Sahara Ocidental.





Fundação José Saramago lança campanha para criar biblioteca no Sahara Ocidental





A Fundação José Saramago vai iniciar uma campanha para criação de uma biblioteca nos campos de refugiados do Sahara Ocidental, apelando à entrega de livros na sua sede, em Lisboa.

“Uma parte da nossa atividade, ou um dos objetivos da fundação, é a defesa dos Direitos Humanos e é neste âmbito que estamos nesta campanha de solidariedade, não esquecendo direitos elementares e básicos que são a autodeterminação e a independência de um povo”, afirmou, em declarações à Lusa, Idália Thiago, da Fundação José Saramago.
A campanha FOI apresentada ONTEM, ao final do dia na sede, “dia do aniversário da República Árabe Democrática Saharaui”, que reivindica soberania sobre todo o território do Sahara Ocidental, “a única colónia ainda ocupada em África, ocupada por Marrocos”.
“É uma questão que queremos levantar, porque se trata de uma questão de Direitos Humanos básica e que está desde 1976 nesta situação. Uma parte da população está nos territórios que estão ocupados, com grandes dificuldades e pressão, e outra parte está refugiada em acampamentos numa área de terreno cedida pela Argélia”, referiu Idália Thiago.
Nos acampamentos, os refugiados “criaram uma espécie de país”, com o nome de cada um a “corresponder ao nome das cidades principais da terra deles”.
Desde 1976 que estas populações “sobrevivem com apoio solidário, de vários países europeus”.
“Sendo que ali falta quase tudo, nós lembrámo-nos que esta coisa dos livros, não sendo uma coisa prioritária para a sobrevivência, também é uma coisa que faz falta para quem está o ano inteiro ali. Portanto, lembrámo-nos que este podia ser um bom contributo nosso”, explicou Idália Thiago.

José Saramago quando visitou a saharaui Aminetou Haidar em greve de fome


A apresentação de hoje servirá para “lançar a proposta, para que as pessoas façam chegar livros, de preferência em espanhol, porque é a segunda língua da maioria dos miúdos, e que depois serão entregues” nos acampamentos.
“É a partir daqui que vamos fazer o apelo a toda a gente, estruturas, associações, quem quiser, que se junte à campanha para a recolha dos livros. Depois iniciamos o processo para fazermos a entrega lá”, referiu Idália Thiago.
A criação da biblioteca não passa pela construção de um edifício, “até porque não há edifícios, há casas construídas em adobe nos acampamentos”.
“O nosso papel é entregar a biblioteca completa”, disse, referindo prever que essa entrega seja feita “no início de dezembro”.
Quanto ao número de livros que podem vir a compor a “biblioteca completa”, Idália Thiago referiu que “aquilo que se conseguir recolher será de certeza bem-vindo, para um sítio onde não há nada”.


Segundo a fundação, em 2009 José Saramago, à chegada a Lanzarote, “fez questão de visitar” Aminetu Haidar, ativista pelos direitos do povo Saaraui, que cumpria no aeroporto daquela ilha das Canárias, Espanha, uma greve de fome que durou 32 dias.
Dessa forma, o Nobel da Literatura manifestou “o seu apoio à sua luta e à luta de todo aquele povo”.
A fundação lembra ainda que José Saramago disse que “Marrocos em relação ao Sahara transgride tudo aquilo que são as normas de boa conduta”.
“Desprezar os Saarauis é a demonstração de que a Carta dos Direitos Humanos não está enraizada na sociedade marroquina, que não se rebela com o que se faz ao seu vizinho, e que é a prova de que Marrocos não se respeita a si próprio - quem está seguro do seu passado não necessita expropriar quem lhe está próximo para expressar uma grandeza que ninguém jamais reconhecerá”, defendeu.
“Porque se o poder de Marrocos alguma vez acabasse por vergar os saharauis, esse país admirável por muitas e muitas coisas, teria obtido a mais triste vitória, uma vitória sem honra, nem glória, erguida sobre a vida e os sonhos de tanta gente, que apenas quer viver em paz na sua terra, em convivência com os seus vizinhos para que, em conjunto, possam fazer desse continente um lugar mais feliz e habitável”, acrescentou.
Lusa



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Delegação do Congresso dos EUA visita campos de refugiados saharauis




Por Un Sahara Libre – 24 de fevereiro de 2019 - Uma delegação dos EUA composta por 17 personalidades, incluindo seis eleitos, chefiados por James Inhofe, presidente do Comité dos Serviços Armados do Senado dos EUA, e pelo presidente do Comité de Finanças, Enzi Michael Bradley.

O Presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e Secretário Geral da frente POLISARIO, Brahim Ghali, recebeu neste domingo a delegação dos EUA.

Falando à imprensa, após uma entrevista com o Presidente da República, Brahim Gali, James Inhofe disse que a visita desta importante delegação “enquadra-se no âmbito do encorajamento do direito dos povos à recuperação da liberdade ansiada há anos”.

É um incentivo para povo como o do Sahara Ocidental recuperarem a sua liberdade”.

Esta visita está ligada à questão das negociações e à continuação dos esforços nesse sentido”, disse o representante americano e expressou esperança de que a reunião em março próximo entre as duas partes em conflito “seja frutífera e que esta visita tenha ” eco favorável nas negociações “.

O deputado norte-americano acrescentou que entre a delegação “há seis parlamentares eleitos pelo povo americano que reafirmam o seu compromisso de apoiar essa aspiração de liberdade”.

Esta não é a primeira visita do senador americano James Inhofe, que, acompanhado por uma grande delegação de senadores dos EUA, fez uma visita semelhante ao povo saharaui em fevereiro de 2017.

James Inhofe acompanha a questão do Sahara Ocidental há mais de uma década.

Em 2005, prestou depoimento perante a Comissão dos Assuntos Externos da Câmara sobre o conflito com Marrocos e o Sahara Ocidental:

Infelizmente, a forma como Marrocos lidou com a disputa sobre o Sahara Ocidental ao longo dos anos foi menos do que encorajadora. Marrocos concordou e discordou, andou para frente e para trás, em dar ao povo do Sahara Ocidental o direito à autodeterminação; uma escolha na determinação do seu destino político.

O povo do Sahara Ocidental definha nos campos do deserto por mais de 30 anos, enquanto o conflito não for resolvido. Eu visitei os acampamentos e vi com os meus próprios olhos que a história deles é de determinação, persistência e esperança de que um dia possam desfrutar dos direitos básicos que todos os seres humanos merecem – o direito à vida e à autodeterminação. Houve muitas negociações, e espero que uma resolução seja alcançada num futuro próximo, e que Marrocos dará aos cidadãos do Sahara Ocidental o direito de escolher por si mesmos o seu futuro”.

14 anos passados deste depoimento nada mudou, mas aparentemente existe um renovado interesse por parte da administração Norte Americana pela resolução deste conflito.

A visita desta delegação dos EUA é particularmente significativa pouco antes do novo encontro em Genebra entre Marrocos e a Frente Polisario sob os auspícios das Nações Unidas e o expresso desejo dos EUA de ver um fim ao longo conflito.

Nuno Abreu ganha prémio do IPDJ com “O Deserto”, um Diário sobre campos de refugiados saharauis




Por Un Sahara Libre – 25/02/2019 - O projecto de Nuno Henrique Brás Abreu, um diário sobre os “Campos de Refugiados Saharauis” ganhou o concurso nacional de jovens criadores na área de literatura.
Nuno Abreu apresentou o diário na Universidade Nova de Carcavelos, no passado dia 23 de Fevereiro.

O jovem universitário de Braga tem uma licenciatura em filosofia e é Investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. Nuno Abreu decidiu fazer o seu mestrado sobre a cultura saharaui. Durante os 17 dias nos campos de refugiados saharauis registou diariamente por escrito o que fez e viu, um relato pessoal, cru e honesto que nos transporta para um deserto árido onde uma grande parte do povo saharaui sobrevive em campos de refugiados desde 1975.
A “Mostra Nacional de Jovens Criadores 2018” conregou cerca de oitenta projectos, envolvendo quase uma centena de jovens criadores. Organizada pela Fundação da Juventude, com o apoio do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), insere-se no âmbito do “Programa Jovens Criadores”.
O “Programa Jovens Criadores”, gerido pelo IPDJ, visa a promoção do desenvolvimento artístico de jovens criadores nacionais, potenciando a criação de oportunidades de divulgação do seu trabalho.
O diário de Nuno Abreu “O Deserto” foi ainda uma das obras selecionadas para participar na Bienal de Jovens Criadores da CPLP, que se realiza em Angola, no próximo mês de julho (24-28/07).
Nos campos de refugiados há poetas e poetisas, pintores e pintoras, cantores e cantoras, há tudo como em todo o lado, porque são seres humanos” disse Nuno na sua apresentação.
O povo saharaui desmitifica, na opinião de Nuno Abreu, o que pensamos do mundo islâmico. “Um povo onde a mulher é pilar da sociedade, é ela que gere, administra, são presidentes de juntas de freguesia, são deputadas e ministras, uma sociedade onde a violência doméstica não é aceite e o último caso registado data dos anos 80.”

domingo, 24 de fevereiro de 2019

RASD renova sincera cooperação com os esforços da para completar a descolonização da última colónia de África




24 de fevereiro de 2019 (SPS)-. O presidente da República, Brahim Ghali reiterou este sábado a sincera cooperação da parte saharaui com os esforços da ONU para completar a descolonização da última colónia em África.

Nesse sentido, o presidente saharaui saudou os esforços empreendidos pelo enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas, o ex-presidente alemão Horst Köhler.

Ghali também saudou a posição de princípio da União Africana na adoção da questão saharaui como questão e responsabilidade africana.

Depois de reiterar a condenação do acordo de pesca UE-Marrocos, o secretário-geral da Polisario pediu aos povos europeus que denunciassem e não permitissem acordos deste tipo que incluam o solo, o mar e o espaço aéreo saharauis, porque violam a legalidade internacional e os princípios e resoluções da UE, incluindo os do seu Tribunal de Justiça.


Mohamed Ayoubi – sem justiça um ano após o seu falecimento