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© 2023 Ryad Kramdi/AFP via Getty Images |
A organização Human Rights Watch alertou para os riscos associados à atual condução do processo de paz no Sahara Ocidental, defendendo a necessidade de maior clareza e equilíbrio nas negociações entre Marrocos e a Frente Polisario.
Segundo a análise, as recentes negociações — retomadas após quase sete anos de impasse e impulsionadas pelos Estados Unidos — representam um desenvolvimento inesperado, mas assentam numa base considerada ambígua e potencialmente prejudicial ao processo.
A crítica centra-se na resolução mais recente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que mantém o princípio da autodeterminação, mas introduz referências à proposta de autonomia de Marrocos que, segundo a HRW, geram interpretações divergentes entre as partes.
Enquanto Marrocos encara as negociações como um processo para implementar a sua proposta de autonomia, a Frente Polisario defende um quadro mais amplo que inclua a possibilidade de independência, mantendo o desacordo de fundo.
A
organização considera que o envolvimento direto dos Estados Unidos,
fora do quadro tradicional liderado pela ONU, poderá agravar a
perceção de parcialidade e comprometer a confiança no processo.
O
conflito, que dura há cerca de 50 anos, continua a opor Marrocos —
que controla grande parte do território — e o movimento ide
libertação
nacional
saharaui,
apoiado pela Argélia.
A HRW defende que um eventual acordo exige medidas prévias de confiança entre as partes, como a libertação de presos políticos e a redução das hostilidades, bem como a definição de um quadro negocial claro e consensual.
Sem essas condições, a organização considera que a atual dinâmica poderá dificultar, em vez de facilitar, uma solução duradoura para o conflito.

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