quarta-feira, 3 de junho de 2026

Marrocos aposta no turismo no Sahara Ocidental, mas estratégia gera críticas sobre legitimidade da ocupação



O crescimento do turismo no Sahara Ocidental, território cuja soberania continua por resolver ao abrigo das Nações Unidas, está a gerar críticas de organizações de defesa dos direitos humanos e especialistas em direito internacional, segundo uma reportagem da BBC News Africa.

Nos últimos anos, Marrocos tem reforçado a promoção turística da região, em particular da cidade de Dakhla, apresentada por companhias aéreas, operadores turísticos e plataformas de reservas como um destino marroquino. O número de visitantes ao território administrado por Rabat aumentou mais de 50% entre 2019 e 2025, passando de cerca de 490 mil para mais de 743 mil turistas, de acordo com dados do Ministério do Turismo marroquino.

A expansão das ligações aéreas internacionais tem contribuído para este crescimento. Companhias como a Ryanair, a Transavia France e a Royal Air Maroc operam voos para Dakhla, enquanto novos investimentos em hotéis e infraestruturas procuram posicionar a região como um destino turístico emergente.

Contudo, organizações como a Western Sahara Resource Watch alertam que a promoção do Sahara Ocidental como parte integrante de Marrocos pode contribuir para legitimar uma ocupação que continua a ser contestada internacionalmente. Especialistas em direito internacional defendem que empresas do sector turístico deveriam distinguir claramente o território do restante território marroquino, uma vez que o seu estatuto jurídico permanece por definir. 

O Sahara Ocidental foi uma colónia espanhola até 1976. Após a retirada de Espanha, Marrocos invadiu e assumiu o controlo da maior parte do território, desencadeando um conflito com a Frente Polisario, movimento que reivindica a independência do povo saharaui. Apesar do cessar-fogo negociado pela ONU em 1991 , e acordado pelas duas partes, prever a realização de um referendo de autodeterminação, a consulta nunca chegou a realizar-se por oposição de Marrocos e a cumplicidade dos seus apoiantes, em particular a França.

A Frente Polisario acusa Marrocos de utilizar o desenvol-vimento económico e o turismo para consolidar o controlo sobre o território e criar um "facto consumado" perante a comunidade internacional. Fonte: BBC World Service / BBC News Africa.

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