quarta-feira, 15 de julho de 2026

Marrocos liberta jornalista crítico Ali Lmrabet

 



O jornalista marroquino Ali Lmrabet, detido no domingo por Marrocos por alegados "comentários difamatórios e insultuosos contra pessoas e instituições", foi libertado esta quarta-feira, segundo avança o jornal espanhol El Independiente. Lmrabet tinha sido detido ao chegar ao aeroporto de Tânger, proveniente de Barcelona — cidade onde reside há vinte anos —, tendo permanecido detido na Brigada Nacional da Polícia Judiciária, em Casablanca. 

A Procuradoria do Rei junto do Tribunal Penal de Casablanca anunciou a libertação de Lmrabet depois de "rever e estudar os diversos documentos processuais, concluir a investigação e realizar as análises técnicas necessárias". O jornalista foi novamente interrogado esta quarta-feira, desta vez com "todas as garantias e direitos que a lei lhe concede", segundo comunicado do Ministério Público citado por meios marroquinos. Além da libertação, a Procuradoria anunciou também a devolução dos objetos apreendidos durante a detenção — dois computadores, um dispositivo de armazenamento e um telemóvel —, ainda que tenha deixado claro que a investigação contra o jornalista prossegue, sem especificar que acusações formais poderá vir a enfrentar.

Lmrabet é uma das vozes mais críticas do rei Mohamed VI e do regime marroquino. Casado com a professora espanhola Laura Feliú, o jornalista é alvo de perseguição por parte de Rabat há já duas décadas. A detenção de domingo gerou forte reação, com organizações marroquinas como a Associação Marroquina de Apoio aos Presos Políticos (Himam) a exigir a sua libertação imediata, e organizações internacionais como os Repórteres Sem Fronteiras a somarem-se aos apelos pelo fim da perseguição judicial contra o jornalista. A libertação coincide, aliás, com o início de uma visita oficial do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, a Marrocos — Lmrabet tem também nacionalidade francesa, e a sua mulher confirmou ao El Independiente que a família contactou associações que tentaram intermediar junto do gabinete do chefe de Governo e do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês. 

O artigo recorda que a perseguição contra Lmrabet remonta a 2003, quando o seu semanário Demain foi encerrado pelas autoridades marroquinas, que o condenaram a quatro anos de prisão pelas suas publicações satíricas e críticas ao regime. A pressão internacional e uma greve de fome do próprio jornalista levaram a um indulto real no ano seguinte. Ainda assim, Marrocos proibiu-o de exercer jornalismo no país por dez anos a partir de 2005, depois de Lmrabet se referir aos refugiados saharauis como tal, em vez de usar a expressão oficial marroquina de "população sequestrada pela Frente Polisario" — decisão que o levou a fixar residência em Espanha. Em 2015, iniciou uma nova greve de fome depois de as autoridades marroquinas se terem recusado a renovar a sua documentação. Lmrabet foi distinguido pelos Repórteres Sem Fronteiras como um dos "100 heróis da informação" em 2014.

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