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| Estadio Hassán II de Casablanca, em Marrocos, para el Mundial 2030/Populous |
A Cadena SER, uma das principais rádios espanholas, veio reforçar as informações já avançadas nos últimos dias por outros órgãos de comunicação social — incluindo a COPE e o The Objective — de que Marrocos está a desenvolver uma intensa campanha de influência junto da FIFA para garantir que a final do Mundial 2030 se dispute em Casablanca, e não em Espanha.
Segundo estas fontes, a preocupação na Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) já não é hipotética: existe um receio crescente, baseado em informação contrastada, de que a final acabe por se realizar em Marrocos devido a pressões externas. O principal impulsionador dessa manobra seria o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estaria a pressionar de forma clara para que Marrocos seja a sede escolhida, por considerar o país um "parceiro" estratégico dos EUA — uma relação que remonta aos Acordos de Abraão de 2020, quando Washington reconheceu a soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental em troca do reconhecimento de Israel por parte de Rabat.
O Mundial 2030 nasceu de uma candidatura conjunta entre Espanha e Portugal, oficializada em 2021, à qual Marrocos se juntou mais tarde, em 2023. Até há pouco tempo, dava-se como praticamente garantido que a final seria disputada no renovado Santiago Bernabéu, tornando-o no terceiro estádio do mundo a acolher duas finais de um Mundial, a par do Maracanã e do Estádio Azteca. Esse cenário está agora em xeque.
O estádio Hassan II, em construção perto de Casablanca, é apresentado como o grande trunfo marroquino: terá capacidade para 115 mil espetadores, tornando-se o maior estádio de futebol do mundo, e é o símbolo maior da ambição de Marrocos em projetar-se globalmente — reforçada pelo bom momento da própria seleção nacional, atual campeã africana que conseguiu chegar aos quartos de final do Mundial 2026.
Perante este cenário, o presidente da RFEF, Rafael Louzán, tem reiterado publicamente confiança em que a final se realize em território espanhol, defendendo que Espanha reúne todas as condições organizativas para o efeito. Mas, segundo as informações citadas pela Cadena SER, essa confiança pública contrasta com um pessimismo crescente nos bastidores da federação, onde a perda da final para Marrocos é já vista como um cenário cada vez mais provável.
Um estádio com custo obsceno!
Segundo os dados mais recentes (maio de 2026), o Grande Estádio Hassan II de Casablanca terá um custo global estimado em cerca de 1.000 milhões de euros, valor confirmado por Yassir Soussi, diretor-geral adjunto da Agência Nacional de Equipamentos Públicos (ANEP), o organismo responsável pela obra.
Este montante inclui não apenas o estádio em si — com capacidade prevista para 115 mil espetadores, o que o tornará o maior do mundo —, mas todo o complexo desportivo envolvente, com cerca de 150 hectares, incluindo a cobertura, o paisagismo e as infraestruturas circundantes.
Vale notar que os valores oficiais iniciais eram bem mais baixos: o orçamento original rondava os 5.000 milhões de dirhams (cerca de 478 milhões de euros), e um concurso de 2025 para a fase estrutural da obra tinha um valor de 3.200 milhões de dirhams (cerca de 304 milhões de euros). O valor de mil milhões de euros divulgado agora reflete o custo total do projeto, já com o complexo envolvente incluído — uma escalada significativa face às estimativas iniciais.
A construção está a decorrer no bosque de Mansouria, perto de Benslimane, cerca de 38 km a norte de Casablanca, com conclusão prevista para dezembro de 2027.

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