sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

França suspeita de envolvimento de Marrocos no espionagem a Pedro Sánchez com o software Pegasus

 

Pedro Sánchez, com os ministros Fernando Grande-Marlaska e Margarita Robles, cujos telemóveis foram espionados através do Pegasus.(Foto La Razon)

A justiça francesa suspeita que os serviços secretos de Marrocos possam estar na origem do ataque informático com o software espião Pegasus aos telemóveis do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e de três ministros do seu Governo. A informação é avançada pelo jornal conservador espanhol La Razón, que teve acesso a documentação judicial trocada entre França e Espanha.
egundo o diário, estas suspeitas constam da resposta enviada pelas autoridades judiciais francesas ao juiz da Audiência Nacional espanhola José Luis Calama, responsável pela investigação do caso. Dez meses depois do envio de uma comissão rogatória, o magistrado espanhol recebeu finalmente informação da justiça francesa, que investiga ataques semelhantes ocorridos em França com o mesmo software.
De acordo com essa resposta, a comparação entre dados técnicos recolhidos em França e em Espanha permitiu identificar “dois marcadores idênticos”, o que, na avaliação das autoridades francesas, aponta para “autores comuns” nos dois casos de espionagem. Num dos emails citados por La Razón, um magistrado francês questiona diretamente: “Os serviços marroquinos?”.
Apesar destas coincidências técnicas, a justiça francesa sublinha que, até ao momento, não é possível identificar formalmente os autores do ataque. Ainda assim, admite que não existem obstáculos à execução da Ordem Europeia de Investigação solicitada por Espanha, embora reconheça que o processo levanta dúvidas pela semelhança entre os dois episódios de espionagem.
O juiz José Luis Calama pediu a colaboração das autoridades francesas para obter mais informações sobre o controlo interno do software Pegasus pela empresa israelita NSO Group, bem como sobre as investigações técnicas realizadas pela Agência Nacional Francesa de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI). Paralelamente, reforçou pedidos de informação a Israel, incluindo o depoimento do CEO da empresa.
Segundo a investigação da Audiência Nacional, o telemóvel de Pedro Sánchez foi infetado com Pegasus em maio de 2021, em pleno contexto da crise migratória em Ceuta, após a entrada em Espanha do líder da Frente Polisário, Brahim Ghali (na altura gravemente doente devido à Covid). Os ataques coincidiram também com o período que antecedeu a concessão dos indultos aos líderes independentistas catalães condenados no processo do procés.
O Centro Criptológico Nacional espanhol confirmou que houve extração de informação do dispositivo do chefe do Governo. O caso está a ser investigado como um eventual crime de descoberta e revelação de segredos, por envolver o acesso ilícito a comunicações de natureza pessoal e institucional.

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